17 de jul. de 2007

Senhores!!!

Seguindo as palavras de ontem segue um post do professor Roberto Romano. Ele traz um artigo da "folha de são paulo" e comenta.
Abraços, Caetano.

TENDÊNCIAS E DEBATES (16/07/07)
Chega de Excelências, senhores!
FAUSTO RODRIGUES DE LIMA

Numa verdadeira República, a qual o Brasil há de fundar, o único tratamento formal possível será o de "senhor", da nossa tradição popular

EM 13/6 , um juiz do Paraná desmarcou uma audiência porque um trabalhador rural compareceu ao fórum de chinelos, conduta considerada "incompatível com a dignidade do Poder Judiciário". Não muito antes, policiais do Distrito Federal fizeram requerimento para que fossem tratados por "Excelência", tal qual promotores e juízes. Há alguns meses, foi noticiado que outro juiz, este do Rio de Janeiro, entrou com uma ação judicial para obrigar o porteiro de seu condomínio residencial a tratar-lhe por "doutor".

Tais fatos poderiam apenas soar como anedotas ridículas da necessidade humana de criar (e pertencer a) castas privilegiadas. No entanto, os palácios de mármore e vidro da Justiça, os altares erguidos nas salas de audiência para juízes e promotores e o tratamento "Excelentíssimo" dispensado às altas autoridades são resquícios diretos da mal resolvida proclamação da República brasileira, que manteve privilégios monárquicos aos detentores do poder.
Com efeito, os nobres do Império compravam títulos nobiliárquicos a peso de ouro para que, na qualidade de barões e duques, pudessem se aproximar da majestade imperial e divina da família real.


Com a extinção da monarquia, a tradição foi mantida por lei, impondo-se diferenciado tratamento aos "escolhidos", como se a respeitabilidade dos cargos públicos pudesse, numa república, ser medida pela "excelência" do pronome de tratamento.
Os demais, que deveriam só ser cidadãos, mantiveram a única qualidade que sempre lhes coube: a de súditos (não poderia ser diferente, já que a proclamação não passou de um movimento da elite, sem nenhuma influência ou participação popular). Por isso, muitas Excelências exigem tratamento diferenciado também em sua vida privada, no estilo das famosas "carteiradas", sempre precedidas da intimidatória pergunta: "Você sabe com quem está falando?". É fato que a arrogância humana não seduz apenas os mandarins estatais.

A seleta casta universitária e religiosa mantém igualmente a tradição monárquica das magnificências, santidades, eminências e reverências. Tem até o "Vossa Excelência Reverendíssima" (esse é o cara!). Somos, assim, uma República com espírito monárquico. As Excelências, para se diferenciarem dos mortais, ornam-se com imponentes becas e togas, cujo figurino é baseado nas majestáticas vestimentas reais do passado. Para comparecer à sua presença, o súdito deve se vestir convenientemente. Se não tiver dinheiro para isso, que coma brioches, como sugeriu a rainha Maria Antonieta aos esfomeados que não podiam comprar pão na França do século 18.

Enquanto isso, barões sangram os cofres públicos impunemente. Caso flagrados, por acaso ou por alguma investigação corajosa, trata a Justiça de soltá-los imediatamente, pois pertencem ao mesmo clã nobre (não raro, magistrados da alta cúpula judiciária são nomeados pelo baronato). Os sapatos caros dos corruptos têm livre trânsito nos palácios judiciais, com seus advogados persuasivos (muitos deles são filhos dos próprios julgadores, garantindo-lhes uma promiscuidade hereditária), enquanto os chinelos dos trabalhadores honestos são barrados. Eles, os chinelos, são apenas súditos. O único estabelecimento estatal digno deles é a prisão, local em que proliferam.

A tradição monárquica ainda está longe de sucumbir, pois é respaldada pelo estilo contemporâneo do liberal-consumismo, que valoriza as pessoas pelo que têm, e não pelo que são. Por isso, após quase 120 anos da proclamação da República, ainda é tão difícil perceber que o respeito devido às autoridades devia ser apenas conseqüência do equilíbrio e bom senso dos que exercem o poder; que as honrarias oficiais só servem para esconder os ineptos; que, quanto mais incompetente, mais se busca reconhecimentos artificiais etc. Numa verdadeira República, que o Brasil ainda há de um dia fundar, o único tratamento formal possível, desde o presidente da nação ao mais humilde trabalhador (ou desempregado), será o de "senhor", da nossa tradição popular.

Os detentores do poder, em vez de ostentar títulos ridículos, terão o tratamento respeitoso de servidor público, que o são. E que sejam exonerados se não forem excelentes! Seus verdadeiros chefes, cidadãos com ou sem chinelos, legítimos financiadores de seus salários, terão a dignidade promovida com respeito e reverência, como determina o contrato firmado pela sociedade na Constituição da República.
Abaixo as Excelências!

FAUSTO RODRIGUES DE LIMA , 36, é promotor de Justiça do Distrito Federal.


COMENTÁRIO:

O ARTIGO, EXCELENTE, EVIDENCIA UMA TESE DEFENDIDA EM TEXTOS PUBLICADOS POR MIM, SOBRE O CARÁTER ABSOLUTISTA ANACRÔNICO DO ESTADO BRASILEIRO E DE SEUS AGENTES. É MUITO IMPORTANTE QUE GENTE JOVEM, COMO O PROMOTOR ARTICULISTA, ENTRE NA LIÇA CONTRA OS TÍTULOS E OS ABUSOS DOS ASSIM CHAMADOS PODEROSOS BRASILEIROS, EM TODOS OS SETORES DO ESTADO E DA SOCIEDADE CIVIL.

NA ESPANHA, O TRATAMENTO DOS DEPUTADOS É "SENHORIA". E A ESPANHA É MONÁRQUICA....AQUELE PAÍS TEM MAIS DEMOCRACIA NO TRATO DOS GOVERNADOS, DO QUE O FRANKENSTEIN ABSOLUTISTA, O IMPÉRIO BRASILEIRO.
R.R

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16 de jul. de 2007

Bem acompanhados!!!

Não dá pra saber o que é pior: a falta de compostura de Lula ao são saber lidar com vaias ou FHC declarando hoje que se estivesse lá teria aberto os Jogos do mesmo jeito. O primeiro dá um show de autoritarismo, imaginei que com tantos anos de sindicalismo e blá, blá, blá, já sabia lidar com a massa. Mas não é isso que ele demonstra, só se dá bem em ocasiões bem selecionadas com público igualmente seleto. E FH, surgiu de onde?

Pra quê?

Eles podiam disputar juntos a prova de arrogância. É um show de egos, "eu", "eu", "eu". Vale lembrar, a presidência da república é uma instituição republicana e tanto o intelectual FH quanto o metalúrgico Lula deveriam respeitá-la mais.

Mas na nossa história quem respeitou?

Antes deles quem tínhamos? Melhor não nomear.

E antes então?



penso...



Será mesmo que vivemos numa república?

*a imagem é de Deodoro da Fonseca, o proclamador da república... É de chorar viu...

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15 de jul. de 2007

Na Folha de hoje

Federais ampliam vagas, mas alunos ficam sem estrutura

Das 59 unidades criadas pelo governo desde 2005, apenas 14 delas têm sede

Governo reconhece problemas nas universidades, mas diz que eles fazem parte do crescimento "ousado"

ROGÉRIO PAGNAN
ENVIADO ESPECIAL A SANTOS (SP)

Alunos de educação física de Santos, no litoral paulista, não têm quadra nem piscina, os de farmácia, em Vitória da Conquista (Bahia), usam vidros vazios de maionese para realizar experimentos e os estudantes de ciência da computação em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, não têm sequer computadores e podem até ter o curso encerrado na cidade.
Essa é a realidade da expansão universitária do governo Lula que teve seu boom a partir do final de 2005, quando foram criadas cerca de 18 mil vagas, elevando em quase 15% o número de cadeiras oferecidas em 2004 (123.959 vagas) nas federais. Atualmente, são aproximadamente 140 mil vagas oferecidas por ano.
Das 59 novas unidades previstas para serem implantadas desde 2005, entre construção e ampliação de novas universidades e campi, apenas 14 estão prontas. As outras ainda estão em obras, em fase de licitação ou não saíram do papel.
Este é o caso, por exemplo, de campus da Unifesp em São José dos Campos, onde o curso de ciência de computação implantado em fevereiro deste ano pode fechar as portas na cidade, de acordo com o reitor Ulysses Fagundes Neto.
O motivo: ainda não há terreno definido para o campus. "Demos um prazo até o dia 27 de julho", disse o reitor.

Sem sede
Essa falta de sedes próprias deixa cerca de 13 mil alunos em unidades provisórias, alugadas ou emprestadas, onde, muitas vezes, não cabem os laboratórios ou não há espaço para todos os estudantes.
Segundo a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), um dos motivos para essa falta de estrutura foi o pouco tempo gasto no planejamento para a criação de cursos e unidades. Muitos projetos foram desenvolvidos, no final de 2005, em um período de 30 ou 60 dias.
"Essa expansão não foi planejada. Não houve um planejamento de médio e longo prazos. Elas [as instituições federais] não tiveram, assim como o Ministério da Educação, tempo para criar todas as condições necessárias", disse Alan Barbiero, reitor da Universidade Federal do Tocantins e coordenador de um grupo da Andifes que acompanha a expansão da rede de ensino.
A vice-pró-reitora de graduação da Unifesp, Lucia de Oliveira Sampaio, disse temer que a falta de estrutura possa provocar a evasão de alunos e professores. "Certas coisas têm um tempo. Dizer: "Vamos mudar do dia para a noite", não existe.
Faz a coisa, pega, não tem lugar, o cara tem equipamento e não tem onde pôr. O planejamento foi muito rápido para a gente. Nós estamos num esforço astronômico para que a coisa dê certo", afirmou.
O secretário de Educação Superior, Ronaldo Mota, reconhece existir problemas, mas diz que eles não são mais importantes que as conquistas do "projeto ousado" do governo.


