14 de jul de 2007

Escândalos no pipeline, por Fernando Gabeira

Vão falar que é propaganda política, mas não. Juro que não. Segundo post com o Gabeira em poucos dias. O fato é que o artigo é bom, saiu na Folha de hoje. Trata da corrupção e sobre o desempenho de partidos nanicos. Essa questão dos partido tem me feito pensar muito, principalmente na crise do Renan. Quero escrever sobre isso mas faltam amadurecer alguns pensamentos aqui. Por enquanto fiquem com a companhia do Gabeira.
Abraços, Caetano.

Escândalos no pipeline

SAIO POR duas semanas e vejo escândalos no pipeline. O primeiro deles é das licitações da Petrobras. É preciso cuidado com escândalos que envolvam empresas globais. A competição é feroz. A política correta, creio eu, é antecipar-se aos problemas e encará-los de frente. Depois de uma sucessão de desastres ambientais, Felipe Reichstul aumentou a transparência da empresa e colocou de pé um sistema de previsão de combate de acidentes. Custou R$ 1,2 bilhão, mas compensará.
O escândalo de agora exigirá de novo um passo para a frente. A tática de uma empresa global não pode mimetizar a dos políticos brasileiros. Eles negam, retardam processos, fazem chicanas. Não dão a mínima para a própria reputação. Saio do Brasil de uma certa forma pouco animado com o semestre que passou. Numa frente exigia um determinado tipo de comportamento, em outra tentava aplicá-la no Partido Verde.
Os vereadores de Natal aprovaram um item do plano diretor que destruiria a zona norte da cidade. Pedi a expulsão de quatro do PV. Houve muito choro por isso. A Polícia Federal resolveu o assunto, lacrando a Câmara e prendendo alguns vereadores, comprados pela especulação imobiliária. No carro de um deles, conta a imprensa do Nordeste, havia R$ 5.000 sob o tapete.
Em Minas, a bancada de sete deputados do PV tendia a aprovar um projeto que amplia o foro especial para eles. Justo no momento em PV nacional adere a uma campanha pelo fim do foro especial, iniciada pela AMB. O relatório do Banco Mundial sobre a corrupção no Brasil enfatiza a necessidade de uma resposta. Pessoalmente, acho que os mecanismos de controle têm melhorado. Mas não deixa de ser bizarro um país em que um programa político tenha de ser realizado pela Policia Federal, e não pelos eleitos. A luta contra a especulação imobiliária em Natal e também, recentemente, em Florianópolis, foi realizada também pela polícia, numa espécie de vácuo político. Houve uma reação rápida da Câmara, expulsando um vereador. Não é preciso sempre esperar o PSOL.
Entre o Banco Mundial e o PSOL há um vínculo importante: ambos denunciam a corrupção. E não deixa de ser bizarro o país onde o único partido que contribui, nesse ponto, para um capitalismo mais sério é um pequeno partido socialista. Terei pelo menos um bom tempo para ruminar essas estranhezas. E para completar deveres de casa adiados. Agosto é sempre o mês mais eletrizante no Brasil.
assessoria@gabeira.com.br

FERNANDO GABEIRA escreve aos sábados nesta coluna.

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A relevância da política

Artigo de Antônio Cícero publicado hoje na Folha. Não concordo diretamente com tudo que ele diz mas são levantados pontos em que vale a pena pensar.
Abraços, Caetano

A relevância da política
escrito por Antônico Cícero (14/07/07)


Para lutar contra as desigualdades sociais, devemos defender a sociedade aberta e laica

