16 de jun de 2007

comentário

"Os cerca de 200 policiais que acompanharam a manifestação estavam armados com pistolas, revólveres e espingardas de munição letal -a praxe, em manifestações de rua, é usar armas não-letais, como cassetetes e balas de borracha. " retirado de matéria da folha on line.

fico feliz com as pessoas que escolhem revidar com flores de papel.

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2 escritos e uma imagem

foto: Diógenes Muniz/Folha Online

2 matérias que sairam sobre a passeata de ontem. Uma da Folha e outra da Agência Estado.

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15 de jun de 2007

vídeo sobre a ocupação da reitoria da usp

vídeo realizado pelo pessoal do audiovisual da eca/usp


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14 de jun de 2007

Carta em resposta à "folha de são paulo"

ps. nossa (ou "nu", como diriam os mineiros) !!! hoje tem muitas cartas publicadas!!! talvez esteja meio cansativo, tudo.. mas enfim, a tirinha talvez dá uma amenizada, ela está no blog bacon das fadas que publica, entre outras coisas, material sobre a greve.

a carta a seguir foi escrita por alunos do IA/UNICAMP em resposta a uma matéria da folha de terça feira e foi enviada ao painel do leitor não tendo sido publicada até agora.


Somos alunos do Instituto de Artes da UNICAMP e gostaríamos de esclarecer alguns pontos a respeito da matéria "professores da USP encerram a greve e são vaiados por alunos" publicada no caderno Cotidiano do dia 12/06. Em primeiro lugar há um quadro a respeito da situação do movimento nas universidades públicas paulistas, neste é colocado que na UNICAMP professores e funcionários estão em greve em 4 unidades e alunos em situação normal. Tal situação não corresponde à verdade, aqui na UNICAMP ao menos 10 unidades estavam em greve estudantil até o fim do dia de hoje - IA, IFCH, IEL, IE, FE, IB, FEF, IG, Enfermagem e Arquitetura. Sendo assim achamos prudente a correção da informação.

Outra crítica que temos a fazer é sobre qual a razão de se privilegiar a cobertura da assembléia dos docentes da USP (onde relata-se a agressão injustificada por parte de um estudante) e não publicar sequer uma nota sobre a assembléia dos docentes da UNICAMP realizada no mesmo dia onde houve um ato de caráter totalmente oposto ao ocorrido na USP, em que alunos entregaram flores brancas de papel e sementes de girassol aos professores. O ato dos alunos evitou qualquer tipo de confronto e a assembléia ocorreu pacificamente tendo decidido a continuidade da greve docente e contrariando o indicativo de não continuidade aprovado em assembléia anterior.

Acreditamos na necessidade de uma cobertura plena do movimento de greve e que leve em conta a situação de outras universidades e portanto viemos nos expressar por meio desta carta.

Gratos,
Beatriz Y. Sano - dança/IA
Caetano T. Biasi - midialogia/IA
Fabio Reis - artes visuais/IA
Isabel R. Monteiro - dança/IA
Marina B. Michel - midialogia/IA
Paula N. Ramos - midialogia/IA

