4 de set. de 2007
Análise da semana: revista veja
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Retrospectiva 68 - Parte 4
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Douglas
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3 de set. de 2007
A elite brasileira?
O livro do Alberto Carlos, aquele sobre como pensam os brasileiros, é comumente colocado como uma prova da superioridade intelectual da elite brasileira. Escolarizados, cultos, liberais, o pacote completo. O Grama já escreveu sobre isso (clique aqui para ler), eu escrevi (clique aqui e aqui), o Mino Carta escreveu (o blog dele não abriu. Fica sem link mesmo), a Veja, todo mundo escreveu. É o assunto do momento, um dos pelo menos... Esse vídeo do Greenpeace é uma prova cabal de que a elite não é essa coisa sueca que existe no Brasil, mas sim um grupo de pessoas que detém poder sobre o resto. Só isso.
Nesse pequeno documentário de pouco mais de 11 minutos vemos como o poder legislativo e executivo da cidade de Junaí, no interior do Mato Grosso, impedem uma equipe do Greenpeace e de jornalistas de entrarem na área dos Enawene Nawe, grupo indígina que pede a redemarcação de suas terras. Segundo eles, um rio, essêncial para sua subsistência, está fora da demarcação anterior e trechos de terra foram invadidos por fazendeiros.
Por uma dessas coincidências todos os políticos e fazendeiros nas imagens abaixos são de partidos políticos de direita, mas, reafirmo, é só coincidência.
Segundo o blog do Josias, onde eu descobri o vídeo, o ocorrido foi informado ao governador do estado, Blairo Maggi, presidente do PR, mesmo partido do prefeito de Junaí, e ao procurador da República Mário Lúcio Avelar. Veremos se algúem faz alguma coisa...
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Retrospectiva 68 - Parte 3
Hoje, as tira publicadas na Folha nos dias 24, 25, 26, 28 e 29 de Maio. Elas continuam sendo de autoria do Angeli. Clique na imagem para conseguir ler os balões.

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2 de set. de 2007
Retrospectiva 68 - Parte 2
Dando continuidade. Hoje as tiras publicadas na Folha de São Paulo nos dias 18, 19, 21, 22 e 23 de Maio.
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1 de set. de 2007
Retrospectiva 68 - Parte 1
Serão 12 posts diários. O último post será acompanhado de um breve obituário do último sobrevivente dos Anos de Chumbo. As tiras abaixo foram publicadas nos dias 14 (as duas primeiras), 15, 16 e 17, respectivamente, no jornal Folha de São Paulo. Clique na imagem para vê-la ampliada.
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31 de ago. de 2007
A reestatização da Vale.
"Dois são os argumentos contra essa tese: 1) haveria quebra de contrato, o que geraria insegurança jurídica e 2) a Vale só se valorizou tanto porque foi privatizada. O primeiro argumento não me desce bem. Talvez eu tenha passado muito tempo trabalhando na iniciativa privada e convivido muito com empresários. Não conheço empresário que aceite levar até o fim um contrato que passou a ser um péssimo negócio. "Segurança jurídica" é um conceito que os empresários gostam de ver saindo do teclado de seus escribas, mas que deixam de lado na primeira ameaça a suas empresas. O segundo argumento tomou um tiro na asa com essa reportagem de hoje do WSJ"De certa forma todo processo de privatizações iniciado por Collor e intensificado por FHC entra em questão nisso, sendo óbvio que é um plebiscito político (ao contrário do Cansei não considero o termo político negativo). Recorro aqui a um trecho de um artigo da Carta Maior de 17/02/2006:
"A mais visível delas (irregularidades na privatização da Vale) consiste na atuação da empresa Merrill Lynch, responsável pela sub-avaliação da Vale, como acionista, na época, do grupo Anglo American, concorrente direta da própria CVRD. A Merrill Lynch teria repassado informações estratégicas aos compradores meses antes da venda. Além disso, ela teria infringido a legislação pelo fato do grupo Anglo American ter participado do processo e venda através da empresa Projeta Consultoria Financeira S/C LTDA, caracterizando ilegal vínculo entre a organização autora do projeto e um dos licitantes. O processo teria sido marcado por outras irregularidades, como a participação como consultor do Banco Bradesco, que mais tarde viria a se tornar um dos acionistas da companhia. “Foram internacionalizados, de acordo com o TCU, 26 milhões de hectares. No entanto, o Código Penal Militar proíbe a internacionalização de áreas maiores do que dois mil hectares sem passar pelo congresso, o que não aconteceu”, pontua o pesquisador Bautista Vidal."
" atualmente existem mais de 100 ações populares contra o leilão que, em 97, retirou das mãos do Estado o controle acionário da Companhia Vale do Rio Doce. Em outubro de 2005, o Tribunal Regional Federal de Brasília julgou que 69 dessas ações não seguiriam arquivadas em Belém (PA), onde não foram devidamente apreciadas."O jurista Fabio Konder vai além, afirma que os responsáveis pela privatização da Vale em 1997 "deveriam fazer companhia aos denunciados pelo Superior Tribunal Federal por formação de quadrilha" uma vez que venderam "por R$ 3,3 bilhões, uma empresa que tinha R$ 92 bilhões de patrimônio."
Abraços, Caetano.
obs: aqui um artigo de Mauto Santayanna, também na Carta Maior, que não foi citado mas serve para enriquecer o debate.
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Feridas abertas da ditadura
O jeito como a Brasil lida com seu passado é interessantíssimo, não rompendo com nada nossa história aparenta ser somente uma transferência de poder entre oligarquias. Não rompemos sequer com o império, não conquistamos a independência e o fato de alguns se mostrarem escandalisados com o lançamento, por parte do governo, do livro "Direito à Memória e à Verdade", que evidencia torturas e mortes causadas pelos militares, mostra que nem com a ditadura militar parece haver uma vontade de ruptura. A nossa democratização foi ridícula de modo que se contentou com um acordo de cúpula entre políticos à reivindicação popular por Diretas; seria muita radicalização a democracia direta vir diretamente povo? Mais do que uma ruptura, uma negação daquele modelo proposto pelos militares, era necessário a certeza de que seria apenas uma transferência (mais simbólica, do que real) de poderes. Brincamos de democracia.Retomando. A negação a esse documento do governo e à abertura total dos documentos da ditadura militar é negar a memória. Querer relativizar os crimes cometidos pelo Estado brasileiro durante a ditadura é não estar disposto a se deparar com a história; é afirmar que aquilo já passou, que não vale a pena ser lembrado quando na verdade deve ser lembrado constantemente para ser rechaçado, criticado e condenado. Qual a possibilidade de construção de uma nação com um povo sem memória? Em um Estado que não escolhe qual modelo seguir (escolher é diferenciar, distinguir, falar "isso não quero, isso condeno") ? Ou dizemos que a ditadura foi um dos piores momentos da história brasileira - segundo Mino Carta, o pior momento ao lado da escravidão - e lidamos com a real dimensão desse fato ou seremos eternamente coniventes com ela.
