5 de jul de 2009

Problemas do ensino superior segundo o professor Fausto Castilho

O professor Fausto Castilho, em "O conceito de Universidade no Projeto da Unicamp", livro-entrevista sob organização de Alexandre Guimarães Tadeu de Soares, ao detalhar a concepção brasileira de ensino superior nos séculos XVIII e XIX elenca seis aspectos:

1) Ensinismo: Essas escolas procuram reduzir suas atividades e todo o processo educativo ao ensino, em detrimento da pesquisa e da elaboração dos conhecimentos. Poderiam ser caracterizadas como instituições de ensino, isto é, escolas propriamente ditas, supondo-se que os cursos dispusessem de instalações escolares, o que nem sempre sucede. Frequentemente, os cursos utilizam locais que mal podem acomodar as turmas de alunos, em geral, mais numerosas do que se recomenda. A atividade de pesquisa, quando existe, subordina-se em geral ao ensino, o qual se realiza em aulas repetitivas, já que não decorre da pesquisa.

Quanto privadas, essas instituições procuram abreviar ao máximo o programa de aulas e sua carga horária. A remuneração e as outras despesas com os docentes constituem o principal item de custos desses cursos. O nível de remuneração dos docentes é fixado pelo jogo do mercado de corretagem de horas-aula.

2) Profissionismo: Os cursos, sempre de finalidade pragmática, seguem programas elaborados a partir de critérios utilitários. Seu conteúdo procura ater-se ao que parece indispensável ao estrito exercício do futuro profissional. Pragmatismo e utilitarismo conduzem ao especialismo: exigência de rigor numa forma de cultura em busca de um crescente acervo de informações sobre um conjunto de problemas de espectro cada vez mais restrito.

O especialismo facilita a adoção do curso rápido.

É o que provavelmente explica o secular esforço dos profissionais liberais brasileiros e, posteriormente, dos profissionais em geral, para impedir que a universidade pública assuma o seu conceito moderno.

3) Isolacionismo: Nada que conceitualmente mais se oponha à universidade moderna do que essas instituições de ensino superior. Uma universidade tem como horizonte o conjunto dos conhecimentos, ao passo que um estabelecimento de cursos profissionais fica confinado ao âmbito de um setor de conhecimentos bem delimitado. Daí sua condição de instituição isolada e a intransigente defesa que fazem do isolamento, ou melhor, do seu isolacionismo.

Para essa epécie de instituição, abandonar o programa de treinamento profissional por um programa de formação significa afastar-se da conexão com o mercado. Ora, o seu horizonte último finda no mercado. A série ensinismo, profissionismo, especialismo, isolacionismo compõem a justificativa da antiuniversidade.

4) Privatismo: Do momento em que o Estado perde para os mercados nascentes e em expansão a condição de referência pragmática - o que só viria a ocorrer no Brasil a partir do momento em que os mercados se formam e se ampliam -, é forçoso que os cursos profissionais reformulem seus programas e objetivos para poder se conformar com as novas linhas da demanda das empresas no mercado das ocupações.

Ora, uma escola que procura subordinar-se de todo às variações do volume e da especificidade do emprego nas empresas tende a transmutar-se ela mesma em empresa, a afim de melhor e mais prontamente se ajustar às oscilçações da curva de demanda.

É assim que, presentemente, a maioria das escolas isoladas privadas de ensino superior tem como principal objetivo conferir diploma que habilite seu portador a obter emprego numa empresa.

5) Autodidatismo: Pelo contato que têm ocasionalmente em seus currículos com algumas disciplinas propriamente teóricas - estudadas unicamente pela função instrumental que desenvolvem no processo de qualificação profissional -, ocorre em certos estudantes o interesse pelo seu estudo direto; mas dada a inexistência da universidade onde poderiam estuda-las, durante todo o tempo que precede sua criação no país alguns profissionais liberais passam a cultivá-las por conta própria. Donde a considerável extensão e importância que assume naquele período o fenômeno do autodidatismo.