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Carta de Luciana Holland


(Quando comecei a redigir esta carta, estávamos iniciando as reuniões e as assembléias que discutiam sobre a Greve, e mesmo estando ela já bem avançada e tendo havido alguns resultados favoráveis, creio que a carta ainda pode ser válida.)
Escrita por Luciana Holland, aluna do IA/UNICAMP
Carta
Uma considerável quantidade de estudantes (e neste momento, é aos estudantes em especial a quem direciono este diálogo) manifestou-se pré-disposta a discutir e a agir a respeito, especialmente, da “derrubada” dos decretos do governador José Serra, que ferem diretamente a Autonomia Universitária.
Em um contexto onde existem tantas opiniões e posicionamentos diferentes, ainda mais evidenciado pelo contexto universitário, que teoricamente é um espaço para reflexão, há de fato grande dificuldade em colocar seu posicionamento ou de situá-lo dentro de um grupo, ainda mais se for bastante divergente do da maioria presente. Esta dificuldade vemos em nossa reuniões e assembléias.
Neste momento, eu, como estudante, venho me manifestar a respeito desses posicionamentos, manifestar minha leitura da situação, e minha intenção e meu desejo, sem querer que isto seja muita pretensão de minha parte, é que contenha em si objeto suficiente para provocar um mínimo de reflexão.
I
Ao nos depararmos com uma situação de conflito, como por exemplo rejeitar a imposição dos decretos do Governador, podemos observar diferentes tipos de reações. (1) Há os que se sentem impotentes diante da situação, tanto para compreendê-la quanto para agir. Essa sensação de impotência em ter que confrontar algo aparentemente tão maior que a si mesmo ou ao seu âmbito corriqueiro de atuação, pode levar uma pessoa a assumir a posição de descaso.
Expus essa situação desta maneira procurando um “olhar” para os estudantes que acabam não se manifestando acredito muito mais por não concordarem com o posicionamento dos estudantes “militantes”, e por não vislumbrarem ou criarem outras perspectivas de ação, que por serem totalmente indiferentes ao problema.
(2) Quando um estudante decide discutir a situação de conflito e agir, geralmente o espaço para isto é nas assembléias e reuniões. Historicamente, essas assembléias e reuniões são presididas por um grupo de estudantes que “chama” os outros para a reflexão e ação. Geralmente esse grupo de estudantes já tem uma posição bastante definida e que segue a diretriz de paralisação (greve) como ato de oposição, atitude e direito este conquistado sindicalmente pela classe dos trabalhadores.
Ora, a Greve, apesar de ter sido um instrumento de oposição eficiente e legítimo durante algum tempo, NÃO É O ÚNICO MEIO DE OPOSIÇÃO, e talvez nem mesmo o melhor, dependendo da situação.
Acontece que historicamente as manifestações de oposição se dão através de greves e paralisações, e a não ser que ou até que aconteça uma nova proposta que convença, a greve será o discurso de convencimento de ação de quem quer se opor.
O EXTREMAMENTE AGRAVANTE nesta “maneira” de se posicionar é a forma presunçosa destes discursos que agridem o estudante (podemos chamar de “não-militante”) que não quer parar!!!!! A agressão vem em panfletos e em falas que os estereotipa como “sem consciência” e também “egoístas” e “individualistas”.
Chamei a Greve de legítima em situações em que paralisar era algo praticamente inerente a situação, como por exemplo negar-se a trabalhar em condições subhumanas em uma fábrica e assim paralisar sua produção. Era e é um ato de respeito a si mesmo, e que prejudicava diretamente o dono da fábrica.
Acredito que tenho razões o suficiente para ver a Universidade em uma situação bastante diferente. (1) Em primeiro lugar, quando um aluno “faz greve”, ele quer atingir diretamente a quem? Será que o Governador se sente ou se percebe “prejudicado” quando um aluno do Instituto de Artes ou das Ciências Sociais se nega a ter aulas? Como “fato”, o aluno não ter aulas não o prejudica em nada. Mas pode-se a partir disso construir uma situação política que o afete, que em geral é a proposta da greve. (2) O aluno “de fato” sai prejudicado em não ter aulas e em não produzir- a não ser que ele já não se sentisse produzindo grandes coisas, mesmo não assumindo isto- mas o discurso em geral a favor da greve apela para que se aja visando ideais maiores.
(3) Como Universidade PÚBLICA, ela é PÚBLICA! Com isto quis dizer que, sendo financiada com dinheiro público, ela “pertence” “ao povo” diretamente.
Quando um funcionário, um docente ou um estudante exige aumento salarial ou infra-estrutura ao Reitor ou ao Governador, ele está exigindo coisas que não tem a ver com o dinheiro do governador ou do reitor em si.
E se o meu vizinho é da opinião de que os universitários custam muito caro ao governo, e além disso acha que professor universitário já ganha bem demais???
Se a opinião pública pôde estar tão desfavorável, é decorrente de uma total falta de aproximação e contato entre o povo e a produção acadêmica, distanciando as realidades e abrindo então espaço para que a opinião pública seja bastante facilmente direcionada pela mídia, já que não há outra referência forte o suficiente para provocar uma condição em que a pessoa seja compelida a tomar uma forte decisão.
Como (apenas teoricamente) os governadores eleitos são os que “representam os interesses do povo”, tem sido enfoque dirigir as reivindicações a estas entidades. Não faz sentido trabalhar tanto nesta direção, uma vez que já é constatação geral que os políticos atendem em primeira instância seus próprios interesses e interesses dos que financiaram sua campanha política, como de fato estamos observando que não é de interesse do governo ter Universidades Autônomas.
Acredito como Fato- que nessas circunstâncias não comporta nenhuma objeção- que uma Instância que é gerenciada com recursos públicos deve concentrar sua atenção e atuação junto ao povo. Isto significa colocá-la a par da situação e compartilhar dos benefícios da produção acadêmica. Decidir sobre o direcionamento dos recursos públicos é algo que não poderia ser feito sem essa aprovação, como também é imprescindível que neste caso a sociedade veja a Universidade Autônoma como algo benéfico para si mesma.
II. SOBRE AS ATITUDES DE OPOSIÇÃO
Ou seja, que vem daí um tipo de atitude que vem a ser completamente o oposto da paralisação. Porque, quando você deseja convencer alguém de que o seu trabalho merece mais atenção, ou outra atenção e/ou assistência financeira, você “age” nesse sentido, com atitudes positivas. Ou seja, há ainda mais trabalho- porque se acrescenta o esforço e a intenção de convencimento do mérito de tuas reivindicações.
Dizer: “se você não fizer o que eu estou exigindo eu não saio daqui, e não paro de gritar, etc...” pode ser uma postura extremamente infantil, que na maioria das vezes quando dá algum resultado é mais pela irritabilidade gerada pela situação que pelo real convencimento.