Seguem links da repercussão do lançamento de "Direito à Memória e a Verdade" na imprensa gringa.
Huffington Post.
El Pais.
BBC.
Al Jazeera
Abraços, Caetano.
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Ingenuidade perigosa
No blog do colunista da revista Veja, encontrei um post sobre a entrevista e depois mais outro.
"Com base em dados empíricos, colhidos numa pesquisa, ele [Alberto Carlos] descobriu que a educação torna, na média, as pessoas menos tolerantes com os desmandos e mais tolerantes com a diferença; menos tolerantes com as incompetências do estado e do governo; mais tolerantes com a individualidade — sua e alheia."Dessa maneira o colunista resume as teses do livro de Alberto, apoiado no resumo feito pela revista Veja, comentado pelo Douglas em outro post do Parou Parou. A meu ver, existem muitas posições políticas entremeadas nesse resumo que, pelo que vi na entrevista, estão realmente presentes no discurso do sociólogo. Quanto ao resumo em si, um ponto específico dele a atentar é a marca de autoridade que confere ao 'colhido numa pesquisa', que exclui completamente os questionamentos sobre os objetivos da mesma ou os métodos utilizados. Sabe-se que em pesquisas de cunho estatístico seus resultados só podem ser interpretados corretamente se esses elementos são evidenciados e coerentes. Sobre esse assunto, ver post sobre a pesquisa da Folha, também do Douglas.
Azevedo parte então para uma crítica da atuação do professor da USP Franciso Alambert no Roda Viva, na minha opinião um tanto quanto infeliz, pois não conseguiu apontar de maneira articulada suas objeções ao entrevistado. Após tomar algumas medidas retóricas para desqualificar qualquer crítica vinda de Alambert, o colunista-blogueiro afirma o seguinte:
"Ah, acontece que a pesquisa mexe com duas taras das nossas esquerdas: 1) as elites (palavra que nem está no livro) brasileiras são especialmente malvadas, perversas mesmo; 2) o povo é dono de um saber que vai se formando na luta: o saber do oprimido."
Um outro ponto que me inquietou é como o progresso nacional é concebido por ambos, Azevedo e Alberto Carlos Almeida, como a aplicação exata dos preceitos do neoliberalismo. Para eles, estatizante é necessariamente sinônimo de arcaico e liberal, de democrático e tolerante, sem que quaisquer outras alternativas possam ser consideradas. Parece que no plano da realidade econômica nacional o nosso progresso é mantermos tudo privado e, em nossa plataforma humana, sermos morais e tolerantes. Fica a pergunta se esses são realmente os critérios para definir uma sociedade melhor.
Penso que esse discurso todo apenas serve a uma coisa: autorizar a elite a seguir julgando como bem entender o futuro da nação, pois a participação do povo ignorante só poderia fazer destruir os altos valores morais da modernidade.
Enric "Grama"
ps. Depois escrevo sobre o que foi dito sobre escravidão nesse programa. Assustador.
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29 de ago. de 2007
Quem está pagando?
Abraços, cae
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Prioridades: os gasto com juros da dívida pública e os gastos com educação
Fica evidente quais são as prioridades desse governo e de onde poderiam surgir os recursos para investimentos no país. Enquanto não lidarmos diretamente com essa situação, de que essa dívida é impagável - os dados mostrados aqui exibem apenas os gastos com os juros da dívida - a possibilidade de construção de uma nação será nula; estaremos sempre com essa postura colonial e mentalidade de dominados
Abraços, Cae.
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Índice das análises da semana!
De acordo com essa nova fase do Parou Parou, aqui está um post que agrupa as análises das revistas CartaCapital e Veja e da edição de domingo da Folha de S. Paulo.
Análise da semana: Veja, por Caetano
Métodos e Técnicas de Pesquisa, por Douglas
Review da semana: CartaCapital, por Enric "Grama"
Toda terça-feira você encontra aqui esse post-índice das análises da semana!
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Enric Llagostera
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28 de ago. de 2007
Análise da Semana: Revista Veja
De início meu pedido de desculpas, ficaria eu responsável por analisar a edição dessa semana da revista Veja. Entretanto por não contar com R$8,90 decidi, ao invés de adquiri-la no fim de semana, ler o bendito exemplar em alguma biblioteca da UNICAMP. Entretanto notei ser impossível achar o tal nas bibliotecas da universidade, edições antigas são fáceis de encontrar mas as novas são impossiveis, o que fez com que eu me contentasse com a edição do dia 22 de agosto, cuja capa está ao lado. Comento então o editorial da edição, que segue copiado abaixo e, em seguida, minhas palavras:Editorial Veja ed. 33 ano 40
Quando se empurram as cortinas ideológicas à esquerda e à direita e se esquecem as disputas partidárias sobre de quem é o mérito, se de Lula ou de FHC, o cenário aparece com clareza. E o que ele mostra? Mostra que o Brasil que atravessa a presente crise externa nos mercados financeiros é um país bem mais saudável em comparação com aquele que quase soçobrou sob as ondas de choque de turbulências passadas. Como lembrou há duas semanas Roberto Civita, presidente da Editora Abril, na cerimônia de premiação da 34 edição de Melhores e Maiores da revista Exame: “ Temos uma política econômica consistente e responsável. Uma taxa de inflação que permanece domada há mais de uma década. Exportações que batem sucessivos recordes. Investidores estrangeiros cada vez mais dispostos a colocar seus recursos aqui. Uma bolsa de valores que, apesar dos eventuais solavancos do mercado internacional, mostra um vigor inédito. Temos uma mercado de consumo potencial invejável, recursos naturais em abundância e uma elite empresarial que se supera em competitividade dia após dia”
Pelas razões acima e pela própria natureza da economia de mercado, não há motivo para pânico. As crises do capitalismo trazem em si o germe da própria recuperação. Ela derrubam o preço das ações, dos produtos e das matérias-primas até o ponto em que comprá-los se torna atraente de novo e o ciclo recomeça em sentido positivo. Para aproveitar em sua plenitude tanto os períodos de prosperidade quanto as oportunidades criadas pelas oscilações globais – e não apenas sobreviver a elas -, o Brasil precisa fazer rapidamente as reformas trabalhistas, tributária e previdenciária. Os bons fundamentos da economia ajudam agora o Brasil a se manter à tona na atual crise global de liquidez que está se degenerando em crise financeira e pode virar crise econômica. Mas eles não são suficientes. Só as reformas óbvias podem blindar a prosperidade nacional contra intempéries mais fortes.