6) Substituísmo: Esse autodidatismo é, como se vê, uma manifestação de cultura substitutiva que, no final das contas, é meramente compensatória pela imaturidade do aparelho educacional brasileiro. Dizem-no um fenômeno interiorano. Na verdade, é de ocorrência mais frequente entre os profissionais "ditos" liberais que, na falta do verdadeiro homem de "ciência", passam por ele. É o advogado a fazer as vezes de homem de letras; o médico que pretende ser biólogo; o engenheiro que se diz matemático ou físico etc.

Pode ser apenas uma impressão minha, possivelmente oriunda da frustração de coo a greve deste ano se desenrolou, mas aparemente tais aspectos não conseguiram ser superados e o Brasil ainda espera a criação de sua Universidade Moderna.

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10 de jun de 2009

Política da educação por repressão

Não é possível ficar calado diante do que aconteceu na USP. Ver a mídia fazer um relato baixo e completamente tendencioso, exaltando a poícia como mantenedora da ordem e dos direitos civis, principalmente o de "ir e vir", me irrita profundamente. Abaixo segue o relato do professor Pablo Ortellado e um video cuja autoria me é desconhecida.



Prezados colegas,

O que os senhores lerão abaixo é um relato em primeira pessoa de um docente que vivenciou os atos de violência que aconteram poucas horas atrás na cidade universitária (e que seguem, no momento em que lhes escrevo – acabo de escutar a explosão de uma bomba). Peço perdão pelo uso desta lista para esse propósito, mas tenho certeza que os senhores perceberão a gravidade do caso.

Hoje, as associações de funcionários, estudantes e professores haviam deliberado por uma manifestação em frente à reitoria. A manifestação, que eu presenciei, foi completamente pacífica. Depois, as organizações de funcionários e estudantes saíram em passeata para o portão 1 para repudiar a presença da polícia do campus. Embora a Adusp não tivesse aderido a essa manifestação, eu, individualmente, a acompanhei para presenciar os fatos que, a essa altura, já se anunciavam. Os estudantes e funcionários chegaram ao portão 1 e ficaram cara a cara com os policiais militares, na altura da avenida Alvarenga. Houve as palavras de ordem usuais dos sindicatos contra a presença da polícia e xingamentos mais ou menos espontâneos por parte dos manifestantes. Estimo cerca de 1200 pessoas nesta manifestação.

Nesta altura, saí da manifestação, porque se iniciava assembléia dos docentes da USP que seria realizada no prédio da História/ Geografia. No decorrer da assembléia, chegaram relatos que a tropa de choque havia agredido os estudantes e funcionários e que se iniciava um tumulto de grandes proporções. A assembléia foi suspensa e saímos para o estacionamento e descemos as escadas que dão para a avenida Luciano Gualberto para ver o que estava acontecendo. Quando chegamos na altura do gramado, havia uma multidão de centenas de pessoas, a maioria estudantes correndo e a tropa de choque avançando e lançando bombas de concusão (falsamente chamadas de “efeito moral” porque soltam estilhaços e machucam bastante) e de gás lacrimogêneo. A multidão subiu correndo até o prédio da História/ Geografia, onde a assembléia havia sido interrompida e começou a chover bombas no estacionamento e entrada do prédio (mais ou menos em frente à lanchonete e entrada das rampas). Sentimos um cheiro forte de gás lacrimogêneo e dezenas

de nossos colegas começaram a passar mal devido aos efeitos do gás – lembro da professora Graziela, do professor Thomás, do professor Alessandro Soares, do professor Cogiolla, do professor Jorge Machado e da professora Lizete todos com os olhos inchados e vermelhos e tontos pelo efeito do gás. A multidão de cerca de 400 ou 500 pessoas ficou acuada neste edifício cercada pela polícia e 4 helicópteros.

O clima era de pânico. Durante cerca de uma hora, pelo menos, se ouviu a explosão de bombas e o cheiro de gás invadia o prédio. Depois de uma tensão que parecia infinita, recebemos notícia que um pequeno grupo havia conseguido conversar com o chefe da tropa e persuadido de recuar. Neste momento, também, os estudantes no meio de um grande tumulto haviam conseguido fazer uma pequena assembléia de umas 200 pessoas (todas as outras dispersas e em pânico) e deliberado descer até o gramado (para fazer uma assembléia mais organizada). Neste momento, recebi notícia que meu colega Thomás Haddad havia descido até a reitoria para pedir bom senso ao chefe da tropa e foi recebido com gás de pimenta e passava muito mal. Ele estava na sede da Adusp se recuperando.