Em termos práticos, quando em uma situação de conflito decidimos agir em oposição, acredito que esta atitude deve ser positiva e direcionada ao povo. E não deveria evocar nomes como “paralisação” ou “greve”, mesmo que se tente “consertar” ou “melhorar” o significado usando adjetivos como “movimentos” de “paralisação”.
III. QUESTÕES:
1. Será que não dá para perceber o quanto é extremamente agressiva a postura do estudante que tenta impedir, com o respaldo de uma assembléia democrática, que o outro aluno entre em sala e produza???
Por quanto tempo uma atitude de tamanha ignorância (interferir na liberdade do outro) terá esse “respaldo democrático” que acaba legitimando uma situação que deixa uma minoria sufocada sem saber o que fazer para repudiar a situação???
Na minha opinião, o dia da perdição será aquele em que os alunos da “área das humanas” ocupem o espaço dos da “área das exatas” e os convençam de que “é preciso parar”.
O contexto de paralisação de um funcionário e de um aluno é muito diferente e não dá para fingir que não é e agir como se não fosse. O que vemos é um grupo de alunos “politizados” reproduzindo discursos de operários e de sindicalistas sem um mínimo de reflexão, e pressionando outros alunos sem tanto poder discursivo ou sem força de ação a aderir ao movimento de greve. Mas de imediato vemos uma situação bem clara de que existem alunos e professores que não querem parar, e que isso não significa absolutamente não querer se opor.
(2) O fato de termos um ato no dia 31/05 não impede que os demais dias sejam utilizados com produção acadêmica. O que quis dizer foi que esse tempo que se diz estar utilizando para discussões e assembléias dificilmente são produtivos sob o ponto de vista de “fatos” e “decisões”. Não seriam necessárias muitas reuniões para decidir e organizar um ato em São Paulo; acontece que nas assembléias discute-se mais sobre A Greve do que sobre a solução do problema em si. A constatação e decisão de que é PRECISO FAZER UM ATO, é diferente que a constatação e decisão de que É PRECISO FAZER GREVE. Em uma assembléia de docentes o que deveria ser votado é se o espaço das aulas poderá ser utilizado para discussão dos problemas. Caso realizar um movimento de oposição fosse votado pela maioria em assembléia, tanto dos docentes como dos estudantes, então o espaço das aulas seria utilizado para discussão, com o enfoque da produção acadêmica voltado também para a construção de amostras acadêmicas, pois parte desses atos é justamente levar a produção acadêmica à sociedade. Então, em vias de fato, eu estaria freqüentando regularmente minhas aulas de cravo, e nelas estaríamos construindo e organizando nossos atos; estaria freqüentando as aulas de Escola e Cultura, e nela estaríamos também construindo e elaborando nossa atuação. Quando fossem marcadas assembléias, os alunos e docentes estariam dispensados das aulas- a “presença” seria na assembléia.
É claro que este modelo não é fechado e tampouco apresenta a maturidade das experiências, e que deve comportar em si as muitas e variadas dissonâncias dos comportamentos humanos - mas ele segue outra linha de atuação, e outro tipo de postura, que, comparando com o atual, considero mais positivo, além de mais consciente no sentido de assumir e de preservar para si e dentro de si um bem maior que é o valor de sua própria existência fundamentado em sua produção, e abandonar uma antiga postura de obrigar a ser ouvido por meio de força retaliativa- de chantagem- “se você não fizer o que eu estou mandando eu não dou aula, não estudo, não trabalho, e aliás também não canto, não danço e não toco, e não leio nada, não faço uma conta matemática sequer, e aliás se bobear até comer não como mais, e daqui a pouco não respiro- morro por vocês!!!....Por uma causa maior!!!”
Neste contexto estaríamos muito mais próximos de atingir a consciência de que o governo só pôde tomar atitudes tão hipócritas com o aval de nosso voto; e suas decisões estão praticamente legitimadas por estes votos. A consciência da existência de uma campanha para que não haja votos nulos; e que ninguém deveria ser levado a eleger levando em conta o seguinte e profundo tipo de reflexão: “O que faz menos mal ou fede menos: bosta de vaca ou de galinha????”
O que realmente acontece nas entrelinhas para que a sociedade se mostre fortemente manipulada, ela mesmo elegendo e assim autorizando a construção de uma sociedade baseada principalmente em hipocrisia (eu finjo que não estou fazendo nada de errado, e você finge que não percebe)- (porque caso você assumisse que percebe, não teria força o suficiente para agir contra, mesmo.)
De onde vem esse medo e esse controle tão fortemente encoberto dentro de nossa sociedade?
Então, neste momento em que um grupo relativamente grande de pessoas está agindo ou tentando agir, o âmbito que essas atuações irão cobrir vai depender da percepção e da consciência dessas pessoas que estão construindo o movimento.
IV. AS PROPOSTAS:
Que é muito mais positivo, ao invés de impedir a produção em prol de um movimento de oposição, que as intensifique e as desloquem para locais estratégicos dentro da sociedade. (2) Por exemplo uma apresentação de um Recital, de um Concerto Sinfônico, de uma palestra, etc..., onde poderiam ser distribuídos panfletos explicativos sobre os decretos e sua interferência na autonomia das universidades. Assim a população se aproximaria do problema e também usufruiria da produção acadêmica.
Dá para perceber que isso é muito mais positivo que estudantes impedindo o deslocamento de veículos (me refiro a atitudes como impedir a entrada de veículos dentro do campus universitário, como fizeram alguns estudantes da Unicamp. Isto é diferente de um ato público que caminha em direção a Assembléia Legislativa) e o direito irrevogável de ir e vir de todos os seres humanos, com o argumento evidentemente dogmático de que “é a única maneira de conseguirmos a visibilidade que estamos precisando para resolver o problema” (4) Ora, é mais do que óbvio que estão criando outros tantos e ouvindo (ou não ouvindo) as injúrias de quem está se sentido altamente prejudicado (“Estudantes filhos da puta, vão se foder, sai do meu caminho que eu preciso trabalhar!” e por incrível que pareça um estudante pode ainda devolver: “Mas nós estamos lutando por uma causa maior, inclusive creche.”) (5) O que foi ferido com este tipo de atitude, mais que a necessidade que ele tinha de trabalhar, foi sua vontade e sua liberdade para fazer tal coisa. A liberdade é um direito tão irrevogável do ser humano, que apenas aos criminosos foi retirada. Quando um indivíduo tenta tirar a liberdade do outro, ele com certeza está construindo um inimigo, pois existem poucas coisas que podem ferir tanto a integridade do ser humano como tirar-lhe a liberdade. E a não ser que ele esteja extremamente coagido e fraco, irá lutar por ela.
(6) Para mim vê-se claramente que os estudantes que querem impor a paralisação pecam justamente no mesmo item em que acusam o governo.