---Comentário----------------------------------------------------------------------------------
Não sou um especialista em economia - bem longe disso aliás - então não cabe a mim buscar explicações para essa crise de liquidez, suas causa, consequências, etc. Comento aqui apenas a postura da Veja, em seu editorial, de que não há mais história, não há ideologias em jogo, ou seja teríamos chegado num ponto em que seguindo algumas regras elaboradas por um grupo de economistas, especialistas em matemática financeira e congêneres viveríamos em paz e tranquilidade. Tal visão promete um paraíso onde os distúrbios não existiriam, seriam apenas uma forma de auto-regulação desse próprio sistema de regras. Que o capitalismo se desenvolve por crises cíclicas é sabido, entretanto, do modo como é posto, as crises são apenas uma forma de se ajustar preços, etc, não causando dano mais graves. Nada mais falso, vale lembrar um dos produtos da crise de 29 (aquela lá, célebre): o nazismo.
Dentro dessa visão financeirista do mundo tudo deve se ajustar de forma a preservar os maiores lucros da "elite empresarial que se supera em competitividade dia após dia", aqueles que sabem aproveitar "as oportunidades criadas pelas oscilações globais". Nada contra o lucro, nada mesmo, é a forma de manter investimentos, empregos, desenvolvimento, etc. Tudo contra quando esse lucro fere direitos inalienáveis dos seres humanos. Passe-se a viver para o trabalho, consumindo no fim de semana o que se ganha de segunda a sexta. Modo de vida esse que só agrada aos oportunistas das oscilações globais, especuladores com interesses em tornar a vida um mero espetáculo de perde-ganha; são os mesmos caras que geram a crise onde "as oportunidades criadas" (2) compensam a pobreza gerada.
Concordo que várias reformas devam ser feitas no nosso país afim de que consolidemos ao menos uma república decente, entretanto não concordo com os propósitos que a Veja defende serem seguidos por essas reformas.
Abraços, Caetano.
Dados:
Edição n. 2021 ano 40 n 33
22/08/2007
132 página
51 páginas de propaganda mais 2 anúncios de 1/2 página e 4 de 1/3 de página.
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STF e os 40 réus
José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil) - corrupção ativa e formação de quadrilha
José Genoino (ex-presidente do PT) - corrupção ativa e formação de quadrilha
Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) - corrupção ativa e formação de quadrilha
Silvio Pereira (ex-secretário geral do PT) - formação de quadrilha
Duda Mendonça (publicitário) - lavagem de dinheiro e evasão de divisas
Zilmar Fernandes (sócia de Duda Mendonça) - lavagem de dinheiro e evasão de divisas
José Borba (ex-deputado federal pelo PMDB-PR) - corrupção passiva
Roberto Jefferson (ex-deputado federal pelo PTB-RJ) - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Romeu Queiroz (ex-deputado federal pelo PTB-MG) - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Emerson Palmieri (ex-tesoureiro do PTB) - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
José Janene (ex-deputado federal, PP-PR) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Pedro Henry (deputado federal, PP-MT) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Pedro Corrêa (ex-deputado federal, PP-PE) - corrupção corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
João Cláudio Genu (ex-assessor do PP) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Enivaldo Quadrado (empresário) - formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
Carlos Alberto Quaglia (empresário) - formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
Valdemar Costa Neto (deputado federal pelo PR-SP) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Jacinto Lamas (ex-tesoureiro do PL) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Bispo Rodrigues (ex-deputado federal do PL-RJ) - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Antônio Lamas (ex-tesoureiro do PL) - lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Breno Fischberg (empresário) - formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
Marcos Valério (publicitário) - corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas
João Paulo Cunha (deputado federal pelo PT-SP) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato
Luiz Gushiken (ex-ministro) - peculato
Paulo Rocha (deputado federal PT-PA) - lavagem de dinheiro
Anita Leocádia (assessora parlamentar) - lavagem de dinheiro
João Magno (ex-deputado federal PT-MG) - lavagem de dinheiro
Professor Luizinho (ex-deputado federal PT-SP) - lavagem de dinheiro
Anderson Adauto (ex-ministro dos Transportes) - lavagem de dinheiro e corrupção ativa
José Luiz Alves (ex-assessor de Anderson Adauto) - lavagem de dinheiro
Simone Vasconcelos (ex-diretora da SMPB) - lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas
Geiza Dias (ex-auxiliar da diretoria das empresas de Valério) - lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas
Rogério Tolentino (advogado) - lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Cristiano Paz (publicitário) - corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas
Ramon Hollerbach (publicitário) - corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas
Kátia Rabello (ex-presidente do B. Rural) - gestão fraudulenta de instituição financeira, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas
José Roberto Salgado (ex-vice-presidente do B. Rural) - gestão fraudulenta de instituição financeira, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas
Ayanna Tenório - (ex-vice-presidente do B. Rural) - gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Vinícius Samarane (ex-diretor do B. Rural) - gestão fraudulenta de instituição financeira, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas
Henrique Pizzolato (ex-diretor do BB) - peculato (2x), corrupção passiva e lavagem de dinheiro
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Review da semana: CartaCapital
CartaCapital,
edição nº459, 29 de agosto de 2007 - Ano XIII
tiragem: 73.900 exemplares
66 páginas, 5 páginas de anúncios (um anúncio de duas páginas da Petrobrás, 3 páginas de anúncios privados)
Capa: A rebelião da elite: De juízes a socialites, dos donos da mídia a seus sabujos, contribuições notávies para um festival de besteiras que envergonha o País
***
Estratégia
A abordagem da revista é explicitamente direcionada e consciente de sua posição ideológica. O ataque à visão elitista do Cansei em relação à sociedade brasileira é construído apontando-se as repetidas incoerências, confusões e afirmações preconceituosas dos membros desse grupo, com um esmero na construção de diversos personagens e vozes dentro do texto. Assim, o Cansei é apresentado, em um panorama bastante vivo, como um grupo heterogêneo em sua composição, mas que não foge de suas contradições e erros fundantes. Em nenhum momento é censurada a fala desse movimento, mas é sempre questionada e atacada, sem o uso de recursos baixos.
Alguns pontos altos relativos às matérias diretamente relacionadas com o Cansei: o box com uma entrevista com Luciano Camargo, em que o cantor é apresentado como "voz dissonante no coro dos artistas", a narrativa de três fotografias da fã de Hebe Camargo sendo enxotada de cima do carro da apresentadora, o box da entrevista com Max Gonzaga, compositor da canção 'Classe média', sucesso de repercussão no Youtube. Vale a pena ler!
