1 de set de 2007

Retrospectiva 68 - Parte 1

A partir de hoje começarei uma retrospectiva dos últimos meses de vida do Meiaoito, personagem criado por Angeli e que aparentemente morreu no dia 20 de Julho. Sempre acompanhado de Nanico, que aparentemente possuía sentimentos por ele, Meiaoito era, simplificando, uma caricatura da esquerda pós-regime militar. Perseguido pela direita, pelo esquerda e pelas sombras de seu passado, Meiaoito vivia uma forte crise existencial. Morreu atropelado por um caminhão da Coca-Cola prestes a finalmente conseguir realizar sua tão sonhada revolução.

Serão 12 posts diários. O último post será acompanhado de um breve obituário do último sobrevivente dos Anos de Chumbo. As tiras abaixo foram publicadas nos dias 14 (as duas primeiras), 15, 16 e 17, respectivamente, no jornal Folha de São Paulo. Clique na imagem para vê-la ampliada.

Douglas

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31 de ago de 2007

A reestatização da Vale.

Do dia 1 ao dia 7 de setembro aconteccerá um plebiscito, organizado por uma série de movimentos sociais, onde entrará em questão a reestatização da Vale do Rio Doce. O blog do Alon faz uma análise interessante da empresa citando até uma matéria Wall Street Journal em que são destacadas as virtudes da estatal Petrobras, e rebatendo dois argumentos contrários à reestatização:
"Dois são os argumentos contra essa tese: 1) haveria quebra de contrato, o que geraria insegurança jurídica e 2) a Vale só se valorizou tanto porque foi privatizada. O primeiro argumento não me desce bem. Talvez eu tenha passado muito tempo trabalhando na iniciativa privada e convivido muito com empresários. Não conheço empresário que aceite levar até o fim um contrato que passou a ser um péssimo negócio. "Segurança jurídica" é um conceito que os empresários gostam de ver saindo do teclado de seus escribas, mas que deixam de lado na primeira ameaça a suas empresas. O segundo argumento tomou um tiro na asa com essa reportagem de hoje do WSJ"
De certa forma todo processo de privatizações iniciado por Collor e intensificado por FHC entra em questão nisso, sendo óbvio que é um plebiscito político (ao contrário do Cansei não considero o termo político negativo). Recorro aqui a um trecho de um artigo da Carta Maior de 17/02/2006:
"A mais visível delas (irregularidades na privatização da Vale) consiste na atuação da empresa Merrill Lynch, responsável pela sub-avaliação da Vale, como acionista, na época, do grupo Anglo American, concorrente direta da própria CVRD. A Merrill Lynch teria repassado informações estratégicas aos compradores meses antes da venda. Além disso, ela teria infringido a legislação pelo fato do grupo Anglo American ter participado do processo e venda através da empresa Projeta Consultoria Financeira S/C LTDA, caracterizando ilegal vínculo entre a organização autora do projeto e um dos licitantes. O processo teria sido marcado por outras irregularidades, como a participação como consultor do Banco Bradesco, que mais tarde viria a se tornar um dos acionistas da companhia. “Foram internacionalizados, de acordo com o TCU, 26 milhões de hectares. No entanto, o Código Penal Militar proíbe a internacionalização de áreas maiores do que dois mil hectares sem passar pelo congresso, o que não aconteceu”, pontua o pesquisador Bautista Vidal."
O questionamento obviamente não é recente e o problema está bem além do que o conflito entre ideologias políticas. Os organizadores do plebiscito afirmam que:
" atualmente existem mais de 100 ações populares contra o leilão que, em 97, retirou das mãos do Estado o controle acionário da Companhia Vale do Rio Doce. Em outubro de 2005, o Tribunal Regional Federal de Brasília julgou que 69 dessas ações não seguiriam arquivadas em Belém (PA), onde não foram devidamente apreciadas."
O jurista Fabio Konder vai além, afirma que os responsáveis pela privatização da Vale em 1997 "deveriam fazer companhia aos denunciados pelo Superior Tribunal Federal por formação de quadrilha" uma vez que venderam "por R$ 3,3 bilhões, uma empresa que tinha R$ 92 bilhões de patrimônio."
Minha posição é favorável ao plebiscito, sou contrário à privatização da Vale. Se tudo tivesse sido feito na lisura, paciência teria sido uma perda política minha e teria que lidar com ela Acontece que aparentemente o negócio não foi muito lícito e dessa forma deve ir para a justiça, com ambas as partes tendo direito a buscar provas. Sendo confirmada, pela justiça, irregularidades no leilão ele deve ser anulado, não é mais nem uma questão de "privatistas" e "estatizantes" e sim de respeito às normas republicanas.
Abraços, Caetano.

obs: aqui um artigo de Mauto Santayanna, também na Carta Maior, que não foi citado mas serve para enriquecer o debate.

