28 de out. de 2007

Análise da Veja "Brasileiros querem trabalhar mais"

Faz tempo que não se faz isso no blog, mas enfim decidi matar a saudade e pegar um trecho da Veja dessa semana para comentar. É a edição dessa semana, datada de 31 de outubro de 2007.
Lá pela página 49 surge um daqueles quadros tradicionais da Veja. É a sessão contexto.
O título é "Brasileiros querem trabalhar mais".
Reproduzirei os dados e o texto introdutório.
"A quantidade de trabalhadores que gostariam de esticar a jornada para ganhar mais cresceu 25% desde 2002. Hoje, já chega a 7,5% das pessoas ocupadas. Essa é uma tendência que se manifesta quando aumenta a confiança dos trabalhadores no crescimento da economia, e por isso, eles ambicionam ganhar mais.
Perfil de quem gostaria de trabalhar mais:
Renda mensal média: R$500,00.
Situação funcional: 70% não tem carteira assinada ou atuam no mercado informal.
Qualificação profissional: 45% só tem qualificação para trabalhos manuais.
Principais atividades: camelôs, cabeleireiros, mecânicos, operários.
Onde se concentram: Recife, Belo Horizonte, Salvador.
Fonte: "Um aspecto da subocupação por insuficiência de horas trabalhadas", de Danielle Machado/UFF e Ana Flávia Machado/UFMG."
Comento:
Não creio ser coerente a interpretação de que as pessoas querem trabalhar mais porque " aumenta a confiança dos trabalhadores no crescimento da economia, e por isso, eles ambicionam ganhar mais." Pegando esses R$500,00 de média mensal nota-se que o trabalhador ou trabalhadora quer dedicar mais horas de sua vida ao trabalho porque ganha pouco, porque obviamente não dá pra sustentar uma família com 500 reais.
Levando em conta que a maioria dessas pessoas ocupa o mercado informal -elas não tem emprego fixo - elas gostariam de mais demanda pra prestarem serviços (e por consequência ganharem mais), talvez isso que queiram dizer com trabalhar mais.
Enfim, temo sempre os argumentos - comuns na Veja - que explicam tudo por uma lógica economicista. Houve um editorial antigo, comentado aqui também, sobre crises econõmicas serem algo extremamente positivo não gerando pobreza mas sim novas oportunidades ao bom empreendedor. Na edição de hoje a idéia demonstrada é a desses trabalhadores quererem ganhar mais pois estão mais confiantes na estabilidade econômica e assim, imagino eu, estariam mais dispostos ao consumo.
Óbvio que não! O potencial de consumo de alguém com renda de 500 reais obviamente é bem baixo e esse cara só quer gastar mais tempo trabalhando porque com o que recebe é difícil de se sustentar.
Não entendi se os dados e o texto são das pesquisadores citadas como fonte ou se retiraram do trabalho delas apenas os dados, sendo assim tentarei durante essa semana etrar em contato de alguma maneira com elas e tentar obter um comentário sobre o assunto.
Abraços, cae

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26 de out. de 2007

Ossário: repressão e intervenção


Faz muito tempo que a paisagem urbana das cidades de todo o mundo são suporte para diferentes tipos de comunicação visual. Vemos em todos os cantos desde elaborados outdoors de grandes agências de publicidade até simples cartazes caseiros, passando por toda a gama de pichações e grafites. Nesse contexto, muitos artistas fazem do grafite e outras intervenções na paisagem urbana sua forma de fazer arte.

Qualquer arte que intervém, que incomoda, nem sempre é bem aceita, e a repressão é então chamada à ação. É um clichê falar da repressão policial aos grafiteiros, e a discussão sobre a validade ou não dessa repressão em especial não cabe aqui. O interessante é perceber o funcionamento da repressão aos elementos perturbadores, mesmo quando a intervenção em questão não cabe dentro das justificativas e criminalizações usuais.

Reverse graffiti

Um bom estudo de caso é a obra de reverse graffiti
(link em inglês) Ossário do brasileiro Alexandre Orion. Durante noites de trabalho a fio, ele removeu fuligem das paredes de um túnel em São Paulo, formando o desenho de dezenas de caveiras. Limpando seletivamente, criou uma imagem de impacto na paisagem urbana, denunciando a poluição ambeintal da grande cidade.

Segundo o artista, era abordado pela polícia várias vezes a cada noite de trabalho, confundido com grafiteiros. Esses encontros não eram lá muito amistosos, mas Alexandre conseguiu continuar com sua obra após explicar repetidas vezes que estava limpando, e não "sujando", propriedade pública, o que não constitui crime e, logo, não deveria ser reprimido. Assim, a perturbadora fileira de caveiras ganhou forma e número, apesar das várias visitas da polícia e do departamento de trânsito da cidade de São Paulo. Segundo o relato do artista, após perceberem o que ele estava fazendo, alguns policiais até apoiaram sua obra.

O fim de Ossário

A obra foi realizada durante duas semanas, começando em 13 de julho de 2006, no túnel que liga a Av. Europa e a Cidade Jardim. Após duas semanas de incessante trabalho noturno, Ossário tinha 160 metros de extensão. Sua denúncia da mortífera poluição urbana ganhava contornos cada vez mais provocativos aos olhos das autoridades. Finalmente, o túnel foi limpado pela prefeitura, mas apenas onde estava a intervenção, o restante permanecendo sujo. A limpeza da prefeitura foi claramente um gesto de censura, apagando a intervenção e deixando o túnel ainda sujo, como deve ser. Quase uma reverse censura.

Insistente, em 13 de agosto de 2006, Alexandre continuou a remover fuligem e desenhar caveiras, já que ainda tinha sua matéria prima à disposição. No entanto, assim que a obra alcançou 120 metros de extensão, uma equipe conjunta da Polícia Militar e da Prefeitura veio e limpou todo o túnel. Para não correr novos riscos, foram limpos todos os outros túneis da cidade.

Para terminar, fica aqui o vídeo disponibilizado pelo artista em seu site.



Opine!
Enric "Grama" Llagostera

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Sobre o mídia sem máscara.

Mídia sem máscara é um site destinado ao pensamento conservador. Entre seus quadros o expoente é o filósofo Olavo de Carvalho, e traz os artigos mais diversos. Sempre dou uma passada pelo site e tal, poucas vezes concordo com algo mas é sempre bom conhecer o pensamento veiculado lá. Certa vez encontrei um texto chamado "As origens satânicas do comunismo". Achei hilário, li e me diverti. Mostrei para o Grama que teve a mesma reação, somada a um leve espanto. Ok.

Até então o MSM era só um site de política com um viés de direita, ótimo, não me incomodava, muito pelo contrário só achava ele ruim - como normalmente também são ruins os sites da esquerda militante. Entretanto há alguns meses vi um vídeo no youtube chamado "Volta CCC" é o clipe de uma banda que pede a volta do comando de caça aos comunistas, da ditadura e exalta a morte de Herzog. Asqueroso.

Tal clipe veicula propaganda do Mídia Sem Máscara. No momento pensei, "sacanagem, um bando de muleques imbecis metidos a nazistinha faz o bagulho e agora querem zuar os caras e tal". De certa forma nunca tinha encontrado nada no MSM defendendo a caça aos comunistas. Fugindo da canalhice mandei uma mensagem ao MSM falando desse vídeo, que mesmo não aparentando ser da autoria deles associava o site a coisas que não imaginava que eles apoiassem. Não recebi nenhuma resposta. Reenviei a mensagem umas 2 vezes e nada. Só tirei uma conclusão, o mídia sem máscara compactua com os valores transmitidos pelo vídeo e pela música e que são de dar nojo.

O vídeo está abaixo, é auto-explicativo.


cae.

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24 de out. de 2007

Postando por postar

Já repararam a quantidade de Reitorias sendo ocupadas esse ano? Só no Centro de Mídia Independente são 14 marcadores diferentes, organizados pelo nome da universidade. Se não me engano a Reitoria da UFBA continua opucada... Isso sem contar as universidades particulares.