Diálogos
Outra coisa bastante interessante de se perceber nessa edição da CartaCapital (e que é quase uma constante da revista) é o diálogo/contraponto que faz com a Veja. Na Carta, outra revista é citada como fonte e as coisas que diz são comentadas, discutidas e atacadas sem qualquer tipo de constrangimento ou arrogância, o que não acontece na Veja. Ignorar a existência de interlocutores e apresentar-se como porta-voz da verdade são expedientes comuns em meios de comunicação ligados estreitamente com os interesse da ideologia dominante de uma sociedade, que, por definição, dissimula sua caracterítica de discurso a partir de um posicionamento (como todo discurso, está situado em um ponto de vista histórico e limitado).
Em um momento histórico em que múltiplas fontes de informação falam sobre um mesmo assunto dentro da mídia, a variedade de pontos de vista é necessária e bem-vinda, assim como a consciência e maturidade para assumir seus pontos de vista. É quase um truísmo dizer isso, mas não existe imparcialidade ou discurso da verdade absoluta. Ouviram, galerinha da Abril?
Outros destaques dessa edição: matéria sobre o livro (muito importante) lançado pelo governo sobre a memória das vítimas da repressão durante a ditadura e novidades na apuração de uma ampla série de casos, a matéria sobre as alterações na constituição da Venezuela e a discussão sobre a questão do STF.
Opine!
ass. Enric "Grama"
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Enric Llagostera
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Métodos e Técnicas de Pesquisa
Baseado inteiramente em pesquisa realizada pelo Datafolha, o Especial aponta os melhores hospitais dentre 343 (45 públicos, 28 filantrópicos e 270 particulares) da capital paulista. Para isso, foram ouvidos “mil médicos entre os dias 10 de maio e 20 de junho. Profissionais de várias especialidades atuantes em hospitais e clínicas foram questionados sobre as melhores entidades da cidade e as características que as diferenciam das demais.”.
Todas as entrevistas foram realizadas por telefone e a proporção de médicos dentre de cada especialidade foi respeitada, ou seja, “a quantidade, por exemplo, de cardiologistas (3%) e ortopedistas (4%) é equivalente à divisão de especialidades dos profissionais e atividade na capital. O mesmo vale para recortes por sexo, idade e tempo de conclusão de curso e para a divisão entre os que atendem em hospitais (76%) e em consultórios (68%).”
O resultado não chega a ser surpreendente. No geral, em resposta única, os 5 melhores são: Albert Einstein (43%), Sírio-Libanês (18%), Oswaldo Cruz (15%), Hospital das Clínicas (7%) e São Luiz (5%). Quanto às especialidades, em resposta única, na área de Cardiologia o InCor/HC (50%) foi o mais citado, em Maternidade o São Luiz (33%), em Oncologia o Sírio-Libanês (31%), em Pediatria o Albert Einstein (29%) e em Ortopedia o Oswaldo Cruz (19%). Na grande maioria das respostas, agora múltiplas, o que mais pesou na escolha dos hospitais está a equipe médica e os equipamentos, ambos com média de 58%. Esse panorama da saúde na cidade de São Paulo só confirma aquilo que muitos paulistanos sempre souberam.
No entanto, um dos aspectos mais interessantes e que talvez não seja percebido como importante está logo nas duas primeiras páginas. Na primeira, por Cláudia Collucci, toda a metodologia da pesquisa é devidamente detalhada e esmiuçada. As informações reproduzidas nos parágrafos acima foram extraídas de lá.
Já na página seguinte acontece um interessante debate sobre como se avalia a qualidade de um hospital. Maria Manuela dos Santos, superintendente de uma das empresas privadas especializadas ouvidas afirma que “os médicos escolhem um hospital pensando para onde iriam se ficassem doentes. Eles fazem uma opção de classe.”, “a avaliação do médico é muito subjetiva e normalmente focada na experiência pessoal de cada um”, conclui o texto. Já Haino Burmester, coordenador do núcleo técnico de um programa de qualidade hospitalar gratuito mantido pela Associação Paulista de Medicina e pelo Conselho Paulista de Medicina, questiona as certificações pagas. “Elas preparam a organização para a certificação de qualidade e elas próprias certificam. Guardadas as proporções, é como ‘pôr a raposa para cuidar do galinheiro’.”.
O que a Folha faz logo no começo de todo o Especial é fornecer ao leitor informações para questionar a legitimidade de toda sua pesquisa, conseqüentemente de todas as conclusões derivantes dela. Sabemos de antemão com quais argumentos estamos lidando. Tal atitude contrasta enormemente com a de outros veículos jornalísticos que não se dão nem ao trabalho de conceituar expressões subjetivas empregadas em seu texto. Caso da Veja e a reportagem sobre o livro do professor Alberto Carlos Almeida, em que o termo “elite” era usado de pelo menos 4 maneiras distintas, o que provocava inevitavelmente uma confusão de sentido que poderia levar o leitor desatento a conclusões precipitadas.
Apesar da clara distinção entre estilos de jornalismo da Veja e da Folha neste dois casos, não é possível concluir que um seja melhor que o outro. Existe sim, um maior respeito por parte da Folha para com a inteligência do leitor. São apresentados números, dados, debates e toda uma sorte de informações que deixa o leitor à vontade para tirar suas próprias conclusões, inclusive quanto à veracidade do que lê.
Sim, era um Caderno Especial de 22 páginas sobre um tema relativamente neutro, e que foi abordado com neutralidade, politicamente falando. Bem diferente do conteúdo da reportagem da Veja, que tinha entorno de 8 páginas. Resta agora analisar a abordagem de um mesmo tema pelos dois veículos.
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Douglas
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27 de ago. de 2007
Imprensa marrom
Abraços e até!
Enric "Grama"
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26 de ago. de 2007
De volta às origens
Fapesp passa a integrar Secretaria de Ensino Superior
Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007 às 17h11
A edição desta sexta-feira do Diário Oficial do Estado traz decreto do governador José Serra transferindo a vinculação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) da Secretaria de Desenvolvimento para a Secretaria de Ensino Superior.
O decreto, de número 52.086, volta a reunir as universidades estaduais paulistas – Unicamp, USP e Unesp – e a fundação estadual de pesquisa no âmbito de uma mesma secretaria, tal como acontecia até o final de 2006.
A Secretaria de Ensino Superior foi criada em janeiro deste ano, ficando com parte das atribuições da extinta Secretaria de Ciência e Tecnologia. A Fapesp, no contexto da mesma reformulação, acabou vinculada à Secretaria de Desenvolvimento. O decreto reaproxima, assim, o ensino superior público e o financiamento da pesquisa no Estado. As universidades estaduais paulistas respondem por mais da metade da pesquisa acadêmica produzida no país.
A transferência da vinculação da Fapesp para a Secretaria de Ensino Superior acontece uma semana depois da posse do novo titular da secretaria, o lingüista e poeta Carlos Vogt, que foi reitor da Unicamp de 1990 a 1994.