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Feridas abertas da ditadura

O jeito como a Brasil lida com seu passado é interessantíssimo, não rompendo com nada nossa história aparenta ser somente uma transferência de poder entre oligarquias. Não rompemos sequer com o império, não conquistamos a independência e o fato de alguns se mostrarem escandalisados com o lançamento, por parte do governo, do livro "Direito à Memória e à Verdade", que evidencia torturas e mortes causadas pelos militares, mostra que nem com a ditadura militar parece haver uma vontade de ruptura. A nossa democratização foi ridícula de modo que se contentou com um acordo de cúpula entre políticos à reivindicação popular por Diretas; seria muita radicalização a democracia direta vir diretamente povo? Mais do que uma ruptura, uma negação daquele modelo proposto pelos militares, era necessário a certeza de que seria apenas uma transferência (mais simbólica, do que real) de poderes. Brincamos de democracia.

Retomando. A negação a esse documento do governo e à abertura total dos documentos da ditadura militar é negar a memória. Querer relativizar os crimes cometidos pelo Estado brasileiro durante a ditadura é não estar disposto a se deparar com a história; é afirmar que aquilo já passou, que não vale a pena ser lembrado quando na verdade deve ser lembrado constantemente para ser rechaçado, criticado e condenado. Qual a possibilidade de construção de uma nação com um povo sem memória? Em um Estado que não escolhe qual modelo seguir (escolher é diferenciar, distinguir, falar "isso não quero, isso condeno") ? Ou dizemos que a ditadura foi um dos piores momentos da história brasileira - segundo Mino Carta, o pior momento ao lado da escravidão - e lidamos com a real dimensão desse fato ou seremos eternamente coniventes com ela.

Seguem links da repercussão do lançamento de "Direito à Memória e a Verdade" na imprensa gringa.
Huffington Post.
El Pais.
BBC.
Al Jazeera

Abraços, Caetano.

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Ingenuidade perigosa


Depois da entrevista de Alberto Carlos Almeida, autor do livro "A cabeça do brasileiro", no programa Roda Viva (27/08/07), foi difícil acalmar a cabeça o suficiente para conseguir dormir, tamanha a inquietação que aquilo me causou. O sociólogo apresentou, ao meu ver, um festival de afirmações reacionárias, contraditórias e que são, na maior parte, resultado de raciocínios ilógicos e distanciados da realidade. E os entrevistadores, sem exceção, não conseguiram expor as contradições do entrevistado, apesar de alguns terem mostrado claramente que as perceberam.

Não quero com esse texto comentar apenas a entrevista ou as afirmações do entrevistado. A repercussão do programa no blog de Reinaldo Azevedo me interessou também e penso que comentá-la serve como porta de entrada para criticar o que encontro de errado nas posições de ambos.

No blog do colunista da revista Veja, encontrei um post sobre a entrevista e depois mais outro.
"Com base em dados empíricos, colhidos numa pesquisa, ele [Alberto Carlos] descobriu que a educação torna, na média, as pessoas menos tolerantes com os desmandos e mais tolerantes com a diferença; menos tolerantes com as incompetências do estado e do governo; mais tolerantes com a individualidade — sua e alheia."
Dessa maneira o colunista resume as teses do livro de Alberto, apoiado no resumo feito pela revista Veja, comentado pelo Douglas em outro post do Parou Parou. A meu ver, existem muitas posições políticas entremeadas nesse resumo que, pelo que vi na entrevista, estão realmente presentes no discurso do sociólogo. Quanto ao resumo em si, um ponto específico dele a atentar é a marca de autoridade que confere ao 'colhido numa pesquisa', que exclui completamente os questionamentos sobre os objetivos da mesma ou os métodos utilizados. Sabe-se que em pesquisas de cunho estatístico seus resultados só podem ser interpretados corretamente se esses elementos são evidenciados e coerentes. Sobre esse assunto, ver post sobre a pesquisa da Folha, também do Douglas.