LEMBRO-ME de que, quando eu era estudante universitário, no final da década de 60, parecia evidente a todo o mundo (ou pelo menos a todo o mundo de esquerda) que nos Estados Unidos não havia nenhuma diferença substancial entre o Partido Democrata e o Partido Republicano. Essa era a tese dos marxistas, mas ela havia encontrado apoio também, desde a década de 50, em autores independentes, como Wright Mills. E era o que Herbert Marcuse e, de maneira geral, os filósofos e ideólogos da contracultura pensavam.
Nessa época, a Guerra do Vietnã, que havia tomado corpo com um democrata (Kennedy), engrossado com outro (Johnson), e que continuava sua "escalada" com um republicano (Nixon), parecia confirmar que a cara de um partido era o focinho do outro.
De lá para cá, também entre grande parte dos intelectuais americanos tornou-se senso comum a opinião -expressa, por exemplo, por Chomsky e por vários representantes locais do pós-estruturalismo- de que nos EUA as eleições não são muito relevantes. As enormes taxas de absenteísmo eleitoral que lá se verificam levam a supor que talvez até uma parte considerável dos eleitores americanos -entre os quais muitos jovens e muitos pretos- também pensem assim.
A verdade, porém, é que ultimamente não tem mais sido possível acreditar nessa tese. Tendo em vista o verdadeiro ataque perpetrado pela administração republicana de George Bush à razão, ao Estado de Direito e à democracia nos Estados Unidos, seria inteiramente absurdo pensar que não haja uma diferença extremamente relevante entre ele e, por exemplo, o seu predecessor democrata, Bill Clinton.
Para prová-lo, bastaria citar o fato de que, brandindo o pretexto do terrorismo, Bush conseguiu fazer aprovar pelo Congresso, então majoritariamente republicano, o Military Commissions Act, uma lei que, em certas circunstâncias, torna admissível a tortura e põe fora de ação o instituto do habeas corpus: retrocesso jurídico simplesmente inconcebível há poucos anos e que constitui uma afronta inominável aos direitos humanos.
Por ocasião da sua aprovação, o jornal "The New York Times" (em 28/9/2006), com toda razão, declarou em editorial que, no futuro, os americanos se lembrarão de que, "em 2006, o Congresso passou uma lei tirânica que será considerada como um dos pontos baixos da democracia americana". E poderíamos lembrar que, ainda antes da aprovação dessa lei, o governo Bush já se permitira seqüestrar, encarcerar e submeter pessoas que jamais sequer haviam sido formalmente acusadas de qualquer crime específico a torturas e tratamentos indignos.
E que dizer do fato de que ele subverte o princípio de controles e equilíbrios ("checks and balances") que garante a independência dos poderes, ao pressionar, ameaçando de demissão, juízes que não se conformem com os seus desígnios? Ou da sua tentativa de solapar a autonomia da ciência, ao incentivar, contra a teoria científica da evolução, a divulgação e o ensino da teoria pseudo-científica do "intelligent design"? Ou da parcialidade do seu governo às iniciativas religiosas em todos os campos, minando o caráter laico do Estado?
Eu poderia continuar, falando, por exemplo, da sua política econômica, que acaba por redistribuir a renda a favor dos mais ricos; ou da sua destruição sistemática do sistema de saúde pública. O principal, porém, é outra coisa: é que devemos compreender que a tese da irrelevância da política não somente contribuiu para pôr Bush no poder como é a tese que mais convém a ele e a seus aliados, pois o que eles atacam é precisamente a política; e a que menos convém àqueles que defendem a liberdade nos Estados Unidos ou em qualquer outro país.
Fala-se às vezes da "democracia direta", como um antídoto à "irrelevância da política". Mas a "democracia direta" pode ser, na verdade, uma ditadura plebiscitária, como a de Chávez. Não devemos nos esquecer de que as ditaduras de Mussolini, de Hitler, de Stálin e de Pol Pot eram apoiadas pela maioria, logo, nesse sentido, "democráticas". A razão nem sempre está com a maioria: pode estar até com um homem só.
Por isso, mesmo para lutar contra as desigualdades sociais, devemos defender a sociedade aberta e laica, o Estado de Direito, a livre expressão, a maximização da liberdade individual, a coexistência de uma multiplicidade de culturas e formas de vida, a autonomia da ciência, a autonomia da arte etc. E defender isso é defender a relevância da política.

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5 anos de "OCAS"



Hoje haverá um festa para comemorar os 5 anos da Revista OCAS, com a presença do músico Seu Jorge. Mais Informações.



Misturando informação, opinião e um projeto social Ocas é uma revista vendida exclusivamente por moradores ou ex-moradores de rua integrantes do projeto. Dos 3 reais que a revista custa 2 ficam para o vendedor. Quem quiser conhecer www.ocas.org.br

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13 de jul de 2007

Alguém me diz os porquês!

Essa é pra quem acompanhou a cerimônia de abertura do Pan Rio 2007:
(pra quem não viu: http://pan.uol.com.br/pan/2007/ultnot/2007/07/13/ult4343u1185.jhtm)

  • Quem vaiou o Presidente Lula?
  • Quem vaiou a delegação do Estados Unidos?
  • Quem que vaiou a delegação da Bolívia?
  • Quem que vaiou a delegação da Venezuela?
  • Por que o presidente não falou na cerimônia, de acordo com o cerimonial de mais de 52 anos de existência em que chefes-de-estado declaram os jogos abertos?
Afinal... Quem era esse público da cerimônia de abertura, que fica pra história como 'a massa brasileira que acolheu as delegações'? Essa torcida representa mesmo o Brasil? Ou quem pode pagar mais por uma entrada na cerimônia? Ou quem foi convidado?