Colaboraram ALESSANDRA BALLES , da Redação, e SIMONE IGLESIAS , da Agência Folha, em Porto Alegre

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14 de jul. de 2007

Escândalos no pipeline, por Fernando Gabeira

Vão falar que é propaganda política, mas não. Juro que não. Segundo post com o Gabeira em poucos dias. O fato é que o artigo é bom, saiu na Folha de hoje. Trata da corrupção e sobre o desempenho de partidos nanicos. Essa questão dos partido tem me feito pensar muito, principalmente na crise do Renan. Quero escrever sobre isso mas faltam amadurecer alguns pensamentos aqui. Por enquanto fiquem com a companhia do Gabeira.
Abraços, Caetano.

Escândalos no pipeline

SAIO POR duas semanas e vejo escândalos no pipeline. O primeiro deles é das licitações da Petrobras. É preciso cuidado com escândalos que envolvam empresas globais. A competição é feroz. A política correta, creio eu, é antecipar-se aos problemas e encará-los de frente. Depois de uma sucessão de desastres ambientais, Felipe Reichstul aumentou a transparência da empresa e colocou de pé um sistema de previsão de combate de acidentes. Custou R$ 1,2 bilhão, mas compensará.
O escândalo de agora exigirá de novo um passo para a frente. A tática de uma empresa global não pode mimetizar a dos políticos brasileiros. Eles negam, retardam processos, fazem chicanas. Não dão a mínima para a própria reputação. Saio do Brasil de uma certa forma pouco animado com o semestre que passou. Numa frente exigia um determinado tipo de comportamento, em outra tentava aplicá-la no Partido Verde.
Os vereadores de Natal aprovaram um item do plano diretor que destruiria a zona norte da cidade. Pedi a expulsão de quatro do PV. Houve muito choro por isso. A Polícia Federal resolveu o assunto, lacrando a Câmara e prendendo alguns vereadores, comprados pela especulação imobiliária. No carro de um deles, conta a imprensa do Nordeste, havia R$ 5.000 sob o tapete.
Em Minas, a bancada de sete deputados do PV tendia a aprovar um projeto que amplia o foro especial para eles. Justo no momento em PV nacional adere a uma campanha pelo fim do foro especial, iniciada pela AMB. O relatório do Banco Mundial sobre a corrupção no Brasil enfatiza a necessidade de uma resposta. Pessoalmente, acho que os mecanismos de controle têm melhorado. Mas não deixa de ser bizarro um país em que um programa político tenha de ser realizado pela Policia Federal, e não pelos eleitos. A luta contra a especulação imobiliária em Natal e também, recentemente, em Florianópolis, foi realizada também pela polícia, numa espécie de vácuo político. Houve uma reação rápida da Câmara, expulsando um vereador. Não é preciso sempre esperar o PSOL.
Entre o Banco Mundial e o PSOL há um vínculo importante: ambos denunciam a corrupção. E não deixa de ser bizarro o país onde o único partido que contribui, nesse ponto, para um capitalismo mais sério é um pequeno partido socialista. Terei pelo menos um bom tempo para ruminar essas estranhezas. E para completar deveres de casa adiados. Agosto é sempre o mês mais eletrizante no Brasil.
assessoria@gabeira.com.br

FERNANDO GABEIRA escreve aos sábados nesta coluna.

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A relevância da política

Artigo de Antônio Cícero publicado hoje na Folha. Não concordo diretamente com tudo que ele diz mas são levantados pontos em que vale a pena pensar.
Abraços, Caetano

A relevância da política
escrito por Antônico Cícero (14/07/07)


Para lutar contra as desigualdades sociais, devemos defender a sociedade aberta e laica

LEMBRO-ME de que, quando eu era estudante universitário, no final da década de 60, parecia evidente a todo o mundo (ou pelo menos a todo o mundo de esquerda) que nos Estados Unidos não havia nenhuma diferença substancial entre o Partido Democrata e o Partido Republicano. Essa era a tese dos marxistas, mas ela havia encontrado apoio também, desde a década de 50, em autores independentes, como Wright Mills. E era o que Herbert Marcuse e, de maneira geral, os filósofos e ideólogos da contracultura pensavam.
Nessa época, a Guerra do Vietnã, que havia tomado corpo com um democrata (Kennedy), engrossado com outro (Johnson), e que continuava sua "escalada" com um republicano (Nixon), parecia confirmar que a cara de um partido era o focinho do outro.
De lá para cá, também entre grande parte dos intelectuais americanos tornou-se senso comum a opinião -expressa, por exemplo, por Chomsky e por vários representantes locais do pós-estruturalismo- de que nos EUA as eleições não são muito relevantes. As enormes taxas de absenteísmo eleitoral que lá se verificam levam a supor que talvez até uma parte considerável dos eleitores americanos -entre os quais muitos jovens e muitos pretos- também pensem assim.
A verdade, porém, é que ultimamente não tem mais sido possível acreditar nessa tese. Tendo em vista o verdadeiro ataque perpetrado pela administração republicana de George Bush à razão, ao Estado de Direito e à democracia nos Estados Unidos, seria inteiramente absurdo pensar que não haja uma diferença extremamente relevante entre ele e, por exemplo, o seu predecessor democrata, Bill Clinton.
Para prová-lo, bastaria citar o fato de que, brandindo o pretexto do terrorismo, Bush conseguiu fazer aprovar pelo Congresso, então majoritariamente republicano, o Military Commissions Act, uma lei que, em certas circunstâncias, torna admissível a tortura e põe fora de ação o instituto do habeas corpus: retrocesso jurídico simplesmente inconcebível há poucos anos e que constitui uma afronta inominável aos direitos humanos.
Por ocasião da sua aprovação, o jornal "The New York Times" (em 28/9/2006), com toda razão, declarou em editorial que, no futuro, os americanos se lembrarão de que, "em 2006, o Congresso passou uma lei tirânica que será considerada como um dos pontos baixos da democracia americana". E poderíamos lembrar que, ainda antes da aprovação dessa lei, o governo Bush já se permitira seqüestrar, encarcerar e submeter pessoas que jamais sequer haviam sido formalmente acusadas de qualquer crime específico a torturas e tratamentos indignos.
E que dizer do fato de que ele subverte o princípio de controles e equilíbrios ("checks and balances") que garante a independência dos poderes, ao pressionar, ameaçando de demissão, juízes que não se conformem com os seus desígnios? Ou da sua tentativa de solapar a autonomia da ciência, ao incentivar, contra a teoria científica da evolução, a divulgação e o ensino da teoria pseudo-científica do "intelligent design"? Ou da parcialidade do seu governo às iniciativas religiosas em todos os campos, minando o caráter laico do Estado?
Eu poderia continuar, falando, por exemplo, da sua política econômica, que acaba por redistribuir a renda a favor dos mais ricos; ou da sua destruição sistemática do sistema de saúde pública. O principal, porém, é outra coisa: é que devemos compreender que a tese da irrelevância da política não somente contribuiu para pôr Bush no poder como é a tese que mais convém a ele e a seus aliados, pois o que eles atacam é precisamente a política; e a que menos convém àqueles que defendem a liberdade nos Estados Unidos ou em qualquer outro país.
Fala-se às vezes da "democracia direta", como um antídoto à "irrelevância da política". Mas a "democracia direta" pode ser, na verdade, uma ditadura plebiscitária, como a de Chávez. Não devemos nos esquecer de que as ditaduras de Mussolini, de Hitler, de Stálin e de Pol Pot eram apoiadas pela maioria, logo, nesse sentido, "democráticas". A razão nem sempre está com a maioria: pode estar até com um homem só.
Por isso, mesmo para lutar contra as desigualdades sociais, devemos defender a sociedade aberta e laica, o Estado de Direito, a livre expressão, a maximização da liberdade individual, a coexistência de uma multiplicidade de culturas e formas de vida, a autonomia da ciência, a autonomia da arte etc. E defender isso é defender a relevância da política.

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5 anos de "OCAS"



Hoje haverá um festa para comemorar os 5 anos da Revista OCAS, com a presença do músico Seu Jorge. Mais Informações.



Misturando informação, opinião e um projeto social Ocas é uma revista vendida exclusivamente por moradores ou ex-moradores de rua integrantes do projeto. Dos 3 reais que a revista custa 2 ficam para o vendedor. Quem quiser conhecer www.ocas.org.br

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13 de jul. de 2007

Alguém me diz os porquês!

Essa é pra quem acompanhou a cerimônia de abertura do Pan Rio 2007:
(pra quem não viu: http://pan.uol.com.br/pan/2007/ultnot/2007/07/13/ult4343u1185.jhtm)

  • Quem vaiou o Presidente Lula?
  • Quem vaiou a delegação do Estados Unidos?
  • Quem que vaiou a delegação da Bolívia?
  • Quem que vaiou a delegação da Venezuela?
  • Por que o presidente não falou na cerimônia, de acordo com o cerimonial de mais de 52 anos de existência em que chefes-de-estado declaram os jogos abertos?
Afinal... Quem era esse público da cerimônia de abertura, que fica pra história como 'a massa brasileira que acolheu as delegações'? Essa torcida representa mesmo o Brasil? Ou quem pode pagar mais por uma entrada na cerimônia? Ou quem foi convidado?

Que fizeram de errado os/as atletas cujas delegações foram vaiadas para merecerem tamanho desrespeito? Belo exemplo de espírito olímpico demos...

Ah! aproveitando o gancho de 'olimpíada'... Pra quem é esse Pan 'de nível olímpico', como a rede Globo tanto insiste em dizer? Quem constrói estádios supervalorizados enquanto uma cidade rui aos pedaços, em uma guerra violenta? Ou será que eu deveria dizer um país?



Ass. Enric "Grama" Llagostera

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Entrevista com Martinho Lutero




Leia aqui uma "entrevista" concedida por Martinho Lutero ao jornalista Mino Carta. Os dois conversam a respeito do documento da Congregação do Vaticano para a Doutrina da Fé, que define a Igreja Católica Apostólica Romana como a única detentora dos saberes de Cristo.

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Artigo de Carlos Alberto Sardenberg

Política, com seu dinheiro

Artigo - Carlos Alberto Sardenberg
O Globo
12/7/2007

A Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA, uma estatal pertencente ao governo estadual, distribuidora de energia no estado) está na seguinte situação:

- deve R$338 milhões à Eletronorte, estatal federal da qual compra a energia; essa dívida equivale a 4,3 anos de fornecimento;

- deve R$230 milhões em tributos e contribuições sociais;

- as dívidas são superiores ao montante de bens;

- seus consumidores lhe devem R$128 milhões, sendo que 67% dessa conta é inadimplência de prefeituras, órgãos estaduais e federais, que não são cobrados;

- no caso dos consumidores que pagam, há crime de apropriação, pois a CEA recebe e não repassa à Eletronorte.