V. ATOS DE OPOSIÇÃO/ORGANIZAÇÃO
PROPOSTAS
(1) 12 E 13/06: BOOM SOCIAL DE AMOSTRAS ACADÊMICAS: dias em que alunos e professores organizarão amostras de sua produção acadêmica em locais estratégicos da sociedade. O objetivo não é fazer “apresentações temáticas” da greve, (essa proposta foi levantada em assembléia), como fazíamos na escola um “desenho sobre o Dia do Índio”, “desenho sobre o Dia do Soldado”, em sim uma oportunidade para que outras pessoas usufruam da produção universitária e se aproximem do problema em um contexto positivo.
(1.1) Acredito que a possibilidade de organizar um evento assim só se faz com alunos e professores dentro de salas de aulas, dialogando sobre o problema. De maneira alguma esvaziar as salas é solução; ao contrário, é agir contra si mesmo e esvaziar sua própria força de ação. “Fazer com que” os professores e os alunos discutam isso em sala é melhor do que “fazer com que” os professores e os alunos abandonem as salas.
(2) Fazer um parecer jurídico que prove a inconstitucionalidade dos Decretos.
(3) Presença massiva de alunos, professores e funcionários em frente à Assembléia Legislativa de São Paulo no dia da entrega do parecer jurídico. Neste dia também poderemos organizar um novo “Boom” de amostras acadêmicas em São Paulo.
(4) Na medida do possível unificar essas ações com a USP e UNESPs.
VI. CONCLUSÕES
Se temos observado que os resultados obtidos com a greve são irrisórios (com prejuízo acadêmico e uma quantidade de reivindicações atendidas irrisórias) é óbvio que devemos continuar fazendo greve. Sempre, sempre, sempre, todo ano, todo ano, todo ano. É tão óbvio.
O erro está em tentar se convencer de que o problema foi “a maneira” como a greve foi feita, e não questionar nem assumir que é preciso outro tipo de atuação. O agravante nesta maneira de pensar é que eles “culpam” os “individualistas” que não quiseram aderir ao movimento pela greve não ter “dado certo”, ou paradoxalmente gabam-se dos mesmos resultados como se fossem grandes e efetivas conquistas1.
A quem lucre com a greve (vai gastar bem menos energia elétrica, os alunos vão ficar “brigando” sem tomar atitudes efetivas, etc, e as atitudes que tomam muitas vezes os desfavorecem frente à opinião pública) Acho válido refletir sobre o princípio de que sempre há um terceiro se beneficiando do conflito criado entre dois (como por exemplo uma mesma empresa que financia campanhas políticas opostas).
Isso não significa que, caso haja grande adesão à greve por parte de alunos, funcionários e professores, que não tenhamos um resultado favorável ao final- a revogação dos Decretos ou de parte deles-; e sim a custa de que conseguiremos isto, e que o resultado pode ser ainda mais positivo caso tenhamos outros tipos de postura- a começar por não ser opressor dentro de seu próprio meio.
Acredito que estamos construindo um momento de movimento político importante; que nos esforcemos para agir segundo nossa ética e ao mesmo tempo nossa constante auto-crítica.
Luciana Holland Santos
Campinas, 05 de junho de 2007