Que fizeram de errado os/as atletas cujas delegações foram vaiadas para merecerem tamanho desrespeito? Belo exemplo de espírito olímpico demos...

Ah! aproveitando o gancho de 'olimpíada'... Pra quem é esse Pan 'de nível olímpico', como a rede Globo tanto insiste em dizer? Quem constrói estádios supervalorizados enquanto uma cidade rui aos pedaços, em uma guerra violenta? Ou será que eu deveria dizer um país?



Ass. Enric "Grama" Llagostera

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Entrevista com Martinho Lutero




Leia aqui uma "entrevista" concedida por Martinho Lutero ao jornalista Mino Carta. Os dois conversam a respeito do documento da Congregação do Vaticano para a Doutrina da Fé, que define a Igreja Católica Apostólica Romana como a única detentora dos saberes de Cristo.

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Artigo de Carlos Alberto Sardenberg

Política, com seu dinheiro

Artigo - Carlos Alberto Sardenberg
O Globo
12/7/2007

A Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA, uma estatal pertencente ao governo estadual, distribuidora de energia no estado) está na seguinte situação:

- deve R$338 milhões à Eletronorte, estatal federal da qual compra a energia; essa dívida equivale a 4,3 anos de fornecimento;

- deve R$230 milhões em tributos e contribuições sociais;

- as dívidas são superiores ao montante de bens;

- seus consumidores lhe devem R$128 milhões, sendo que 67% dessa conta é inadimplência de prefeituras, órgãos estaduais e federais, que não são cobrados;

- no caso dos consumidores que pagam, há crime de apropriação, pois a CEA recebe e não repassa à Eletronorte.

Em resumo, a CEA é ineficiente, improdutiva e está quebrada - e não é de hoje.

Como conseguiu continuar funcionando tanto tempo assim? Como é que a Eletronorte não cortou o fornecimento ou tomou alguma providência?

A resposta tem um nome: o senador José Sarney, maranhense eleito pelo Amapá, e que manda, faz tempo, num bom pedaço da sistema elétrico brasileiro. Ele nomeou o ministro de Minas e Energia e há muitos anos é, por assim dizer, o "dono" da Eletronorte, estatal que controla também via nomeações.

E o que diz a Agência Nacional de Energia Elétrica, Aneel, que regula o setor?

Depois de diversas auditorias e depois de ter dado, em 2005, um prazo de 180 dias para que a CEA implementasse um plano de recuperação, fracassado, a diretoria da Aneel, por unanimidade, decidiu propor a "caducidade da concessão". Motivo: a concessionária simplesmente não cumpre suas obrigações legais. Tomado esse caminho, a CEA perde o direito de distribuir energia e a concessão é novamente licitada, sendo que a companhia do Amapá não poderá participar. A Aneel deve formalizar em breve sua proposta ao Ministério de Minas, poder concedente, e que, pois, pode cassar a concessão.

Qual a chance de isso acontecer?

Perto de zero.

Continue a ler o artigo aqui.

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Depois do Cristo é Borba neles!!!

A contribuição paulistana para as maravilhas do mundo. Homenagem `a estátua paulistana do bandeirante Borba Gato localizada na zona sul da cidade de são paulo.

Borba Gato, o bagulho maravilha


"Mais ereto que Brasília, olha só como ele brilha"

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Mais público e privado

algumas coisas que dizem um pouco mais a respeito desse lance público privado. Abaixo um vídeo onde o deputado Fernando Gabeira discursa num ato em Porto Alegre contra a corrupção (03/07/07). Acho um discurso bem importante e significativo, embora não tenha interesse nenhum interesse em fazer campanha para o Gabeira, por ele tenho respeito (o que convenhamos não dá pra ter por muitos que stão na Câmara).
E mais abaixo matéria de terça feira da folha demonstrando recebimento de verbas ilegais na campanha do PT.
Caetano.