Durante a espera infinita no pátio da História, os relatos de agressões se multiplicavam. Escutei que a diretoria do Sintusp foi presa de maneira completamente arbitrária e vi vários estudantes que haviam sido espancados ou se machucado com as bombas de concusão (inclusive meu colega, professor Jorge Machado). Escutei relato de pelo menos três professores que tentaram mediar o conflito e foram agredidos. Na sede da Adusp, soube, por meio do relato de uma professora da TO que chegou cedo ao hospital que pelo menos dois estudantes e um funcionário haviam sido feridos. Dois colegas subiram lá agora há pouco (por volta das 7 e meia) e tiveram a entrada barrada – os seguranças não deixavam ninguém entrar e nenhum funcionário podia dar qualquer informação. Uma outra delegação de professores foi ao 93o DP para ver quantas pessoas haviam sido presas. A informação incompleta que recebo até agora é que dois funcionários do Sintusp foram presos – mas escutei relatos de primeira pessoa de que haveria mais presos.

A situação, agora, é de aparente tranquilidade. Há uma assembléia de professores que se reuniu novamente na História e estou indo para lá. A situação é gravíssima. Hoje me envergonho da nossa universidade ser dirigida por uma reitora que, alertada dos riscos (eu mesmo a alertei em reunião na última sexta-feira) , autorizou que essa barbárie acontecesse num campus universitário. Estou cercado de colegas que estão chocados com a omissão da reitora. Na minha opinião, se a comunidade acadêmica não se mobilizar diante desses fatos gravíssimos, que atentam contra o diálogo, o bom senso e a liberdade de pensamento e ação, não sei mais.

Por favor, se acharem necessário, reenviem esse relato a quem julgarem que é conveniente.

Cordialmente,

Prof. Dr. Pablo Ortellado

Escola de Artes, Ciências e Humanidades

Universidade de São Paulo


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22 de abr de 2008

IstoÉ Manipulação!

Imagem de protesto do MST e do MAB contra a privatização da Cesp trazia a inscrição “Fora Serra”, que sumiu da foto publicada pela revista.

07/04/2008

Marcelo Netto Rodrigues e
Renato Godoy de Toledo da "Brasil de Fato"

A revista IstoÉ desta semana mostra – para poucos – que a campanha eleitoral já começou e de que lado está. Para proteger o PSDB e o governador de São Paulo, José Serra, a publicação, contrariando todas as regras do jornalismo, apagou a inscrição “Fora Serra” de uma foto feita durante um protesto do MST e do MAB contra a privatização da Cesp.

Mais que isso, o resultado visual inverte o significado da imagem que traz uma placa de trânsito “Pare”, como se quem devessem parar fossem os movimentos, e não as privatizações.

A adulteração de uma foto – passível de processo pelo detentor de seus direitos autorais, no caso a Folha de São Paulo – é plenamente possível hoje em dia com o uso de um programa para tratamento de imagens, como o Photoshop por exemplo, mas é prática condenada no meio jornalístico. O fato escancara o poder de influência camuflada que os meios de comunicação de massa tem para atuar como o que vem sendo chamado de “Partido da Mídia” (PM).

A foto adulterada, de autoria do fotógrafo Cristiano Machado, ilustra a matéria “ O MST contra o desenvolvimento” e mostra integrantes de movimentos sociais bloqueando a rodovia Arlindo Bétio, que liga São Paulo a Mato Grosso do Sul e Paraná, em protesto contra a privatização da Cesp (Companhia Energética de São Paulo), no dia 24 de março (leia reportagem).

A legenda diz “A exemplo do que ocorreu em São Paulo, em protesto contra a privatização da Cesp, os sem-terra prometem parar estradas em todo o país nos próximos dias”.

