27 de nov de 2007

Pensamentos breves.

Começa hoje uma conferência na cidade norte americana de Annapolis focada em estabelecer metas para a paz no Oriente Médio. 50 países participam da conferência no que parece mais ser uma panhado de gente na tentativa de viabilizar politicamente as reuniões visto que até alguns dias atrás não se sabia nem direito quais nações estariam representadas no encontro. Bush, Olmert e Abbas estarão lá.



Possibilidade de paz?

Spinoza que além de possuir um belo corte de cabelo (como podem notar na imagem ao lado) era muito sábio certamente teria receio ao pensar em direito internacional notando que nesses casos o válido é o direito do mais forte; os Estados comportam-se então como na natureza onde a única regra é a do "peixe maior comer o peixe menor".
Sendo assim, seria ridículo cogitar que tal reunião chegará a algum ponto traduzido em bem comum.

Para ilustrar a situação transcrevo trecho do diálogo entre Atenienses e Mélios relatado por Tucidedes em História da Guerra do Peloponeso. Atenas havia cercado a cidade de Melos e imensamente mais poderosa belicamente oferece um tratado de rendição aos mélios que negam sentindo-se humilhados:

Mélios: Nós também - não duvideis - achamos difícil lutar contra a vossa força e contra a sorte (salvo se ela for imparcial); apesar disto confiamos, com vistas à sorte, em que graças ao favor divino não estaremos em desvantagem, pois somos homens pios enfrentando homens injustos; (...)
Atenienses: (...) Dos deuses nós supomos e dos homens sabemos que, por uma imposição de sua própria natureza, sempre que podem eles mandam. Em nosso caso, portanto, não impusemos esta lei nem fomos os primeiros a aplicar os seus preceitos; encontramo-la vigente e ela vigorará para sempre depois de nós; pomo-la em prática, então convencidos de que vós e os outros, se detentores da mesma força nossa, agiríeis da mesma forma. Logo, no tocante ao favor divino é compreensível que não receemos estar em desvantagem. ) (...)

Os mélios insistem que seus aliados, os lacedômios, virão ajudá-los seja por honra, seja por afinidade étnica. Insistência que os atenienses replicam com: Não percebeis, então, que o interesse próprio anda lado a lado com a segurança, enquanto é perigoso cultivar a justiça e a honra?

A conclusão do conflito: (...) os mélios, agora cercados mais vigorosamente e às voltas com traições havidas entre eles, capitularam diante dos atenienses, deixando a sua sorte à discrição deles; os atenienses mataram todos os mélios em idade militar que capturaram, e reduziram as crianças e mulheres à escravidão; eles mesmos se estabeleceram em melos e mandaram vir de Atenas quinhentos colonos.

Mais Spinoza
aqui o diálogo de melos completo (inglês)
cae


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O nada e o 15 de novembro (post resposta)

comentando o post anterior do douglas.

O que mais acho esquisito é que ficam as análises comportamentais dessas figuras e não os aspectos políticos. Ah, D.PEdro II tinha a modernidade em si e tal, ok mas falar que ele é o melhor exemplo para transmitir os valores republicanos é questionável. Estou fazendo essas valorações mas em nenhum momentou entrou-se a fundo nas suas decisões políticas mesmo, no que elas representaram e geraram, sei lá pô, vamos falar da Guerra do Parguai já que falamos do imperador.
Sei lá, valores republicanos... porque não pensar na inconfidência mineira, nas revoluções libertárias de pernambuco e tantas outras?

Estou longe de ser um historiador, mas tenho a impressão que ao produzir heróis - ou mesmo seus inversos - sempre corremos o risco de reduzir muita coisa.

há mais para se dizer, mas fico por aqui.
cae

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25 de nov de 2007

Reforma universitária para quê?

Esse é exatamente o título de um post da Diplô Brasil que saiu no dia 21 de Novembro. No post, estão linkados dois artigos publicados pelo site em que dois pontos de vista são lançados sobre a questão da reforma universitária brasileira. O objetivo é abrir espaço para essa polêmica tão importante, e os dois artigos são escritos por pessoas bastante ligadas aos movimentos estudantis.

Ficam aqui os links para leitura, assim como a descrição que vem junta no post da Diplô. Em breve, um comentário mais elaborado sobre essa polêmica.

Ocupar a Universidade
O movimento de ocupações que emergiu nas instituições federais reivindica um legado que nunca deveria ter sido esquecido. Autonomia, democracia e liberdade são conceitos que ajudam na consciência de massas no Brasil, e fazem valer o princípio de universalidade do conhecimento (Por Vinicius Almeida, Allan Mesentier e Daniel Nunes)

A democratização inadiável
Lutar contra a reforma universitária e o REUNI é legítimo numa democracia. Mas que fique claro: trata-se de uma luta de poucos contra muitos, de incluídos contra excluídos, do status quo contra a transformação, do fetiche disciplinar contra a transcidiplinariedade. Enfim, da direita contra a esquerda (Por Bruno Cava)

Opine!
Enric "Grama" Llagostera

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