Isso é resultado de um ano atípico? Não consigo interpretar esses números...

Douglas

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18 de out. de 2007

resposta do ombudsman da folha

Enviei a mensagem dois pesos, duas medidas ao ombudsman da folha e ao painel do leitor. No painel nada foi publicado mas o ombudsman me encaminhou a seginte resposta:

Caro Caetano,
Obrigado por sua mensagem crítica à Folha. Tomei a liberdade de encaminhá-la para conhecimento e avaliação dos editores e também da direção do jornal.
Fico ao seu dispor para novos contatos.
Atenciosamente,

Mário Magalhães

Não vai dar em nada, óbvio, mas que os diretores da Folha saibam que esse critério elitista deles pra privilegiar determinados acontecimentos e notícias é notado pelos leitores.

caetano.

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16 de out. de 2007

Ocupaçao da reitoria da UFBA

Desde o dia 1º de outubro DE 2007, estudantes da Universidade Federal da Bahia ocupam a Reitoria da instituição com o objetivo de protestar contra a atual (falta de) política de assistência estudantil da gestão do reitor Naomar de Almeida Filho e contra o decreto que institui o REUNI, além de pretenderem amadurecer o debate e a luta por um modelo de universidade realmente popular.

em: http://www.ocupacaoufba.blogspot.com/

cae

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15 de out. de 2007

Deus vetado na escola

Lembram-se desse post do Caetano sobre o projeto de lei estadual da dep. Maria Lúcia Amary, líder do PSDB na Assembléia? Aquele sobre Deus na Escola, com conteúdos que variavam de "Eu imagem e semelhança de Deus" a "Eu no mundo criado por Deus", além de "Eu e meu corpo"?


Então... Ele foi vetado pelo gov. José Serra, também do PSDB. Sua justificativa, segundo essa matéria da Folha, foi a de que "
a decisão de incluir religião como disciplina extracurricular cabe às próprias escolas e não pode ser imposta pelo Executivo ou Legislativo". Uma justificativa um tanto quanto burocrática e sem sentido que se nega a sequer chegar perto do cerne da questão: a complexidade e o erro de se propor o ensino religioso obrigatório (ainda que supostamente ecumênico) dentro do contexto de um estado laico. Além de jogar essa discussão pra cada escola especificamente, o que também é um absurdo quando falamos das escolas públicas.

Agora, o veto do governador volta para a Assembléia Legislativa, onde pode ser derrubado pelo plenário em caso de maioria absoluta. Pode ser que a história desse projeto de lei ainda não tenha acabado, lembrando que, para que ele tenha sido apresentado à sanção do governador, ele foi aprovado na ALESP.

Ah! E só para salientar: ainda de acordo com a mesma matéria da Folha, o governador utilizou a mesma justificativa para barrar uma disciplina sobre meio ambiente e ecologia que seria ministrada nas 3ª e 4ª séries do ensino fundamental. Realmente não entendi como que ecologia e religião podem ser vetadas pelo mesmo critério, já que a ênfase à ecologia nas escolas, se já aprovada na Assembléia e se não fere os princípios fundamentais do estado laico de direito, não teria porque não ser estabelecida, "imposta", por um projeto de lei.
Opine!
Enric "Grama" Llagostera

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Dia dos Professores ou como investir em educação.

Hoje é dia dos professores, boa data para uma análise.

No dia 1 de outubro o deputado estadual Carlos Giannazi (psol) publicou um artigo na Folha de São Paulo tratando sobre a farsa que é a pretendida avaliação de desempenho de professores na educação pública de SP. Transcrevo um trecho:

"(...) As políticas salariais do de bônus e gratificações adotadas nos últimos anos pelo próprio governo tucano não só fracassaram como também destruíram a carreira do magistério paulista, tendo como consequência o que revelou a última avaliação do MEC, classificando a rede estadual de São Paulo como uma das seis piores do Brasil.
Como exigir melhor desempenho de professores em condições aviltantes de trabalho?(...)"

Giannazi é um deputado da oposição e dessa forma pode-se dizer criticaria mesmo qualquer coisa do governo Serra(psdb). Esse não parece ser o caso, hoje saiu, novamente na Folha, uma matéria assinada por Daniela Tófoli comparando os salários dos professores no Acre e em São Paulo.

Vamos aos dados divulgados na matéria:

No Acre o professor em início de carreira recebe R$13,16 p/hora; em São Paulo R$8,05 p/hora.

A diferença de 39% já é considerável mas aumenta quando compara-se o custo de vida. No Acre um professor que trabalha 30 hora p/semana e recebe R$1.580,00 compra 12,6 cestas básicas. Em São Paulo o professor que trabalha o mesmo tempo recebe R$966,00 e consegue comprar 4,9 cestas básicas. Assim o poder de compra do professor acreano passa a ser 60% maior que o do paulista

O estado de SP se justificou afirmando que a diferença se dava pois o o estado paulista pagava mais gratificações a esses professores.

Mentira, porque todos os estados pagam gratificações a seus professores e mesmo assim com a gratificação os professores paulistas recebem um bônus de R$329,00 somando então (R$1280). Esse valor não iguala sequer o salário do professor acreano sem gratificações(R$1580).

"(...)A remuneração um pouco melhor no Acre começa a dar resultado. Prova disso pode ser a análise do Saeb (exame do MEC que avalia estudantes) divulgada em fevereiro. Segundo o relatório que compara os resultados entre 2003 e 2005, o Acre foi o estado onde as médias dos alunos da 4 série mais evoluíram. Em português, por exemplo, houve aumento de 13,8 pontos (de 156,2 para 170). Já São Paulo melhorou 1,1 ponto (de 176,8 para 177,9).(...)"

Nem a secretaria da educação nem a da gestão (responsável pelo pagamento dos professores quiseram dar entrevistas sobre assunto.

Os tucanos gostam de dados, de serem gerentes e tudo o mais; a situação está colocada. Sou totalmente favorável a que se premie professores que se destaquem, diretores que tenham propostas interessantes para suas escolas e tudo mais mas isso não pode ser o cerne da política educacional do estado mais rico da federação. O fato é que a melhor maneira de se desenvolver o ensino público é investimento de fato em professores propondo carreiras estimulantes e que permitam a dedicação plena do profissional da educação.

cae.

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Beto Brant, incentivo fiscal, financiamento público.

Cineasta Beto Brant fala sobre lei de incentivo e o financiamento público das produções audiovisuais.

essa é exclusiva parouparou em...

cae.

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13 de out. de 2007

Sobre mapas e guerras...

Esse site tem vários "mapas animados" de guerra muito legais, são inclusive muito melhores do que aqueles programas de apologia militar do "The History Channel"

abaixo um que relaciona todos os presidentes estadunidenses e as guerras as quais eles se meteram.



obs.uma das descobertas desse feriado regado a internet , edições de vídeos e textos sobre sacrifício. Não q isso seja muito pertinente mas...

abraços, cae.

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Moção da Congregação do IFCH

A Congregação do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, reunida em sua 144a Sessão Ordinária, aos 3 de outubro de 2007, deliberou, por unanimidade, manifestar-se pelo arquivamento imediato do Processo Sumário 01P-21554/07, referente à sindicância que arrola sete estudantes nos incisos II, III e IV do artigo 227 do Regimento Geral da Universidade Estadual de Campinas.

Entende a Congregação do IFCH que o arquivamento imediato do Processo Sumário 01P-21554/07 é imperativo de ordem legal, uma vez que as disposições disciplinares do Regimento Geral da Universidade, em particular aquelas concernentes à forma processual (artigos 227, inciso VIII; ,234 e 235), inalteradas desde 1974, constituem legislação de exceção, imposta pela ditadura militar às universidades por meio do Decreto-Lei 477, de 26 de fevereiro de 1969, extensão universitária do Ato Institucional no 5, de 13 de dezembro de 1968. Trata-se, assim, em seus pressupostos e efeitos, de normatização inaplicável, por violar direitos fundamentais garantidos pelo artigo 5o da Constituição Federal, em especial o inciso 55, que assegura aos cidadãos o direito ao contraditório e à ampla defesa em processos administrativos e judiciais.