A reportagem assinada por Octávio Costa e Sérgio Pardellas criminaliza os movimentos sociais sustentando que “os sem-terra ameaçam empresas e investimentos que geram empregos e qualidade de vida”, sem mencionar que a Aracruz Celulose, a Monsanto, a Cargill, a Bunge e a Vale – citadas pela matéria como exemplos de empresas prejudicadas – respondem a acusações de destruição do meio ambiente, desrespeito aos direitos de povos tradicionais, como quilombolas e indígenas, e exploração de trabalhadores. A matéria tenta desautorizar o MST como um ator político que vá além da luta pela reforma agrária. Diz que “desde 2006, o MST lidera ataques à globalização, ao neoliberalismo e às privatizações – algo que nada tem a ver com a sua luta original”.

Nada é por acaso

A editora Três, que publica a revista IstoÉ, é controlada pelo acionista majoritário do banco Opportunity, Daniel Dantas. O banqueiro tem ligações com fundos de pensões, além de uma participação ativa no processo de privatizações de estatais sobretudo durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Em 2007, Dantas superou a concorrência da Rede Record e comprou 51% das ações da editora Três, que estava à beira da falência.

O banqueiro tem uma trajetória de proximidade com outros partidos de direita como o DEM, sobretudo com o falecido político baiano Antonio Carlos Magalhães. Também foi sócio do publicitário tucano Nizan Guanaes. Por diversas vezes, foi alvo de investigações e respondeu a crimes como espionagem e formação de quadrilha. Quando estava à frente da Brasil Telecom, foi acusado de contratar a empresa Kroll para espionar a Telecom Italia.

Link original da notícia aqui.

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8 de abr de 2008

UFMG pela Unicamp

O Carnaval de 2005 me reservou uma série de surpresas. Segunda-Feira, antes da festa começar, saiu o resultado do vestibular da UFMG. Finalmente, após dois anos de cursinho, eu consegui entrar em um curso que realmente queria, numa universidade pública localizada em uma das cidades que mais gosto. Rolou um churrascão, enchi a cara, raspei cabelo e barba, posteriormente a perna, chorei. Foi muito bacana.

Terça de manhã peguei um onibus de Itatiba para Bragança e de lá para Cambuí, minha cidade natal em Minas, com muita felicidade e dois litros de whisk dos bons na mochila. Chegando lá, fui conhecer a casa que alugamos para passar o Carnaval, recebi os cumprimentos de várias pessoas, muita alegria, muita felicidade. Papo foi, papo veio e em 6 enxugamos o Grant´s e o Red. A caixa de cerveja também.

A pingaiada proseguiu pela semana toda. Sairam também os resultados da Casper Líbero e da Unesp, todos comemorados com mais alguns litros de álcool no sangue, mas o ponto culminante foi na Sexta, com o resultado a Unicamp. Cana, pedágio, quase briga e cigarros regaram o dia. Roupas femininas, maquiagem, meia arrastão e mais cana regaram a noite. Dai pra frente foi um Carnaval muito feliz...

Mas em meio a tantos resultados eu tive de fazer uma escolha. Na UFMG existem turmas de primeiro e segundo semestre, ou seja, todos os semestres possuem recepção de calouros. Eu havia passado em 89º lugar de 90 alunos de Comunicação Social, o que me colocava como o penultimo chamado da segunda turma. Na Unicamp não existe isso. As turmas são anuais. Diante da possibilidade de ficar meio ano parado optei, mesmo não sendo minha primeira opção, por Midialogia na Unicamp.

Nunca fui muito seguro quanto a essa escolha. Vez ou outra me pego pensando se seria melhor ter esperado e aproveitado o semestre livre para fazer uma viagem, ou coisa do tipo, e estudar na UFMG. Seriam os professores melhores, assim como o curso? Na minha cabeça sim. Além disso a universidade teria mais recursos e a vida seria mais simples. Certamente tudo isso foi resultado do trote, uma perfeita integração de álcool, amigos e felicidade que a UFMG iniciou. Ontem a noite, entretanto, o Caetano me contou do rolo dos estudantes com a PM-MG e a reitoria e essa merda toda que aconteceu lá dia 03 de Abril. Meu refúgio acadêmico perfeito explodiu...