Veja a íntegra do decreto.
DECRETO Nº 52.086,
DE 23 DE AGOSTO DE 2007
Dispõe sobre a transferência da vinculação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP e dá providências correlatas
JOSÉ SERRA, Governador do Estado de São Paulo, no uso de suas atribuições legais,
Decreta:
Artigo 1º - A vinculação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP fica transferida da Secretaria de Desenvolvimento para a Secretaria de Ensino Superior.
Artigo 2º - Fica acrescentada ao inciso XVI do artigo 7º do Decreto nº 51.460, de 1º de janeiro de 2007, a alínea “g”, com a seguinte redação: “g) Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP;”.
Artigo 3º - As Secretarias de Economia e Planejamento e da Fazenda providenciarão, em seus respectivos âmbitos de atuação, os atos necessários ao cumprimento deste decreto.
Artigo 4º - Este decreto entra em vigor na data de sua publicação, ficando revogada a alínea “b” do inciso XII do artigo 7º do Decreto nº 51.460, de 1º de janeiro de 2007.
Palácio dos Bandeirantes, 23 de agosto de 2007
JOSÉ SERRA
Alberto Goldman
Secretário de Desenvolvimento
Carlos Alberto Vogt
Secretário de Ensino Superior
Aloysio Nunes Ferreira Filho
Secretário-Chefe da Casa Civil
Publicado na Casa Civil, aos 23 de agosto de 2007.
Da Unicamp
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Douglas
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Marcadores: Douglas Lambert, FAPESP
25 de ago. de 2007
"Veja, a elite!". Disse Narciso antes de morrer.
Olha, eu sei que o Caetano é o encarregado do artigo sobre a revista Veja, mas é impossível ficar alheio a matéria Como pensam os brasileiros, publicada na edição 2022, de 22 de Agosto de 2007. A começar pela chamada na capa: "Um livro mostra que a elite é o lado bom do Brasil".

Assinada por Ronaldo França (nunca vi mais gordo), a matéria começa com o seguinte texto:
"A julgar pelo que se lê nos jornais e se ouve nas salas de aula das universidades, o Brasil conta com uma elite retrógrada, de valores quase medievais, empenhada em obter toda sorte de privilégios do estado e em explorar a massa trabalhadora. Essa elite seria tão daninha que qualquer movimento de protesto originado nela, como o "Cansei", já nasceria marcado pela ilegitimidade. Segundos os arautos desse ponto de vista, em posição antípoda estaria um povo de valores imaculados, dono de uma sabedoria e um senso de justiça naturais e pronto a redimir o país de séculos de iniqüidade."Adiante, no mesmo parágrafo, somos apresentados a definição de elite: "Como registram os dicionários, é uma palavra de origem francesa que significa "o que há de melhor numa sociedade ou grupo". Dela fazem parte profissionais liberais, cientistas, atletas, empresários, políticos (não todos, infelizmente)". A segunda definição, omitida pelo jornalista, vai mais além: "Rubrica: sociologia. Minoria que detém o prestígio e o domínio sobre o grupo social." Mas isso é o de menos.
O bicho pega quando entra em jogo o livro A Cabeça do Brasileiro, do sociólogo Alberto Carlos Almeida, que apresenta os resultados da Pesquisa Social Brasileira, realizada pela DataUFF (Universidade Federal Fluminense) com 2.363 pessoas em 102 municípios e financiada pela Fundação Ford. "Um levantamento no qual se investigaram os principais valores presentes no cotidiano social, econômico e político nacional. Enfim, o que se pode chamar de "o pensamento do brasileiro"". "O levantamento expressa a opinião dos brasileiros sobre diversos temas. Não pretende, é importante ressaltar, revelar como agem".
Adiante o jornalista chega as seguintes conclusões:
"Se todas as pessoas em idade escolar estivessem em sala de aula hoje, a pleno vapor, o Brasil acordaria uma nação moderna no dia 1 de janeiro de 2025 - depois de um ciclo completo de educação. Os brasileiros passariam a ter baixíssima tolerância à corrupção e esperariam menos benesses de um estado protetor. Funcionários públicos ineficientes e aproveitadores seria uma raça em extinção. Os cidadãos lutariam mais por seu futuro, em vez de se entregar distraidamente à loteria do destino. Nesse país, as pessoas de qualquer credo ou classe social se veriam como portadoras de direitos iguais. As diferenças sexuais seriam mais respeitadas. Provavelmente pouquíssimos endossariam a frase estampada no alto da página 87 - "Se alguém é eleito para um cargo público, deve usa-lo em benefício próprio."Como sugere o final do texto sobre-citado, a pesquisa foi toda realizada da seguinte forma: Frases eram ditas ao entrevistado que deveria afirmar se concordava com o que lhe era dito. Os resultados foram então organizados de acordo com o grau de escolaridade. Pelo menos é o se supõem pelo conteúdo da reportagem, que não explicita qual a metodologia, apenas diz que é a mesma "(...) utilizada pela General Social Survey, a maior pesquisa social dos Estados Unidos, realizada a cada dois anos, desde 1972, pela Universidade de Chicago." Assim, somos apresentados aos seguintes números:
"Se alguém é eleito para um cargo público, deve usá-lo em benefício próprio". Concordam:São números muito expressivos e que mostram, metodologia a parte, que a população com mais acesso a educação pensa de modo diferenciado. A reportagem conclui em seu último parágrafo que "(...) por meio de trabalhos como esse, com conclusões que fogem aos lugares-comuns e apontam na direção da necessidade de universalizar a educação e acelerar a marcha rumo à modernidade - o que significa uma ampliação da classe média, ou seja, da elite (...)" que o país possa encontrar uma "(...) uniformidade social".
- Analfabetos: 40%
- Até a 4 série: 31%
- Da 5 a 8 série: 17%
- Ensino médio: 5%
- Nível superior ou mais: 3%
"Se os moradores permitirem, os empregadas devem usar o elevador social". Concordam:
- Analfabetos: 24%
- Até a 4 série: 33%
- Da 5 a 8 série: 38%
- Ensino médio: 50%
- Nível superior ou mais: 72%
"É certo recorrer ao jeitinho para resolver problemas, como o de se livrar de uma multa". Concordam:
- Analfabetos: 57%
- Até a 4 série: 51%
- Da 5 a 8 série: 58%
- Ensino médio: 48%
- Nível superior ou mais: 33%
"A polícia está certa em bater nos presos para que eles confessem seus crimes". Concordam:
- Analfabetos: 51%
- Até a 4 série: 44%
- Da 5 a 8 série: 41%
- Ensino Médio: 31%
- Nível superior ou mais: 14%
"Programas de TV que fazem críticas ao governo devem ser proibidos". Concordam:
- Analfabetos: 56%
- Até a 4 série: 45%
- Da 5 a 8 série: 33%
- Ensino médio: 19%
- Nível superior ou mais: 8%
Mas nem tudo é tão claro assim. Afinal, o que é a elite no Brasil? É, como pensa a "rasa cachola esquerdista brasileira", um grupo de ricos exploradores; como define o dicionário, o que há de melhor numa sociedade; como define a pesquisa, um grupo de pessoas que possui mais estudo que o resto do país; ou simplesmente, como define o jornalista, a classe média? Alguém sabe? Bom, aparentemente isso não importa para a revista, que iguala todos num mesmo caldeirão sem perceber as anomalias que isso gera.
