4 de ago. de 2007

Estado refém II

Ainda na série do Estado refém, abaixo segue um post retirado do blog de Fernando Rodrigues. Diante da situação de governo e oposição criticarem, mutamente, a ANAC o jornalista relata a sessão do senado que aprovou a nova diretoria da agência.
É uma imagem deplorável do nosso legislativo, e desses senadores que são responsáveis, junto com Lula e sua equipe, sim pelo caos aéreo em que vivemos.
ai vai, abraços Caetano.
Escrito por Fernando Rodrigues
Hoje o governo reclama da qualidade dos diretores da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Palácio do Planalto e oposição falam a mesma língua. Senadores, deputados e ministros criticam a baixa qualidade dos integrantes da autarquia. Mas o cenário foi bem diferente em 15 de dezembro de 2005 (embora o Senado tenha se equivocado e redigido "15 de novembro" na ata da reunião), quando foram aprovados os nomes dos integrantes desse poderoso organismo.
Realizou-se nessa data a sessão na Comissão de Infra-Estrutura do Senado para sabatinar de uma vez quatro dos cinco diretores da Anac _como determina a Constituição. Deveriam ser fortemente inquiridos, mas não o foram. A sessão de 2 horas e 19 minutos resultou apenas em uma ação entre amigos, com troca de elogios, conversas amenas, piadas e votos de feliz ano novo _era o último dia de trabalho dos senadores antes das festas de fim de ano.
A transcrição da sessão de sabatina dos diretores da Anac revela com crueza a incapacidade do Senado na hora de cumprir uma de suas missões: investigar verdadeiramente se os indicados pelo Palácio do Planalto estão à altura do desafio de regular um determinado setor da economia.
Veja abaixo como os senadores se comportaram diante da indicação de Denise Abreu, Leur Lomanto, Milton Zuanazzi e Jorge Velozo para a Anac.




























A "sabatina" que não existiu
Mesmo com os relatórios epidérmicos sobre os indicados para a diretoria da Anac, nada impediria senadores de oposição de participar da sessão da Comissão de Infra-Estrutura. Depois das exposições dos currículos, começaria a sabatina.
Curiosamente, nada foi perguntado aos 3 indicados de fora do setor. Só o coronel aviador Velozo recebeu duas perguntas, mas foram genéricas (sobre o que ele achava que aconteceria com a Varig e sobre o estado da segurança dos vôos).
Poucos senadores falaram _e só para fazer enaltecer os indicados. Até porque o interesse de alguns ali era só votar e ir embora, sem prestar atenção no que era dito durante a sessão.
Veja abaixo algumas das frases retiradas durante a sessão no Senado:






































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3 de ago. de 2007

Se Hitler invadisse o inferno, eu apoiaria o diabo (Churchill). Eu nao apoio o diabo, nem Hitler. Que ambos se danem. Por Roberto Romano

O professor Roberto Romano comenta a situação nacional.

Se Hitler invadisse o inferno, eu apoiaria o diabo (Churchill). Eu nao apoio o diabo, nem Hitler. Que ambos se danem

www.robertounicamp.blogspot.com




Premio Garotinho de Ouro, divido entre as duas alas Maria Antonieta, a dos cansados e dos que nos cansam, a que vive na Daslu e a que vive no Palácio do Planalto. Afinal, os dois espaços constituem um só, com a mesma tolice, a mesma arrogância, a mesma irresponsabilidade diante dos problemas públicos. Quero que as duas alas sigam para o inferno.

Me desculpem os amigos, mas não posso apoiar movimentos Maria Antonieta, se é que me entendem. E não posso deixar de lado a crítica aos absolutistas analfabetos e arrogantes do Planalto. Continuarei longe dos primeiros e, enquanto puder, invectivarei os segundos, mesmo com as recentes ameaças recebidas.



Num canto, os que habitam a Casa Grande estão cansados e não querem mais os velhos corredores, os tapetes persas puidos, as cortinas de seda italiana tisnadas pelo amarelo do tempo, etc.

Eles exigem mudanças para garantir seu bem estar, segurança, saúde especial, seus carros importados, relógios idem, sapatos também, sacolas LV, etc. Estão cansados de ameaças à sua parte do PIB, algo que sua classe tem como garantida na maior parcela. A casa Grande dos aeroportos e rotas de jatinhos, jatões e primeiras classes, precisa ser melhorada e já! Sugestão: que sejam construídos aeroportos segundo o paradigma DASLU: só entrarão neles, os que provarem ter a burra cheia de ações, ouro, etc. As linhas serão distribúidas segundo os indicadores de riqueza. No saguão, espaço para cachorrinhos de luxo (penteador, perfumador, compra de jóias, etc, tudo para o bem estar dos bichinhos). A segurança: haverá um exército de policiais ao redor das casas ricas dos jardins, com muros que separem os pobres. O exército será mantido pelos Bancos (no uniforme dos guardas, fornecido por Armani e quejandos, virá o logo deste ou daquele dono benemérito das finanças) e para ultrapassar as sentinelas, será preciso passaporte emitido nos escritórios do Partido dos Trabalhadores, o mais autorizado a controlar gente pobre. Saúde: nos aeroportos Daslu, haverá uma ponte aérea para que os belos e ricos sigam direto para os EUA ou Europa, terras onde existe ciência e técnica valorizadas e caras, a serviço dos melhores, se é que vocês me entendem. Educação: será decretado pelo presidente perpétuo do Brasil, Mr. Lulla da Silva, que os filhos do PIB gordo serão educados no estrangeiro, para não assumir os péssimos trejeitos do povão brasileiro que sabe apenas reclamar dos impostos e nada faz, nada sabe, nada ouve, nada enxerga da "realidade".

E os atuais aeroportos serão destinados à Senzala. Como agora. E as atuais escolas, idem. E os serviços de saúde também.


Entre os aeroportos chiquérrimos e as pocilgas, bases de vôo rumo à morte ou ao desespero (uma só e mesma coisa, Brasil...) em lugar absolutamente separado das pessoas comuns, ricas ou pobres, haverá um heliporto, um aeroporto, e tudo mais destinado apenas às autoridades civís e militares. As eclesiásticas que se pelem com a plebe. Quem mandou fazer opção preferencial pelos pobres?