Em resumo, a CEA é ineficiente, improdutiva e está quebrada - e não é de hoje.

Como conseguiu continuar funcionando tanto tempo assim? Como é que a Eletronorte não cortou o fornecimento ou tomou alguma providência?

A resposta tem um nome: o senador José Sarney, maranhense eleito pelo Amapá, e que manda, faz tempo, num bom pedaço da sistema elétrico brasileiro. Ele nomeou o ministro de Minas e Energia e há muitos anos é, por assim dizer, o "dono" da Eletronorte, estatal que controla também via nomeações.

E o que diz a Agência Nacional de Energia Elétrica, Aneel, que regula o setor?

Depois de diversas auditorias e depois de ter dado, em 2005, um prazo de 180 dias para que a CEA implementasse um plano de recuperação, fracassado, a diretoria da Aneel, por unanimidade, decidiu propor a "caducidade da concessão". Motivo: a concessionária simplesmente não cumpre suas obrigações legais. Tomado esse caminho, a CEA perde o direito de distribuir energia e a concessão é novamente licitada, sendo que a companhia do Amapá não poderá participar. A Aneel deve formalizar em breve sua proposta ao Ministério de Minas, poder concedente, e que, pois, pode cassar a concessão.

Qual a chance de isso acontecer?

Perto de zero.

Continue a ler o artigo aqui.

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Depois do Cristo é Borba neles!!!

A contribuição paulistana para as maravilhas do mundo. Homenagem `a estátua paulistana do bandeirante Borba Gato localizada na zona sul da cidade de são paulo.

Borba Gato, o bagulho maravilha


"Mais ereto que Brasília, olha só como ele brilha"

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Mais público e privado

algumas coisas que dizem um pouco mais a respeito desse lance público privado. Abaixo um vídeo onde o deputado Fernando Gabeira discursa num ato em Porto Alegre contra a corrupção (03/07/07). Acho um discurso bem importante e significativo, embora não tenha interesse nenhum interesse em fazer campanha para o Gabeira, por ele tenho respeito (o que convenhamos não dá pra ter por muitos que stão na Câmara).
E mais abaixo matéria de terça feira da folha demonstrando recebimento de verbas ilegais na campanha do PT.
Caetano.



PT recebeu doação vedada pela legislação eleitoral

Partido e empresas afirmam que contribuições foram feitas de acordo com a lei

No ano passado, legenda obteve R$ 50 mil de uma concessionária de serviço público e R$ 750 mil de uma controladora de "porto seco"

FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O PT recebeu em 2006 doação de concessionária de serviço público o que, segundo entendimento já firmado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), é vedado pela legislação. O dinheiro de empresas ao partido destinou-se a campanhas eleitorais, incluindo a de Luiz Inácio Lula da Silva.
A Folha apurou junto ao TSE que o PT corre risco de ter as contas rejeitadas. Isso traria sanções como a perda do Fundo Partidário (dinheiro público destinado aos partidos).
Em 4 de outubro de 2006, entraram nos cofres do partido R$ 50 mil, oriundos da Rodrimar S/A Transportes, Equipamentos e Armazéns Gerais, dona de um "porto seco" em Ribeirão Preto (SP). "Porto seco" é um recinto concedido pela União a empresas privadas, mediante licitação, para operações alfandegárias.
Além disso, R$ 750 mil foram doados ao PT pela Libra Terminais, controladora do "porto seco" LibraPort Campinas. Nesse caso, como a doação foi feita em nome da controladora, e não da subsidiária que tem a concessão, a jurisprudência do TSE não é clara.
A área técnica do tribunal entende que a doação da Libra também seria proibida, segundo a Folha apurou, mas os ministros poderão ter outro entendimento quando o caso for julgado, no segundo semestre.
Em dezembro de 2006, as contas da campanha de Lula já tinham sido rejeitadas pelo TSE, justamente por uma doação de um "porto seco".
O dinheiro era da Deicmar S/A, de Santos (SP), que deu R$ 10 mil à campanha. O PT está recorrendo da decisão. Se perder, poderá haver uma ação de perda de mandato contra Lula.
Na ocasião, a empresa e o partido argumentaram que a atividade de "porto seco" não pode ser considerada concessão de serviço público, mas o TSE não concordou.
Se a jurisprudência for mantida, haverá nova rejeição agora, uma vez que a doação por empresas concessionárias é vedada tanto para campanhas eleitorais (lei 9.504/97) quanto para partidos (lei 9.096/95).

PT nega ilegalidade
O PT afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que considera que todas as doações recebidas no ano passado estão "em conformidade com a legislação", e que o partido só vai se manifestar caso haja alguma contestação judicial, no futuro.
A Rodrimar declarou ter efetuado a doação "dentro dos estritos limites legais, conforme registros na Justiça Eleitoral e em sua contabilidade". A empresa afirma que em nenhum momento "soube ou foi alertada de que não poderia fazê-lo. Portanto, crê que agiu com legalidade, boa-fé". A Rodrimar diz que não tem interesse em participar de nova licitação de portos secos no futuro.
A empresa Libra Terminais afirmou que se considera dentro da lei. Segundo sua assessoria, o fato de não ser a Libra Terminais a concessionária do "porto seco", mas uma empresa por ela controlada, a LibraPort Campinas S/A, é suficiente para que a legislação tenha sido respeitada.


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12 de jul. de 2007

Público e Privado; alhos e bugalhos


Retrato de uma nação esculhambada: é isso o que a presente crise liderada por Renan Calheiros e Joaquim Roriz expõe (diga-se de passagem não é a primeira vez que fica exposto). A relação sinistra entre o que deveria ser público e o que é privado torna-se norma. E ai somos administrados por quem? Pelas oligarquias de sempre, nada muda. Somos uma república fictícia uma vez que nossas instituições pouco significam, e sempre estão submetidas a poderes obscuros. É triste e alarmante; e isso não se dá só nos casos de corrupção evidente não, é uma promiscuidade institucional.

A Carta Capital desse semana trouxe uma matéria de capa analisando como é a vida de ex-diretores do Banco Central. A revista traz dados interessantes e infelizmente não está disponível on-line para passar a matéria por aqui. Ela defende a tese de que muitos dos que lá estão servem a interesses privados, são verdadeiros representantes de grandes grupos econômicos no BC. Henrique Meirelles, por exemplo, recebe uma aposentadoria anual de 750 mil dólares do Bank Boston. Nada contra enriquecer, mas pera lá né, que interesse ele representa. A quem sua política está servindo? Outro exemplo que é alarmante (não quero condenar, mas acho que coisas do tipo devem ser investigadas) Pésio Arida era professor da PUC-RJ, foi presidente do bc por 6 meses (janeiro a março de 95), e ao sair do BC tornou-se sócio de Daniel Dantas no Banco Opportunity. Novamente repito, nada contra subir na carreira, evoluir, óbvio que não, mas com as coisas públicas deve se ter mais clareza.

No Brasil a quarentena para funcionários públicos em áreas de conflito de interesse é de 4 meses. O que não é nada perto da quarentena de 1 a 2 anos nos EUA, 1 ano no Banco Central Europeu e 4 anos para o BC francês. Copio da Carta Capital 2 trechos onde o professor Fernando Cradim, economista da UFRJ, faz uma análise dessa relação dos dirigentes do bc: "Há um certo cinismo em tudo que envolve o Estado. A idéia ficou desmoralizada. Existe uma falência do espírito público.", e " Passa-se uma temporada no setor público como um sacrifício apenas para valorizar o passe".

Constatado isso aonde estamos? É fácil achar matérias hoje de confusão da coisa pública com a privada principalmente no que diz respeito a financiamento de campanha. É um problema enorme, muito fruto de como lidamos com essa democracia. Não são poucos os que consideram deputado bom aquele que traz verba para a região. Outra questão que deve ser posta em debate e analisada são essas leis de incentivo a cultura. Não seriam elas mais um retrato desse descaso com a coisa pública? Produz-se muita vezes pra ninguém ver, com dinheiro do contribuinte. Ou então aceita-se a situação ficando simplesmente como cordeirinho de departamentos de marketing de multinacionais ou aceitando caridade das estatais (quando elas não patrocinam, deliberadamente, propaganda de governos).

Não nego que o Estado tenha um papel importante no financiamento da arte, e sei que dentro dessas Leis de Incentivo surgiram e surgem coisas interessantíssimas e altamente viáveis. Mas a coisa deve ser repensada, analisada criticamente. No caso do cinema acho curioso porque têm-se gastado milhões mas ninguém nunca pensou em abrir salas populares com essa verba, com ingresso a R$ 3,00 passando os mais variados tipos de filmes. A prefeitura de Paulinia por exemplo tem um mega-projeto chamado "Paulinia Magia do Cinema" com o intuito de tornar Paulinia num polo de produção cinematográfica, entretanto procurando no google hoje não achei sequer uma sala de cinema na cidade*! Não, o interesse não é na cultura. É marketing político. É tratar arte com migalhas, e aceitamos, e exaltamos isso e (o pior) com dinheiro público.

Enfim, posso ter misturado alhos com bugalhos mas acho que essa coisas tem sim a ver. E cuidar da coisa pública é dever diário tendo sempre critérios quando a verba vem do Estado, justamente porque ela é pública, de todos.

Ainda tenho mil questões sobre o assunto, e poucas certezas. Talvez volte atrás no que falei, mas enfim.. é assim. Abraços, caetano.

*para ciência fui hoje tentar me matricular em um curso em parceria do "Paulinia Magia do Cinema" e o SENAC . Fico pensando se devo ou não fazer, se compactuo ou não com isso. Se fazer é compactuar ou não.

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Financiamento e Ciência

Mario Araújo Filho comenta em seu blog a Reunião do Conselho da SBPC (sociedade brasileira para o progresso da ciência) e faz uma análise da entidade.