É realmente interessante notar como Reinaldo associa, em seu post, ética e tolerância com ética relativa à corrupção no Estado e tolerância à individualidade, para só então chamar esses valores de democráticos e dizer que a elite escolarizada os têm em maior conta. Claro que ética e tolerância são valores democráticos, isso é algo óbvio, e que uma escolarização de qualidade, crítica, pode estimulá-los, mas dizer que a elite brasileira tem esses valores porque é mais escolarizada é um silogismo que não se verifica na realidade. Escolarização sem criticidade só gera ingênuos mais esclarecidos, passíveis de conceber a realidade nacional através de esquemas descolados da realidade objetiva da sociedade, esquemas alienados da realidade objetiva e de seu obrigatório condicionamento histórico e social. Para mais informações, ler Álvaro Vieira Pinto! Vide o longo histórico de políticos da elite, escolarizados, corruptos ou intolerantes. A desculpa dada no Roda Viva por Alberto Carlos Almeida de que seu estudo representa uma média, dentro da qual existem extremos e que esses extremos englobariam desvios como esses casos de corrupção ou violência intolerante da elite, é claramente parcial e forçado. Por que essa mesma lógica do desvio estatístico não pode ser aplicada aos extremos que ocorrem na não-elite, no povo?

Azevedo parte então para uma crítica da atuação do professor da USP Franciso Alambert no Roda Viva, na minha opinião um tanto quanto infeliz, pois não conseguiu apontar de maneira articulada suas objeções ao entrevistado. Após tomar algumas medidas retóricas para desqualificar qualquer crítica vinda de Alambert, o colunista-blogueiro afirma o seguinte:
"Ah, acontece que a pesquisa mexe com duas taras das nossas esquerdas: 1) as elites (palavra que nem está no livro) brasileiras são especialmente malvadas, perversas mesmo; 2) o povo é dono de um saber que vai se formando na luta: o saber do oprimido."
Eu me considero de esquerda, sou brasileiro e não tenho nenhuma tara por nenhum desses dois pontos. Primeiro, porque para para mim a elite não é especialmente malvada ou perversa, pois esses não são os termos para definir o que considero negativo em sua natureza. Ao defender essa elite brasileira como vanguarda moderna, esclarecida, passamos a acreditar em uma aristocracia esclarecida que deve guiar o país ao seu futuro de glória e harmonia, sendo que na verdade essa elite é fruto de uma história de dominação e exploração que não pode ser ignorada. Supor que todos podem se aproximar da elite (a tese de que escolarização para todos transformaria o Brasil em uma Suécia em 2025) ignora o ponto essencial da existência dela: a exploração da capacidade produtiva dos que não a compõem. A elite é, por definição, restrita e minoria. A elite brasileira, ao acreditar em um progresso significativo da sociedade sem rupturas e que, sem a retirada de qualquer privilégio, aproxima o outro de suas condições de vida é possível, demonstra sua ingenuidade e a total ignorância da realidade obejtiva do funcionamento da sociedade. Não é apenas por valores morais que uma sociedade se transforma: isso é uma visão idealista e, repito, ingênua.

Em um segundo momento, Reinaldo Azevedo ataca uma visão que ele descontextualiza e estupidifica. A tese de que o povo tem um saber formado pela vivência, saber esse inacessível para a elite, que não o compreende e o ignora, dando a seus detentores a pecha de ignorantes, está longe de ser uma 'tara de esquerda'. Azevedo simplesmente omite o fato de o ser humano ser essencialmente histórico e que a história não existe apenas nos livros de escola. O ser humano consciente de seu entorno e, por extensão, crítico, existe independente de sua escolaridade ou classe social. Criticidade é ter consciência da realidade e de seu próprio condicionamento ao apreender essa realidade objetiva. A história e o saber acumulado pelo viver a história acrescentam ao homem, isso é inegável e é uma das teses de um dos maiores intelectuais brasileiros, Paulo Freire. Não é colocar o 'povo' em um pedestal; esse é um saber como os outros, que não pode ser ignorado ou idealizado e, sim, criticado em suas limitações e possibilidades.

Um outro ponto que me inquietou é como o progresso nacional é concebido por ambos, Azevedo e Alberto Carlos Almeida, como a aplicação exata dos preceitos do neoliberalismo. Para eles, estatizante é necessariamente sinônimo de arcaico e liberal, de democrático e tolerante, sem que quaisquer outras alternativas possam ser consideradas. Parece que no plano da realidade econômica nacional o nosso progresso é mantermos tudo privado e, em nossa plataforma humana, sermos morais e tolerantes. Fica a pergunta se esses são realmente os critérios para definir uma sociedade melhor.