À falta da necessária tradução dos princípios constitucionais em normatização específica a presidir a vida universitária, vê a Congregação do IFCH abrir-se, na situação em tela, inaceitável espaço ao arbítrio.

Insta, pois, firmemente, ao Magnífico Reitor que arquive, imediatamente, o Processo Sumário 01P-21554/07 e toda a comunidade universitária conclama à tarefa urgente da revisão do Regimento Geral da Universidade Estadual de Campinas, a fim de adequá-lo à ordem democrática.

Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
3 de outubro de 2007.

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12 de out. de 2007

Como era gostoso meu jornalismo...

Artigo de Ricardo Kauffman sobre a cobertura da morte de Che pela revista Veja, a de agora e a de 10 anos atrás. Mias do que defender Che (ou qualquer coisa do gênero) Kauffman faz uma excelente análise sobre a prática jornalística.

Abraços, Caetano.

aqui o original.

Che, segundo Veja
Ricardo Kauffman, do Terra Magazine

A abordagem da revista Veja sobre o mito e o homem Ernesto Che Guevara, no decorrer dos anos, consiste numa ótima oportunidade de observação dos movimentos da mídia. Sugiro aqui uma visita comparada a duas reportagens da publicação sobre o assunto.

Uma foi matéria de capa há duas edições, intitulada "Che: há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa", assinada pelos jornalistas Diogo Schelp e Duda Teixeira. A outra foi publicada há dez anos, sob o título: "O triunfo final de Che".

É assinada pela então repórter da casa Dorrit Harazim. O texto está disponível atualmente no site da editora Abril na internet, neste endereço.

Há congruências entre as duas reportagens. Ambas registram aniversários redondos da morte do guerrilheiro. Buscam causas para a projeção mitológica do Che. E fazem referência a algumas mesmas passagens do líder.

Terreno mais vasto, no entanto, é o das incongruências, diferenças de tratamento e visões antagônicas - a respeito do personagem central - que as duas matérias explicitam.

A atual possui caráter predominantemente dissertativo. Não identifica de onde os autores apuraram as informações, o que leva a crer que a matéria foi feita da redação. Parte de tese própria segundo a qual o mito de Che é uma farsa produzida pela "máquina de propaganda marxista", diz o texto. E se destina a comprová-la.

A de 1997 foi apurada na Bolívia e se ocupa, majoritariamente, de ouvir declarações e descrever fatos que testemunha. Parte do acompanhamento da buscas dos ossos enterrados de Che para também refletir sobre a força do maior mito latino-americano.

A Veja de 2007 entrevista seis fontes para a matéria. Todos são cubanos da Flórida, inclusive dois historiadores, um do Instituto da Memória Histórica Cubana de Miami, e o outro da Universidade de Miami.

A reportagem justifica a concentração de fontes: "o regime policialesco de Fidel Castro não permite que aqueles que conviveram com Che e permaneceram em Cuba possam ir além da cinzenta ladainha oficial".

Não explica, porém, porque não foram ouvidos observadores internacionais neutros, ou companheiros de Che em campanhas fora da ilha.

Já Dorrit Harazim concentra-se nas fontes que encontra pelo caminho, nas cidades bolivianas onde Che é um ser místico, literalmente adorado como santo.

Diego Schelp e Duda Teixeira expõem diagnósticos certeiros sobre Guevara, na maioria das vezes desacompanhados da análise de qualquer fonte. Eles reduzem as origens da mitificação do argentino a três fatores ligados a alguma espécie de "sorte histórica".

São eles: a morte prematura; a ajuda involuntária de seus algozes, que conferiram ao rosto do Che defunto espantosa semelhança com as pinturas barrocas do Cristo morto; e ao contexto favorável, às vésperas dos protestos da geração de 1968.

Já a matéria anterior tem espaço para o contraditório e questões complexas, inalcançáveis por respostas simples. Ouve diversos bolivianos admiradores de Che, povo que, segundo o texto atual, "tinha raiva dele".
Um destes admiradores, ao encontrar um cubano integrante da guerrilha que então vivia na Espanha, pergunta: "Por que vocês começaram a guerrilha antes de conhecerem o terreno e estarem preparados? Mas por que, depois de tudo isso, você não vive em Cuba? - O ex-guerrilheiro ficou quieto", diz trecho de dez anos atrás.

Disparidade ainda mais gritante entre as duas matérias da mesma revista se encontra na adjetivação usada para qualificar Guevara e suas ações. "Che tem seu lugar assegurado na mesma lata de lixo onde a história arremessou há tempos outros teóricos do comunismo"; (...) "sua maníaca necessidade de matar pessoas".
Em 1997, Veja publicava: "Che empolga por ter sido um rebelde com causa, aventureiro e vagabundo, de ar atormentado e ardor revolucionário, mas sobretudo um rebelde capaz de abrir mão de tudo, especialmente do poder".

E mais: "O mito de Guevara (...) ampara-se na simplicidade, (...) e na entrega de sua vida à defesa da solidariedade e justiça social".

Che morreu há 40 anos. Nos últimos dez, nada de relevância decisiva sobre sua história foi revelado. Enquanto seu mito não pára de crescer.

No entanto, como podemos observar, a visão e os procedimentos jornalísticos que a maior e mais influente revista brasileira tem e propaga diante dos fatos mudou radicalmente no período. Sem maiores explicações ou avisos aos seus leitores.

Questão tão complexa ou simples como a da força do mito de Che é: Por que?

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Diplô e a blogosfera

Que tal colaborar com a Redação da seção brasileira da Le Monde Diplomatique ? É isso que esse post-telegrama aqui propõe que se proponha: novos links (quem sabe até o Parou Parou?), pautas, conteúdos, comentários, colaboradores...

Depois de ficar impressionado com a qualidade e pertinência das matérias da versão brasileira impressa da revista do Le Monde Diplomatique, encontrei andando pela net o blog da redação da Diplô Brasil, o que é algo bem interessante. Ainda embrionário, é interessante acompanhar as novas postagens que aparecem por lá. Assuntos interessantes, agendas e artigos com uma abordagem de "quadro geral", um pouco internacionalista, que creio ser importante de ser pensada. Inclusive para refletirmos se essa visão um pouco "Fórum Mundial Social" é a melhor a ser adotada ou não e pensar em seus pontos fortes e fracos.

Talvez o que mais me atrai a atenção nessa iniciativa é a transparência que propõe quanto ao processo de editoração de um periódico com as características da Le Monde Diplomatique, conhecida por um material bem-elaborado e de qualidade. O post inaugural é informativo e segue uma linha quase de carta de princípios, com algumas linhas gerais que espero que se realizem o mais rápido possível, como a criação de uma comunidade de blogs em português sob a chancela da revista.

Nessa linha de coisas interessantes nesse blog, gostaria de destacar o post de lançamento do Caderno Brasil, que mostra uma clareza de visão da revista quanto às potencialidades da blogosfera como meio de comunicação alternativa e a vontade de elaborar conteúdo de qualidade, incluindo nesse post a descrição do corpo de colaboradores, editores e colunistas.

Iniciativas como essa são encorajadoras, pois apontam para possibilidades de aproximar diferentes tipos de iniciativas baseadas nessa linha de blogosfera + rede + alternativa + movimentos sociais. Espero que essa iniciativa decole e que a gente arranje emprego em coisas como essa! Hehe!
Opine!
Enric "Grama" Llagostera

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10 de out. de 2007

2 pesos e 2 medidas

Quando da entrega do abaixo assinado da cpmf a Folha de São Paulo estampou em sua capa Paulo Skaf (presidente da fiesp) e mais um pessoal desfilando na câmara dos deputados com carrinhos de supermercados que carregavam 1 milhão de assinaturas contra o tributo.



Tudo certo, foi uma campanha nacional em cima de um debate atual e pertinente.