Domingo, Julho 08, 2007

SBPC: forte dependência de verbas oficiais

Mário Araújo Filho, de Belém do Pará

Neste sábado, 07/07, houve a primeira parte da Reunião do Conselho da SBPC. A reunião foi presidida pelo professor Ennio Candotti, cujo mandato termina agora. Participaram da reunião o presidente eleito Marco Antonio Raupp e membros da antiga e da nova diretoria, que toma posse na Assembléia Geral dos Socios da SBPC, a realizar-se esta semana.

Pouco antes da reunião do Conselho, reuniu-se a Comissão de Finanças, da qual sou membro. A Comissão aprecia as contas da SBPC, toma conhecimento de receitas, despesas etc. Durante essa reunião, chamei à atenção dos colegas para a enorme dependência da SBPC de verbas oficiais (MCT, CNPq,CAPES etc). A SBPC simplesmente não sobreviveria sem esses subsídios governamentais.

Comentei que a dependência desses recursos contribui para levar a entidade a atrelar-se cada vez mais ao governo, o que fica patente em várias de suas ações (ou inações: por exemplo, o silêncio diante dos escândalos acontecidos desde 2005, a partir do mensalão). São uma expressão disso as solenidades de abertura - nos últimos anos - das Reuniões da SBPC, cada vez mais oficialistas, para não dizer "chapa-branca". Aliás, se nem mesmo a UNE protesta nessas solenidades, por que iria a SBPC assumir críticas mais fortes ao governo? O inverso também é válido: se a SBPC não reclama, por que a UNE protestaria?

Ou seja: a dependência financeira tem implicações políticas. E essa pode ser uma das razões para o esvaziamento da entidade, com diretorias eleitas com menos de mil votos. Observe-se que a SBPC admite filiação não apenas de pesquisadores e professores universitários, mas também de professores do ensino médio e estudantes de qualquer grau de escolaridade. Isso significa que a representatividade da SBPC vai sendo mais e mais posta à prova, o que - percebe-se - preocupa os dirigentes, conselho e secretarias regional da SBPC, sem que respostas a esses desafios sejam encontradas.

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Reinaldo comentou...

Já que entremos no debate sobre esse recente documento do Vaticano trago um comentário escrito por Reinaldo Azevedo, em seu blog, ontem. É uma posição contrária a que emiti ontem e acho muito pertinente para enriquecer a discussão. Segue abaixo, e aqui o link do blog do Reinaldo.

Abraços, Caetano.
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Lógica elementar
Leiam:

Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão, filho de João: porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus.
Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
E eu te darei as chaves do reino dos céus. E tudo o que ligares, pois, na terra será ligado também nos céus, e o que desatares sobre a terra será desatado nos céus.
(Mateus 16, 17-20)

*
E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.
Ide, pois, e ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.
Ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e estais certos de que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.
(Mateus 28, 18-20)

*
“Tenho também outras ovelhas que não deste aprisco, e importa que eu as traga, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um aprisco e um pastor”
(João 10, 16)


Não estou transcrevendo isso para convencer os não-católicos. Os próprios católicos, creio, devem se convencer disso a cada dia, enfrentando os múltiplos apelos da descrença sedutora. A questão é outra: ou a hierarquia católica, de que o papa é o líder máximo, acredita nisso — e, pois, suas cinco resposta disseram o óbvio — ou não acredita. A Igreja, deve crer um católico, é aquela fundada por Cristo e entregue a Pedro. A missa e os sacramentos foram instituídos por Ele como caminhos da santificação. Cristo estará com os membros de sua Igreja, seu corpo místico, até o fim dos tempos. Ela é:
- única e una (aquela de Pedro);
- santa (já que extensão do Cristo);
- católica (vale dizer: universal) porque feita para todos os homens;
- apostólica: fundada nas verdades reveladas aos apóstolos e seus sucessores.

Você é obrigado a acreditar nisso? Felizmente, não. Mas um católico é. A Igreja revelada pelo Cristo, para quem professa essa fé, é aquela que deriva de Pedro. Leonardo Boff, no livro Igreja, Carisma e Poder, sugere que outras denominações possam guardar essa verdade revelada. Tudo bem — desde que ele abra mão de ser um teólogo católico. Não me consta que se considere uma violência que o protestantismo rejeite o culto a Maria. Ninguém é forçado a pertencer ao corpo da Igreja Católica. Feita tal escolha, não pode ambicionar destruir os princípios que a organizam, incluindo a hierarquia, que, nessa perspectiva, não é uma imposição extemporânea, mas o desdobramento de uma revelação.

De novo, trata-se de uma questão de lógica. E daquele tipo escandalosamente elementar.

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10 de jul. de 2007

Nos amemos...

Hoje leio essa notícia de que o Vaticano "definiu" a igreja católica como a única de Cristo. (link para a notícia).

São inúmeras as questões que vem 'a cabeça, uma delas é a de se tenho sequer o direito de comentar. Sempre fico com essas ressalvas pois sou um respeitador da fé católica frequentei um ótimo colégio católico onde me foi ensinado da maneira prática mais sublime os ensinamentos de Cristo. Entretanto, um ateu (como sou) não estaria se intrometendo em um campo que não é o seu?

Tenho um interesse por religiões, mas sou um leigo. Gostaria de ter estudado mais a bíblia assim como outros textos sagrados, mas mesmo assim considero ter um bom esclarecimento a respeito do tema. Uma vez que a "definição" do Vaticano atinge católicos e não católicos todos temos o direito de opinar. Resumo: se o papa estivesse dizendo "católicos não podem andar de bicicleta" eu acharia ridículo e não perderia tempo, ser católico é uma opção e quem fez essa opção que não ande de bicicleta, mas aqui fica evidente que o problema é muito mais profundo e não se resume a código de conduta dos católicos.

O Vaticano desrespeita outras religiões e num momento em que a igreja católica poderia se demonstrar porta voz dos melhores valores do ocidente ela faz justamente o contrário. Ninguém pode se tornar detentor das palavras de Jesus Cristo. Tenho muita estima por esse rapaz citado e sua contribuição para a história é e continuará sendo de valor inestimável, independente daqueles que falam em nome "dele". Propor o diálogo franco e o encontro ecumênico de fato, sem qualquer espanto com esse relativismo que eles parecem terem tanto medo, deveria ser a ponta de lança do Vaticano em tempos difíceis como esses. Da forma como está a Igreja Católica não está nem ai pro Cristo, porque, se estivesse, não se importaria se a escolha feita pra seguir sua palavra fosse pela casa número 1, pela número 2, pela número 3 ou mesmo por nenhuma destas. Espero não ser necessário apelar para o Círculo de Giz.

Gostaria de ver uma Igreja Católica muito mais coerente com o conhecimento que ela julga deter, inclusive pela importância que ele tem; forte nos seus ideais de comunhão e humildade. Agora o que parece é que esse falso ortodoxismo (falso pois não é uma radicalização do pensamento de Cristo, mas sim de algum outro), por ironia, é fonte de toda essa incoerência e transforma o campo religioso em torcida de futebol - quem é melhor Palmeiras ou Corinthians - ou pior, Partido Político.

Concluo, no ponto que é o que mais me espanta: a Igreja Católica como a única detentora dos meios de salvação. Não sei quais são os meios que ela diz deter, quando eu era criança e fiquei internado minhas tias carolas junto com minha nona rezavam na capela do hospital para, caso eu morresse, não ir para o limbo*. É essa a forma de salvação? Eles podiam falar quais que são esses instrumentos para a salvação de uma vez não? Assim fica defesa de propriedade intelectual. Sei lá. Nos meus humildes conhecimentos (e faço essa livre interpretação mesmo com o Vaticano podendo dizer que vou para o inferno) penso que a salvação, para o Cristo estava na caridade, no "amar ao próximo como a si mesmo".

abraços, caetano.
* nesse ano o Vaticano publicou um documento dizendo que o limbo não existe mais (ou nunca existiu).



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9 de jul. de 2007

Estudante e envolvimento político

texto retirado do blog da ocupação da reitoria da usp e que foi postado lá ontem.


Plínio Antônio Britto Gentil
Procurador de Justiça - Doutor em Direito das Relações Sociais - Professor do curso de Direito do IMESB

Depois de uma longa negociação, os estudantes da USP, em S. Paulo, deixaram a reitoria da universidade, que tinham ocupado há quase dois meses. O Jornal da Globo deu a notícia, no dia 22 de junho, e logo tascou no ar alguém intitulado cientista político, para dizer que estudante bom é o que só estuda e que política não é coisa para se fazer na universidade. Disse, com outras palavras, que bom mesmo é estar tudo calmo, em paz, mesmo que essa paz seja como aquela encontrada nos cemitérios, que é compulsória.

É de pasmar. Em pleno regime democrático, o Brasil que se alimenta da TV é obrigado a engolir preciosidades como essa, que deviam ter sido enterradas junto com o regime militar, finado há mais de vinte anos. Utilizando o mesmo argumento, o ministro da Educação do governo Geisel disse a estudantes que preparavam uma passeata que ficassem em casa. Rolava o ano de 1977 ou 1978. Por esses tempos foi que o coronel Erasmo Dias, secretário da Segurança de S. Paulo, comandou uma covarde invasão da polícia militar à PUC, com saldo de uma imensa depredação e vários estudantes feridos, alguns com queimaduras graves. Do perigoso material subversivo que a tropa foi lá procurar, encontrou livros de ciências sociais e faixas pedindo anistia e uma assembléia constituinte.

A democracia veio, em parte pelas mãos do próprio governo, que acabou com os poderes ditatoriais do presidente e mais tarde aprovou a Lei da Anistia. Depois veio a Constituinte. Mas para a mentalidade oficial, a dos que dominam, que se expressa através da Globo, política não é coisa para estudante; crise estudantil, se for brava, é caso de polícia.

Isso não é assim por acaso. Com a redemocratização do país, instalaram-se governos civis e, de Collor para diante – exceção feita ao período de Itamar Franco – passou a vingar, na economia e na política, o sistema chamado de neoliberal. Em nome dele foi reformada a Constituição e dela excluídos certos direitos sociais duramente obtidos e implantados em 1988. As “vantagens” dessas reformas, apregoadas pela mídia comprometida com o poder, não passam do resultado de pressões do grande capital financeiro que investe no Brasil, ou que financia a compra de nossos produtos, em geral matéria-prima, e que vê nos direitos trabalhistas, na previdência social e nas formalidades do nosso direito processual obstáculos para os seus ganhos.