Penso que esse discurso todo apenas serve a uma coisa: autorizar a elite a seguir julgando como bem entender o futuro da nação, pois a participação do povo ignorante só poderia fazer destruir os altos valores morais da modernidade.

Opine!
Enric "Grama"

ps. Depois escrevo sobre o que foi dito sobre escravidão nesse programa. Assustador.

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29 de ago de 2007

Quem está pagando?

A associação comercial de são paulo desenvolveu o Impostômetro, um instrumento que calcula, de diversas maneiras, quanto está sendo arrecadado de impostos no Brasil. É um instrumento interessante e que pode servir a diversos propósitos; considero positivo o uso dele para tomarmos conhecimento do quanto se paga de impostos nesse país e exigirmos serviços públicos decentes.
Abraços, cae

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Prioridades: os gasto com juros da dívida pública e os gastos com educação

O uol divulgou hoje dados de que entre janeiro e julho de 2007 a União economizou R$ 79,578 bilhões para o pagamento de juros da dívida, o famigerado superavit primário. Para se ter uma idéia esse número corresponde a 5,58% do PIB. É um dinheiro que ninguém vê, não vira escola, hospital, estrada, porra nenhuma... Comparando com alguns gastos "sociais" do governo, e que deveriam ser prioritários, o drama aumenta. Na educação, por exemplo, a União investiu em 2006 R$31,5 bilhões que na época equivaliam a 1,63% do PIB.

Fica evidente quais são as prioridades desse governo e de onde poderiam surgir os recursos para investimentos no país. Enquanto não lidarmos diretamente com essa situação, de que essa dívida é impagável - os dados mostrados aqui exibem apenas os gastos com os juros da dívida - a possibilidade de construção de uma nação será nula; estaremos sempre com essa postura colonial e mentalidade de dominados

Abraços, Cae.

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Índice das análises da semana!

De acordo com essa nova fase do Parou Parou, aqui está um post que agrupa as análises das revistas CartaCapital e Veja e da edição de domingo da Folha de S. Paulo.

Análise da semana: Veja, por Caetano

Métodos e Técnicas de Pesquisa, por Douglas

Review da semana: CartaCapital, por Enric "Grama"

Toda terça-feira você encontra aqui esse post-índice das análises da semana!

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28 de ago de 2007

Análise da Semana: Revista Veja

De início meu pedido de desculpas, ficaria eu responsável por analisar a edição dessa semana da revista Veja. Entretanto por não contar com R$8,90 decidi, ao invés de adquiri-la no fim de semana, ler o bendito exemplar em alguma biblioteca da UNICAMP. Entretanto notei ser impossível achar o tal nas bibliotecas da universidade, edições antigas são fáceis de encontrar mas as novas são impossiveis, o que fez com que eu me contentasse com a edição do dia 22 de agosto, cuja capa está ao lado. Comento então o editorial da edição, que segue copiado abaixo e, em seguida, minhas palavras:

Editorial Veja ed. 33 ano 40

Quando se empurram as cortinas ideológicas à esquerda e à direita e se esquecem as disputas partidárias sobre de quem é o mérito, se de Lula ou de FHC, o cenário aparece com clareza. E o que ele mostra? Mostra que o Brasil que atravessa a presente crise externa nos mercados financeiros é um país bem mais saudável em comparação com aquele que quase soçobrou sob as ondas de choque de turbulências passadas. Como lembrou há duas semanas Roberto Civita, presidente da Editora Abril, na cerimônia de premiação da 34 edição de Melhores e Maiores da revista Exame: “ Temos uma política econômica consistente e responsável. Uma taxa de inflação que permanece domada há mais de uma década. Exportações que batem sucessivos recordes. Investidores estrangeiros cada vez mais dispostos a colocar seus recursos aqui. Uma bolsa de valores que, apesar dos eventuais solavancos do mercado internacional, mostra um vigor inédito. Temos uma mercado de consumo potencial invejável, recursos naturais em abundância e uma elite empresarial que se supera em competitividade dia após dia”
Pelas razões acima e pela própria natureza da economia de mercado, não há motivo para pânico. As crises do capitalismo trazem em si o germe da própria recuperação. Ela derrubam o preço das ações, dos produtos e das matérias-primas até o ponto em que comprá-los se torna atraente de novo e o ciclo recomeça em sentido positivo. Para aproveitar em sua plenitude tanto os períodos de prosperidade quanto as oportunidades criadas pelas oscilações globais – e não apenas sobreviver a elas -, o Brasil precisa fazer rapidamente as reformas trabalhistas, tributária e previdenciária. Os bons fundamentos da economia ajudam agora o Brasil a se manter à tona na atual crise global de liquidez que está se degenerando em crise financeira e pode virar crise econômica. Mas eles não são suficientes. Só as reformas óbvias podem blindar a prosperidade nacional contra intempéries mais fortes.