Os Cansados, mais nova manifestação dessa elite, que tem em seu seio pessoas como Regina Duarte, Hebe Camardo, Ana Maria Braga, um filho e uma neta do Francisco, clientes da Daslu, o presidente paulista da OAB, o presidente de Philipps, o "dono" de Campos do Jordão e tanto outros. Esses são portanto representantes legítimos da classe média, segundo a revista. Juntam-se a eles também a grande maioria dos brasileiros com nível superior, mesmo após as pregações esquerdistas rasas de seus professores, como o comunista do Alberto Carlos Almeida.
Que loucura é essa que se cria? O jornalista simplesmente esquece tudo aquilo que afirma parágrafos antes e oscila de conceito para conceito de acordo com seus interesses. Transforma suposições em verdades, como ao afirmar que a pesquisa não tem como intuito levantar como agimos mas sim como pensamos, para em seguida concluir daqui 18 todos agiríamos praticamente como noruegueses. Qual o intuito disso? Manipular a cabeça do leitor e transforma-los em "Cansados"? Não sei. O que parece é que a revista tira as coisas de um maniqueísmo branco-e-preto e leva-las para um de tons-de-cinza-e-preto, em que os conceitos são modificados sempre em meu favor, enquanto outro vai ser sempre um simplório esquerdista.
Depois de uma dessas vou ler um pouco de Caras pra relaxar. Tá loco... Não vou nem revisar o texto!
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Douglas
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Marcadores: Douglas Lambert, Veja
22 de ago. de 2007
"Não somos todos idiotas!" ou sobre as palavras vazias do governo israelense.
(...)
"O que mostram esses mapas? Que as bases físicas, econômicas e humanos de um "Estado palestino viável" estão em vias de desaparecimento, de forma que a "two state solution", o "divórcio justo e imparcial" (Amoz Oz), o território partilhado entre duas nações, um menor que o outro, desmilitarizado, porém soberano, viável e contínuo, parecem palavras vazias,a conjugar no futuro do pretérito."
(...)
é provável que o mapa esteja difícil de visualizar, mil desculpas, fiz o possível. Acho que ao clicar nele e ampliá-lo já dá uma melhorada. Mais material sobre o assunto: aqui um relatório elaborado por Alvaro Soto, coordenador especial da ONU pelo processo de paz no Oriente Médio (em inglês) e há também o livro recém publicado por Robert Fisk (correspondente em Beirute por do jornal inglês The independent) chamado Pobre Nação (ed. record) trata especificamente da questão libanesa. Ainda não o li mas estou curiosíssimo.
Abraços, cae.
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Marcadores: Caetano T. Biasi
21 de ago. de 2007
Esse tá cansado...
O advogado dos Hernandes diz que o casal viajava num grupo de sete pessoas e que o que houve foi apenas erro no preenchimento da declaração de valores. “Sete pessoas ingressando nos EUA podem levar, pela lei americana até U$ 70 mil, U$ 10 mil por pessoa. Se a quantia que se noticia é inferior a isso, eles estão dentro da lei”, disse o advogado Luiz Flávio D'urso.
Bom, agora os donos da Renascer foram condenados a 10 meses de prisão nos EUA. Erro de preenchimento se confunde com lavagem de dinheiro D´urso? Ah, o D´urso é um dos líderes do CANSEI, presidente da OAB-SP.
Abraços, Cae.
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Cansei, bunker, cansados, público, etc, etc, etc...
O que não é válido dentro do movimento é o uso de um evento trágico e que ainda busca explicações, como o acidente da TAM, para seus propósitos - independente se for para fins dos proletários ou dos "bolcheviques dos Jardins". Muito mais pertinente, se o cansaço fosse real, seriam protestos pós ataques do PCC ano passado. Quem dera houvesse uma articulação política desse porte por parte dessa gente. E agora saem às ruas com seus poodles sendo que nunca frequentaram lugares públicos; não têm relação nenhuma com o bem comum, muito pelo contrário, constroem seus bunker de consumo nos locais mais impossíves de chegar com transporte público e onde a entrada a pé, ou com veículos "não-adequados", é proibida. Por que uma vez cansados não decidem praticar o convivio e compartilhar o espaço (pelo menos isso)?
Quais as consequências desse movimento? Não sei, parece que a repercussão dele está sendo maior do que o que de fato ele é, não me lembro da Folha dedicando uma página inteira do caderno 1 a uma passeata com 2000 pessoas, o que já, em si, representa uma "conquista" do movimento. Seguimos e veremos.
Aqui segue trecho de um post resent do Tas, em seu blog:
e uma imagem feita pelo pessoal do blog To Cansadinho:O "Cansei", que traduziria o sentimento de grande parte da população, já nasceu com DNA torto. Agregou tal biodiversidade de aproveitadores- até o padre da Xuxa apareceu na Sé- que dificilmente pode oferecer um espelho onde a sociedade se reconheça. O movimento mais parece uma Ilha de Caras Pintadas que usa como bucha de canhão as infelizes famílias das vítimas da TAM, que aliás ficaram fora do palanque principal na última sexta.
Abraços, Cae.
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Semestre novo, blog novo
Finalmente, após muito tempo, este Blog voltará a receber atualizações. Ontem, em reunião produtivíssima no Bar do Raimundão, os blogueiros Caetano, Enric "Grama", Élcio, Henrique "Baiano", André, Marcelo e eu, Douglas "Buzina", decidimos sobre o futuro do ParouParou. Fizemos um pequeno balanço sobre o que funcionou e o que não funcionou na atuação grevista do Blog e propuzemos novos conteúdos, assim como uma nova linha editorial.
Quanto a nossa atuação na greve do primeiro semestre das universidades públicas paulistas, a experiência foi incrivelmente positiva. Estávamos com média diária de 300 acessos, sendo quase um quarto deles de novos leitores. Conseguimos repercutir em outros blogs importantes, como o do Marcelo Coelho e o do Roberto Romano. Enfim, foi uma experiência muito bem sucedida e extremamente gratificante para o nosso pequeno grupo de blogueiros iniciantes.