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30 de jul. de 2007

Sobre Agrados

Sobre Agrados
A situação ridícula do país ganha mais um capítulo. Agora os dedos se apontam para o piloto, como responsável pelo acidente da TAM. Esculacharam o governo, muitas vezes com razão e na maioria só fazendo terrorismo, e agora ficam meio com a cara no chão ou ainda procurando outras razões para continuar culpando o governo Lula (ler P.H.Amorim). Uma oposição que politicamente ganhou com o acidente, colocou um parceiro lá (Nelson Jobim) e fez o governo posar de afugentado. Reinaldo Azevedo, um dos portas vozes do "fora Lula", assume a batalha política : Do ponto de vista político, quem quebrou a cara foi o governo, que teve de demitir um ministro, diz ele.

O governo por sua vez vive numa inércia, é um governo de agrados, não se planeja nada. Lula não dá as caras, não mostra qual seus planos pro país, qual o projeto de nação que ele carrega. Pô, mais de 10 anos pra ele se eleger, sempre como porta-voz de uma oposição feroz, e não mostra pra quê veio. Ao invés disso o ex-metalúrgico agrada de um lado e de outro, acomoda do jeito que puder os interessados em fatias do poder. Se por um lado traz uma elite sindical para o Planalto coloca, sob o mesmo teto, aqueles com quem sempre prometeu romper. Essa situação de demitir o Waldyr Pires e botar o Nelso Jobim é exemplar. Se precisava demitir fizesse antes e não só por causa de um pressão de fora, cada vez mais as pessoas estão no governo apenas por conveniências e não por desfrutarem de um projeto para o Brasil. Sem esse projeto, seguimos na inércia.

Governar é ter as suas idéias e colocá-la em pratica combatendo politicamente aqueles que são contrários a ela. Lula não combate, prefere acomodar, e com isso se esvai qualquer idéia que ele pode ter tido para esse país.

Abraços, Caetano.

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Cansou?

Angeli...

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29 de jul. de 2007

A questão é cultural

Acreditamos nas mentiras que contamos, e nas que contam pra gente. E um jeito de acreditar que estamos numa boa, que tudo está certo, de nos enganarmos e brincar um pouco de felicidade.

Juca Kfouri faz a análise que segue dos Pan-Americanos. Obviamente o jornalista vai além e faz uma boa análise da sociedade brasileira e da mentira ufanista. Acho só que ele exagera no final, tentando concluir com uma fase impactante mas meio vazia.

Para quem quiser este é o blog do Juca.

Abraços, Caetano.

Relaxa, top top top, e goza. É ouro!

por Juca Kfouri


Impressiona como o país cada vez mais se acostuma a fingir e a viver, e a morrer, das próprias mentiras

PEGUE-SE QUALQUER exemplo, mas fiquemos com os mais recentes.

No esporte, para começar.

O milésimo de Romário é um bom caso.

O Pan-2007, outro.

Ora, todos sabemos que o Baixinho, fabuloso, maior jogador que uma grande área já viu, criou um objetivo para ele mesmo e todos entraram na festa. Viva!

Mentira inofensiva. Mas mentira. Mentirinha, digamos.

Com o Pan é mais grave, pelo uso do dinheiro público sem a menor cerimônia, um dinheiro que os passageiros que cruzam o país pelos ares agradeceriam se o vissem mais bem gasto.

E aí a falsidade é grave, porque mata.

Em torno do Pan, a omissão é medalha de diamantes.

Thiago Pereira, que é um nadador digno de todo respeito e não tem a menor culpa do que se omite, é tratado como quem superou Mark Spitz.

E, friamente, é verdade.

Mas meia verdade, muitas vezes pior que a mentira pura, por mais difícil de ser desmascarada.

Ora, Spitz, ao ganhar cinco ouros no Pan de Winnipeg, em 1967, simplesmente bateu três recordes mundiais, como bateu outros sete ao ganhar mais sete medalhas de ouro em Munique, nos Jogos Olímpicos de 1972.

Compará-lo a Pereira não honra nenhum dos dois.

Fiquemos por aqui, para falar do que é mais chocante, porque sempre com a cumplicidade da mídia.

A tragédia da TAM, que obscureceu o Pan, é rica em ensinamentos.

Começou não é de hoje, com o escândalo do Sivam, no governo anterior, e continuou impávida e colossal de lá para cá.

Uma frase debochada e ultrajante da ministra do Turismo, um gesto raivoso e moralmente pornográfico do assessor presidencial, um pronunciamento vazio e perplexo do presidente que nunca havia visto uma sucessão de acontecimentos tão caóticos nos aeroportos nacionais e pronto!

Tudo continua como antes, a não ser, é claro, para quem morreu e para quem ficou por aqui, na saudade.

Ora, nem Romário é um artilheiro comparável a Pelé nem Pereira é o novo Spitz nem este governo é mais ou menos culpado que o anterior.

Somos todos responsáveis, ou quase todos, que continuamos a voar como voamos, a votar como votamos, a festejar como festejamos e a reclamar mais dos que são rigorosos do que daqueles que são complacentes.

Dar ao Pan-2007 sua verdadeira dimensão é, para muitos, sintoma ou de bairrismo ou de mau humor.

E a crise aérea vira exploração política.

Mas o que se vê na TV no Pan, e o que se viu e ainda se verá na TV sobre o avião da TAM, é de dar vergonha de como se faz jornalismo/sensacionalismo no Brasil.

O ufanismo sem limites e a demagogia sentimentalóide não nos levarão a lugar algum, a não ser neste em que estamos, do caos, da falta de perspectiva e da acomodação cúmplice e criminosa.

Os resultados superdimensionados do Pan-2007 inevitavelmente se transformarão em frustração quando Pequim chegar, no ano que vem.

Ou alguém acredita mesmo que o Brasil superou o Canadá, que é mais saudável e pratica mais esporte que o país norte-americano?

Brasileiro com muito orgulho?

Quadro de medalhas: 200 mortos.

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Entrevista professor Roberto Romano

Nessa entrevista, concedida `a Rádio Bandeirantes, o professor de filosofia política da UNICAMP comenta o significado de ACM na política brasileira, bem como faz uma análise do cenário atual e das oligarquias ainda presentes no nosso sistema político.
Uma verdadeira aula.


pegue aqui esse player


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28 de jul. de 2007

Capturados, entregues, reféns.

Um Estado capturado por interesses privados. Interesses que não mostram a cara, mas usurpam de direitos públicos. É uma país entregue: agências do governo reguladas por quem deveriam regular, lobies rolando no legislativo a torto e a direito, financiamento de campanhas vindo dos locais mais estranhos.

Posto aqui um artigo de Luiz Gonzaga Belluzo publicada na última edição de Carta Capital. Em sua análise do Estado brasileiro Belluzo é preciso "o Estado está `a mercê dos grandes atores privados. As agências reguladoras apresentam, por exemplo, impulso descontrolado a acomodar interesses e transformá-los em políticas 'públicas'".