Resumindo a ópera, nossa democracia é apenas formal, já que o grosso da população vota mas não manda nada. Nosso sistema econômico é muito conveniente para quem tem capital para investir a custos baixos, pagando salários de fome, e de preferência não tendo compromissos com a melhoria da vida do povo. É invejável para os bancos, que há muito tempo não lucravam tanto. É fantástico para os políticos profissionais, que, em regra, representam os interesses de quem tem dinheiro

Claro, portanto, dentro dessa lógica, que estudante é feito para estudar e política é coisa para políticos. Quanto mais chucra, dócil e passiva for a população, feita na maioria de assalariados, mais tranqüila será a vida do capitalista e dos que o representam no aparato do Estado. E onde, por definição, se forma - ou deveria se formar - uma camada de gente pensante? Na universidade. Ora, então é preciso convencer os universitários de que eles não têm nada a ganhar se metendo onde não são chamados.

Alguns dirão que os estudantes da USP – e seus colegas de outras instituições públicas – são privilegiados justamente porque estão lá e que, por isso, não são porta-vozes da massa assalariada. São privilegiados sim. Pela mesma lógica da desigualdade de oportunidades entre os que têm e os que não têm, os alunos dos cursos superiores públicos e gratuitos são, em boa parte, aqueles cujos pais desembolsaram rios de dinheiro para lhes pagar o ensino médio e o cursinho. Mas é aí que está o valor das suas manifestações. Porque são pessoas de famílias que, no mínimo, se dão bem no sistema e que poderiam ficar caladas pois, de um jeito ou de outro, acabarão se virando na vida: escaparam do destino de miséria e desilusão de quem vive na pobreza. E também porque falam menos por si e muito mais em nome dos desfavorecidos abaixo deles. São estes, na verdade, que sofrem mais duramente os efeitos de um sistema educacional centrado na escola-empresa, regida pela competição mais despudorada e que faz do ensino o equivalente a uma lata de conservas numa prateleira, cujo valor é determinado pelas leis do mercado.

Numa nova versão do “crescei e multiplicai-vos”, que dispensa investimentos estatais, esse modelo educacional foi alavancado no Brasil pela mesma onda que impôs reformas na previdência e que ameaça direitos trabalhistas E que fala em parcerias do Estado com empresas privadas, como se isso fosse um achado e não uma forma disfarçada de cada vez mais comprometer o poder público com interesses particulares, em benefício dos últimos.

Para quem não se lembra, o movimento dos universitários que, com erros e acertos, culminou com a ocupação da reitoria da USP, desabrochou justamente por conta de mal explicados – para dizer o menos – decretos do governo estadual que representam uma aproximação das universidades públicas ao modelo das particulares, subservientes às leis do mercado.

Pois bem. Os estudantes mudos e distantes da política que a mentalidade oficial sugere, pela voz da Globo, são aqueles acomodados que permanecem no conforto que sua posição lhes proporciona; são os que, trinta anos atrás, não se solidarizaram com os colegas da PUC espancados e queimados porque pediam anistia e constituinte; são os que não percebem que é impossível estar vivo e não fazer política e que a omissão é, sim, uma atitude política, mas conveniente apenas para quem tem o poder nas mãos; são os que fingem não notar as enormes injustiças de um sistema que incentiva o “ter” mas não permite que todos “tenham”; são aqueles que perderam a capacidade de se indignar com os desmandos dos poderosos que usam o Estado para dar tudo aos amigos e “a lei” para os outros. Não são estudantes, são mortos. Seus corpos descansam do que nunca fizeram e gozam a doce paz dos cemitérios.

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PARADOS!!!

Ironicamente o "Parou Parou" está parado!!! Você humilde frequentador desse blog deve estar decepcionado, e está com razão. Entretanto, venho com algumas desculpas (mais!??!?!): toda equipe do blog está absurdamente envolvida com entrega de trabalhos na faculdade. Não justifica nosso sumiço, mas enfim, é uma razão. Tentaremos manter o blog funcionando por mais essa semana mesmo com poucas atualizações; a partir de agosto o blog estará reformulado, tanto seu layout quanto a sua "linha ediorial". Trataremos questões políticas e comentaremos a cobertura dos meios de comunicação. Enquanto isso continuamos assim, meio parados, lutando pra sobreviver e contando com a compreensão de vocês. Por isso peço também que se expressem, comentando e nos xingando, fiquem a vontade com o blog.

abraços, caetano.

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3 de jul. de 2007

A questão Renan...

O caso de Renan Calheiros, presidente do Senado, nos coloca numa situação muito complicada ao meu ver. Soma-se a uma série de escândalos que contam com o megafone dos meios de comunicação e também (e por que não) sua indústria de boataria. Quero defender Renan? Não, longe de mim! Apenas fico numa dúvida como cidadão que acredita nos ideais republicanos; o que é o melhor a fazer/ o que é o pior a fazer?
A situação de corrupção no país chegou a tal grau que estamos no limiar das instituições, frente a isso o espanto é necessário, a inconformidade frente a tal situação é quase um dever de todo cidadão entretanto, descredibilizar o Senado, tirar a crença da população de que lá é um dos locais de representação, propostas e resolução de problemas é positivo? Tenho essa dúvida mesmo, vale a pena manter isso? Devemos tacar fogo? Não sei, não sei e não sei e isso não tem sido nem um pouco saudável... tentarei tratar mais sobre questões como essa e os acontecimentos no Senado (que ainda insisto em colocar com "S" maiúsculo, embora talvez ele nunca tenha merecido) nos próximos posts. Seguem dois textos tirados de blogs que achei muito legais. Abraços, caetano.

tirado do blog do romano

G1, por indicaçao do Blog Republica de Itapeva....

02/07/2007 - 16h07

Bebês aprendem a mentir aos seis meses
Primeira mentira é chorar quando não há nada errado para obter atenção.
Prática vai ficando mais elaborada e aos 8 meses eles até conseguem distrair os pais.
Do G1, em São Pauloentre em contato

Por trás do rostinho bonitinho, eles já sabem o que fazer para conseguirem o que querem de você (Foto: Science)

Não se iluda com o rostinho fofinho e os olhinhos brilhantes. Bebês são mestres na arte de enganar e mentir para terem suas vontades satisfeitas. De acordo com uma psicóloga britânica, as crianças aprendem a mentir muito antes do que a maioria das pessoas pensa. Com apenas seis meses de idade, eles já sabem que fingir choro é uma boa estratégia para conseguir atenção.

A médica Vasudevi Reddy, da Universidade de Portsmouth, falou ao jornal inglês “The Independent” sobre seu estudo neste domingo. “Chorar de mentirinha é uma das primeiras formas de enganação a surgir, e os bebês usam isso para ter atenção mesmo quando nada está errado. É fácil de ver, porque eles pausam enquanto esperam para ver se a mãe está respondendo, logo antes de voltarem a chorar”, disse ela ao jornal.

“Isso demonstra que eles são claramente capazes de distingüir que o que estão fazendo terá um efeito. É a mesma coisa essencialmente que os adultos fazem quando mentem, mas nos adultos o ato vem mais carregado moralmente”, afirma.

Até agora, os psicólogos acreditavam que o cérebro dos bebês não era desenvolvido o suficiente para praticar a difícil “arte” da mentira. Só por volta dos quatro anos de idade as crianças teriam capacidade de enganar.

Reddy, no entanto, identificou sete “estágios” de mentiras praticadas por crianças entre as tenras idades de seis meses e três anos. Fingir choro e riso são as primeiras práticas que aparecem. Aos oito meses, os bebês já aprendem a esconder atividades proibidas e a distrair a atenção dos pais. Aos dois anos, eles ficam ainda mais espertos e já sabem ‘blefar’ quando ameaçados por uma punição -– por exemplo, dizendo “não me importo” para um castigo, quando claramente se importam.


COMENTÁRIO:

1) EM PLATÃO É DITO O SEGUINTE, APROXIMADAMENTE: SE O FILHINHO QUERIDO CHORAR MUITO, UMA NOITE, PAPAI E MAMÃE DEVEM ATENDÊ-LO COM PRESTEZA, PROCURAR SABER SE O OUVIDO DÓI, A BARRIGUINHA, ETC. NA SEGUNDA NOITE, SE O PEQUERRUCHO CHORA NOVAMENTE, ABRIR O ALERTA, PORQUE ALGO INÉDITO ESTÁ OCORRENDO, SOBRETUDO SE NADA CONSTA EM TERMOS DE DOR. NA TERCEIRA NOITE, CONTINUANDO O BERREIRO, DEIXAR QUE ELE BERRE À VONTADE, POIS ALÍ NASCE O TIRANO. O CONSELHO É REPETIDO POR ROUSSEAU, KANT E OUTROS PENSADORES DEDICADOS À PEDAGOGIA.

2) DONDE SE CONCLUI QUE OS PAIS DOS MOCINHOS QUE ESPANCARAM A JOVEM NO PONTO DE ÔNIBUS, OU NÃO VIRAM AS DORES OU NÃO VIRAM O TIRANO. OU, O QUE É MAIS LÓGICO, ELES MESMOS FORAM NUTRIDOS COM O LEITE DA MAIS PURA TIRANIA.


3) DONDE SE CONCLUI, TAMBÉM: OS SENADORES QUE OCUPAM A TRIBUNA PARA CHORAR LÁGRIMAS DE CROCODILO, OU AINDA NÃO SALTARAM DO BERÇO, E PRECISAM DE CORRETIVO SÉRIO, OU DELE SALTARAM HÁ DÉCADAS E DÉCADAS, SEMPRE AGINDO COMO TIRANOS.

4) DONDE SE CONCLUI QUE OS ELEITORES OU SÃO IDIOTAS OU LENIENTES EM PREJUÍZO PRÓPRIO.

5) CONSIDERO QUE O ITEM ANTERIOR É TOTALMENTE VERDADEIRO, NAS DUAS HIPÓTESES.

6) NO CASO DOS BEBÊS, ALÉM DO BARULHO E DAS VONTADES TIRÂNICAS, OS GENITORES PRECISAM LIMPAR MUITO DAQUELA SUBSTÂNCIA AMARELA, SUMAMENTE APRECIADA PELO PAULO BETTI.