Já em relação ao novo conteúdo a conversa foi um pouco mais demorada, mas extremamente proveitosa. Levando em consideração o viés de nosso curso, somos todos alunos de Midialogia, e nossos interesses pessoais, decidimos tomar o seguir caminho: O ParouParou agora abordará política e cultura nos meios de comunicação, em especial os impressos. A princípio nos comprometivemos a publicar, no máximo até terça feira, um artigo avaliando o conteúdo dos seguintes veículos: Carta Capital, Veja e a edição nacional de domingo da Folha de São Paulo. A escolha destes três veículos foi feita baseada na disponibilidade de leitura por parte dos membros deste blog.
O conteúdo de tais artigos será inteiramente de responsabilidade do autor, ou seja, ele estará autorizado a abordar o que quiser dentro de seu texto. Para os artigos sobre a Carta Capital o responsável é o Enric, para a Veja o Caetano e para a Folha eu, Douglas. Embora sejamos inteiramente responsáveis por veículos específicos, nada nos impede de, durante os posts diários, comentar algo publicado em outro jornal ou revista.
Além do conteúdo, teremos também outra identidade visual e outro esquema de organização. Esses serão implantados no decorrer da disponibilidade do nosso faz tudo Enric, ou seja, você internauta/leitor/blogueiro poderá se deparar com algo completamente diferente do dia para a noite. As mudanças visam reafirma uma nova identidade e melhorar a navegação entre os posts.
De resto, tudo continuará o mesmo. Continuaremos com a política de abordar as notícias dos pontos de vista mais diversos, sem restrições quanto ao conteúdo político ou editorial do veiculo abordado. Tentaremos ser neutros em nossos conteúdos editoriais e pessoais em nosso posts particulares. Enfim, tudo aquilo que foi bom e que bastante elogiado em nossa atuação grevista será mantida.
Por fim, nossa reunião acabou, pedimos mais algumas cervejas e continuamos bebendo até o frio nos expulsar do Bar.
Douglas
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Douglas
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12 de ago. de 2007
Futegay
Testo retirado da revista da Folha. Link original aqui. Só para assinantes...
por Vitor Angelo
Reza a lenda que futebol é esporte de macho, e acho que foi esse canto da sereia que levou o juiz Junqueira Filho a classificá-lo como "jogo viril, varonil, não homossexual", arquivando, no dia 5 de junho, o caso do jogador são-paulino Richarlyson contra o diretor administrativo do Palmeiras, que teria insinuado que o atleta é gay.
No entender do juiz, não existe bicha no futebol, caso encerrado. Na sentença, ele profere: "Não que um homossexual não possa jogar bola. Pois que jogue, querendo". E dá uma dica amiga: "Mas forme seu time e inicie uma federação". É claro que, depois dessa , fiquei imaginando como seria um torneio gay de futebol.
O uniforme, obviamente, teria cores berrantes, já que viado adora aparecer. Mas o time "heterossexual" da Holanda já tem seu laranja "cheguei", então não vale.
Bom, talvez alguns times usassem salto alto. Opa, mas isso já existe no futebol macho. Basta lembrar a seleção canarinho na Copa de 2006, toda de salto 15, segundo especialistas. No campeonato gay poderíamos ser mais calorosos, cair nos braços do colega para comemorar o gol. Mas isso também acontece no futebol hétero. Pensando bem, não existiria grande diferença entre o futebol dos varonis e o das bichas.
Longe de mim desrespeitar a opinião do nobre juiz, mas separar o esporte por orientação sexual não é a base da idéia de gueto? Olha que nos livros de história isso gerou conseqüências desastrosas na Europa a partir da década de 30.
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Douglas
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breve nota sobre a galeria online de sandy skoglund
a galeria online da sandy skoglund, que fica no site da mesma, é muito bem pensada para a web. não se assuste com o que o primeiro link te mostra, abra uma das galerias do arquivo e e você terá a possibilidade de ver toda a produção da fotógrafa - sim, toda.
e ela não se preocupa com direitos autorais? sim, mas balanceia muito bem com o interesse de apresentar sua obra aos possíveis "consumidores" (acho que no caso dela, seriam freqüentadores). a solução que ela encontrou foi criar um front-end em flash para exibir as imagens. explicando: front-end é um programa-interface que (neste caso) acessa um banco de dados e exibe resultados de pedidos.
o front-end e o banco de dados dela são bem-pensados: o flash, sendo um front-end e não contendo as fotos em si mesmo, impede que capturadores de objetos simplesmente dêem download do flash e fiquem com as fotos. mas não é só isso: a disposição das fotos no flash é bem pensada. embaixo há uma galeria de imagenzinhas e logo acima, uma fica exposta. não abstraia, vá ver no site. as imagenzinhas abaixo crescem quando o mouse está sobre elas e clicando na imagem crescidinha, você a vê melhor no espaço acima.
acontece que quando o iconezinho abaixo cresce pra virar imagem, fica difícil selecionar a próxima. falha do design? nada disso. se vc leva o mouse à tela acima, informação detalhada aparece sobre a foto em questão, por cima da foto. enquanto isso, os iconezinhos voltam ao seu tamanho normal e fica muito fácil selecionar a próxima. seguindo essa lógica, você navega mexendo muito pouco o mouse, e segue uma seqüência de informação desejada pela autora.
e mesmo o tamanho da imagem maior é pensado: a idéia está ali, os detalhes não. um print screen não vai te dar a foto - apenas uma referência a.
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c. etheriel
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6 de ago. de 2007
cyberdeslocamento
eu não preciso mais ir ao banco. não preciso mais ir ao xerox, pegar os textos que eu estudo. não preciso (mas gosto de) visitar meus amigos para trocar idéias. mas tudo isso me parece fácil demais - e me chateia ver que nem pra todos é.
primeiro, digitar www.qualquercoisa.xxx , depois colocar usuário e senha, depois navegar e recuperar o arquivo que me interessa. parece difícil? pense em acordar, se arrumar, sair, pegar o xerox, pagar o xerox, voltar pra casa... se é tão difícil assim, lembrar uma página a mais, fique em casa e não busque nada.
eu tenho problemas pra ouvir o argumento. não acredito no argumento: só pode ser falta de interesse. "ir a" ("go to"), no ciberespaço, custa nada. se não quer ir, é porque não quer.
e tem de tudo na web, principalmente o que eu não quero.
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c. etheriel
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5 de ago. de 2007
O ciclo se fecha

"a história brasileira tem demonstrado claramente a absoluta lealdade que encontramos dentro das Forças Armadas"Nelson Jobim, Ministro da Defesa, 1/08 em discurso a oficiais-generais recém promovidos.