Impressionante, nos acostumamos com mentiras no Brasil, com o jeitinho brasileiro e tudo o mais. É um falso Estado liberal, uma vez que somos nossa estrutura política beira o absolutismo, é uma democracia que despreza o povo.

Segue o artigo de Belluzo com um pequeno comentário meu em itálico.
Abraços, Caetano.

Reféns

de Luiz Gonzaga Belluzzo

Nas grandes tragédias, aéreas ou terrestres, as explicações categóricas e monocausais, disse um especialista, são sempre precipitadas, para não dizer levianas. É humano, demasiado humano, buscar os culpados e apontá-los `a execração pública. O piloto, o governo, as empresas, a Infraero e por aí vai.
Mas há fortes indícios de que a raiz das desgraças está na imobilização do Estado brasileiro. De uns anos pra cá, a tão decantada "privatização", isto é, captura de suas funções por interesses privados, tornou quase impossível a definição de políticas em nome dos interesses coletivos.
As agência de regulação, por exemplo, apresentam impulso descontrolado a acomodar os interesses e transformá-los em políticas "públicas". Não é preciso ser Santos-Dumont para saber que o Aeroporto de Congonhas não tem capacidade para abrigar um movimento tão intenso de pousos e decolagens de aviões de grande porte.
A captura dos reguladores pelos que deveriam ser "regulados" tornou-se um clássico da administração pública brasileira. A política monetária do Banco Central engorda o bolso dos senhores da riqueza líquida e impede os investimentos em infra-estrutura. As empreiteras disputam a ferro e fogo as concorrências viciadas.
O Estado é refém dos grandes atores privados. Não por acaso corre grana `a vontade para financiar candidatos favoráveis `a consecução de objetivos escusos e outros nem tanto. Paradoxalmente, a privatização `a brasileira tranformou-se num festival de intervencionismo estatal e dirigismo, em desrespeito aos princípios da limpa concorrência que dizem reverenciar. O peso político das classes proprietárias na representação parlamentar, e , sobretudo, na máquina burocrática do Executivo, promove sistematicamente a distribuição eqüitativa de favores entre "iguais", ao mesmo tempo que os desiguais morrem nos hospitais públicos ou sucumbem `a insegurança dos aeroportos.

A perda da independência moral e política começa nas eleições, cada vez mais caras. Por isso, até hoje não foi aprovada a lei de financiamento público para campanhas eleitorais, condição mínima para que seja instaurado por aqui um regime parecido com a democracia. Luciano Canfora, ao desmascarar a retórica dos demagogos que se dizem democratas, proclamou, outro dia, uma verdade elementar e, por isso mesmo, largamente desconsiderada: na democracia a autenticidade da representação popular deve sempre ter precedência sobre a "governabilidade".
Mas, hoje em dia, em toda a parte, a concorrência entre os grandes do mercado suscita simultaneamente a tentativa sistemática de violação das normas que deveriam reger as relações econômicas no Estado de Direito e a busca de proteção política de seus interesses. A concorrência entre as grandes empresas não só arrasta o Estado para a arena dos negócios, como torna violenta a disputa por sua capacidade reguladora e feroz a luta pela captura de recursos fiscais.

Nesse ambiente, prosperam as razões e os impulsos do autoritarismo que pretendem sacrificar a legalidade dos meios `a legitimidade dos fins. Escancaram-se as portas para a horda de fascistas que pretendem equiparar as garantias individuais dos ricos e da classe média ao desamparo da maioria obre, diariamente submetida ao justiçamento praticado pelos esbirros do abuso.
A lei, seus embaraços e delongas processuais estão prestes a ser substituídos pela opinião fulminante, pela desmoralização escrachada dos poderes republicanos, executada por procedimentos fora-da-lei dos agentes do poder público, em contubérnio com os promotores de escândalos. `As urtigas com o Estado de Direito, a interdependência dos poderes, as garantias individuais e outras tapeações da democracia. -interessante ler esse parágrafo com a entrevista, recém postada aqui, de Roberto Civita. Como demonstra os interesses do Barão Civita e o comportamento da Veja.
O Estado capturado mostra-se negligente com a vida dos seus cidadãos . Tal descaso é cúmplice da violação sistemática dos códigos da cidadania moderna, que foram concebidos como uma reação da maioria contra o individualismo anarquista e reacionário dos mais fortes e poderosos.
No Brasil de hoje as distintas burocracias de Estado tratam de abocanhar fracções crescentes de poder, flertando com a ilegalidade e o arbítrio. As funções essenciais do Estado de Direito vêm sendo manipuladas para perseguir os adversários, ajudar os amigos. Comportam-se, diante dos cidadãos , como forças estranhas e hostis, usurpando os poderes que deveriam ser exercidos em nome do interesse geral, do interesse público.

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Isso é coisa que se pergunte?

A postagem abaixo foi retirada do observatório da imprensa e é de autoria do jornalista Luis Weis. Nela Carlos Chaparro (professor da ECA/USP) entrevista Roberto Civita (presidente da Civita. Os comentários feitos durante a entrevista são do Luis Weis; faço os meus no fim.
A imagem ao lado é de Francisco Goya (1746 - 1828); Asta su Abuelo, da série Los Caprichos.



A newsletter eletrônica Jornalistas & Cia. entrevistou na semana passada o presidente do Grupo Abril, Roberto Civita, no 9º trabalho do gênero com o que denomina “Protagonistas da Imprensa Brasileira” – os barões da mídia nacional.

Às tantas, um dos entrevistadores, o professor Carlos Chaparro, da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, a ECA/USP, convidado a participar do pingue-ponge pelos editores de Jornalistas&Cia, Eduardo Ribeiro e Wilson Baroncelli, iniciou o seguinte memorável diálogo com o protagonista – uma verdadeira aula de jornalismo inquisitivo:


O senhor disse que a lei deve ser cumprida, pois sem lei não há democracia. A lei deve ser para todos.


Sim, a lei deve estar acima dos governantes.

­

E acima da imprensa também.


Sim.