Entretanto anteontem a Folha publicou uma matéria sobre o plebiscito a respeito da privatização da cia. vale do rio doce. O jornal publicou uma pequena nota a respeito da consulta popular que contou com 3 milhões e meio de votos, aproximadamente, com cerca de 95% de votos contrários à privatização. E o destaque, na nota de pouco mais de 10 linhas (assinante vê aqui), foi para a pouca participação frente a plebiscitos mais antigos como o de 2000 sobre a dívida externa (6 milhões) e o de 2002 sobre a entrada do Brasil na ALCA (10milhões).

Tanto a campanha contra a cpmf quanto a contra a privatização da vale do rio doce foram movimentos de amplitude nacional, que contaram com debates em toda a sociedade brasileira agora por que a folha privilegia um a outro?

A disparidade no tratamento com os dois movimentos (cpmf e vale do rio doce) demonstra um caráter profundamente elitista da Folha de S.Paulo, uma vez que se recusa a dar visibilidade a um movimento com plena participação popular e dá tratamento diferente e privilegiado a um movimento que também conta com grande participação popular, mas possui maior reverberação na classe empresarial.

Tratar uma questão de grande parte como se ela não existisse é um modo tristemente autoritário de lidar com a realidade.

Caetano.

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9 de out. de 2007

Para o alto e avante


desde 14 de setembro não tínhamos mais de 40 visitantes num dia passando pelo blog, mas ontem coneguimos 43 visitantes. Esperamos que com o post da monica veloso ultrapassemos as centenas de visitantes diários, afinal é uma tag procurada.

abraços, caetano.
obs. q post ridículo!!!

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uma nota

Nota à Comunidade Acadêmica

Nós, professores da UNICAMP, arrolados como testemunhas da defesa dos estudantes apontados pela Comissão de sindicância, constituída pela Portaria GR n. 074/2007, explicamos à comunidade acadêmica nossa posição sobre o rito sumário da sindicância ora em curso. Além dos argumentos apresentados pela defesa para nosso não comparecimento à sessão do dia 03 de outubro de 2007 dessa Comissão, e independentemente de nossos juízos acerca dos métodos de ação política do movimento estudantil, reiteramos que ações políticas não devem ser tratadas por meio de sindicâncias de rito sumário, que retroagem ao AI-5. Como professores, defendemos que o direito à opinião, à manifestação e à associação são constitucionais e devem ser, sobretudo, valores inerentes à vida acadêmica e universitária.

Campinas, 3 de outubro de 2007


Edmundo Fernandes Dias. Professor Assistente-Doutor aposentado do
Departamento de Sociologia, IFCH-UNICAMP

Mauro W. Barbosa de Almeida.Coordenador do Programa de Pós-Graduação em
Antropologia Social, IFCH-UNICAMP.

Nádia Farage. Diretora Associada, IFCH-UNICAMP.

Paulo César Centoducatte. Professor Assistente-Doutor, Depto. de
Sistemas de Computação, IC-UNICAMP

Rachel Meneguello. Coordenadora Geral de Pós-Graduação do IFCH-UNICAMP.

Silvia Hunold Lara. Professora Associada, Dep. de História, IFCH-UNICAMP.

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Um convite...

queria ir viu, mas devido à distância são paulo/campinas não rolará. Estou lendo o Refusenik que traz relatos de soldados israelenses que se recusaram a servir fora da fronteira de Israel e é muito bom, muito mesmo. Gostaria de poder trocar uma idéia com o Peretz, ao menos ouvir o que ele tem pra falar.

Esse é um dos poucos momentos em que realmente sinto falta de um carro... paciência.
Caetano.

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Monica Veloso na Playboy

Foto: Lula Marques/Folha Imagem

Gabriela Gerreiro, para a FolhaOnline: "O presidente do Conselho de Ética do Senado, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), esperava seu carro para deixar o Congresso próximo à banca quando foi questionado por jornalistas se estaria disposto a comprar um exemplar. "Não comprei ainda, mas se alguém me emprestar... Se não, não.""

Senhor senador, pra que mentir? É óbvio que o senhor vai comprar, se é que já não comprou...

Cada uma viu...

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8 de out. de 2007

um vídeo.. vienam + napalm

nunca tinha visto esse filme...



caetano.

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4 de out. de 2007

deus na escola?

Foi aprovado na ALESP há um tempo atrás o projeto "deus na Escola" de autoria da deputada estadual Maria Lúcia Amary, líder do PSDB na Assembléia e a caminho de ser sancionado pelo governador José Serra (psdb). O projeto instaura o ensino religioso obrigatório nas escolas públicas de ensino fundamental(não há especificação se será uma disciplina ou conteúdo transdisciplinar)sob o seguinte currículo:


DEUS NA ESCOLA
Introdução, Prefácio, Sugestões ao Professor, Amor, Amor de Deus na criação, Eu com o meu Deus, Eu comigo mesmo, Eu com o meu próximo, Família, Função da Família, Autoridade na Família, Disciplina na Família, O relacionamento na Família, Fé, Eu imagem e semelhança de Deus, Eu preciso da natureza para viver, Eu tenho valor, Eu um ser transformador , Vida, Eu e a vida, Eu no mundo criado por Deus, Eu e meu corpo, Eu um ser responsável, Conclusão, Entidades

A proposta une um atentado contra o estado de direito -laico po excelência- com o preconceito contra religiões que não são monoteístas, e contra aqueles que se reservam no direito de não possuir nenhuma religião. Veja bem é possuir mesmo, religião é uma questão de foro ínitmo e ninguém pode ser coagido (por mais "bonito" que seja um tópico como Eu com o meu Deus, é coerção sim) a acreditar em um deus.

Há temas absurdos como EU NO MUNDO CRIADO POR DEUS que é difícil para um cabeça que tenha um mínimo de corência até comentar. É dar brecha para que o espaço da escola, dedicado a reflexão e exercício do saber, seja usado para se ensinar que todos viemos de Adão e Eva.

Isso tá bem longe de ser uma brincadeira, muito pelo contrário é fruto de um atraso brutal do estado em que vivemos. Vale lembrar que a secretária de educação do estado e o conselho estadual de educação afirmaram que não inserirão Sociologia e Filosofia no currículo do ensino médio, como deveria ser feito seguindo a resolução n 4 do Conselho Nacional de Educação.

Ou seja tucha-se deus e o que mais seja no ensino fundamental e impede-se o ensino de Filosofia e Sociologia no ensino médio. Preferem tratar de Fé do que de Dialética. É o primeiro passo para, por exemplo, deixar de ser ensinado o darwinismo como teoria científica em sala de aula.

Ai vai uma das frases da deputada autora do projeto:
"Queremos construir o caráter das crianças por meio de Deus".

Isso obviamente numa escola pública, que é sustentada por todos os cidadão independente de credo e tudo mais; impressionante. Torna-se então mais importante falar de EU UM SER RESPONSÁVEL sob a perspectiva de um formação de caráter por meio de deus do que discutir Spinoza em sala de aula.

Analisar o que se ensina e o que não se ensina na escola é um bom recorte para analisarmos a sociedade em que vivemos. E enfim o lugar de deus, definitivamente, não é na escola mas bem longe dela.

Aqui vai um grande acervo de cosias publicadas sobre o tema (blog do roberto romano).

Aqui um abaixo assinado pedindo o veto de José Serra ao projeto (é noc anto direito do site).

e abaico a lista de associações que apoiaram a aprovação do projeto provavlemente com o intuito de arrebanhar alguns cordeiros para seus rebanhos:

• A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons)
• Arquidiocese de Sorocaba
• Centro Espírita Templo de Umbanda “Sete Giras”
• Igreja Batista Central de Sorocaba
• Igreja Católica Apostólica Romana
• Igreja Evangélica Luterana do Brasil
• Igreja do Evangelho Quadrangular
• Igreja Presbiteriana do Brasil
• União Social Espírita – Intermunicipal de Sorocaba

e por fim deus por Laerte:

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3 de out. de 2007

enquanto isso, embaixo da terra...