PT recebeu doação vedada pela legislação eleitoral

Partido e empresas afirmam que contribuições foram feitas de acordo com a lei

No ano passado, legenda obteve R$ 50 mil de uma concessionária de serviço público e R$ 750 mil de uma controladora de "porto seco"

FÁBIO ZANINI
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

O PT recebeu em 2006 doação de concessionária de serviço público o que, segundo entendimento já firmado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), é vedado pela legislação. O dinheiro de empresas ao partido destinou-se a campanhas eleitorais, incluindo a de Luiz Inácio Lula da Silva.
A Folha apurou junto ao TSE que o PT corre risco de ter as contas rejeitadas. Isso traria sanções como a perda do Fundo Partidário (dinheiro público destinado aos partidos).
Em 4 de outubro de 2006, entraram nos cofres do partido R$ 50 mil, oriundos da Rodrimar S/A Transportes, Equipamentos e Armazéns Gerais, dona de um "porto seco" em Ribeirão Preto (SP). "Porto seco" é um recinto concedido pela União a empresas privadas, mediante licitação, para operações alfandegárias.
Além disso, R$ 750 mil foram doados ao PT pela Libra Terminais, controladora do "porto seco" LibraPort Campinas. Nesse caso, como a doação foi feita em nome da controladora, e não da subsidiária que tem a concessão, a jurisprudência do TSE não é clara.
A área técnica do tribunal entende que a doação da Libra também seria proibida, segundo a Folha apurou, mas os ministros poderão ter outro entendimento quando o caso for julgado, no segundo semestre.
Em dezembro de 2006, as contas da campanha de Lula já tinham sido rejeitadas pelo TSE, justamente por uma doação de um "porto seco".
O dinheiro era da Deicmar S/A, de Santos (SP), que deu R$ 10 mil à campanha. O PT está recorrendo da decisão. Se perder, poderá haver uma ação de perda de mandato contra Lula.
Na ocasião, a empresa e o partido argumentaram que a atividade de "porto seco" não pode ser considerada concessão de serviço público, mas o TSE não concordou.
Se a jurisprudência for mantida, haverá nova rejeição agora, uma vez que a doação por empresas concessionárias é vedada tanto para campanhas eleitorais (lei 9.504/97) quanto para partidos (lei 9.096/95).

PT nega ilegalidade
O PT afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que considera que todas as doações recebidas no ano passado estão "em conformidade com a legislação", e que o partido só vai se manifestar caso haja alguma contestação judicial, no futuro.
A Rodrimar declarou ter efetuado a doação "dentro dos estritos limites legais, conforme registros na Justiça Eleitoral e em sua contabilidade". A empresa afirma que em nenhum momento "soube ou foi alertada de que não poderia fazê-lo. Portanto, crê que agiu com legalidade, boa-fé". A Rodrimar diz que não tem interesse em participar de nova licitação de portos secos no futuro.
A empresa Libra Terminais afirmou que se considera dentro da lei. Segundo sua assessoria, o fato de não ser a Libra Terminais a concessionária do "porto seco", mas uma empresa por ela controlada, a LibraPort Campinas S/A, é suficiente para que a legislação tenha sido respeitada.


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12 de jul de 2007

Público e Privado; alhos e bugalhos


Retrato de uma nação esculhambada: é isso o que a presente crise liderada por Renan Calheiros e Joaquim Roriz expõe (diga-se de passagem não é a primeira vez que fica exposto). A relação sinistra entre o que deveria ser público e o que é privado torna-se norma. E ai somos administrados por quem? Pelas oligarquias de sempre, nada muda. Somos uma república fictícia uma vez que nossas instituições pouco significam, e sempre estão submetidas a poderes obscuros. É triste e alarmante; e isso não se dá só nos casos de corrupção evidente não, é uma promiscuidade institucional.

A Carta Capital desse semana trouxe uma matéria de capa analisando como é a vida de ex-diretores do Banco Central. A revista traz dados interessantes e infelizmente não está disponível on-line para passar a matéria por aqui. Ela defende a tese de que muitos dos que lá estão servem a interesses privados, são verdadeiros representantes de grandes grupos econômicos no BC. Henrique Meirelles, por exemplo, recebe uma aposentadoria anual de 750 mil dólares do Bank Boston. Nada contra enriquecer, mas pera lá né, que interesse ele representa. A quem sua política está servindo? Outro exemplo que é alarmante (não quero condenar, mas acho que coisas do tipo devem ser investigadas) Pésio Arida era professor da PUC-RJ, foi presidente do bc por 6 meses (janeiro a março de 95), e ao sair do BC tornou-se sócio de Daniel Dantas no Banco Opportunity. Novamente repito, nada contra subir na carreira, evoluir, óbvio que não, mas com as coisas públicas deve se ter mais clareza.