Pois a lei diz o seguinte: gravações, mesmo autorizadas pela Justiça, não podem ser divulgadas se não servirem como prova em processo. A regulamentação de um preceito constitucional estabelece isso. No entanto, vulgarizou-se a transcrição de declarações de gravações, o que é uma transgressão à lei. Há aí um conflito jurídico, talvez, com a Lei de Imprensa, mas a lei estabelece isso. Inclusive, a gravação que não puder ser usada como prova tem que ser destruída. A imprensa está desrespeitando a lei, talvez para o bem da Nação, talvez para que a lei mude, não sei. Eu gostaria de saber, por exemplo, se as redações aceitariam ter gravadas e divulgadas as suas conversas, os seus acertos com as fontes etc. O que seria muito agradável para o público. A lei também diz que é um direito constitucional a inviolabilidade de uma porção de coisas, inclusive da honra etc. Quando se divulgam coisas sem ter a certeza de que são verdades, corre-se o grave risco de desrespeitar a lei. Por causa disso há uma grande quantidade de processos em cima das publicações.Depois da Constituição de 1988, quando, em vez de usar a Lei de Imprensa para processar os jornais, passou-se a usar a Lei de Responsabilidade Social, a quantidade de processos aumentou tremendamente, inclusive já com algumas sentenças pesadas. Isto levou as empresas jornalísticas a tomar cuidado com as imprudências, porque o jornalismo é por si um clima de impulsos para as imprudências. Hoje, o chamado Direito Preventivo entrou nas redações e eu gostaria de saber como isso se dá na Abril. Que cuidados a Abril tem para cumprir a lei e que cuidados tem para que as imprudências jornalísticas não terminem em processo?


Na resposta, Civita diz que os diretores de redação e os redatores-chefes são obrigados a fazer cursos internos sobre a Lei de Imprensa. E que a Veja tem uma advogada de plantão que examina os textos a serem publicados para que a revista não seja processada - “e para cumprir a lei, claro”. E, depois de uma pausa para meditação, completa: “Deveríamos fazer um debate aqui dentro sobre o uso de gravações, porque nunca fizemos. Tenho que pensar nisso, vou promover." Normalmente, nessa hora, um entrevistador comum se daria por satisfeito e iria em frente. Mas não o professor Chaparro. Ele insiste:


Porque por trás dessas gravações há sempre um interesse. Elas não chegam de graça às redações. Então é uma coisa que, a mim, como cidadão, preocupa. Outra coisa que me preocupa como leitor da Veja é a mistura, na minha opinião pouco inteligente e perigosa, que Veja faz de argumentação com narração. É comum a gente começar a ler uma reportagem com um adjetivo chamando o sujeito de ladrão, e xingando. Às vezes a gente não sabe se está lendo um editorial ou uma reportagem. Isto rouba eficácia ao texto, rouba eficácia à credibilidade da revista. Essa mistura de argumentação com narração é inevitável, mas me parece que no caso de Veja o que se sobrepõe a uma reportagem é a perspectiva argumentativa e não a narrativa. É um grande perigo para a revista. A mim, como leitor, é uma coisa que desagrada profundamente, porque o ajuizamento do repórter se coloca acima dos fatos. Sou assinante de Veja há 20 e poucos anos e não sei se isso preocupa o senhor ou não. A mim incomoda como assinante.


Nas cordas, o entrevistado tenta se defender com a lisonja e a anuência.

O senhor é muito crítico, experiente, bem informado e inteligente. E tem uma visão muito objetiva disso, vista de fora. Primeiro: a objetividade no ser humano é virtualmente impossível de alcançar, inclusive no jornalista. A gente deveria se esforçar para ser objetivo, acho que tem a obrigação de ser. Eu fico incomodado quando leio, não só em Veja como em qualquer lugar, em outras revistas e jornais, uma coisa que começa parecendo uma reportagem e acaba parecendo um editorial. Aí eu digo “Não pode fazer isso. Não deveria”. Eu concordo plenamente.


Só que o entrevistador, rigorosamente fiel ao gênero “Isso é coisa que se pergunte”, que a imprensa brasileira raramente cultiva, não deixa barato:


A questão não é moral, é técnica. É de comunicação.


Vem então essa antológica resposta:

Mas não deveria. Não pode começar contando uma história e terminar xingando a mãe de seja lá quem for. Por definição, não deve. Mas, por outro lado, os leitores clamam, não são como o senhor, querem que a sua revista se indigne. Eles querem. Os brasileiros, hoje, não posso falar de outras partes do planeta, mas os leitores de Veja querem a indignação de Veja. Eles ficam irritados conosco quando não nos indignamos. Estou tentando explicar, não justificar. Acho que Veja se encontra toda semana na difícil posição, de um lado, de saber que reportagem é reportagem e opinião é opinião, sendo que não tem editoriais além daquele da frente; e, de outro, sabendo que os leitores... É só ler as cartas, duas mil por semana, nós publicamos uma enorme quantidade de cartas justamente para que se possa sentir o cheiro do enxofre e da pólvora. E acho que quem está escrevendo ou editando se encontra em posição difícil de decidir o quanto deve deixar entrar a emoção e a indignação e o quanto não. É difícil. Eu reconheço que esta talvez seja a nossa maior questão, não a das gravações. Veja tem uma posição clara, ninguém duvida de como ela se situa. Tem gente que não a suporta e não a tolera, não quer ver nem pintada. A esquerda acha que somos de direita, a direita acha que somos de esquerda [comentário meu: mas nem a TFP acha a Veja de esquerda!], os liberais acham que somos contra, e deve ter as mães carolas que acham que somos anti-religião. Deve haver de tudo, entre os que não querem saber da revista. Mas a torcida é de cinco, seis, sete, oito milhões de pessoas por semana. Eles gostam, e a gente faz para eles (risos). Mas reconheço a sua posição...


Enfim, o golpe de misericórdia:


Acho que há outras maneiras de se fazer a mesma coisa, é um problema técnico, de linguagem, de que o jornalismo não se divide em opinião e informação, mas em argumentação e narração. Elas estão sempre inevitavelmente misturadas, mas quando se está lidando com narração a informação é que tem que ser colocada em evidência e não a opinião.


E o fecho em desespero-de-causa:


Vou convidar o senhor para um debate com os editores de Veja sobre isso. Vamos promover esse debate e eu quero ouvir.


A torcida do Flamengo também.

____________________________________________________________________________


COMENTO:

Civita assume, na nossa cara, o sensacionalismo da Veja e afirma que o bom senso, no jornalismo, é relativo. Já que, segundo ele mesmo:

Não pode começar contando uma história e terminar xingando a mãe de seja lá quem for. Por definição, não deve. Mas, por outro lado, os leitores clamam, não são como o senhor, querem que a sua revista se indigne.
Quer dizer senhor Civita que não pode xingar a mãe mas, se os leitores pedirem, fazer o quê? Esse "não são como o senhor" é absolutamente nojento. Numa resposta anterior Civita diz ao professor:
O senhor é muito crítico, experiente, bem informado e inteligente.
O que será que o presidente da Abril quis dizer com os leitores clamam, não são como o senhor? Na minha opinião, nesse ato falho - reconheço, foi um ato falho, talvez ele não quisesse dizer exatamente isso, só lhe passou pela cabeça -, ele assume ser impossível conciliar inteligência, e o fato de estar bem informado, com a leitura da revista Veja.