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matéria Folha de São Paulo

Essa matéria é de terça feira.

Docentes da USP encerram greve e são vaiados por alunos

Grupo de estudantes tumultuou a assembléia, e um deles chutou repórter-fotográficoDocentes se disseram satisfeitos com decreto de Serra sobre autonomia das universidades e com proposta de reajuste de 3,37%

ROGÉRIO PAGNANDA REPORTAGEM LOCAL

Irritado com a decisão dos professores da USP de suspender a greve que durava 19 dias, um grupo de alunos tumultuou a assembléia dos docentes realizada ontem em São Paulo com vaias e xingamentos e, ainda, com agressão a um repórter-fotográfico da Folha que registrava a manifestação.As vaias ocorreram após a votação -às 12h50 na faculdade de geografia- que decretava o fim do movimento e ignorava o apelo dos alunos (parte que invadiu a reitoria há 40 dias) pela manutenção do protesto.Um estudante chegou a empunhar uma nota de R$ 1 e dizer que os docentes queriam seu dinheiro, insinuando que o motivo do fim da greve foi a obtenção do reajuste salarial.O repórter-fotográfico Rodrigo Paiva foi chutado por um aluno (identificado como Yuri) após fotografar os manifestantes. Outro estudante, identificado como Fábio Brant, ameaçou quebrar o equipamento dele caso não apagasse as fotos.Paiva fez boletim de ocorrência sobre a agressão no 93º DP (Distrito Policial), no Jaguaré. "Ele veio fotografando a gente sem motivo", disse Yuri.A suspensão da greve pelos professores era desenhada desde a semana passada, quando a categoria aprovou o indicativo para finalizar a paralisação.Eles ficaram satisfeitos com o decreto do governador José Serra, que afirma garantir a autonomia das universidades públicas, e, ainda, com a proposta de reajuste salarial de 3,37%."Acho que esse movimento teve ganhos concretos, objetivos, palpáveis, e, agora, você precisa medir: é possível ir além com a força que nós temos? A avaliação foi que, neste momento, não", afirmou o vice-presidente da Adusp (Associação dos Docentes da USP), Francisco Miraglia. Ele achou inapropriada a ação dos alunos.Ontem, a maioria dos 171 professores levantou a mão pelo encerramento da greve, e a categoria volta às aulas a partir de hoje. Nesse tipo de votação, não há contagem de votos quando há indiscutível vantagem de uma das propostas. A USP tem 5.222 professores.Os alunos que protestaram ontem não quiseram falar com os jornalistas. Uma assembléia deve ser realizada hoje para decidir os rumos do movimento.Em assembléia, os funcionários decidiram ontem manter a greve. Eles dizem que não vão abandonar os estudantes "sozinhos na luta". Nova assembléia deve ser realizada hoje.Na Unicamp, professores decidiram ontem, em assembléia geral, seguir em greve. Haverá outra reunião na quinta. Segundo a Unicamp, docentes e funcionários estão parados em quatro das 20 unidades.