---Comentário----------------------------------------------------------------------------------
Não sou um especialista em economia - bem longe disso aliás - então não cabe a mim buscar explicações para essa crise de liquidez, suas causa, consequências, etc. Comento aqui apenas a postura da Veja, em seu editorial, de que não há mais história, não há ideologias em jogo, ou seja teríamos chegado num ponto em que seguindo algumas regras elaboradas por um grupo de economistas, especialistas em matemática financeira e congêneres viveríamos em paz e tranquilidade. Tal visão promete um paraíso onde os distúrbios não existiriam, seriam apenas uma forma de auto-regulação desse próprio sistema de regras. Que o capitalismo se desenvolve por crises cíclicas é sabido, entretanto, do modo como é posto, as crises são apenas uma forma de se ajustar preços, etc, não causando dano mais graves. Nada mais falso, vale lembrar um dos produtos da crise de 29 (aquela lá, célebre): o nazismo.

Dentro dessa visão financeirista do mundo tudo deve se ajustar de forma a preservar os maiores lucros da "elite empresarial que se supera em competitividade dia após dia", aqueles que sabem aproveitar "as oportunidades criadas pelas oscilações globais". Nada contra o lucro, nada mesmo, é a forma de manter investimentos, empregos, desenvolvimento, etc. Tudo contra quando esse lucro fere direitos inalienáveis dos seres humanos. Passe-se a viver para o trabalho, consumindo no fim de semana o que se ganha de segunda a sexta. Modo de vida esse que só agrada aos oportunistas das oscilações globais, especuladores com interesses em tornar a vida um mero espetáculo de perde-ganha; são os mesmos caras que geram a crise onde "as oportunidades criadas" (2) compensam a pobreza gerada.

Concordo que várias reformas devam ser feitas no nosso país afim de que consolidemos ao menos uma república decente, entretanto não concordo com os propósitos que a Veja defende serem seguidos por essas reformas.

Abraços, Caetano.

Dados:

Edição n. 2021 ano 40 n 33
22/08/2007
132 página
51 páginas de propaganda mais 2 anúncios de 1/2 página e 4 de 1/3 de página.
Dessas 51 páginas 2 foram preenchidas com anúncio estatal.

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STF e os 40 réus

O Supremo Tribunal Federal aceitou as denúncias contra os 40 acusados do esquema de corrupção dentro de governo Lula. O ministro Marco Aurelio Mello afirmou que o julgamento deverá levar dois anos e meio.
Será que estamos, definitivamente, combatendo a corrupção ou só fazendo jogo de cena? Espero que a primeira opção, principalmente para analisarmos qual a real origem desse esquema monstro de corrupção
abraços, cae.
Aqui a lista dos nomes dos réus e os crimes pelos quais os acusados responderão ação penal:

José Dirceu (ex-ministro da Casa Civil) - corrupção ativa e formação de quadrilha
José Genoino (ex-presidente do PT) - corrupção ativa e formação de quadrilha
Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) - corrupção ativa e formação de quadrilha
Silvio Pereira (ex-secretário geral do PT) - formação de quadrilha
Duda Mendonça (publicitário) - lavagem de dinheiro e evasão de divisas
Zilmar Fernandes (sócia de Duda Mendonça) - lavagem de dinheiro e evasão de divisas
José Borba (ex-deputado federal pelo PMDB-PR) - corrupção passiva
Roberto Jefferson (ex-deputado federal pelo PTB-RJ) - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Romeu Queiroz (ex-deputado federal pelo PTB-MG) - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Emerson Palmieri (ex-tesoureiro do PTB) - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
José Janene (ex-deputado federal, PP-PR) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Pedro Henry (deputado federal, PP-MT) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Pedro Corrêa (ex-deputado federal, PP-PE) - corrupção corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
João Cláudio Genu (ex-assessor do PP) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Enivaldo Quadrado (empresário) - formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
Carlos Alberto Quaglia (empresário) - formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
Valdemar Costa Neto (deputado federal pelo PR-SP) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Jacinto Lamas (ex-tesoureiro do PL) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Bispo Rodrigues (ex-deputado federal do PL-RJ) - corrupção passiva e lavagem de dinheiro
Antônio Lamas (ex-tesoureiro do PL) - lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Breno Fischberg (empresário) - formação de quadrilha e lavagem de dinheiro
Marcos Valério (publicitário) - corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas
João Paulo Cunha (deputado federal pelo PT-SP) - corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato
Luiz Gushiken (ex-ministro) - peculato
Paulo Rocha (deputado federal PT-PA) - lavagem de dinheiro
Anita Leocádia (assessora parlamentar) - lavagem de dinheiro
João Magno (ex-deputado federal PT-MG) - lavagem de dinheiro
Professor Luizinho (ex-deputado federal PT-SP) - lavagem de dinheiro
Anderson Adauto (ex-ministro dos Transportes) - lavagem de dinheiro e corrupção ativa
José Luiz Alves (ex-assessor de Anderson Adauto) - lavagem de dinheiro
Simone Vasconcelos (ex-diretora da SMPB) - lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas
Geiza Dias (ex-auxiliar da diretoria das empresas de Valério) - lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas
Rogério Tolentino (advogado) - lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Cristiano Paz (publicitário) - corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas
Ramon Hollerbach (publicitário) - corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e evasão de divisas
Kátia Rabello (ex-presidente do B. Rural) - gestão fraudulenta de instituição financeira, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas
José Roberto Salgado (ex-vice-presidente do B. Rural) - gestão fraudulenta de instituição financeira, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas
Ayanna Tenório - (ex-vice-presidente do B. Rural) - gestão fraudulenta de instituição financeira, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha
Vinícius Samarane (ex-diretor do B. Rural) - gestão fraudulenta de instituição financeira, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e evasão de divisas
Henrique Pizzolato (ex-diretor do BB) - peculato (2x), corrupção passiva e lavagem de dinheiro

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Review da semana: CartaCapital

CartaCapital,
edição nº459, 29 de agosto de 2007 - Ano XIII
tiragem: 73.900 exemplares
66 páginas, 5 páginas de anúncios (um anúncio de duas páginas da Petrobrás, 3 páginas de anúncios privados)

Capa: A rebelião da elite: De juízes a socialites, dos donos da mídia a seus sabujos, contribuições notávies para um festival de besteiras que envergonha o País

***

Nessa edição de CartaCapital, o tema principal foi o movimento Cansei. Desde a capa até as matérias que falavam sobre a situação do STF, passando, claro, pelo editorial de Mino Carta, a revolta da elite brasileira deu o tom dessa edição da revista, inclusive servindo de tema para a coluna de Sócrates, normalmente reservada apenas aos assuntos relativos à política do esporte.

Estratégia

A abordagem da revista é explicitamente direcionada e consciente de sua posição ideológica. O ataque à visão elitista do Cansei em relação à sociedade brasileira é construído apontando-se as repetidas incoerências, confusões e afirmações preconceituosas dos membros desse grupo, com um esmero na construção de diversos personagens e vozes dentro do texto. Assim, o Cansei é apresentado, em um panorama bastante vivo, como um grupo heterogêneo em sua composição, mas que não foge de suas contradições e erros fundantes. Em nenhum momento é censurada a fala desse movimento, mas é sempre questionada e atacada, sem o uso de recursos baixos.

Alguns pontos altos relativos às matérias diretamente relacionadas com o Cansei: o box com uma entrevista com Luciano Camargo, em que o cantor é apresentado como "voz dissonante no coro dos artistas", a narrativa de três fotografias da fã de Hebe Camargo sendo enxotada de cima do carro da apresentadora, o box da entrevista com Max Gonzaga, compositor da canção 'Classe média', sucesso de repercussão no Youtube. Vale a pena ler!

Diálogos

Outra coisa bastante interessante de se perceber nessa edição da CartaCapital (e que é quase uma constante da revista) é o diálogo/contraponto que faz com a Veja. Na Carta, outra revista é citada como fonte e as coisas que diz são comentadas, discutidas e atacadas sem qualquer tipo de constrangimento ou arrogância, o que não acontece na Veja. Ignorar a existência de interlocutores e apresentar-se como porta-voz da verdade são expedientes comuns em meios de comunicação ligados estreitamente com os interesse da ideologia dominante de uma sociedade, que, por definição, dissimula sua caracterítica de discurso a partir de um posicionamento (como todo discurso, está situado em um ponto de vista histórico e limitado).