Abraços, Caetano


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26 de jul. de 2007

Quem paga a conta II ?

Hoje o dia está para números! Apresento um relatório hoje com as revistas "Carta Capital" e "Veja". Procurei analisar o custo real da revista, qual a relação do número de páginas para o número de páginas de propaganda, bem como qual a porcentagem de anúncio estatal no montante das propagandas. Usei para tanto as duas edições que circulam essa semana, o numero 454 da Carta Capital e o 2018 da Veja.

Seguem os números:


VEJA
- Preço:8,40, 132 páginas, 47 páginas de propaganda, sendo 4 destas de estatais. Não somei aqui os anúncios que correspondem a menos de uma página, mas são 2 de meia página e 5 de um terço de página.
Diante desses números chegamos ao seguinte: aproximadamente o custo da revista é de 10 centavos por página de conteúdo; 35,6% das páginas da Veja foram voltadas para propaganda, sendo que as estatais correspondem por 8,5% dos anúncios da revista.

Carta Capital
- Preço: 7,90, 76páginas, 13 páginas de propaganda, sendo 2 destas estatais.
Para Carta Capital chegamos aos seguintes dados: aproximadamente o custa da revista é de 12 centavos por página de conteúdo; 17,1% das páginas da Carta Capital foram voltadas para propaganda, sendo que as estatais correspondem por 15,3% dos anúncios da revista.

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Um outro quadro

O Pan vem chegando ao final e a maior questão é: o Brasil ultrapassa ou não Cuba no quadro de medalhas? Galvão Bueno e sua trupe de ufanistas gloriosos parecem estar empolgadíssimos com a possibilidade de superarmos os Cubanos. Para uma melhor análise do estado do esporte em cada país decidi somar ao quadro de medalhas alguns dados como o PIB e o número de habitantes dos países. Vendo o quadro dessa forma dá pra notar que o Canadá "precisa" de aproximadamente 1,5 milhão de habitantes para obter um ouro, enquanto o México, para obter feito de igual porte, tem que contar com aproximadamente 11,5 milhões de habitantes.
As análises são livres e bem vindas, ao final do Pan elaborarei o quadro final com mais alguns dados como Dívida Externa e crianças na escola.
Os dados de PIB e População foram arredondados por mim, se referem ao ano de 2005 e foram obtidos no site do Banco Mundial, exceto o PIB de Porto Rico e Cuba que se referem ao ano de 2006 e foram obtidos no site Index Mundi.
E o número de medalhas é relativo até 'as 17:50 de 26/07
Para visualizar melhor a tabela clique nela.

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23 de jul. de 2007

De radicalismos e irresponsabilidades

A internet permite que se trombe "pessoas" muito interessantes, não trato aqui dos famigerados encontros virtuais, mas de passar por "locais" curiosos que te levam a pensar como você chegou lá. Blogs como o do reinaldo azevedo, luis nassif, paulo henrique amorim são famosos, são mainstream, borbulham até em conversas de bar: "ô, vc viu o que o reinaldão escreveu. aqueles petralhas malditos". Mas e aquele blog que você chega meio sem referência alguma? Por causa de um comentário que você leu não sei em que lugar, fruto de uma busca perdida no google ou qualquer coisa do gênero.
De um tempo pra cá comecei a frequentar um blog, " a política como vc vê", fruto inclusive de um dos donos do blog que entrou aqui - quando esse blog se resumia às questões da greve ainda - e pediu para darmos uma força. Entrei no blog, achei super pertinente e decidi colocar na nossa lista de link. Desde então entro frequentemente no "A Política..." sem nem saber quem são os autores, qual a origem, formação, religião, etc. Sei que é um blog muito legal e que vale a pena ser visitado: A Política Como Você Vê.
Agora fiz todo esse blá blá blá pra quê? Só pra postar aqui um post deles de lá; é uma análise precisa dos blogões de opinião e das guerras entre os internautas que se degladeiam em comentários de baixo nível. Mostra também o quanto esses blogs de opinião são frutos, em seus radicalismos, de uma caça voraz por clicks; parece ser mais necessário atingir as viceras do internauta do que seu cérebro. Segue o texto, com um negrito meu na parte que acho mais pertinente.
Abraços, Caetano.
Sexta-feira, 20 de Julho de 2007 por Bira di Oliveira

Os comentários nos blogs de opinião estão fervendo, parece tempo de eleição. Lembrei-me do início de 99. Naquela época não haviam blogs e a internet estava engatinhando por aqui. Era início do segundo mandato de FHC e o pau comia, lembram? O radicalismo tinha alcançado tal ponto que chegou-se a pedir o impichamento de FHC por conta da desvalorização do real. FHC se estrebuchou todo, acusou a oposição de estar querendo dar um golpe (naquela época, com ajuda de HH e Brizola) e coisa e tal. Não haviam os comentaristas de blog e as opiniões eram dadas nas ruas, ou naqueles ambientes "éticos" que o PT montava, com ajuda da igreja, ABI, OAB, etc., etc. Agora o que temos? Um ambiente de internet que ferve, e nas ruas... nada! De um lado a direita, comandada pelo "Tio Rei" (Reinaldo Azevedo). Do outro, a esquerda comandado por "PACO" (Paulo Henrique Amorim). Ao centro, a turma do "deixa disso" (Luis Nassif, Alberto Dines, Etevaldo Dias), ora a incendiar um lado, ora o outro. Isso sem contar com os "to nem aí" do Globo, Folha e Estadão, que nem esquentam a cabeça com a "tucanalha" e a "petralhada", simplesmente os ignoram ou deletam seus comentários. E assim se passam os dias nesse entretenimento noticioso intitulado "blog de opinião", um jogo de idiotas, semi-analfabetos políticos, se atacando e revirando as vísceras as custas das estratégias dos jornalistas de sites de Portal (os sem rádio, tv ou jornal), servindo aos servidores, a serviço do "clic" para vender espaço ao patrocinadores e dar lucro ao seu patrão. Em tempo: no episódio do "top-top" do Marco Aurélio lembrei-me da antena parabólica do Ricúpero. Ou o comentário dele também não foi feito em off, reservadamente? Só que naquela época a moral ainda era outra: vacilou... dançou!