Não bastasse ser responsável por um desabamento catastrófico e por um erro grotesco na ligação de dois túneis o Consórcio Via Amarela ainda quer que o Metrô ( ou seja, os cofres públicos) banquem os gastos do consórcio durante o período em que as obras foram obrigadas a serem paralisadas entre fevereiro e maio.

Esse é o modelo de choque de gestão tucano, o modo de contratação para obra pública que deveria ser símbolo tá se tornando isso ai um modelo de negócio onde o povo é obrigado a pagar a incompetência das empresas.

caetano.

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+ punição

Três estudantes da UNESP de Araraquara estão sendo punidos pela ocupação da diretoria da Faculdade de Ciências e Letras no primeiro semestre. Júlia Eid, Lara Spoto e Tiago de Oliveira são condenados a pagar R$1.000 cada.

Vale lembrar que a ocupação contava com algo em torno de 100 estudantes e houve um acordo com o Reitor Marcos Macari, após a desocupação, de que a UNESP não daria sequência com os processos na Justiça.

Tiago Oliveira declarou "Fomos colocados como responsáveis tanto pela quebra dos bancos (a respeito de um outro ato realizado, dessa vez contra a instalação de caixas bancários no Campus) quanto pela ocupação. A diretoria entregou para a Justiça nossa ficha acadêmica no processo"

caetano.

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Sinal dos tempos.

O novo disco do Radioheado (in rainbows) já está com pre vendas disponíveis. Até ai ok, a novidade é que quem escolhe o preço da versão para download é o prórprio público. Você pede e diz quanto quer pagar, e não tem sequer um preço mínimo!!!

Seria a versão brtitânica do "quer pagar quanto" das casas bahia?

A "versão cd" por um outro lado custa 40 libras.
e imagino eu deve ter todos os reuintes de um cd bem produzido, encarte legal e coisas do gênero.

mais: radiohead store

caetano.

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Retrospectiva 68 - Parte 10

É complicado manter um Blog. A necessidade de atualiza-lo diariamente, mesmo com pelo menos mais 2 colaboradores fixos, é pesada e difícil. Decidimos por uma linha editorial complexada, que requer muita leitura e apronfundamento nos temas, coisa que só alguns jornalistas "gente grande" conseguem, talvés por serem pagos para isso... Enfim, na verdade esse é só mais um pedido de desculpas.

Mal ai...

Dando continuidade as postagens "diárias" da retrospectiva dos últimos dias de vida do Meiaoito, coloco no ar a décima parte. As tiras de hoje foram publicadas nos dias 6 (duas), 7, 9 e 10 de Julho no jornal Folha de São Paulo. Vale lembrar que o Meiaoito é um personagem do Angeli. Essa em parte em especial é muito boa. Tem todas as alucinações dele no banheiro, revendo os fantasmas do passado. Segue.

Douglas

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28 de set. de 2007

Manifesto da Congregação da Fac. de Educação da Unicamp em relação às punições referentes à ocupação da DAC

A Congregação da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, em sua 216a reunião ordinária, no dia 26 de setembro de 2007, aprovou, por unanimidade, esta manifestação pública acerca dos recentes desdobramentos no interior da universidade relativos à ocupação do espaço institucional da Diretoria de Assuntos Acadêmicos (DAC), ocorrida por deliberação do movimento estudantil organizado, no contexto da última greve de professores, funcionários e estudantes das universidades públicas paulistas.

Foi com estranhamento, pesar e apreensão que assistimos à instalação de uma comissão de processo sumário, mesmo após a comissão de apuração de responsabilidades ter registrado que nenhum dano material ocorreu no processo de ocupação da DAC. Estas ações, expressamente legalistas, intimidadoras e orientadas por um desejo inadmissível de criminalização do movimento estudantil e de viabilização de punições exemplares, pautam-se em disposições disciplinares internas que, infelizmente, amparadas pelo Regimento Geral da UNICAMP, não são condizentes com os princípios democráticos relativos às liberdades de organização, manifestação e expressão, garantidas pela Constituição brasileira em vigor.

Ao mesmo tempo, tais práticas disciplinares não deixam espaço para o reconhecimento do caráter político de resistência organizada em que se pautaram, não só as ações do segmento estudantil de ocupação simbólica de espaços institucionais, mas, também, as de docentes e funcionários no interior de um movimento mais amplo de mobilização da comunidade universitária, em defesa da autonomia das três universidades públicas paulistas, fortemente agredidas pelos decretos do Governo do Estado, autoritários, anti-democráticos e de natureza intervencionista.

Acabamos de celebrar quatro décadas de vida universitária na Unicamp. Nossa história política e institucional registra, no transcorrer desses 40 anos, inolvidáveis e destacados momentos de luta, de enfrentamentos e de defesas, coletivas e sociais, de direitos à expressão cultural, de manifestação política e identidade pluralista. Tenhamos a dignidade de reforçar essa identidade democrática tão arduamente conquistada. Qualquer punição à manifestação política dos estudantes por ocasião da greve que marcou nossa história institucional neste ano de 2007 não será coerente com os princípios norteadores de uma universidade que tem assumido, historicamente, a missão de educar para a liberdade, de formar para o respeito à diversidade e de atuar na direção do bem público e comum. As liturgias de vigiar e punir se prestam mais a identificar sociedades disciplinares e totalitárias, distantes da natureza cívica e democrática de uma comunidade de pesquisadores, educadores e espíritos emancipados.

Se no interior destas lutas pela autonomia universitária, um aluno for punido, justamente por ter-se envolvido em um movimento legítimo e coletivo, qualquer que seja a punição, perde a Unicamp - enquanto universidade pública, gratuita e de qualidade -, perde a democracia.

Nesse sentido, a Congregação da Faculdade de Educação não só torna pública a sua indignação em relação à instalação e à delegação de poder institucional à comissão de processo sumário para deliberar sobre o episódio específico de ocupação, como também vem solicitar ao Magnífico Reitor da Unicamp a imediata suspensão das atividades dessa comissão e o compromisso público com a não punição de quaisquer estudantes envolvidos com o episódio da ocupação simbólica da DAC.

Trata-se, portanto, de momento propício para, ao invés de reforçar as práticas punitivas, envidar esforços para desencadear, através dos meios institucionais vigentes na UNICAMP, uma ampla revisão de seus mecanismos de cunho disciplinar, militarista ou inquisitorial, para a apropriação de formas colegiadas dialógicas, sensíveis, de expressão pública das diferenças e contradições, próprias de uma sociedade que tenta superar as dominações.

Congregação da Faculdade de Educação da Unicamp, 26 de setembro de 2007.

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Quanto às punições

Hoje pela amanhã (agora há pouco na real) houve uma manifestação realizada pelos estudantes da unicamp em frente ao centro de convenções da universidade. Os protestos foram centrados contra as possíveis punições a alguns dos integrantes do movimento de greve e de ocupações. Atualmente 5 alunos da graduação da UNICAMP sofrem processo de sindicância sem direito a plena defesa. Na primeira reunião com a presença dos alunos acusados a comissão de sindicância, dirigida pelo professor Paulo Mazzafera, tentou impedir a entrada do advogado dos estudantes.

No local onde hoje se realizou o ato aconteceria um fórum de debates sobre o ensino superior com várias personalidades, entre elas Carlos Vogt, secretário do ensino superior, proferindo uma palestra. Misteriosamente o secretário cancelou de útlima hora sua vinda à UNICAMP.


Até algumas horas atrás um dos auditórios do centro de convenções era ocupado por estudantes que debatiam sobre conjuntura política.
aqui ao lado Carlos Vogt que aceita discutir ensino superior só em seus termos.




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25 de set. de 2007

Mano Brown no Roda viva?

"Cuba deixou de tentar ser Nova Iorque para ser, pelo menos, Cuba.
O Brasil quer ser Nova Iorque."
Mano Brown, Roda viva.