Em um momento histórico em que múltiplas fontes de informação falam sobre um mesmo assunto dentro da mídia, a variedade de pontos de vista é necessária e bem-vinda, assim como a consciência e maturidade para assumir seus pontos de vista. É quase um truísmo dizer isso, mas não existe imparcialidade ou discurso da verdade absoluta. Ouviram, galerinha da Abril?

Outros destaques dessa edição: matéria sobre o livro (muito importante) lançado pelo governo sobre a memória das vítimas da repressão durante a ditadura e novidades na apuração de uma ampla série de casos, a matéria sobre as alterações na constituição da Venezuela e a discussão sobre a questão do STF.

Opine!

ass. Enric "Grama"

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Métodos e Técnicas de Pesquisa


Na Folha do último domingo (26/08/2007 - Edição nacional) é impossível não notar o Caderno Especial sobre os hospitais paulistas, seja pelo seu conteúdo – são 22 páginas de ponta a ponta, pouco menos que o Caderno A, o principal – seja pelo enorme destaque na capa – a primeira chamada, com direito a foto e tudo mais.

Baseado inteiramente em pesquisa realizada pelo Datafolha, o Especial aponta os melhores hospitais dentre 343 (45 públicos, 28 filantrópicos e 270 particulares) da capital paulista. Para isso, foram ouvidos “mil médicos entre os dias 10 de maio e 20 de junho. Profissionais de várias especialidades atuantes em hospitais e clínicas foram questionados sobre as melhores entidades da cidade e as características que as diferenciam das demais.”.

Todas as entrevistas foram realizadas por telefone e a proporção de médicos dentre de cada especialidade foi respeitada, ou seja, “a quantidade, por exemplo, de cardiologistas (3%) e ortopedistas (4%) é equivalente à divisão de especialidades dos profissionais e atividade na capital. O mesmo vale para recortes por sexo, idade e tempo de conclusão de curso e para a divisão entre os que atendem em hospitais (76%) e em consultórios (68%).”

O resultado não chega a ser surpreendente. No geral, em resposta única, os 5 melhores são: Albert Einstein (43%), Sírio-Libanês (18%), Oswaldo Cruz (15%), Hospital das Clínicas (7%) e São Luiz (5%). Quanto às especialidades, em resposta única, na área de Cardiologia o InCor/HC (50%) foi o mais citado, em Maternidade o São Luiz (33%), em Oncologia o Sírio-Libanês (31%), em Pediatria o Albert Einstein (29%) e em Ortopedia o Oswaldo Cruz (19%). Na grande maioria das respostas, agora múltiplas, o que mais pesou na escolha dos hospitais está a equipe médica e os equipamentos, ambos com média de 58%. Esse panorama da saúde na cidade de São Paulo só confirma aquilo que muitos paulistanos sempre souberam.

Questão de Método

No entanto, um dos aspectos mais interessantes e que talvez não seja percebido como importante está logo nas duas primeiras páginas. Na primeira, por Cláudia Collucci, toda a metodologia da pesquisa é devidamente detalhada e esmiuçada. As informações reproduzidas nos parágrafos acima foram extraídas de lá.

Já na página seguinte acontece um interessante debate sobre como se avalia a qualidade de um hospital. Maria Manuela dos Santos, superintendente de uma das empresas privadas especializadas ouvidas afirma que “os médicos escolhem um hospital pensando para onde iriam se ficassem doentes. Eles fazem uma opção de classe.”, “a avaliação do médico é muito subjetiva e normalmente focada na experiência pessoal de cada um”, conclui o texto. Já Haino Burmester, coordenador do núcleo técnico de um programa de qualidade hospitalar gratuito mantido pela Associação Paulista de Medicina e pelo Conselho Paulista de Medicina, questiona as certificações pagas. “Elas preparam a organização para a certificação de qualidade e elas próprias certificam. Guardadas as proporções, é como ‘pôr a raposa para cuidar do galinheiro’.”.

O que a Folha faz logo no começo de todo o Especial é fornecer ao leitor informações para questionar a legitimidade de toda sua pesquisa, conseqüentemente de todas as conclusões derivantes dela. Sabemos de antemão com quais argumentos estamos lidando. Tal atitude contrasta enormemente com a de outros veículos jornalísticos que não se dão nem ao trabalho de conceituar expressões subjetivas empregadas em seu texto. Caso da Veja e a reportagem sobre o livro do professor Alberto Carlos Almeida, em que o termo “elite” era usado de pelo menos 4 maneiras distintas, o que provocava inevitavelmente uma confusão de sentido que poderia levar o leitor desatento a conclusões precipitadas.