No Brasil a quarentena para funcionários públicos em áreas de conflito de interesse é de 4 meses. O que não é nada perto da quarentena de 1 a 2 anos nos EUA, 1 ano no Banco Central Europeu e 4 anos para o BC francês. Copio da Carta Capital 2 trechos onde o professor Fernando Cradim, economista da UFRJ, faz uma análise dessa relação dos dirigentes do bc: "Há um certo cinismo em tudo que envolve o Estado. A idéia ficou desmoralizada. Existe uma falência do espírito público.", e " Passa-se uma temporada no setor público como um sacrifício apenas para valorizar o passe".

Constatado isso aonde estamos? É fácil achar matérias hoje de confusão da coisa pública com a privada principalmente no que diz respeito a financiamento de campanha. É um problema enorme, muito fruto de como lidamos com essa democracia. Não são poucos os que consideram deputado bom aquele que traz verba para a região. Outra questão que deve ser posta em debate e analisada são essas leis de incentivo a cultura. Não seriam elas mais um retrato desse descaso com a coisa pública? Produz-se muita vezes pra ninguém ver, com dinheiro do contribuinte. Ou então aceita-se a situação ficando simplesmente como cordeirinho de departamentos de marketing de multinacionais ou aceitando caridade das estatais (quando elas não patrocinam, deliberadamente, propaganda de governos).

Não nego que o Estado tenha um papel importante no financiamento da arte, e sei que dentro dessas Leis de Incentivo surgiram e surgem coisas interessantíssimas e altamente viáveis. Mas a coisa deve ser repensada, analisada criticamente. No caso do cinema acho curioso porque têm-se gastado milhões mas ninguém nunca pensou em abrir salas populares com essa verba, com ingresso a R$ 3,00 passando os mais variados tipos de filmes. A prefeitura de Paulinia por exemplo tem um mega-projeto chamado "Paulinia Magia do Cinema" com o intuito de tornar Paulinia num polo de produção cinematográfica, entretanto procurando no google hoje não achei sequer uma sala de cinema na cidade*! Não, o interesse não é na cultura. É marketing político. É tratar arte com migalhas, e aceitamos, e exaltamos isso e (o pior) com dinheiro público.

Enfim, posso ter misturado alhos com bugalhos mas acho que essa coisas tem sim a ver. E cuidar da coisa pública é dever diário tendo sempre critérios quando a verba vem do Estado, justamente porque ela é pública, de todos.

Ainda tenho mil questões sobre o assunto, e poucas certezas. Talvez volte atrás no que falei, mas enfim.. é assim. Abraços, caetano.

*para ciência fui hoje tentar me matricular em um curso em parceria do "Paulinia Magia do Cinema" e o SENAC . Fico pensando se devo ou não fazer, se compactuo ou não com isso. Se fazer é compactuar ou não.

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Financiamento e Ciência

Mario Araújo Filho comenta em seu blog a Reunião do Conselho da SBPC (sociedade brasileira para o progresso da ciência) e faz uma análise da entidade.

Domingo, Julho 08, 2007

SBPC: forte dependência de verbas oficiais

Mário Araújo Filho, de Belém do Pará

Neste sábado, 07/07, houve a primeira parte da Reunião do Conselho da SBPC. A reunião foi presidida pelo professor Ennio Candotti, cujo mandato termina agora. Participaram da reunião o presidente eleito Marco Antonio Raupp e membros da antiga e da nova diretoria, que toma posse na Assembléia Geral dos Socios da SBPC, a realizar-se esta semana.

Pouco antes da reunião do Conselho, reuniu-se a Comissão de Finanças, da qual sou membro. A Comissão aprecia as contas da SBPC, toma conhecimento de receitas, despesas etc. Durante essa reunião, chamei à atenção dos colegas para a enorme dependência da SBPC de verbas oficiais (MCT, CNPq,CAPES etc). A SBPC simplesmente não sobreviveria sem esses subsídios governamentais.

Comentei que a dependência desses recursos contribui para levar a entidade a atrelar-se cada vez mais ao governo, o que fica patente em várias de suas ações (ou inações: por exemplo, o silêncio diante dos escândalos acontecidos desde 2005, a partir do mensalão). São uma expressão disso as solenidades de abertura - nos últimos anos - das Reuniões da SBPC, cada vez mais oficialistas, para não dizer "chapa-branca". Aliás, se nem mesmo a UNE protesta nessas solenidades, por que iria a SBPC assumir críticas mais fortes ao governo? O inverso também é válido: se a SBPC não reclama, por que a UNE protestaria?