São raros os momentos em que as duas esferas do Brasil entram em uma conversa civilizada dentro de um espaço midiático tradicional. O programa Roda viva, da TV Cultura é um desses espaços, e dos bem reconhecidos. Nessa semana, o entrevistado foi Mano Brown, dos Racionais MC, que dispensa apresentações. Foi um programa interessante, tanto pelas ações dos entrevistadores quanto pelo entrevistado.

Criticidade

Mano Brown é uma voz crítica, antes de tudo. Crítico no sentido de conexão total com a sua realidade objetiva, na negação de tudo que poderia nublar sua visão sobre o seu entorno. Ele enxerga a sua história e as outras histórias ao seu redor a partir de seu próprio ponto de vista, dando peso e importância para elas, ao mesmo tempo em que é consciente de como é relativa a posição de onde ele enxerga. Ele é ele e a realidade é a realidade e ele carrega sempre em sua fala as marcas dessa realidade como ela é entendida e vivida por ele, Mano Brown.

Penso que não é razoável eu tentar aqui resumir as idéias faladas por ele na entrevista, porque elas com certeza perderiam muito da claridade e das distinções sutis que ele coloca. Creio que basta dizer que, ao meu ver, ele tem uma postura ferozmente radical sobre a sociedade brasileira. Radical no sentido primordial, de raíz, de encarar os fundamentos de tudo e de pensar na realidade objetiva (essa é a palavra-chave) das coisas, defendendo o princípio da "atitude", do ato, da ação, coletiva e voltada ao seu entorno. No contexto da radicalidade dessa posição, fica claro que seu falar tem que ser categórico, tem que recortar o mundo para poder agir sobre ele e também para entendê-lo. Mano Brown sabe que é necessário esclarecer as divisões fundamentais e estabelecer pontos básicos, de onde ele parte para a argumentação de suas posições.

Entrevistadores

Ficou claro também que a divisão entre os entrevistadores e o entrevistado não existia apenas como a divisão de papéis dentro do programa. Ali estavam presentes e marcadas no mínimo duas posições diferentes e conflitantes quanto à realidade nacional. Mano Brown fala de seu entorno, da periferia, da auto-organização das favelas, do caráter opressor das leis do país, do desconhecimento do resto da sociedade sobre a situação do pobre e do morador da favela, da diferença cultural entre o branco e o negro. Enquanto isso, os entrevistadores insistiram em perguntas sobre suas posições individuais, íntimas, quase emotivas; como diz Marilena Chauí, perguntar demais sobre o âmbito íntimo e familiar de uma pessoa diminui sua significância social e seu caráter de posição racional e é uma das rotinas mais comuns da grande mídia justamente por isso. O segundo bloco do Roda viva foi exatamente isso.

Em outros momentos, os entrevistadores tentaram armar arapucas sutis para que ele dissesse as polêmicas que queriam ouvir sobre o tráfico, sobre as drogas, armadilhas essas destinadas a dar munição a comentadores da grande mídia (vá ver o que o Reinaldo Azevedo escreveu sobre a entrevista) para acusar Mano Brown de infrator, de lulista, de fazer apologias. Penso que, como o próprio rapper falou, eles pegaram leve, afinal de contas, ele já está mais do que escolado para evitar armadilhas tão banais e ao mesmo tempo afirmar suas posições, sem fugir da responsabilidade e das possíveis polêmicas de dizer a verdade; esse modo de proceder dos entrevistadores revelou seu desconhecimento do entrevistado, além de seus medo e desprezo por ele, assim como a necessidade de servir ao establishment. Eles queriam alguma polêmica saindo dali, mas o rapper falou com tanta autoridade, fundamentada, ainda que rústica e simples, que qualquer um aberto a realmente ouvir o que ele estava dizendo entenderia a real natureza daquilo e não se perderia em tentativas de achar provas para algum tipo de condenação.

Opine!
Enric "Grama" Llagostera

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24 de set. de 2007

Mídias eu-cêntricas

Em palestra na sede da revista Caros Amigos sábado o professor e jornalista Cláudio Tognolli criticou aqueles que se denominam como sem mídias. São blogueiros alinhados com o pensamento de esquerda e que constituiram agora uma rede chamada sivuca. Na visão de Tognolli o termo sem mídia é totalmente antiquado e fora de propósito pois vivemos no momento justamente o contrário, são os "com mídia". Reclamar da falta de meios hoje não condiz mais uma vez que com blogs e youtubes da vida a produção de conteúdo está de fato pulverizada.

A realidade da internet atual permite a todos se expressaram a partir de seus microcosmos e editarem seu consumo de informções com muito mais liberdade. O mais impressionante é que essa guetificação isso vem ganhando credibilidade frente aos grandes veículos de comunicação, ou seja ninguém mais quer (ou há uma tendência a não querer) o formato "quadrado" de emissor e receptor de conteúdo.

Não sou autoridade pra discutir mais asusnto assim vale mais a pena ler um artigo do próprio Tognolli aqui.

alguns links tb que enriquecem a discussão sobre o tema:
Thundervox ("web tv" feita pelo thinderbird)


New York Times de hoje (se adaptando a essa nova realidade abriu totalmente seu conteúdo)
Desculpe a Poeira (blog de ricardo lombardi que comenta matérias de diversas publicações gringas)

obs.penso agora sobre o assunto e após alguma reflexão tentarei escrever algo. Mas digo, e o "Buzina" está de prova, que a palestra do Cláudio foi um turbilhão de informações ainda a serem digeridas... valeu muito a pena

cae.

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20 de set. de 2007

Redução da pobreza? Eu que fiz!

ou Como se fala de redução de pobreza?

Essa é uma boa pergunta a se fazer no atual momento, tendo em vista os resultados do estudo “Miséria, Desigualdade e Políticas de Renda: o Real do Lula”, realizado pela FGV. Antes de continuar, favor reparar melhor no título pouco parcial do estudo que, ao associar a diminuição da desigualdade social durante o governo Lula com o plano Real de FHC, deixa claro que a instituição está longe de fazer numerologia chapa-branca para o atual presidente.


De acordo com os dados desse estudo, o número de miseráveis no Brasil (pessoas que vivem com menos de 125 reais por mês) diminuiu significativamente nos últimos anos. Só de 2005 para 2006, quase 6 milhões de pessoas saíram debaixo da linha da pobreza absoluta. "Ó, somos um país civilizado agora..." Não, não é isso que estou falando: em números absolutos, a redução foi de 42.033.587 pessoas em 2005 para 36.153.687 em 2006. É claro que isso é um grande avanço, um avanço fundamental, mas está muitíssimo longe de ser suficiente. A parcela mais invisível, destruída e brutalizada de nossa população está melhorando suas condições de vida em ritmo acelerado e recorde e isso é algo importante demais para passar despercebido, mesmo para a mídia que os delega à invisibilidade e à inexistência.

Não me interessa discutir exatamente os dados estatísticos desse estudo (para quem quiser mais informações sobre o mesmo, visite esse artigo da Carta Maior). O que penso ser interessante é o relativo silêncio da grande mídia e seu peculiar modo de noticiar. Como não podia deixar de ser, o grande jonalão que acompanho, a Folha, lançou matérias sobre o assunto, mas não pôde, em nenhuma delas (matéria 1 e matéria 2 ), deixar de dar boa parte dos méritos do atual avanço contra a pobreza para o ex-presidente FHC. Além disso, não foi citada a autoria do estudo como sendo realizado por um centro de pesquisas ligado à FGV. Da maneira que está escrito nas matérias, parece que esse centro existe autonomamente e sem filiação nenhuma, o que deixa no ar uma possível orientação chapa-branca, além de tirar crédito e autoridade sobre os resultados.