7) É POR TAL MOTIVO QUE O SENADO, NO CONSELHO DE ÉTICA, FEDE COMO DISSE UM SENADOR RETO (PRECIOSIDADE IMPAR).

8) AGORA, QUEM ELEGE OS "BEBÊS" DO CONGRESSO ? O ELEITOR/ELEITORA. A SABEDORIA ANTIGA AFIANÇA: "QUEM PARIU MATEUS, QUE O EMBALE!", OU O EXPULSE DE CASA.

9) NA PRIMEIRA HIPÓTESE DO ITEM ANTERIOR. O CIDADÃO CALE A BOCA, PAGUE A CONTA, LIMPE A SUBSTÂNCIA PREDILETA DO PAULO BETTI, SEM RESMUNGAR.

10) NA SEGUNDO HIPÓTESE, SERÁ LIVRE, DIGNO. HONESTO.

MAS EXISTIRÁ ELEITOR ASSIM, NO BRASIL?

ROBERTO ROMANO

tirado do blog do tas:

A situação não é de CPI mas de psiquiatria

Houve um tempo em que todos éramos PMDB. Ou melhor, MDB, Movimento Democrático Brasileiro. Porque do outro lado só existia a ARENA, o partido da ditadura e do Maluf.

Ulisses Guimarães, o grande líder do partido, era casado com uma velhinha simpática, dona Mora, daquelas que dá vontade de ficar conversando o dia todo ao redor de bolinhos e cafezinho coado.

Ja o atual PMDB deixou de ser caso para a Policia Federal e virou caso para a psiquiatria. Psicopatia: segundo a Wikipedia, distúrbio mental em que sujeito que se mantém a par da realidade, mas carece de Superego. Isto faz com que o psicopata possa cometer atos criminosos sem sentir culpa.

O dicionário Houaiss também acrescenta que o enfermo acometido da psicopatia apresenta comportamentos anti-social e amoral, sem demonstração de arrependimento ou remorso; e incapacidade para amar e se relacionar com outras pessoas com laços afetivos profundos. Além de egocentrismo extremo e incapacidade de aprender com a experiência.

E completa, o nosso bem informado Houaiss: não obstante, as pessoas psicopatas têm condutas criminais sem nenhum sentimento de culpa, mantendo plena consciência dos seus crimes ou das suas intenções criminais.

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e falando nele...

A visão de Nelson Rodrigues da sociedade brasileira (da série Leve Desespero)

O rico e o pobre são duas pessoas.
O soldado protege os dois.
O operário trabalha pelos três.
O cidadão paga pelos quatro.
O vagabundo come pelos cinco.
O advogado rouba os seis.
O juiz condena os sete.
O médico mata os oito.
O coveiro enterra os nove.
O diabo leva os dez.
E a mulher engana os onze.

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Quinta FLIP




A quinta FLIP (festa literária internacional de Parati) começa amanhã e tem como tem como homenageado especial Nelson Rodrigues. A festa traz inúmeras atrações entre shows, palestras, exposições e outras, e mantém a tradição de trazer figurões do cenário literário internacional.


Quem quiser saber mais, aqui está a programação.

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Unifesp não pode cobrar por cursos de pós-graduação, recomenda MPF

notícia retirada do site Última Instância

O Ministério Público Federal em São Paulo recomendou nesta quinta-feira (28/6) à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) que cancele a cobrança de taxas de inscrição, matrícula e mensalidade nos cursos de especialização, aperfeiçoamento e pós-graduação conveniados ou vinculados à universidade.

De acordo com o MPF, o documento, que também pede a devolução dos valores já pagos pelos alunos, foi enviado ao reitor e à coordenadora dos cursos de especialização da Unifesp, que têm um prazo de 15 dias para informar sobre o cumprimento da recomendação.

Atualmente, a Unifesp, por intermédio da Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo, cobra mensalidades de até R$ 1.350 em dezenas de cursos de especialização e aperfeiçoamento. Para o Ministério Público Federal, a cobrança fere o princípio constitucional da igualdade, pois impede o acesso de graduados mais pobres aos níveis mais elevados de ensino e pesquisa.

Para o MPF-SP, a cobrança por cursos dentro da universidade pública fere os artigos 205, 206, 207, 208, 211 da Constituição brasileira, que consagram a Educação como direito de todos e dever do Estado e prevêem a garantia do acesso aos níveis mais elevados de ensino e pesquisa e estabelece os princípios de gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais de ensino e a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Tais artigos definem que cabe à União o financiamento das instituições de ensino públicas federais.

Quinta-feira, 28 de junho de 2007

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28 de jun. de 2007

Nota da reitoria/UNICAMP

Nota publicada pela reitoria da UNICAMP após a reunião de hoje com o estudantes .

A Unicamp retoma nesta sexta-feira seus serviços de emissão de diplomas, de homologação de teses e dissertações e de fornecimento de documentos acadêmicos a alunos de graduação e de pós-graduação, após desocupação das dependências de sua DAC (Diretoria Acadêmica) por um grupo de alunos que havia promovido sua invasão no último dia 18.

A desocupação se deu por volta das 14 horas de hoje, por decisão dos próprios alunos, que pela manhã enviaram carta à Reitoria comunicando sua intenção de abandonar as dependências da DAC, órgão ligado à Pró-Reitoria de Graduação e que atende a mais de 17 mil estudantes de 57 cursos de graduação e a aproximadamente 16 mil estudantes de 127 programas de pós-graduação.

Logo em seguida à desocupação, uma comissão da Reitoria recebeu uma comissão integrada por alunos e professores. Nessa reunião, a Reitoria informou que o cronograma das obras da Moradia Estudantil - uma das reivindicações do movimento - segue sendo executado conforme acordo firmado em 30 de março último com os estudantes.

Ao mesmo tempo - tema que também foi tratado durante a reunião - prosseguem os trabalhos da comissão encarregada de apurar responsabilidades no episódio da invasão das dependências da DAC.

José Tadeu Jorge
Reitor

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ato em araraquara hoje.

Aconteceu hoje uma to unindo estudantes de USP, UNICAMP e UNESP em Araraquara. O local foi escolhido como forma de protestar contra a entrada da tropa de choque no campus a semana passada com o intuito de desocupar a diretoria até então ocupada por estudantes.

Segue panfleto do ato:

Contra as punições, pela abertura de negociações, contra a repressão e a tropa de choque/polícia nos Campi!

Contra os Decretos e a Reforma Universitária!


Após a ocupação da reitoria da USP e todo o levante nacional que presenciamos, o Movimento Estudantil, mais forte e atuante, reafirma seu papel de agente social em busca de uma educação de qualidade e para todos. Agora para podermos continuar construindo nossas lutas precisamos garantir que não haja perseguição política aos militantes, fato que tem sido realizado com o apoio do aparato policial, expediente não democrático para negociações.

A criminalização do Movimento Estudantil, um movimento que luta pelo ensino público e para que esse seja de qualidade e para o povo oprimido, é inaceitável! Se hoje ainda temos certa qualidade nas Universidades públicas, se temos a tão falada autonomia etc., é porque houve luta no passado. Houveram greves e ocupações por toda a história, os direitos trabalhistas (apesar de ainda poucos e seriamente ameaçados) foram conquistados a partir de mobilizações, nas quais a greve foi e continua sendo um importante mecanismo.

As ocupações deste início de ano apenas reforçam o caráter combativo do nosso movimento e as inúmeras assembléias, sempre quebrando recordes históricos na quantidade de participantes, reforçam a legitimidade dessa luta por mais democracia. As estruturas de poder dentro das universidades remontam à ditadura militar e fatos como o ocorrido em Araraquara exemplificam isso.

De maneira absurda um exagerado número de policiais treinados e equipados para situações extremas invadiu o campus da Unesp de Araraquara e prendeu estudantes que defendiam um direito do povo.

O movimento se propõe à negociação. Os estudantes se dispõem ao dialogo com aqueles que se apresentam com armas nas mãos e desqualificam a luta democrática. É fundamental que não nos intimidemos pelas ações das autoridades para que a nossa mobilização pela real autonomia se construa por meio da liberdade de expressão.

Hoje deve ser um dia em defesa da liberdade. Não da liberdade para consumir, mas da liberdade para defendermos a educação pública, que já é um direito!! A repressão policial e a intransigência em negociar, insistindo em punir participantes do Movimento Estudantil de maneiras incoerentes com a proposta de discussão que caracteriza o ambiente universitário, são inaceitáveis!


Os estudantes do estado todo estão unidos: aqui presentes unesp, unicamp e usp! todo apoio aos estudantes de araraquara!

Nas praças, nas ruas, quem disse que sumiu? Aqui está presente o Movimento Estudantil!

*Panfleto do Ato de Hoje 28 de junho, em Araraquara.


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Dac/unicamp sendo desocupada

O prédio da DAC (diretoria acadêmica) da unicamp foi desocupado pelos estudantes que lá estavam desde o dia 18/06. Haverá uma reunião de negociação com a presença do Reitor José Tadeu Jorge onde se negociarão as pautas e reivindicações da categoria, entre elas, o compromisso da Reitoria não punir os estudantes integrantes do movimento cujo foco é a luta contra os decretos de José Serra, decretos esses que ferem o caráter autônomo e público da universidade.

mais informações:
dac desocupada (eptv)
dac desocupada (g1)
mapa de ocupações no Brasil (g1)

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27 de jun. de 2007

Artigo do professor Plinio de Arruda Sampaio Jr. (IE/UNICAMP)

Publicado originalmente na revista eletrônica Correio da Cidadania.

Estudantes lutam em defesa da universidade pública

Escrito por Plínio de Arruda Sampaio Jr.
15-Jun-2007


A ocupação da reitoria da USP em repúdio ao ataque do governo de São Paulo à autonomia universitária e contra a progressiva degradação da qualidade do ensino surpreendeu pela ousadia e determinação dos estudantes que a lideraram. Lançando mão da "desobediência civil" como arma de pressão política, a ocupação conseguiu em poucos dias o que parecia impossível, depois de meses de tratativas e negociações infrutíferas.