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Sobre muros e linhas

Hoje tomei contato com o trabalho de uma organização chamada Peace Players International. Basicamente o trabalho deles se dá com crianças em zona de conflito étnico. O que eles fazem? Oferecem clínicas, treinamentos, torneios de basquete com as crianças de ambos os lados. Usam o basquete como uma forma de encontro e troca de experiências em zonas onde até o próprio contato se dá de forma problemática.
Não sei se se lembram quando em 2001 protestantes agrediram verbalmente e fisicamente pais e crianças católicos que iam a um colégio em Belfast, Irlanda do Norte. Cena deprimente de crianças chorando e sendo alvos de cuspes de marmanjos trogloditas; na situação eram dois colégios, um católico e um protestante, que ficavam na mesma rua e que, após os conflitos, foram divididos por um enorme muro. Hoje, após a resistência de pais e etc, essa organização consegue trabalhar com as crianças que justamente foram vítimas desses ataques.
Muros são em si um símbolo de recusa à convivência, não se reconhece a existência do outro. Muitas vezes me parece que construir muros é como fechar os olhos. Nega-se o que acontece, é a conclusão conclusão de que é melhor que esses mundos não se encontrem mesmo. Lembro de um documentário de 2002, Carlo Giuliani: Ragazzo; Carlo Giuliani foi um jovem assassinado pela polícia italiana durante protestos contra uma reunião do G-8 em Gênova. Na ocasião a cidade italiana foi dividida por uma linha vermelha pela qual ninguém poderia passar; ela isolava o centro da cidade para reunião dos líderes. Carlo morreu justamente quando, em confronto com a polícia, um grupo de manifestantes tentava atravessar essa linha vermelha. A fala da mãe de Carlo é marcante no filme: até quando vamos viver com essas linha vermelhas no mundo, a linha que separa os ricos dos pobres. A mãe reconhece de cara o que representava aquela linha. O que é uma globalização que, como método, isola áreas?
Em 2005 estudantes paulistas foram impedidos (a pedidos do ex - governador Geraldo Alckmin -psdb- e do ex-presidente da assembléia Rodrigo Maia (DEM) de entrar na Assembléia Legislativa para acompanhar uma votação sobre verbas relativas ao ensino público. Barrados na porta da chamada "Casa do Povo". Na ocasião a linha era composta por algumas dezenas de policias da Tropa de Choque.
O quanto aquela linha de Gênova não pode estar relacionada a esse muro que separa a favela de Paraisópolis do riquíssimo bairro do Morumbi. Não há dúvidas sobre os muros construídos no Brasil e destruí-los me parece o único modo de evoluirmos. Propiciar às crianças dos dois lados do muro abaixo a oportunidade de nadarem juntas, conversarem, jogarem futebol, enfim, conviverem.
Abraços, Caetano.

foto de Tuca Vieira

A imagem que inicia o texto é de Norman Rockwell, mais sobre ele aqui.
E aqui uma reconstituição fotográfica do assassinato de Carlo Giuliani.


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19 de jul. de 2007

Estado de Direito X Estado de Emergência

Tem saído tantas coisas, das mais variadas fontes, a respeito do acidente aéreo em São Paulo que fica difícil até parar, pensar e refletir a situação. Não tendo como analisar as razões da tragédia espero mais opiniões de especialistas e o decorrer das investigações. Tem sido ridículo determinados jornalistas discorrerem, como se tivessem a maior propriedade do mundo, ranhuras e coisas do gênero. Entretanto estou longe de querer encerrar a questão: o estado da aviação brasileira é caótico e estamos numa crise grave. Creio então ser mais pertinente a análise critica justamente de como Estado brasileiro e governo Lula vêm sendo omissos e incompetentes. Ruminarei um pouco, refletirei, e tentarei, mais pra frente, discorrer mais, e com mais propriedade, sobre o assunto. Por enquanto fico com um post de Marcelo Tas em seu Blog, a coisa mais pertinente, segundo meu entendimento, a rolar sobre o tema esses dias.
Abraços, Caetano.

"Emergência", o refúgio dos medíocres

Responda rápido: quantos "gabinetes de emergência" foram criados para resolver a crise aérea que se arrasta há 10 meses?

De todos eles, participou a incrível figura do Ministro da Defesa Waldir Pires.

De todos eles, emergiu a incrível figura do Brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Infraero, para declarar aos microfones que o sistema aéreo brasileiro é "um dos mais seguros do mundo". Será que dessa vez ele vai ter a mesma cara-de-pau?

De todos eles, o presidente Lula exigiu uma solução em 48 horas que nunca veio.

De todos eles, o presidente se esqueceu de cobrar o que exigiu.

Será que agora a Infraero explica por que priorizou as obras no terminal luxuoso de passageiros de Congonhas e não nos equipamentos básicos de segurança, como a pista principal do aeroporto, que vem sendo criticada sistematicamente pelos aeronautas há anos?

Será que agora a Infraero explica por que fez o mesmo no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, que sofreu um incêndio anteontem?

Será que agora, as empreiteiras que se beneficiaram com essas obras gigantescas espalhadas pelo Brasil serão investigadas?

Será que um dia vamos trocar o estado de emergência por um estado de direito?

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Uma análise e uma imagem

Um pouco mais de Alex Katz (Rowboat,1993) e uma análise do Estado brasileiro feita pelo senador Jefferson Peres (pdt - am), em debate com o deputado Fernando Gabeira (pv-rj), no programa Espaço Aberto (22/06) da globonews. Não consigo passar o vídeo para o youtube , de maneira que fica impossível mostrar, aqui no blog, o debate inteiro.
Abraços, Caetano.

Nós só vamos entender o Brasil, a situação brasileira, principalmente no que tange a corrupção, se olharmos em dois planos: um planos institucional e um plano cultural. O plano institucional é o Estado brasileiro que é perdulario, ineficiente e corrupto. (...) A crise brasileira é uma crise do Estado brasileiro. Estado ineficiente, corrupto, na vertical: União, estados e municípios. Na horizontal os 3 poderes. E no plano cultural a cultura política brasileira, que é patrimonialista na essência. Você tem um grupo de políticos republicanos, que eu chamo de republicanos. Respeito pela rés pública. E você tem a classe patrimonialista que se subdivide em dois. Em dois sub-tipos. (...)Qual o primeiro sub-tipo: os que usam a política pra fazer dinheiro. São uns ladrões mesmo. E os que usam o dinheiro pra fazer política. Precisam do dinheiro para as suas campanhas eleitorais, para se manterem no poder. E eu acho que é isso né.