Ou seja: a dependência financeira tem implicações políticas. E essa pode ser uma das razões para o esvaziamento da entidade, com diretorias eleitas com menos de mil votos. Observe-se que a SBPC admite filiação não apenas de pesquisadores e professores universitários, mas também de professores do ensino médio e estudantes de qualquer grau de escolaridade. Isso significa que a representatividade da SBPC vai sendo mais e mais posta à prova, o que - percebe-se - preocupa os dirigentes, conselho e secretarias regional da SBPC, sem que respostas a esses desafios sejam encontradas.

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Reinaldo comentou...

Já que entremos no debate sobre esse recente documento do Vaticano trago um comentário escrito por Reinaldo Azevedo, em seu blog, ontem. É uma posição contrária a que emiti ontem e acho muito pertinente para enriquecer a discussão. Segue abaixo, e aqui o link do blog do Reinaldo.

Abraços, Caetano.
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Lógica elementar
Leiam:

Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão, filho de João: porque não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai, que está nos céus.
Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.
E eu te darei as chaves do reino dos céus. E tudo o que ligares, pois, na terra será ligado também nos céus, e o que desatares sobre a terra será desatado nos céus.
(Mateus 16, 17-20)

*
E, aproximando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra.
Ide, pois, e ensinai todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.
Ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e estais certos de que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.
(Mateus 28, 18-20)

*
“Tenho também outras ovelhas que não deste aprisco, e importa que eu as traga, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um aprisco e um pastor”
(João 10, 16)


Não estou transcrevendo isso para convencer os não-católicos. Os próprios católicos, creio, devem se convencer disso a cada dia, enfrentando os múltiplos apelos da descrença sedutora. A questão é outra: ou a hierarquia católica, de que o papa é o líder máximo, acredita nisso — e, pois, suas cinco resposta disseram o óbvio — ou não acredita. A Igreja, deve crer um católico, é aquela fundada por Cristo e entregue a Pedro. A missa e os sacramentos foram instituídos por Ele como caminhos da santificação. Cristo estará com os membros de sua Igreja, seu corpo místico, até o fim dos tempos. Ela é:
- única e una (aquela de Pedro);
- santa (já que extensão do Cristo);
- católica (vale dizer: universal) porque feita para todos os homens;
- apostólica: fundada nas verdades reveladas aos apóstolos e seus sucessores.

Você é obrigado a acreditar nisso? Felizmente, não. Mas um católico é. A Igreja revelada pelo Cristo, para quem professa essa fé, é aquela que deriva de Pedro. Leonardo Boff, no livro Igreja, Carisma e Poder, sugere que outras denominações possam guardar essa verdade revelada. Tudo bem — desde que ele abra mão de ser um teólogo católico. Não me consta que se considere uma violência que o protestantismo rejeite o culto a Maria. Ninguém é forçado a pertencer ao corpo da Igreja Católica. Feita tal escolha, não pode ambicionar destruir os princípios que a organizam, incluindo a hierarquia, que, nessa perspectiva, não é uma imposição extemporânea, mas o desdobramento de uma revelação.

De novo, trata-se de uma questão de lógica. E daquele tipo escandalosamente elementar.

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10 de jul de 2007

Nos amemos...

Hoje leio essa notícia de que o Vaticano "definiu" a igreja católica como a única de Cristo. (link para a notícia).

São inúmeras as questões que vem 'a cabeça, uma delas é a de se tenho sequer o direito de comentar. Sempre fico com essas ressalvas pois sou um respeitador da fé católica frequentei um ótimo colégio católico onde me foi ensinado da maneira prática mais sublime os ensinamentos de Cristo. Entretanto, um ateu (como sou) não estaria se intrometendo em um campo que não é o seu?

Tenho um interesse por religiões, mas sou um leigo. Gostaria de ter estudado mais a bíblia assim como outros textos sagrados, mas mesmo assim considero ter um bom esclarecimento a respeito do tema. Uma vez que a "definição" do Vaticano atinge católicos e não católicos todos temos o direito de opinar. Resumo: se o papa estivesse dizendo "católicos não podem andar de bicicleta" eu acharia ridículo e não perderia tempo, ser católico é uma opção e quem fez essa opção que não ande de bicicleta, mas aqui fica evidente que o problema é muito mais profundo e não se resume a código de conduta dos católicos.