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carta aberta

Essa carta foi escrita como forma de resposta às matérias do ESTADÃO do dia 10/06 e encontra-se no blog da ocupação da usp. Como as matérias não estão disponíveis livremente na rede não consigo publicá-las, caso alguém seja assinante do jornal ou tenha a senha e quiser mandar a matéria para o e-mail do blog fique a vontade...
CARTA ABERTA À SOCIEDADE

O jornal O Estado de S. Paulo veiculou na edição de 10/06 três páginas com informações caluniosas e difamatórias com relação ao movimento dos estudantes, funcionários e professores das universidades estaduais paulitsas.
O objetivo dos artigos é claramente lançar a confusão no movimento e na sociedade, e colocar um setor do movimento contra o outro.
O Estadão repete sua velha tática usada antes mesmo do golpe militar de 1964, do qual foi um dos maiores insufladores, quando dizia que grupos e partidos de ultra-esquerda estavam por trás do presidente João Goulart, e que manobravam todo o governo e o povo com seus propósitos subversivos, o que justificaria o golpe que afinal ocorreu em 31/03/1964.
Assim, atacam os partidos de esquerda (PSOL, PSTU e PCO), as organizações sindicais (Sintusp e Conlutas) e, em particular, militantes reconhecidos no movimento como Claudionor Brandão, Magno e Helen, refletindo uma iniciativa clara de criminalizar o movimento.
Nosso movimento é feito de milhares de estudantes, funcionários e professores em todo o estado, num patamar que extrapola essas organizações políticas, que são parte do movimento, mas nossas decisões são tomadas democraticamente nos fóruns de cada setor e não em reuniões “conspiratórias”, como querem fazer parecer.
Vimos por meio desta carta manifestar nosso repúdio ao jornal O Estado de S. Paulo que produziu essas matérias em acordo com a burocracia acadêmica e a polícia, que forneceu ilegalmente informações de processos arquivados.
Manifestamos nossa defesa das organizações políticas e sindicais atacadas, assim como dos companheiros citados, e repudiamos qualquer tipo de repressão, ação criminal ou reintegração de posse.
Nosso movimento em defesa da universidade pública e contra os ataques que vêm sendo empreendidos a ela seguirá a despeito das ações desses setores por trás do jornal O Estado de S. Paulo.

São Paulo, 11 de junho de 2007
Comando de Greve da Ciências Sociais – USP e Comando de Greve dos estudantes da USP
Assembléia dos Estudantes da Física - USP
Assembléia dos Estudantes da FAU - USP
Assembléia dos Estudantes da Geografia – USP
Assembléia dos Estudantes da Letras - USP

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11 de jun de 2007

fotos

galera venho pedir a todos aqueles que tenham fotos das movimentações nas públicas paulistas que enviem para o e-mail do blog parouparou@gmail.com !!! Seria legal ter um acervo dessas imagens...

valeu, caetano.

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2 coisas e uma foto


roberto romano comenta artigo de brito cruz e carlos vogt publicado na folha de hoje, e matéria do blog conversa afiada sobre o fim da greve dos docentes da usp.