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Sangue nos olhos

A situação no Rio de Janeiro está insustentável. Sem alarmismos exagerados, o sangue impera e a barbárie chegou a extremos. Não que antes ela já não existisse na profunda miséria e desigualdade, mas enfim...
Olhem para as execuções sangrentas no Complexo do Alemão e perguntem. Perguntem o que vocês pensam sobre isso! Isso é um preço razoável a se pagar por segurança, um direito de todos, pobres e ricos? Essa é a moeda com a qual se paga o 'preço' pela segurança: sangue?
Junte-se a essas execuções (não se enganem com os eufemismos como 'traços de tiros', 'tiros na nuca' e 'tiros demais nas costas') dados como esse: para cada policial morto em ação no Rio, 41 civis são mortos por forças policiais. Sinceramente, se alguém me disser que esse tanto de gente eram todos, ou sua maioria, bandidos ou estavam em fogo cruzado, vou acusá-lo de mentiroso sem nenhum remorso. Duvida desse dado? A fonte está aqui (se não der pra acessar, comente que posto a matéria aqui).
Engraçado... E é dito na mídia que a 'população' apóia essas ações... Que população? A mesma que paga mais de cem reais pra entrar em um ginásio no Pan? Ou a que é sistematicamente assassinada em incursões policiais? Não nego a complexidade da situação e a necessidade do combate ao crime organizado, pelo contrário. As vítimas dessa violência cotidiana chamada barbárie (e essas vítimas são de todas as classes sociais) querem justiça e estão desesperadas, mas esse desespero não justifica a lógica do "sangue nos olhos" do Estado.
Polícia não é juíz, júri e carrasco e nem pode ser!
Agora... Se não bastasse isso, a comissão de Direitos Humanos (é! isso ainda existe, minha gente!) da OAB pediu um relatório sobre os laudos feitos sobre as execuções... E o que que aconteceu? Ele foi exonerado do cargo (idem ao link anterior)! E ele sai apontando o dedo: "pressão do governo do Estado"! Lindo, não? Além disso, como de praxe, há a suspeita (quase um truísmo) sobre destruição de provas sobre as execuções (idem ao link anterior.
O que o Estado faz no Rio de Janeiro não é guerra e nunca foi 'luta por segurança pública': é genocídio.
"Não se faz omelete sem quebrar alguns ovos". De que é esse omelete? Quem vai sobrar para comê-lo? A população desesperada, com sangue nos olhos, prontos para mais um banquete canibal? Que população é essa? De qual lado do paredão estamos falando?

Ass. Enric "Grama"

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18 de jul. de 2007

Reinaldo Azevedo comenta o PSOL.

Interessante ler essa postagem de Reinaldo Azevedo. Não me recordo a data mas não deve fazer mais de uma semana que foi publicada. Concordo pouco com a visão política de Reinaldo mas gosto sempre de lê-lo. Abaixo ele, ferrenho critico das esquerdas, comenta o papel do psol. Como tem a ver com a postagem anterior do blog achei pertinente trazer.
Aqui o Blog do Reinaldo.
Abraços Caetano.

Quem movimenta a política? Pasmem: é o PSOL!
Se vocês quiserem saber a quantas anda a política brasileira, por incrível que pareça, é preciso perguntar ao PSOL. Sim, é isto mesmo: o partidinho comandado por Heloísa Helena se tornou o terror da canaille da política nativa. O que penso do PSOL? Tenho horror a seu ideário, à sua conversa mole sobre socialismo, àquela pletora de soluções fáceis para problemas difíceis que freqüenta o discurso de seus representantes. Mas uma coisa é inegável: o PSOL evidencia a ausência de eixo dos grandes partidos de oposição: PSDB e DEM.

Os dois casos que agitaram o Senado nos últimos tempos, vejam vocês, nasceram de representações ao Conselho de Ética apresentadas pelo PSOL. Agora, o partido encaminhou uma terceira: quer que seja investigada a denúncia de que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), atuou para defender interesses da Schincariol, que comprara de um seu irmão, o deputado Olavo Calheiros, uma fábrica de tubaína por R$ 27 milhões — o mercado diz que ela valia, no máximo, R$ 10 milhões.

Dependesse dos dois grandes, é bem possível que Roriz tivesse se safado e que Renan não estaria passando, agora, por esse constrangimento. PSDB e DEM viram explodir os dois casos e silenciaram. Ou, pior, falaram: quando Renan fez o seu pronunciamento no Senado, logo depois da primeira matéria da VEJA que evidenciava suas relações promíscuas com um lobista, os senadores pareciam muito satisfeitos. A memória me trai ou Tasso Jereissati (CE), presidente do PSDB, chegou a dizer que o depoimento parecia “consistente”, embora, claro, fosse preciso analisar os documentos? Acho que a memória não me trai...

A essa altura, haverá quem diga: “Vejam aí: os radicais se encontram, não é? Reinaldo, o direitista, elogiando o PSOL...” Não é propriamente um elogio. Ainda que o partido esteja em busca de holofotes; ainda que se dedique a compensar a sua anemia teórica com um discurso estridente, o fato inegável é que cumpre a sua função ao exigir que alguns medalhões do Congresso, flagrados em histórias suspeitas, tenham, quando menos, de se explicar nos órgãos competentes.

Nas últimas duas ou três semanas, sem dúvida, PSDB e DEM desempenharam a contento o seu papel. Mas que se note: pegaram carona em ações levadas ao Conselho de Ética que, tenho cá minhas dúvidas, não existiriam se dependesse da ação de ambos. E então cumpriria especular: por que não? A resposta mais óbvia que ocorre a todos é uma só: porque são todos beneficiários das mesmas práticas de Renan. Não tenho como afirmar que assim seja — nem, é claro, como negar. Não custa lembrar que o “todo mundo faz assim” foi a grande tábua de salvação do PT, que mudou espetacularmente a sua moral: migrou do “somos mais éticos do que os outros” para o “não somos mais antiéticos do que os outros”. Mas me parece haver algo mais.

Os dois partidos, em especial o PSDB, atuam de olho na eleição presidencial de 2010 e nas pesquisas de opinião, que apontam a grande popularidade de Lula. Nesse cenário, criar marola, instabilidade, parece contraproducente. O cenário que se afigura mais confortável é apostar que Lula chega ao fim do mandato com a popularidade em bom estado, mas sem poder se candidatar à reeleição (eu tomaria mais cuidado com isso, especialmente se decidirem mudar a regra da reeleição). Sem um candidato governista forte, o pêndulo penderia inexoravelmente para um tucano, que, por sua vez, deve procurar não contrastar excessivamente com o petismo. Então tá.

Nunca vi dar certo uma política que é a negação da própria política. Se Lula se torna o destinador da vida pública brasileira, aos líderes da oposição, com efeito, resta o papel de destinatários de seus desígnios. Lula faz, os grandes da oposição se calam, e o PSOL ocupa o lugar de fazer a má contestação do statu quo — ainda que, nos casos em questão, tenha feito a coisa certa. Não chega a ser um futuro auspicioso.