O efeito arrebatador da ocupação sobre a consciência cívica da pacata comunidade universitária levou o governo estadual a recuar em suas intenções intervencionistas e forçou a reitora a acatar boa parte das demandas dos estudantes. Não se conseguiu tudo que se pretendia. A necessária unidade entre pesquisa e ensino, ameaçada pelas pressões das “empresas” interessadas em usufruir os polpudos recursos da Fapesp, permanece no limbo. Mesmo assim, as vitórias do movimento estudantil foram consideráveis.

Muito além das demandas específicas que detonaram o movimento, a ocupação da USP pôs a nu a crise da universidade brasileira. Tal como está, a universidade brasileira desagrada a todos.

Para os neoliberais, a universidade pública é um "luxo caro" que precisa justificar sua existência. Para tanto propõem subordiná-la às exigências do mercado. Por essa razão, ela vem sendo submetida a repetidas rodadas de ajustes fiscais e reformas liberalizantes.

Para quem imagina que a universidade pública é um patrimônio estratégico do povo brasileiro, sua capacidade de produzir conhecimento para o Brasil deve ser resgatada. Para tanto, ela precisa desesperadamente de recursos para sobreviver e, mais importante, carece de um projeto nacional que lhe dê sentido.

Ao colocar na agenda política nacional a defesa da Universidade Pública e a democratização de suas estruturas de poder, a ocupação da USP ganhou uma dimensão que extrapolou suas intenções iniciais, transformando-se numa espécie de bastião da luta em defesa da universidade pública, uma luta que tem uma história que se confunde com a própria afirmação do Brasil como sociedade nacional.

Para reprimir o despertar do movimento estudantil, as forças da ordem procuram caracterizar a ocupação da reitoria como um fenômeno artificial, dirigido por partidos de esquerda que manipulam a boa fé e a ingenuidade dos estudantes. É uma forma estúpida de ocultar a realidade.

Os estudantes que tomaram para si a responsabilidade que faltou a muitos são o produto de seu tempo: frustrados com o progressivo sucateamento das universidades públicas; indignados com o horizonte negativo que se lhes antepõe como futuro; profundamente descrentes na democracia do “mensalão” e das “navalhas”; desconfiados até mesmo em relação aos partidos de esquerda, que julgam conservadores e politiqueiros.

Goste-se ou não, o movimento é conduzido por estudantes generosos, dispostos ao sacrifício por uma causa coletiva, com muita coragem e pouca bagagem política, cansados da crise permanente da sociedade em que vivem e com muita pressa para resolver os graves problemas do Brasil. O forte eco de suas ações sobre o conjunto dos estudantes revela a grande efervescência e a enorme frustração latente nos universitários brasileiros.

Os estudantes que ocupam a reitoria da USP despertaram para a política. Logo aprenderão as duras lições da luta de classes numa sociedade intolerante com todo movimento que lança mão do conflito como forma legítima de conquista de direitos coletivos. Para os donos do poder, o conflito só é permitido, e com grande liberalidade, para a defesa do status quo.

É dever de todas as forças políticas comprometidas com a democracia evitar por todos os meios que os estudantes que se levantaram para defender a universidade pública sejam postos no pelourinho. Defender os estudantes que ocupam a reitoria da USP contra qualquer tipo de punição é defender a desobediência civil como forma legítima de luta quando todas as outras simplesmente não dão mais resultado.


Plínio de Arruda Sampaio Jr. é professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE/UNICAMP).

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Carta do Comando Estadual de Greve ao Govertno do Estado e aos reitores das universidades públicas paulistas

perdoem as poucas atualizações, continuem cobrando!!!

caetano.


Saudações grevistas,

Comissão de Comunicação do Comando Estadual de Greve

O Comitê Estadual de Greve das Universidades Estaduais Paulistas, representando 15 unidades em greve e cinco ocupações em vários Campi de diversas cidades paulistas, vem por meio desta comunicar:

1. Consideramos inconstitucional a criação da Secretaria de Ensino Superior, uma vez que uma Secretaria de Estado só pode ser criada através de lei aprovada pela Assembléia Legislativa, como prevê a Constituição Estadual, e não por decreto. Da mesma forma consideramosinconstitucional a separação entre ensino, pesquisa e extensão, realizada pelo decreto n. 51. 460, que separa as Universidades Estaduais da Fapesp e CEETEPS. Sendo assim, continuaremos na luta pelo que entendemos ser legítimo fazendo atos por todo o Estado.

2. Não aceitaremos qualquer punição a alunos, funcionários e professores das Universidades Estaduais por motivos políticos de greve e seus métodos – inclusive piquetes, barricadas e ocupações. Também não aceitaremos de forma alguma a presença e permanência da PolíciaMilitar nos Campi, sob pena de novas ocupações e reocupações. Entendemos que o direito de greve é legítimo e que a presença da polícia nas Universidades significa uma clara ameaça à autonomia universitária e retoma uma prática dos tempos da Ditadura Militar.


Campinas, 23 de junho de 2007.
COMITÊ ESTADUAL DE GREVE DAS UNIVERSIDADES ESTADUAIS PAULISTAS

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24 de jun. de 2007

para informe:


Apenas como informe o blog deve comemorar por esses dias (ou já comemorou) aniversário de 1 mês. Tivemos no auge uma média de 400 visitantes diário, hoje estamos com algo por volta de 200, se ficarmos estáveis por ai fico feliz (mas sempre querendo mais).

Já adianto também que segundo conversas informais com integrantes do blog este deve se manter mesmo sem greve, ocupação, etc. Seguirá como um blog de política e análise da cobertura política.

abraço a todos, recomendem, xinguem, pratiquem fist fiucking quando tiverem vontade e até mais, caetano.

ah, parabéns a todos nós!!!

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Reinaldo Azevedo comenta...

o jornalista/blogueiro comenta a matéria da Folha postada na mensagem anterior. Leia aqui.

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Na folha de hoje.

Invasão na USP revela um desejo paradoxal por ordem

Os sociólogos Francisco de Oliveira e Laymert Garcia dos Santos e o filósofo Paulo Eduardo Arantes discutem o significado da crise na USP

Movimento estudantil rompeu hiato de apatia, mas seu objetivo é conservador

UIRÁ MACHADO
COORDENADOR DE ARTIGOS E EVENTOS

"O período das grandes marchas acabou", afirma o filósofo Paulo Arantes. A invasão da reitoria da USP também. E agora?
Seria um equívoco procurar no passado -e na mística de 68- a chave de compreensão do movimento liderado pelos estudantes contra o governo do Estado e o comando da universidade. Parece haver algo de novo no ar, embora ainda não seja possível dizer exatamente o que nem afirmar qual o legado que deixará para a esquerda.
O que já se sabe é que nasce com o mérito de romper um hiato de apatia e desmobilização, mas marcado por um paradoxo: o movimento que se pretende revolucionário e desafia a ordem legal é o mesmo que luta por pautas conservadoras e para restabelecer a ordem.
A análise é de Paulo Arantes e dos sociólogos Francisco de Oliveira e Laymert Garcia dos Santos, três dos mais importantes intelectuais da esquerda brasileira, próximos dos estudantes e simpáticos ao movimento. A Folha os convidou na última terça-feira para debater o significado da crise na USP, quando o cenário para o fim da invasão já estava desenhado.
Naquele dia, Arantes e Oliveira -e mais alguns colegas- participaram de uma reunião com a reitora da USP, Suely Vilela, para discutir os rumos da crise na universidade. Ficaram ainda mais convencidos da irrelevância da política.
"A ocupação da reitoria da USP mostra de forma escancarada que a política tradicional não tem mais capacidade de processar os conflitos sociais", afirma Oliveira. "É essa incapacidade que eu venho chamando de irrelevância da política."

Adeus às marchas
"Simplesmente estamos nos dando conta de que política pode ser outra coisa. Um pontapé na porta rompeu uma rotina de decretos, de apatia. E fez com que um governo prepotente revogasse os decretos. Pode ser que o movimento não tenha um futuro. Daqui a dois dias [última quinta-feira] vão desocupar e não se sabe o que vai acontecer. Estamos vivendo um tempo inesperado, porque não entra nos parâmetros antigos. O período das grandes marchas acabou", diz Arantes.
O filósofo compara a situação atual com a de 2000, quando os alunos se associaram a outros setores em greve e conseguiram mobilizar 50 mil pessoas na avenida Paulista (15 mil, segundo a Polícia Militar).
Ele diz que o movimento de agora, "do ponto de vista política, é uma molécula", mas produziu "um deus-nos-acuda que não havia sido visto". A reação, diz Arantes, é desproporcional.
Se a política tradicional está em xeque, dizem eles, é preciso buscar outras formas de olhar para a crise na USP. E uma delas é justamente a reação da sociedade -mas, sobretudo, a da própria universidade.
Quando os estudantes estavam havia poucos dias na reitoria, professores da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), unidade tradicionalmente de esquerda, escreveram textos condenando a violência da ocupação. Outros professores organizaram uma passeata anti-invasão.
"São manifestações de extrema-direita que nem na ditadura nós tivemos", diz Arantes.
"O grau de apatia, letargia e neutralização da política chegou a um ponto que reivindicar o que os alunos estão reivindicando e apontar os limites das ações do governo já é uma coisa escandalosa", diz Laymert.
Aí apontam o que, para eles, é o grande mérito dos estudantes: se manifestar contra algo com o que não concordavam.
Essa linha de raciocínio os leva a considerar que a ordem, na verdade, é uma desordem aceita por todos. O primeiro ato de violência, dizem, não partiu dos estudantes, mas de José Serra, que decidiu governar por decreto e atacar a autonomia das universidades. O mesmo vale para o plano federal, em que, desde FHC, a prática é governar por medidas provisórias.
"A surpresa foi que ainda existe gás para reagir quando tudo vinha sendo engolido passivamente", diz Laymert.
No começo do ano, o governador José Serra (PSDB) editou uma série de decretos que, segundo parte da comunidade acadêmica, ameaçavam a autonomia universitária. No dia 31 de maio, publicou um inédito decreto declaratório e revogou quase todos os itens que estavam sob a mira dos alunos.