Douglas

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Mais uma

a reitoria da UFMG foi ocupada na tarde de ontem  em decorrência dos atos de violência policial occoridos no dia 3 de abril. Ainda não encontrei nenhuma grande fonte de inforamções sobre a ocupação de maneira que não sei a pauta do movimento, como estão as cosias lá, como foi a ocupação e tudo o mais. 
 
estudantes em assembléia já dentro da reitoria

atualizando:  é esse aqui o blog da ocupação da ufmg e abaixo a pauta da ocupação:

Pauta

1.Audiência pública com a reitoria já! Temos direito a uma explicação.
Atendida.

2.Direito a realizar todo tipo de atividade política e cultural dentro do campus, nada deve ser censurado dentro de uma universidade.
Foi assumido um compromisso verbal.

3.Pela suspensão de todos os processos administrativos contra os estudantes que se manifestam em luta e não punir essa ocupação. Chega de punições.
Não atendida.

4.Retratação pública da Reitoria.
Não atendida.

5.Fim da parceria PM e UFMG. Segurança não é repressão e abuso de autoridade!
Não atendida.

6.Pela abertura de um inquérito administrativo para apurar e punir os responsáveis pela entrada da PM no campus, com comissão paritária a ser composta por funcionários, professores e estudantes, sendo esses últimos eleitos em assembléia.
Não atendida.

7.Queremos que a universidade faça uma denúncia na corregedoria da polícia. Vamos lutar pela punição de todos os excessos e agressões cometidas pela Polícia Militar
Não atendida.

8.Que todos os diretores de unidades se manifestem.
Não atendida.

9.Chega de ficar em cima do muro. queremos um posicionamento da reitoria também sobre outras agressões que estão acontecendo no campus como o trote documentado dos calouros de Engenharia que ofende toda a comunidade GLBTT.
Não atendida.


e alguns links para matérias recentes sobre aocupação da ufmg: g1, uai, último segundo e cmi.

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JOsias de Souza comenta a ocupação da unb

'Mestres' da UnB ensinam a alunos o que não fazer

Jamir Bittar/Reuters

O reitor é uma beca reitoral, é uma samarra, é um capelo, é o poder institucional da academia. Mas o reitor não pode ser apenas uma pose. É preciso que, sob as vestes e os paramentos, exista uma noção qualquer de ética, de honra.

Timothy Mulholland, o reitor da UnB, perdeu a aura de magnificência. Deu-se no instante em que aceitou que verbas públicas destinadas à pesquisa universitária fossem desviadas para pagar a requintada decoração do apartamento funcional que lhe servia de morada.

 

O episódio, por acintoso, ganhou o noticiário. Em 20 de fevereiro de 2008, reunidos em assembléia, os professores da Universidade de Brasília foram apresentados a uma solução. Preferiram, porém, virar parte do problema. Por ampla maioria, mandou-se ao lixo a proposta de afastamento do reitor.

 

Restou demonstrado que, assim como em outras corporações, também no meio acadêmico todos são inocentes e todos são cúmplices. Por sorte, os alunos da UnB extraíram do gesto de seus mestres a melhor lição. Aprenderam o que não deve ser feito. E fizeram o oposto.

 

Num gesto de legítima defesa, a estudantada ocupou o prédio da reitoria. A coisa começou com 200 alunos. Nesta segunda-feira (7), o movimento já contava com a adesão de 1.300. Acossados por uma decisão judicial que determina a desocupação das instalações invadidas, os universitários optaram por manter o protesto.

 

Querem o escalpo do reitor. Em defesa da noção de honra que deveria existir sob a pose, foram ao confronto físico com os agentes de segurança da universidade. E aguardam pela ação da PolíciaFederal.

 

Há na estante muita teoria sobre a razão. Renan (1823-1892) escreveu que “a finalidade do mundo é produzir a razão.” Com ironia, La Fontaine (1621-1695) ensinou numa de suas fábulas que “a razão do mais forte é sempre a melhor.” Noutra, anotou que “a razão do melhor é sempre a mais forte.”

 

Na refrega da UnB, não parece razoável que prevaleça a lógica segundo a qual têm razão aqueles que estão com os cassetetes ou com o caixa das verbas universitárias. Que lição dará o Estado às suas inteligências juvenis se permitir que a desonra prevaleça sobre a reação?

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