O Vaticano desrespeita outras religiões e num momento em que a igreja católica poderia se demonstrar porta voz dos melhores valores do ocidente ela faz justamente o contrário. Ninguém pode se tornar detentor das palavras de Jesus Cristo. Tenho muita estima por esse rapaz citado e sua contribuição para a história é e continuará sendo de valor inestimável, independente daqueles que falam em nome "dele". Propor o diálogo franco e o encontro ecumênico de fato, sem qualquer espanto com esse relativismo que eles parecem terem tanto medo, deveria ser a ponta de lança do Vaticano em tempos difíceis como esses. Da forma como está a Igreja Católica não está nem ai pro Cristo, porque, se estivesse, não se importaria se a escolha feita pra seguir sua palavra fosse pela casa número 1, pela número 2, pela número 3 ou mesmo por nenhuma destas. Espero não ser necessário apelar para o Círculo de Giz.

Gostaria de ver uma Igreja Católica muito mais coerente com o conhecimento que ela julga deter, inclusive pela importância que ele tem; forte nos seus ideais de comunhão e humildade. Agora o que parece é que esse falso ortodoxismo (falso pois não é uma radicalização do pensamento de Cristo, mas sim de algum outro), por ironia, é fonte de toda essa incoerência e transforma o campo religioso em torcida de futebol - quem é melhor Palmeiras ou Corinthians - ou pior, Partido Político.

Concluo, no ponto que é o que mais me espanta: a Igreja Católica como a única detentora dos meios de salvação. Não sei quais são os meios que ela diz deter, quando eu era criança e fiquei internado minhas tias carolas junto com minha nona rezavam na capela do hospital para, caso eu morresse, não ir para o limbo*. É essa a forma de salvação? Eles podiam falar quais que são esses instrumentos para a salvação de uma vez não? Assim fica defesa de propriedade intelectual. Sei lá. Nos meus humildes conhecimentos (e faço essa livre interpretação mesmo com o Vaticano podendo dizer que vou para o inferno) penso que a salvação, para o Cristo estava na caridade, no "amar ao próximo como a si mesmo".

abraços, caetano.
* nesse ano o Vaticano publicou um documento dizendo que o limbo não existe mais (ou nunca existiu).



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9 de jul de 2007

Estudante e envolvimento político

texto retirado do blog da ocupação da reitoria da usp e que foi postado lá ontem.


Plínio Antônio Britto Gentil
Procurador de Justiça - Doutor em Direito das Relações Sociais - Professor do curso de Direito do IMESB

Depois de uma longa negociação, os estudantes da USP, em S. Paulo, deixaram a reitoria da universidade, que tinham ocupado há quase dois meses. O Jornal da Globo deu a notícia, no dia 22 de junho, e logo tascou no ar alguém intitulado cientista político, para dizer que estudante bom é o que só estuda e que política não é coisa para se fazer na universidade. Disse, com outras palavras, que bom mesmo é estar tudo calmo, em paz, mesmo que essa paz seja como aquela encontrada nos cemitérios, que é compulsória.

É de pasmar. Em pleno regime democrático, o Brasil que se alimenta da TV é obrigado a engolir preciosidades como essa, que deviam ter sido enterradas junto com o regime militar, finado há mais de vinte anos. Utilizando o mesmo argumento, o ministro da Educação do governo Geisel disse a estudantes que preparavam uma passeata que ficassem em casa. Rolava o ano de 1977 ou 1978. Por esses tempos foi que o coronel Erasmo Dias, secretário da Segurança de S. Paulo, comandou uma covarde invasão da polícia militar à PUC, com saldo de uma imensa depredação e vários estudantes feridos, alguns com queimaduras graves. Do perigoso material subversivo que a tropa foi lá procurar, encontrou livros de ciências sociais e faixas pedindo anistia e uma assembléia constituinte.

A democracia veio, em parte pelas mãos do próprio governo, que acabou com os poderes ditatoriais do presidente e mais tarde aprovou a Lei da Anistia. Depois veio a Constituinte. Mas para a mentalidade oficial, a dos que dominam, que se expressa através da Globo, política não é coisa para estudante; crise estudantil, se for brava, é caso de polícia.

Isso não é assim por acaso. Com a redemocratização do país, instalaram-se governos civis e, de Collor para diante – exceção feita ao período de Itamar Franco – passou a vingar, na economia e na política, o sistema chamado de neoliberal. Em nome dele foi reformada a Constituição e dela excluídos certos direitos sociais duramente obtidos e implantados em 1988. As “vantagens” dessas reformas, apregoadas pela mídia comprometida com o poder, não passam do resultado de pressões do grande capital financeiro que investe no Brasil, ou que financia a compra de nossos produtos, em geral matéria-prima, e que vê nos direitos trabalhistas, na previdência social e nas formalidades do nosso direito processual obstáculos para os seus ganhos.