Paradoxo
A medida foi considerada um recuo de Serra e uma vitória dos estudantes. Mas essa conquista encerra um paradoxo.
"Eu já disse isso a eles [os alunos], e eles ficam meio aborrecidos: foi uma ação de subversão -que parece subversão, mas não existe subversão numa sociedade permissiva- para o retorno ao statu quo ante. Zapatistas, ex-maoístas, trotskistas, independentes se juntaram, ocuparam a reitoria para que o reitor tivesse o direito do pleno exercício da execução orçamentária e financeira de uma universidade, que é puro establishment. É uma subversão pela ordem", afirma Arantes, o mais próximo dos alunos.
"O famoso Estado democrático de Direito sendo violado nas suas regras elementares -que é o funcionamento de uma autarquia- provocou um ato considerado de subversão revolucionária para colocar as coisas no seu lugar, que é um lugar conservador", completa.
Para Arantes, as demais reivindicações vão na mesma linha. A pauta inclui, entre outras, medidas de inclusão social ("assistencialismo") e a Estatuinte ("dentro da normalidade de uma vida institucional").
"A pauta de reivindicações, a própria reitora o disse, é perfeitamente realizável. Um dos pontos é o serviço de ônibus da USP. Ora, o que isso quer dizer para uma universidade como a de São Paulo? Não vejo como isso possa estar dizendo que se trata de nova forma de política", diz Oliveira.

Contágio
Os três concordam quanto ao caráter algo conservador das reivindicações dos estudantes. Ao mesmo tempo, enxergam uma certa novidade no movimento: além da capacidade de quebrar o silêncio, apontam a forma de manifestação.
"No conteúdo, não há nenhuma alternativa política substantiva. Na forma, é uma ação política inédita, que tende a se multiplicar, como fórmula, independentemente do conteúdo. O contágio então vem da tecnologia política, do modo de fazer. O conteúdo está na forma", diz Arantes.
Se a novidade está na forma, é porque os tempos são outros. Os modos antigos de fazer política, insistem eles, não têm mais alcance nem sentido.

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arrtigo do professor Marco Aurelio Nogueira

Um artigo publicado no Estadão deste sábado por Marco Aurélio Nogueira, professor de Teoria Política da Unesp, sobre a crise...


A universidade sempre foi um espaço de luta, debate e reflexão. Um lugar para se pensar o mundo, pesquisar, aprender e estudar, seja no sentido básico de acumular conhecimentos, produzir ciência e adquirir melhores estruturas reflexivas, seja no sentido de agir sobre a vida e revolucioná-la.

A articulação entre seus objetivos fundamentais - lutar por justiça e igualdade, fazer pesquisa, estudar - constitui a razão de ser da universidade, aquilo que a distingue como instituição. Quebrada a conexão, desfaz-se a magia.

O ideal de uma comunidade de professores e estudantes sempre figurou entre as grandes utopias universitárias. Uma universidade de qualidade, que desempenhe uma efetiva função pública, não é só uma instituição com bons docentes e boa estrutura física. Também existe como estado de espírito, cultura, disposição intelectual, procedimentos.

Mas o que é fácil de ser encontrado nas cartas de intenções e nos discursos de praxe nem sempre se traduz adequadamente em termos práticos. Não é porque se defende um ideal comunitário que uma comunidade passa a existir. Ela nunca está pronta; precisa ser construída e reconstruída dia após dia, num processo que não se encerra jamais. Além disto, nem toda comunidade é virtuosa. Há comunidades que se sustentam em mecanismos repressivos, verticalizados e unidimensionais, nas quais o consenso é imposto, em vez de nascer do entrechoque das opiniões e da livre movimentação das pessoas.

Ainda que estejam do mesmo lado e se devam afinar quanto às finalidades da universidade, docentes e estudantes nem sempre caminham juntos. Podem divergir em muitos pontos, até porque estão separados por abismos geracionais e também porque se relacionam de modo distinto com a instituição. Aquilo que é, para a maioria dos professores, causa profunda e permanente, para a imensa maioria dos estudantes é um meio de se projetar para outros ambientes e continuar a vida. Há muito combustível para que professores e alunos entrem em atrito.

O sucesso de uma “boa” comunidade repousa na capacidade de fazer com que os atritos sirvam para fortalecê-la, em vez de miná-la, coisa que só pode acontecer se os integrantes dispuserem de uma vida coletiva livre, aberta, dialógica. Sem isto as questões não são processadas democraticamente e as soluções deixam de refletir o interesse das maiorias.

A universidade democrática e de massas do século 21, especialmente nos países periféricos, tornou-se também um espaço de assistência e proteção, recursos com que se busca viabilizar o estudo dos menos privilegiados e dos que enfrentam maiores dificuldades para se manter ao longo dos cursos. Trata-se de uma generosa e necessária ampliação dos princípios universitários, sem o que a universidade se elitizaria de modo inadmissível. A assistência, porém, converteu-se rapidamente num fim em si mesmo. Passou a ser reivindicada por todos e convertida em “direito” de todos, não somente dos que dela efetivamente necessitam. Deste modo, tornou-se muitas vezes mais relevante que os próprios fins específicos da universidade. Chegou-se assim à versão atual, que enfatiza a concessão em cascata de benefícios e subsídios, aumentando o privilégio dos privilegiados.

O problema é que a universidade, hoje, não dispõe de consensos a respeito de como encaixar a “permanência estudantil” em seu dia-a-dia. Sabe que precisa lutar por isto, mas não sabe de que modo e com que idéias fazê-lo. A articulação entre pensamento e ação está falhando.

Não se luta mais por idéias, mas por “direitos”. O foco não é mais qualidade de ensino, bons professores e bons cursos, mas boas notas, diplomas, carreiras e prestígio. Na maioria das vezes se luta por coisas direcionadas para melhorar a posição relativa de certas pessoas, não o funcionamento institucional, muito menos a vida de todos, o ensino e a pesquisa.

Mas, ora, dirão, por que não lutar pelas duas coisas, idéias e direitos? Nada contra, seria mesmo o certo. Mas desde que não se jogue fora uma delas para dedicar energia total à outra. Na agenda acadêmica de hoje cabe tudo, sem qualquer hierarquia ou critério. A pauta está invertida, os fins sendo engolidos pelos meios.

A agitação estudantil atual, movida a “radicalismo” midiático sem alma, bem como os professores que a ela se nivelam ou nela pegam carona, agarra-se ao assistencialismo para disfarçar sua dramática falta de densidade e de representatividade. Segue um caminho quase suicida, no correr do qual vai destruindo precisamente aquilo - a universidade como espaço de idéias, a razão crítica - que poderia ser sua força e sua plataforma de lançamento para o futuro. Em vez de salvadora da universidade, atua como seu coveiro. Seu único oxigênio é a “desobediência”, não a “alternativa”. Não é, na verdade, um movimento, mas um espasmo caricato, sustentado por uma sensação de força e pela inércia das instituições. Na sua base, uma massa estudantil que verbaliza, sem falar, um mal-estar gritante. A “maioria silenciosa” de hoje não é passiva: é um grito de alerta, que denuncia a irrelevância das cúpulas estudantis e das rotinas institucionais - por que brigar para ter aulas se dá para estudar de outro modo? - e desnuda o desconforto de toda uma geração, perplexa diante de um mundo de excessos e carências abissais. Ela, no fundo, está sendo levada ao silêncio pelo autoritarismo agressivo daqueles que dizem falar em seu nome.

Esta agitação não tem legitimidade e não interage com os estudantes, e nisso, tragicamente, repousam as melhores esperanças de uma “normalização”. Mas a crise por que passam as universidades públicas brasileiras - e, dentro delas, especialmente as escolas de humanidades - não é uma ventania de primavera. Justamente por isso, precisa ser enfrentada de peito aberto, de modo que seus principais agentes possam ser desmascarados, combatidos e neutralizados.

Marco Aurélio Nogueira, professor de Teoria Política da Unesp, é autor, entre outros, dos livros Em Defesa da Política (Senac, 2001) e Um Estado para a Sociedade Civil (Cortez, 2004) E-mail: m.a.nogueira@globo.com



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Carta da ADUNICAMP

Que prevaleça o Diálogo

Estudantes ocuparam parte das instalações da DAC, nesta 2ª feira, 18 de junho.

A ADUNICAMP, veementemente, repudia a intervenção policial nas questões que, como esta, contrapõem autoridades acadêmicas a estudantes.

Qual a razão da ocupação? É uma ruptura do diálogo?
Do ponto de vista da reitoria, e de muitos docentes, sim. Certamente estudantes, muitos, não pensam assim.
Acreditam que não se rompe o que não existe.
Ai é que se situa o impasse do qual resultou a ocupação.
O que para uns é um diálogo está longe de ser para outros.

De fato, historicamente, a relação professor-aluno tem um viés autoritário sob a óptica de quem, vendo-se “do lado mais fraco”, simbolicamente, decide “tomar de assalto o poder”.
É emblemático o caso de ocupação da reitoria da USP. Apesar de ter ocorrido quatro meses após a edição pelo governador Serra dos decretos que alteravam ameaçadoramente a vida nas universidades públicas paulistas, o fato político atingiu tal vulto que forçou a governo a um importante recuo.
O governador não debateu os decretos com a comunidade universitária e acabou curvando-se à pressão dela, mais precisamente de uma parcela dela, os estudantes.

A ADUNICAMP tem o mandato de sua assembléia de defender a não punição dos estudantes que ocupam a reitoria da USP. Identicamente, repudia a truculência do uso de força policial, em Araraquara, para desocupar, na calada da noite, o prédio da Faculdade de Ciências e Letras da UNESP. Também defende a não punição dos que ocuparam parte da DAC.

Que o reitor receba uma comissão de estudantes e que se estabeleça o diálogo entre as partes. É este o caminho

para a desocupação pacífica da DAC. Jamais a intervenção do poder judiciário com a conseqüente ameaça do emprego de força policial. São estudantes, não são bandidos

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Retirado de "Puro Bacon"

Não sei como definir, seria um charge? uma propaganda? um panfleto? enfim, foi retirado de Puro Bacon.

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a universidade para Otto Maria Carpeaux

artigo do crítico literário Otto Maria Carpeaux onde dá sua visão sobre a origem e objetivos da universidade. clique aqui.

o artigo chama "A idéia da universidade e as idéias das classe médias" e está presente no livro ensaios reunidos.

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