foto: Barricadas na USP/ Fernando de Tacca

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Hoje na Folha de São Paulo

Universidade, lugar da razão
CARLOS HENRIQUE DE BRITO CRUZ e CARLOS VOGT

PÚBLICAS E gratuitas, as três universidades estaduais paulistas -USP, Unicamp e Unesp- apresentam indicadores comparáveis com os de boas instituições internacionais. Juntas respondem por 50% da ciência feita no Brasil. De 1989 a 2005, o número de alunos nas três universidades cresceu 72%, e a produção de artigos científicos mais do que quintuplicou.
A qualidade dessas instituições é conquista de seus professores, funcionários e alunos. E também do contribuinte paulista, que a elas destina 9,57% do ICMS. São Paulo apóia intensamente o ensino superior e a pesquisa. Na média brasileira, 35% do financiamento público à pesquisa vêm de fontes estaduais e 65% das fontes federais. Em São Paulo, 60% do apoio à pesquisa vêm dos cofres estaduais.
Esse esforço visa assegurar a transmissão e o avanço do conhecimento -base do progresso humano. Para isso, as universidades precisam de um ambiente propício ao desenvolvimento das idéias, sentido maior da autonomia universitária, consagrada na Constituição Federal. Imprescindível como a autonomia é a liberdade acadêmica, que exige um convívio respeitoso, tolerante com idéias divergentes e a confiança no poder do argumento. Na universidade, a disposição é nunca recorrer à violência para ganhar um debate, mas sim melhorar os argumentos, aprendendo cada vez mais. A universidade deve ser o lugar da razão. O clima instalado nas últimas semanas desafia essa racionalidade.
Professores têm sido coagidos por piquetes e ameaçados, dirigentes não podem exercer suas funções porque prédios são invadidos. Há quem afirme que o recurso à violência se justifica porque o governo estadual teria ameaçado a autonomia.
Tal não parece ser o caso. Em 14 de maio, os reitores das três universidades afirmaram em nota não verem nos decretos ameaça à autonomia. Por exemplo, o decreto que criou a Secretaria de Ensino Superior, de 1º de janeiro, diz explicitamente em seu artigo 2º: "As funções voltadas ao ensino superior serão exercidas em articulação e conjugação de esforços com as instituições envolvidas, observando-se sempre o respeito à autonomia universitária e às características de cada universidade" (grifo nosso).
Sobre isso nada foi declarado no debate por aqueles que insistiram em encontrar nos decretos um ataque à autonomia.
Mesmo assim, o governo estadual publicou um decreto declaratório elucidando as dúvidas a respeito da autonomia, atendendo a solicitação dos reitores e da Fapesp, para tornar patente o que já havia sido concluído antes.
Não resta incerteza quanto a esse assunto. Mesmo que houvesse ou que tenha havido em decorrência de eventuais equívocos, isso justificaria o recurso à violência na universidade? Não.
A universidade pública e gratuita é essencial para a sociedade. Merece o respeito daqueles de fora e, mais ainda, daqueles de dentro. Garantir esse respeito implica reverter a trajetória de degradação das relações pessoais e institucionais que vem sendo instalada, na qual o recurso à força se banaliza com piquetes, carros de som, invasão de prédios, ameaças a dirigentes, professores, alunos e funcionários que não apóiam as decisões de minorias. Nesse ambiente, a inteligência, o pensamento livre e o debate respeitoso são as primeiras vítimas.
Piquetes, bloqueios e invasões não são ações pacíficas. Ao impedir um professor de dar sua aula ou um aluno de assisti-la, ainda que não haja sangue ou socos, há violência de uma espécie terrível: a violência surda e totalitária contra o livre pensar e contra o livre-arbítrio.
Na universidade, instituição que a humanidade preservou como o lugar do debate livre de idéias, a coação e a violência corroem de forma irreversível os valores acadêmicos e a convivência cordial imprescindíveis à realização desse mandato que as sociedades, há quase dez séculos, nos vêm delegando. Cabe repetir: é para assegurar a transmissão das idéias e seu avanço -base do progresso humano- que o contribuinte paulista investe nas nossas boas universidades públicas e gratuitas. O recurso à violência por alguns poucos membros da comunidade acadêmica, em vez de defender a universidade, a afasta cada vez mais da sociedade.

CARLOS HENRIQUE DE BRITO CRUZ , 50, membro da Academia Brasileira de Ciências, é professor do Instituto de Física da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e diretor-científico da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Foi reitor da Unicamp e presidente da Fapesp.
CARLOS VOGT , 64, lingüista e poeta, é coordenador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp e presidente da Fapesp. Foi reitor da Unicamp.

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10 de jun de 2007

Programação

Venho divulgar aqui a programação da semana no Instituto de Artes/UNICAMP... muitos eventos e hora dos favoraveis aos decretos, contrarios aos decretos, favoraveis 'a greve, contrários a ela e tudo o mais manifestarem-se intensamente.. debates abertos.

msg pessoal de Caetano.
Programação de 11/6 a 15/6
SEGUNDA
8h - Preparação para a manifestação na Adunicamp (gramado do ia)
9h - Café da manhã no IFCH
9:30h - Manifestação na Adunicamp
14h - Reunião do Comitê geral de greve para preparar a pauta da assembléia.
16h - Grupo de estudos (gramado do ia)

TERÇA
9h - Café da manhã
10h - Reunião do Comitê geral de greve para preparar a viagem à ECA
12:30h - Assembléia geral dos estudantes do IA com a pauta: manutenção da greve; ocupação da reitoria; eleição de representantes para o comitê estadual das universidades e para o comitê da Unicamp. (corredor do ia)
15h - Exibição do filme "Boa noite, boa sorte"(auditorio do ia).

QUARTA
Parada cultural contra os decretos, das 10 da manhã à meia noite.