Apesar da clara distinção entre estilos de jornalismo da Veja e da Folha neste dois casos, não é possível concluir que um seja melhor que o outro. Existe sim, um maior respeito por parte da Folha para com a inteligência do leitor. São apresentados números, dados, debates e toda uma sorte de informações que deixa o leitor à vontade para tirar suas próprias conclusões, inclusive quanto à veracidade do que lê.

Sim, era um Caderno Especial de 22 páginas sobre um tema relativamente neutro, e que foi abordado com neutralidade, politicamente falando. Bem diferente do conteúdo da reportagem da Veja, que tinha entorno de 8 páginas. Resta agora analisar a abordagem de um mesmo tema pelos dois veículos.

Douglas Lambert

Link para o Especial da Folha aqui. Só para assinantes.

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27 de ago de 2007

Imprensa marrom

Blog com comentários sobre jornalismo e imprensa no Brasil, escrito por Fernando Gouveia (ou Gravataí Merengue, como preferir). Ótima lista de links e textos muito interessantes, pela perspectiva de profissionalismo dele, sem virar uma coisa chata feito Observatório da Imprensa. Interessou? Clique aqui! O último post, sobre a entrevista de João Dória Jr. à Veja, está muito bom!

Abraços e até!
Enric "Grama"

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26 de ago de 2007

De volta às origens

Assim como a saida do Pinotti essa notícia teve repercussão zero pela Unicamp - leitores de outras universidades, por favor, se manifestem. Qual o significado disso tudo? Serra bonzinho, manobra, ou eu que sou ingênuo? Texto extraido da página oficial do Governo do Estado de São Paulo. Link original aqui.

Fapesp passa a integrar Secretaria de Ensino Superior
Sexta-feira, 24 de Agosto de 2007 às 17h11

A edição desta sexta-feira do Diário Oficial do Estado traz decreto do governador José Serra transferindo a vinculação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) da Secretaria de Desenvolvimento para a Secretaria de Ensino Superior.

O decreto, de número 52.086, volta a reunir as universidades estaduais paulistas – Unicamp, USP e Unesp – e a fundação estadual de pesquisa no âmbito de uma mesma secretaria, tal como acontecia até o final de 2006.

A Secretaria de Ensino Superior foi criada em janeiro deste ano, ficando com parte das atribuições da extinta Secretaria de Ciência e Tecnologia. A Fapesp, no contexto da mesma reformulação, acabou vinculada à Secretaria de Desenvolvimento. O decreto reaproxima, assim, o ensino superior público e o financiamento da pesquisa no Estado. As universidades estaduais paulistas respondem por mais da metade da pesquisa acadêmica produzida no país.

A transferência da vinculação da Fapesp para a Secretaria de Ensino Superior acontece uma semana depois da posse do novo titular da secretaria, o lingüista e poeta Carlos Vogt, que foi reitor da Unicamp de 1990 a 1994.

Veja a íntegra do decreto.

DECRETO Nº 52.086,

DE 23 DE AGOSTO DE 2007

Dispõe sobre a transferência da vinculação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP e dá providências correlatas

JOSÉ SERRA, Governador do Estado de São Paulo, no uso de suas atribuições legais,

Decreta:

Artigo 1º - A vinculação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP fica transferida da Secretaria de Desenvolvimento para a Secretaria de Ensino Superior.

Artigo 2º - Fica acrescentada ao inciso XVI do artigo 7º do Decreto nº 51.460, de 1º de janeiro de 2007, a alínea “g”, com a seguinte redação: “g) Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP;”.

Artigo 3º - As Secretarias de Economia e Planejamento e da Fazenda providenciarão, em seus respectivos âmbitos de atuação, os atos necessários ao cumprimento deste decreto.

Artigo 4º - Este decreto entra em vigor na data de sua publicação, ficando revogada a alínea “b” do inciso XII do artigo 7º do Decreto nº 51.460, de 1º de janeiro de 2007.

Palácio dos Bandeirantes, 23 de agosto de 2007

JOSÉ SERRA

Alberto Goldman

Secretário de Desenvolvimento

Carlos Alberto Vogt

Secretário de Ensino Superior

Aloysio Nunes Ferreira Filho

Secretário-Chefe da Casa Civil

Publicado na Casa Civil, aos 23 de agosto de 2007.

Da Unicamp

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