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Tamanho e documento

Lembro agora de um texto do Gabeira, colocado aqui domingo, para falar de algumas coisas. O recente escândalo com o presidente do senado traz a tona vários pontos, um deles é a participação de partidos nanicos numa democracia. Se por um lado esses tipos de agremiações servem, muitas vezes, como legendas de aluguel (vide o antigo PRONA) hoje nota-se o quanto elas podem ser úteis quando se mantêm independentes, descoladas do poder (digo aqui ministérios, agências, estatais, etc). É de louvar sim o que PSOL, com uma bancada do tamanho que tem, fez. Não fossem eles não haveria representação contra Renan, nada, continuaríamos na mesmice. Vale lembrar do tempo que PSDB (oposição) levou para tomar uma posição minimamente coerente nesse caso.
E ai chegamos no ponto. Partidos do porte de PSOL, PV, etc. se tornam então fundamentais para o bom funcionamento do poder legislativo, ainda mais num tempo de oposição ridícula. Apresentam uma autonomia para fiscalizar o poder justamente por não fazerem parte do jogo dos grandes, por não estarem nas estranhas do Estado.
Seguindo esse pensamento ficamos numa situação curiosa com a recente legislação eleitoral. Ela beneficia os partidos mastodontes e leva os nanicos ao limbo. Obviamente não é o tamanho de um partido que demonstra suas qualidades, claro que não, mas não dá pra negar a importância do papel que alguns partidos nanicos e minorias têm desempenhado. Rumino.
Abraços, Caetano

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Política Estudantil

Editorial do site Correio da Cidadania

UNE: um congresso problemático

13/07/2007


O Congresso da UNE não deu prosseguimento à rebeldia dos estudantes paulistas, que, no mês passado, ocuparam várias reitorias de universidades para reclamar contra o descaso dos governos com o ensino universitário.

É verdade que a maioria das teses e pronunciamentos foram bastante críticas às políticas do governo. Mas não apresentavam conclusões coerentes com as críticas que as precediam.

A direita, como era previsível, não deixou passar essa incongruência em brancas nuvens. Em um agressivíssimo editorial, o jornal O Estado de São Paulo teve o desplante de escrever que "o supra-sumo da falta de caráter político dos congressistas da UNE foi poupar o presidente Lula enquanto demoliam o modelo que ele não se cansa de louvar".

Poderíamos passar sem esta.

Mas, de quem é a culpa de termos de ouvir, calados, essa insolência da direita, senão o efeito divisionista e dissolvente do governo Lula nos movimentos da sociedade civil?

A UJS (União das Juventudes Socialistas), organização que venceu folgadamente a eleição para a nova direção da entidade, é o braço do PCdoB na UNE e, por isso, não pode criticar o presidente. Triste, não?

As correntes internas do PT, todas elas com representação nas diversas bancadas estaduais que compunham o Congresso, dividiram-se em três pedaços: a Articulação e a DS apoiaram a UJS; O Trabalho, Movimento PT, Articulação de Esquerda e parte da Articulação lançaram chapa própria.

Assim fragmentada, não se poderia esperar da maioria senão a conduta esquizofrênica que ofereceu flanco aberto para a mal intencionada critica do Estadão.

De qualquer modo, não é mesmo um bom sinal esse espetáculo de uma geração de líderes estudantis tão cedo cooptada pela "realpolitik". Mais grave ainda quando se considera que a mocidade reunida em Brasília representava aquela minoria que ainda se preocupa com os problemas do país, numa hora em que a maioria dos universitários preocupa-se apenas em conseguir uma qualificação para conseguir um lugarzinho nas empresas que exploram o Brasil.

Felizmente, do lado da minoria efetivamente oposicionista, formada pelo PSOL, PCB, PCR e outros partidos de esquerda, não faltaram coerência e combatividade. Mas faltou uma coisa muito importante: unidade.

PSOL e PCB formaram uma chapa e PCR saiu isolado. Se tivessem saído juntos, a oposição teria mais membros na nova direção da entidade. Melhor ainda se o PSTU fizesse parte da entidade e somasse seus votos aos dos outros partidos do mesmo campo.

Sem dúvida, está na hora de um grande encontro entre os estudantes do campo do socialismo para superar desencontros do passado - hoje sem maior significado diante das mudanças havidas no panorama mundial e brasileiro - a fim de estabelecer uma estratégia comum de atuação na política estudantil. Não se pode aceitar que uma entidade da importância da UNE deixe de participar do esforço de resistir à reversão colonial e de reestabelecer o entusiasmo pela construção da nação brasileira - autônoma, próspera e justa -, sonho que animou tantas gerações de brasileiros no passado.

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COMENTÁRIO:

concordo com eles no espanto com a cooptação de jovens pela "realpolitik". Seja ela de esquerda ou não é triste que desde cedo aceitemos fazer política desse jeito. Como é triste ter uma UNE tão desvinculada do movimento estudantil, tão ausente das discussões, tão pelega. Um coisa explica a outra.

abraços, Caetano.



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Comentário de L.Nassif

O jornalista Luis Nassif faz um comentário sobre as doações dos Planos de Saúde numa linha diferente da publicada neste blog. Seguem abaixo as palavras dele publicadas ontem em seu blog (Blog do Nassif).

ps. O blog do Nassif trata de maneira muito pertinente o acidente áereo de ontem em São Paulo. Fora da mesmice de vamos acabar com o governo ou vamos defender o governo. Agora vou, abraços Caetano.

17/07/2007 18:02

Hipocrisia política
por Luis Nassif

A legislação eleitoral permite doações de entidades e empresas a partidos políticos ou a candidatos individuais. Esse tipo de doação legal está sendo utilizada como material de denúncia por parcelas da mídia. É o caso de empresas ligadas à saúde sendo “acusadas” de contribuições eleitorais a candidatos da bancada da saúde. Queriam o quê? Que doassem a representantes de bingos? As doações ilegítimas não aparecem nas declarações dos candidatos.

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17 de jul. de 2007

A quem interessar possa...


Coleta de assinaturas pelo "Fora Renan e Todos os Corruptos". O recolhimentos dos manifestos assinados vai até o dia 12/08 e culminará num grande ato no dia 14/08, em frente ao Congresso Nacional. Pra quem quiser basta clicar na imagem, imprimir, coletar assinaturas e até o dia 12/08 enviar para o endereço da liderança do PSOL na câmara que está no próprio abaixo assinado.

abraços, caetano.

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