QUINTA
9h - Café da manhã
10h - Exibição do filme "Os sonhadores"(auditorio do ia)
12h - Assembléia geral dos estudantes da Unicamp (PB)

SEXTA
Encontro dos institutos de artes das estaduais, na ECA/USP São Paulo
10h - Debate - "Arte e sociedade"
12h - Piquenique
17h - Intervenções artísticas na Paulista

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E agora, José?


escrito por Caetano T. Biasi, Aluno de Midialogia IA/UNICAMP.

A greve é um ato político, não há dúvida, o que me faz ficar espantado com a critica de alguns de que as mobilizações atuais são de cunho político. Sim, elas são, e daí? Falou-se da volta da prática política diária nesse recente movimento nas públicas paulistas... sei lá, não tenho autoridade pra falar sobre isso e deixarei pra dar minha visão sobre o "Movimento" mais pra frente, só digo que realmente agora há uma atmosfera de diálogo, debate e reflexão. Ponto. Esclarecido isso agora vou para questão de "conjuntura".

O movimento chegou num ponto delicado, foi conquistado um avanço com o decreto declaratório de Serra mas com certeza não chegamos no centro da questão: não se faz politica para universidade através de decretos. Uma política para universidades deve necessariamente ser feita através do diálogo, permitindo que os mais diversos pontos de vista se expressem; talvez seja um modo de lidar com as coisas que esteja em desuso, principalmente se levarmos em conta o pragmatismo de decisões que são tomadas não levando o todo em consideração. Decisões assim podem representar mais eficiência para empresas e isso tem sua importância na sociedade, não nego, mas a universidade deve ser o ponto na sociedade onde decisões e práticas são viáveis de uma outra forma: priorizando a reflexão e mesmo o confronto de idéias. Qualquer outra forma de se propor uma política já é uma afronta ao espírito da própria instituição universidade.

Isso por si só já permite dizer que a greve deve continuar, ainda há pontos vitais para se avançar, o principal é a extinção da secretaria do ensino superior ou a retirada das públicas paulistas de lá, sendo levadas ou para a secretaria do desenvolvimento (junto com os orgãos de formento a pesquisa do estado) ou respondendo diretamente ao gabinete do governador. Assusta a forma como foi criada tal secretaria, um governador não pode (e não estou discutindo legalmente) simplesmente trocar o nome de uma secretaria com o propósito de criar um novo orgão. É uma situação estapafúrdia por si só, não necessariamente por se tratar de universidades, mudar o nome de Secretaria da Juventude, Esporte e Lazer para Secretaria da Agricultura seria inaceitável do mesmo jeito. Criando uma secretaria mutante dessa forma Serra descredibiliza instituições (e sabemos o quanto elas são necessárias para o real funcionamento da republica) e mostra aonde de fato reside seu autoritarismo: ele não está nem ai para instituições

Há um argumento por parte de alguns professores de que alunos querem continuar o movimento por mero idealismo, Serra não estaria disposto a tal derrota política é o argumento de docentes. Eu discordo e fico assustado quando vejo alguém como Francisco Miraglia (vice presidente da ADUSP) usar como argumento para saírem da greve já terem obtido (além do decreto declaratório) um reajuste de 3,37% em seus salários; professores universitários que não conseguem ver a questão como muito maior do que corporativismos como esse além de rebaixarem o caráter que permitiu ao movimento chegar aonde chegou e ter força e motivos (como acho que tem) para continuar faltam com o respeito aos alunos mobilizados até agora. Por bem temos duas medidas em vista: um decreto legislativo encaminhado `a ALESP e uma ação protocolada no tribunal de justiça de SP. São dois instrumentos frutos das manifestações na USP, na UNESP e na UNICAMP, e que podem muito bem serem abandonados dai a importância de chamar a atenção para tais medidas mantendo a greve conjunta entre professores, alunos e funcionários.

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Parada Cultural

Sempre tem aquele discurso pronto quando o estudante fala que está em greve: estudante vagabundo! não quer fazer nada da vida! só quer dormir ou fazer festa! Quem disse?!

Um feriadão durante a greve e... pessoas montando a programação da Parada Cultural, uma das formas encontradas para evitar a greve-férias, a greve do pijama. Pra manter o pessoal por perto e na ativa, pra refletir, discutir, repensar e se divertir também, porque ninguém é de ferro.
Tem de tudo em muito lugares da Unicamp, clique na imagem para ver a programação:





É na próxima quarta-feira, dia 13 de junho, das 10 da manhã à meia-noite.
Aproveitem! Abraços, Marina.

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