Situação deplorável a do Brasil pós-ditadura. Governado por um sociólogo que pediu para esquecermos o que ele tinha escrito, depois por um metalúrgico que pede para esquecermos o que ele sempre disse, agora o Ministro da Defesa de um - Ministro da Justiça do outro - pede para esquecermos justamente o nosso passado, aquele da ditadura. O ciclo se fecha.
Acima, com seu slogan, a lealdade dos militares a qual o ministro se referia.
E abaixo com seu metódo:
Abraços, Caetano
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Que discurso é esse companheiro?
Já há pesquisas lingüísticas suficientes para dar crédito à premissa de que o texto, qualquer texto, é um meio de reprodução de discursos. Resta saber quais discursos são esses.
As palavras e expressões utilizadas dão boas pistas.
Um exemplo clássico é a construção "MST invade fazenda" ou "MST ocupa fazenda". Esta tende a ser pró-sem-terra. A outra destaca no verbo "invadir" o conteúdo de ilegalidade da ação e, por conseqüência, do movimento.
As duas frases reproduzem termos diferentes, que explicitam discursos diferentes, com pontos de vistas diferentes.
Há algumas semanas, este blog questionou que discurso estamos reproduzindo neste momento no país, principalmente após o acidente com o avião da TAM em Congonhas, no dia 17 de julho, que matou 199 pessoas.
O assunto é delicado por si só, dada a dor que é a perda de qualquer vida, ainda mais de forma trágica. Isso tende a tornar mais emocionais discussões sobre o assunto, que tiram a necessária racionalidade da análise.
Há também a necessidade de um distanciamento histórico para permitir uma investigação das reais causas e conseqüências dos eventos que presenciamos.
Mas, mesmo sem o distanciamento histórico e a leitura nublada pela emocionalidade vivida pela sociedade, é possível enxergar que há algo no ar. E não é no ar dos aeroportos brasileiros.
Em terra firme, duas mil pessoas (números da Polícia Militar) fizeram nesse sábado um protesto em São Paulo contra a corrupção e contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outras capitais repetiram o gesto.
Cidadãos irem à rua para dar voz a qualquer queixa é algo próprio do sistema democrático e é um recurso ainda pouco utilizado no Brasil (em comparação, a título de exemplo, com os tradicionais panelaços argentinos).
O protesto –e o direito de fazê-lo- tem de ser democraticamente respeitados, mesmo que, eventualmente, haja divergência de opiniões. Mas os motivos que levaram a esse protesto específico revelam algo vago e contraditório.
O protesto paulistano foi organizado por meio do Orkut. Embora o Brasil seja o líder mundial de usuários do site de relacionamentos, quantos brasileiros possuem o sistema? A minoria. A maioria nem sequer possui computador, vítima da rotulada exclusão digital.
Outro ponto da argumentação do protesto: os manifestantes vaiaram o governo federal, na figura do presidente, e gritaram frases como "Fora Lula".
Ao mesmo tempo, deixaram claro que não se tratava de uma manifestação que procurasse dar um "golpe" no presidente.
A mesma contradição argumentativa é vista no movimento do "Cansei", encabeçado por parte da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e incentivado por empresários paulistanos, alguns ligados ao PSDB.
O verbo "cansei", na primeira pessoa do pretérito perfeito, é intencionalmente vago, posto que não explicita o seu objeto indireto. Cansei do quê?
Encaixa-se no complemento do verbo tudo o que for ruim, inclusive o subentendido lingüístico de um cansaço do atual presidente, eleito democraticamente há menos de um ano.
Reforça essa interpretação de contradição nos argumentos pesquisa do Datafolha noticiada neste domingo no jornal "Folha de S.Paulo".
O índice de aprovação ao presidente Lula está em 48%, mesmo número registrado em março, antes do acidente com o avião da TAM.
A pesquisa mostra também que a aprovação de Lula caiu sete pontos entre os mais ricos, com renda superior a R$ 3.500.
Entre os mais pobres, com até cinco salários-mínimos (R$ 1.750), a aprovação subiu dois pontos.
A história, sábia conselheira, sempre tem a melhor e mais precisa leitura dos fatos.
Mas do que se lê e se vê no calor dos acontecimentos, os fatos revelam que esses protestos são: democraticamente justificáveis, contraditórios e vagos nos argumentos centrais e feitos por uma minoria, dona de poder aquisitivo mais alto e de fácil acesso aos meios de comunicação.
Que discurso estamos reproduzindo?
O pesquisador da USP (Universidade de São Paulo) Flávio Aguiar arrisca uma resposta em artigo publicado na edição deste domingo do jornal "O Estado de S. Paulo".
Ele dá uma outra interpretação ao termo "golpe". Não se trataria, no entender dele, de uma tomada de poder, mas de um golpe de desgaste de condições administrativas da atual gestão, promovido por quem perdeu a eleição presidencial de 2006.
A voz desse movimento –ou desse discurso- seria vista na e pela mídia. Nas palavras dele:
"No presente momento, as chamas da tragédia em Congonhas ainda queimavam, e já havia dizeres no ar e artigos acusando o governo de ´assassino´, interpretação que as primeiras investigações descartaram."
Segundo ele, é assim desde o fim do segundo governo do ex-presidente Getúlio Vargas.
Rodrigo Sá Motta, em "Jango e o Golpe de 64 na Caricatura" (editora Jorge Zahar), mostra um detalhado levantamento de como as charges veiculadas nos jornais da década de 1960 contribuíram para o brasileiro formar uma imagem negativa do ex-presidente João Goulart, deposto pelos militares em 1964.
Os desenhos dos jornais o reproduziam como um bobo. Motta diz que isso não teve necessariamente a ver com o golpe, mas contribuiu para a passividade dos brasileiros com a deposição de Jango. Afinal, "era um bobo".
A história se encarregou de desnudar o discurso por trás do desgaste de Goulart e as conseqüências disso para a vida democrática brasileira.
Pierre Bordieu, no livro "Sobre a Televisão" (Jorge Zahar), aborda o tema de outro ângulo. Ele postula duas premissas.
Primeira: a televisão, objeto da análise dele, é responsável pela criação da realidade dos acontecimentos. A TV é a principal fonte de informação na maioria dos países.
Segunda premissa: essa criação de realidade é permeada por discursos, que chegam enviesados à população.
Bordieu vê no mecanismo um risco à democracia e à saúde política de um país.
A história irá responder a tudo com mais precisão.
Mas não custa questionar que discurso estamos reproduzindo antes de emitirmos qualquer opinião -democraticamente soberana e respeitada, qualquer que seja ela- sobre os últimos acontecimentos.
Será que a opinião é realmente sua ou é o discurso de outrem camuflado na sua voz?
Novamente, a história dirá.
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Douglas
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