É impressionante que uma notícia desse peso (6 milhões de pessoas!) seja tratada como uma matéria menor, com menos linhas que um resumo de jogo entre Cruzeiro e Atlético Mineiro (jogaço). Politicamente, isso demonstra, sem rodeios, o desprezo desses grandes meios pelos assuntos que realmente afetam a massa do povo brasileiro, além do total compromentimento desses meios com a alienação do povo quanto à sua própria condição. Também é notável a vontade de manter o capital político de grupos da oposição ao se transferir o mérito principal para o governo anterior, do PSDB. Como pode ser que a redução da pobreza pode ser comparada ao plano Real? Qual é a natureza de cada uma dessas medidas políticas? Penso que uma é completamente diferente da outra em natureza, alcance e objetivo e a mera comparação dos dois já representa uma tentativa de distorcer a natureza de um para render dividendos ao outro.

Ah! E pesquisas de popularidade no Ibope são muito mais importantes que miseráveis, não?


Opine!
Enric "Grama" Llagostera

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2 imagens significativas da semana que passou

PM invade reitoria da FUndação Santo André a fim de acabar com manisfestação de estudantes que protestavam contra aumento nas mensalidades. Após isso os professores entraram em greve. Mais.

Festejos na cidade de Murici (AL) cujo prefeito é filho de Renan Calheiros.

cae..

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19 de set. de 2007

Retrospectiva 68 - Parte 9

Nona parte da retrospectiva. Tiras publicadas nos dias 29 e 30 de Junho e 2, 4 e 5 de Julho na Folha de São Paulo. Vale lembrar que todas as tiras são de autoria do Angeli

Douglas

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Informações confiáveis?

Uma notícia muito interessante saiu na Folha Online hoje (aqui), na verdade um resumo de uma reportagem realizada por Alencar Izidoro e Kleber Tomaz na edição impressa do mesmo jornal (aqui, só para assinantes). Segue:

Reportagem publicada na edição desta quarta-feira da Folha de S.Paulo (íntegra só para assinantes da Folha ou do UOL) revela que um erro nas obras da linha 4-amarela do metrô de São Paulo provocou um desencontro de túneis que são escavados a partir de duas frentes de trabalho. A falha obrigará as empreiteiras a fazer correções que podem durar um mês.

De acordo com o texto, no último dia 10, os túneis Caxingui/Três Poderes, na zona oeste, deveriam ter se encontrado. Porém, há um desalinhamento lateral de 80 cm entre elas.

O Consórcio Via Amarela (Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez) diz não haver gravidade e que "a correção geométrica ocorrerá na seqüência dos trabalhos". Especialistas ouvidos pela Folha, porém, afirmam que parâmetros aceitáveis seriam, no máximo, de 10 cm --para alguns, ainda menos.

O Metrô diz que não haverá "conseqüência ou repercussão em termos de prazo, segurança ou custos para a população e para a companhia" --sem esclarecer se haverá prejuízos às construtoras, que vão receber do Estado um total próximo de R$ 2 bilhões pela linha 4.

Técnicos avaliam que a falha foi provavelmente topográfica, motivada por fatores humanos, de máquinas ou de projeto.

Gostaria de refletir sobre o último parágrafo. "(...) a falha foi provavelmente topográfica, motivada por fatores humanos, de máquinas ou de projeto." Essa foi a opinião emitida por técnicos ouvidos pela Folha. Coisa tão vaga quanto essa até mesmo o batente da porta do meu quarto poderia afirmar.

No entanto, por confiar na qualidade do jornalismo feito pela Folha, fui conferir a edição impressa, para me certificar que tudo não se passava de um erro cometido pelo estagiário encarregado de colocar na Folha Online as notícias da Folha Offline. Segue:

Um erro na execução da obra da linha 4-amarela (Luz-Vila Sônia) do Metrô de São Paulo provocou um desencontro de túneis que são escavados a partir de duas frentes de trabalho. A falha obrigará as empreiteiras a fazer correções que podem se estender por um mês.
O problema ocorreu no último dia 10, em um ponto que deveria ser a conexão dos túneis Caxingui/Três Poderes, na zona oeste de São Paulo.
O encontro das duas frentes de túneis não foi possível por conta de um desalinhamento lateral de 80 cm entre elas.
Especialistas afirmam que parâmetros aceitáveis seriam, no máximo, de 10 cm -para alguns, ainda menos. O erro foi alvo de preocupação dos trabalhadores (que falavam em um desvio de 1,5 m) e, segundo a Folha apurou, de ao menos parte dos técnicos do Metrô.
O Consórcio Via Amarela (Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez) diz não haver gravidade no erro e que "a correção geométrica ocorrerá na seqüência dos trabalhos".
O Metrô diz que não haverá "conseqüência ou repercussão em termos de prazo, segurança ou custos para a população e para a companhia" -sem esclarecer se haverá prejuízos às construtoras, que vão receber do Estado um total próximo de R$ 2 bilhões pela linha 4.
A avaliação majoritária de especialistas ouvidos pela Folha é de que se trata de uma falha incomum e de nível mediano. Um deles, extraoficialmente, chegou a classificar esse erro como uma "barbeiragem".
O especialista Roberto Kochen, ligado ao Instituto de Engenharia e que já prestou consultoria ao Via Amarela, diz que um desalinhamento de 80 cm é considerado "elevado", mas avalia ser possível a correção.
Inicialmente, disse ser aceitável "até uns 5 cm". Depois, acrescentou que, em alguns casos, no máximo "uns 10 cm" podem não ser problemáticos.
O caso mais significativo de desencontro de túneis de metrô que Kochen diz se lembrar foi uma diferença de 1,20 m em Brasília, na década de 90.
"As duas frentes não marcharam na mesma direção. No Brasil eu desconheço [casos assim]. Mas fora do Brasil já ouvi falar", afirmou Tarcísio Barreto Celestino, que é presidente do Comitê Brasileiro de Túneis e encarregado do projeto de parte dos túneis da linha 4.
Ele considera fácil a correção do problema -no prazo de até um mês. "Eu diria que se tivesse dado 7 cm você não viria me entrevistar", diz Celestino, para quem os passageiros não saberão de nada "desde que você faça um ajuste dentro dos critérios geométricos desse raio".
Segundo ele, será preciso "preencher um lado com concreto". Já em outro lado será necessário escavar para fazer um ajuste no eixo do túnel.

Controle inadequado
Técnicos avaliam que a falha foi provavelmente topográfica, motivada por fatores humanos, de máquinas ou de projeto.
A maior preocupação manifestada por um deles está em uma informação da ficha de não-conformidade no trecho, que cita ter havido um "controle-executivo inadequado".
Trata-se de um possível indicativo de que as medições topográficas para a escavação dos túneis poderiam estar ocorrendo de forma inadequada -algo que provoca riscos de desencontros de maior gravidade.
Segundo Roberto Kochen, dependendo do método de escavação, as avaliações topográficas precisam ser feitas a cada um, cinco ou, no máximo, dez metros de avanço dos túneis.
Outros dois geólogos entrevistados pela Folha -e que já ocuparam cargos de destaque em estatais paulistas- afirmaram que a falha é "básica" e não deveria ser "aceitável". Um deles falou em erro "crasso" e "barbeiragem". Ambos só aceitaram dar entrevista sem que fossem identificados, sob a alegação de que podem ser alvo de retaliação aos serviços que prestam como consultores.
As escavações que tiveram problemas eram feitas pela técnica NATM -que emprega retroescavadeira e explosivos, em vez do shield ou "tatuzão".
O repórter-fotográfico da Folha esteve no local ontem e fotografou a área, sem se identificar como jornalista -usava um chapéu de proteção com emblema do consórcio.
Peço desculpas pela falta de espaço entre os parágrafos, culpa da edição original do texto, feito para impressão. Achei por bem preservar. Mas isso não vem ao caso.

Retomando a avaliação dos especialistas, que na reportagem está na primeira frase da parte "Controle inadequado", fica claro que o pobre estagiário não fez nada mais que um clipping do texto original e que quase me precipitei ao culpa o pobre coitado pela frase com absoluta falta de conteúdo.

Isso não me parece certo...