Resumindo a ópera, nossa democracia é apenas formal, já que o grosso da população vota mas não manda nada. Nosso sistema econômico é muito conveniente para quem tem capital para investir a custos baixos, pagando salários de fome, e de preferência não tendo compromissos com a melhoria da vida do povo. É invejável para os bancos, que há muito tempo não lucravam tanto. É fantástico para os políticos profissionais, que, em regra, representam os interesses de quem tem dinheiro

Claro, portanto, dentro dessa lógica, que estudante é feito para estudar e política é coisa para políticos. Quanto mais chucra, dócil e passiva for a população, feita na maioria de assalariados, mais tranqüila será a vida do capitalista e dos que o representam no aparato do Estado. E onde, por definição, se forma - ou deveria se formar - uma camada de gente pensante? Na universidade. Ora, então é preciso convencer os universitários de que eles não têm nada a ganhar se metendo onde não são chamados.

Alguns dirão que os estudantes da USP – e seus colegas de outras instituições públicas – são privilegiados justamente porque estão lá e que, por isso, não são porta-vozes da massa assalariada. São privilegiados sim. Pela mesma lógica da desigualdade de oportunidades entre os que têm e os que não têm, os alunos dos cursos superiores públicos e gratuitos são, em boa parte, aqueles cujos pais desembolsaram rios de dinheiro para lhes pagar o ensino médio e o cursinho. Mas é aí que está o valor das suas manifestações. Porque são pessoas de famílias que, no mínimo, se dão bem no sistema e que poderiam ficar caladas pois, de um jeito ou de outro, acabarão se virando na vida: escaparam do destino de miséria e desilusão de quem vive na pobreza. E também porque falam menos por si e muito mais em nome dos desfavorecidos abaixo deles. São estes, na verdade, que sofrem mais duramente os efeitos de um sistema educacional centrado na escola-empresa, regida pela competição mais despudorada e que faz do ensino o equivalente a uma lata de conservas numa prateleira, cujo valor é determinado pelas leis do mercado.

Numa nova versão do “crescei e multiplicai-vos”, que dispensa investimentos estatais, esse modelo educacional foi alavancado no Brasil pela mesma onda que impôs reformas na previdência e que ameaça direitos trabalhistas E que fala em parcerias do Estado com empresas privadas, como se isso fosse um achado e não uma forma disfarçada de cada vez mais comprometer o poder público com interesses particulares, em benefício dos últimos.

Para quem não se lembra, o movimento dos universitários que, com erros e acertos, culminou com a ocupação da reitoria da USP, desabrochou justamente por conta de mal explicados – para dizer o menos – decretos do governo estadual que representam uma aproximação das universidades públicas ao modelo das particulares, subservientes às leis do mercado.

Pois bem. Os estudantes mudos e distantes da política que a mentalidade oficial sugere, pela voz da Globo, são aqueles acomodados que permanecem no conforto que sua posição lhes proporciona; são os que, trinta anos atrás, não se solidarizaram com os colegas da PUC espancados e queimados porque pediam anistia e constituinte; são os que não percebem que é impossível estar vivo e não fazer política e que a omissão é, sim, uma atitude política, mas conveniente apenas para quem tem o poder nas mãos; são os que fingem não notar as enormes injustiças de um sistema que incentiva o “ter” mas não permite que todos “tenham”; são aqueles que perderam a capacidade de se indignar com os desmandos dos poderosos que usam o Estado para dar tudo aos amigos e “a lei” para os outros. Não são estudantes, são mortos. Seus corpos descansam do que nunca fizeram e gozam a doce paz dos cemitérios.

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PARADOS!!!

Ironicamente o "Parou Parou" está parado!!! Você humilde frequentador desse blog deve estar decepcionado, e está com razão. Entretanto, venho com algumas desculpas (mais!??!?!): toda equipe do blog está absurdamente envolvida com entrega de trabalhos na faculdade. Não justifica nosso sumiço, mas enfim, é uma razão. Tentaremos manter o blog funcionando por mais essa semana mesmo com poucas atualizações; a partir de agosto o blog estará reformulado, tanto seu layout quanto a sua "linha ediorial". Trataremos questões políticas e comentaremos a cobertura dos meios de comunicação. Enquanto isso continuamos assim, meio parados, lutando pra sobreviver e contando com a compreensão de vocês. Por isso peço também que se expressem, comentando e nos xingando, fiquem a vontade com o blog.

abraços, caetano.

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