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18 de set. de 2007

Retrospectiva 68 - Parte 8

Sim, estamos um pouco parado, mas essa semana está tendo o FEIA (Festival dos estudantes do Intituto de Artes, pra quem não conhece), teve Encontro das Artes no Final de Semana, enfim, muita coisa acontecendo... Mesmo assim, apesar dos pesares, matemos esse blog meio morto meio vivo.

Segue a oitava parta da retrospectiva do Meiaoito, personagem do Angeli. As tiras de hoje foram publicadas na Folha nos dias 23, 25, 26, 27 e 28 de Junho.

Douglas

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14 de set. de 2007

Diálogo entre Chomsky e Foucault

Vai aqui um diálogo realizado em 1971 entre Chomsky e Foucault e publicado na edição de agosto da revista Le monde Diplomatique Brasil.
Interessante a constatação de Foucault: Faz-se a guerra para ganhar, não porque ela é justa.

abraços, Caetano.

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Mal dito


"O voto secreto é um instrumento que deixa o parlamentar, seja senador, deputado federal ou estadual, ou vereador, a sós com a sua consciência, em uma hora que é sublime, em que vota livre de quaisquer pressões"
Senador Arthur Virgílio (líder do PSDB do senado) em 2003 durante avaliação da emenda a contituição que previa o fim do voto secreto.


caetano.

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Começaram as punições na unicamp

retirado do blog greve no ifch:

Hoje, dia 13 de setembro a reitoria começou a convocar os chamados "responsáveis" para depor em uma sindicância. Até agora, foram convocados para depor 4 estudantes do IFCH e 2 da FE. Os depoimentos já começam na segunda-feira.

Dada a gravidade da situação, chamamos à todos para uma reunião que acontecerá na segunda-feira (17) às 12h no CACH para discutir esta questão da sindicância. Após a reunião seguiremos para a reitoria para acompanhar as primeiras pessoas que irão depor na segunda-feira às 16h45. É muito importante que o máximo de pessoas possível esteja sabendo desta reunião e desta sindicância, inclusive de outros institutos, pois ainda não sabemos se mais pessoas de outros locais já foram chamadas.

Acontecerá também na terça-feira (18) às 12h uma Assembléia Geral no IFCH em que chamamos estudantes, funcionários e docentes para participar. A pauta é a avaliação da greve, mas discutiremos também, diante dos novos acontecimentos, a questão das punições.

Por favor, divulguem para todos que puderem pois alguns colegas nossos estão sendo já responsabilizados por atos coletivos...

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13 de set. de 2007

Retrospectiva 68 - Parte 7

Segue a parte 7. As tiras de hojes foram publicadas na Folha nos dias 18, 19, 20, 21 e 22 de Junho. Todas são de autoria do Angeli, óbvio.


As partes anteriores podem ser vistas aqui: 1, 2, 3, 4, 5 e 6

Douglas

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12 de set. de 2007

Voto secreto e cassação

Agora eu pergunto: Cadê o corrupto pra comprar a lista da cassação do Renan?

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Uma música para o presente momento

Por mais piegas e clichê que seja, nada como a sabedoria de Vinicius de Moraes para o momento.



Tristeza não tem fim
Felicidade sim...
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar.
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei, ou de pirata, ou jardineira
E tudo se acabar na quarta-feira.

Tristeza não tem fim
Felicidade sim...

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Retrospectiva 68 - Parte 6

Depois de um longe feriado, regado a cerveja e risada, volta a retrospectiva do Meiaoito, personagem do Angeli. Hoje as tiras publicadas nos dias 11, 12, 13, 14 e 15 de Junho, na Folha de São Paulo.

As postagens anteriores podem ser lidas aqui: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5.

Douglas

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Semana atípica

Sem dúvida estamos diante de um cenário atípico. Pós-feriado, cassação, Colóquios e afins deixaram o Blog um tanto quanto parado. Não colocamos as análises (eu sequer vi cara da Folha da domingo), o número de posts está reduzido, mas isso não quer dizer que estamos parados.

Semana que vem, espero estaremos devolta com o conteúdo regular.

Douglas

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Hoje é dia de...

... cassação?
Renan é um dos símbolos do fisiologismo político brasileiro. Sempre ligado ao poder agora pode ser defenestrado do Senado, quem sabe? Política brasileira é uma putaria mesmo, como confiar na lista daqueles senadores, levantada por alguns veículos, se muitos deles até algum tempo atrás eram fiéia aliados de Renan?
caetano.
Aqui vai uma entrevista com o senador José Nery (PSOL/PA), o pricipal responsável pela reprsentação que hoje pode levar à cassação de Renan Calheiros.
Passo aqui também um pequeno perfil do senador/réu elaborado pela Folha de São Paulo de hoje:
A trajetória política de Renan Calheiros, 51, é cheia de paradoxos: ligado ao PC do B na juventude apoiou Collor à presidência; ministro da Justiça de FHC, torno-se um dos principais aliados de Lula. Natural de Murici (AL), iniciou sua carreira no movimento estudantil. Militou no PC do B, ao qual pertence ainda hoje seu irmão Renildo Calheiros, e entrou no MDB movimento pelo qual foi eleito deputado estadual em 1978. Na Assembléia chamava o prefeito de Maceió, Fernando Collor (PDS), de "príncipe herdeiro da corrupção".
Eleito deputado federal em 1982 e reeleito em 1986, patrocinou o ingresso de Collor no PMDB e apoiou suas campanhas a governador e a presidente. Rompeu com COllor quando ele apoiou outro político a governador. Fez campanha pelo impeachment e, com a posse de Itamar Franco, virou vice-presidente da Petroquisa. Em 1994, foi eleito senador.
Apoiou a emenda que permitia a reeleição de FHC e, em 1998, foi nomeado ministro da Justiça. Exonerado em 1999, apoiou a candidatura de José Serra à Presidência, mas se aliou ao petista.

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9 de set. de 2007

Grupo Abril

Tem causado furor a possibilidade da abertura de uma cpi envolvendo TVA e grupo abril. Parece ter um quê dum rancor, óbvio, de Renan Calheiros com a revista Veja que levantou as primeiras suspeitas sobre os negócios bovinos do senador. A Veja já acusa ameaças à liberdade de imprensa uma vez que, para a revista, a cpi seria uma forma de amedrontar seu jornalismo investigativo.

Se cabe a uma cpi investigar os contratos estranhos do grupo abril e coisas do gênero acho que não, isso deveria ir pra jsutiça e tudo o mais. Porém, já tivemos até cpi pra investigar nike-cbf e não me parece que a Abril seja a coisa mais pura do mundo como mostram a matéria abaixo feita pelo Jornal da Band há um tempo atrás, pouco antes de 30% do grupo abril ser vendido para uuma empresa de comunicações sulafricana:



e a denúncia do portal vermelho (ligado ao pcdob) contra a ação de lobistas da Abril na câmara.

A Editora Abril está em plena atividade para abortar a CPI da Abril-Telefônica. Nesta quarta-feira (5) — dia de maior movimentação de parlamentares na Câmara Federal —, um grupo percorria as dependências da Casa, pedindo aos 182 deputados que assinaram o pedido da CPI que assinem outro documento, com um contra-pedido.
O jornalista Gustavo José Batista do Amaral, assessor de imprensa do Grupo Abril, que participava da ação, admitiu a coleta, mas disse que não sabia dizer quantas assinaturas tinham conseguido porque havia várias pessoas abordando os parlamentares. Amaral também reconheceu que o Grupo Abril não podia realizar a operação.


Segue também o parecer contrário ao negócio de venda da tva (grupo abril) para a telefonica elaborado por um dos conselheiros da ANATEL, Plínio Aguiar Júnior, que votou contra o negócio:

"O artigo 7º da Lei nº 8.977, de 6 e janeiro de 1995 (Lei do Serviço de TV a cabo) não estaria sendo observado, uma vez que o seu objeto é assegurar que as decisões em concessionárias de TV a Cabo sejam tomadas exclusivamente por brasileiros, o que não ocorrerá no presente caso”
Enfim é essa a situação que temos...abraços, caetano.

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