6 de set de 2007

Índice das análises da semana!

De acordo com essa nova fase do Parou Parou, aqui está um post que agrupa as análises das revistas CartaCapital e Veja e da edição de domingo da Folha de S. Paulo.

Análise da semana: revista Veja, por Caetano

Tempestade em copo d'água, por Enric "Grama"

Nessa semana, não temos a análise da edição dominical da Folha (desculpa aqui), mas semana que vem é certeza!

>> leia o post inteiro

Tempestade em copo d'água


CartaCapital,

edição nº460, 5 de setembro de 2007 - Ano XIII
tiragem: 73.700 exemplares
preço: 7,98 reais
60 páginas, 5 páginas de anúncios (3 páginas de anúncios privados, 1 página de anúncios estatal na revista normal, 3 páginas de anúncio privado no encarte Retrato do Brasil(7 pág.) e 3 páginas de anúncios privados no mesmo encarte)

***

Na CartaCapital dessa semana, o tema da capa e de seu editorial, como não podia deixar de ser, é o processo contra os acusados do mensalão. A postura da cobertura da revista é coerente com sua posição política e, claro, evidencia novamente os postulados básicos dessa publicação.

Na matéria, assinada por Sergio Lirio, a grande tese defendida pela revista é a de que os acusados têm de ser julgados em um processo jurídico idôneo, em que os réus tenham direito a defesa. É repetidamente atacado o julgamento precoce pela imprensa, pois o mesmo é claramente dirigido pelo interesse dos grupos representados por esses meios, ou seja, a elite. Também é atacada a memória curta da Justiça, incapaz de partir à caça dos casos de caixa 2 do passado para limpá-los no molde da operação Mãos Limpas italiana. Para garantir o bom funcionamento da república, deve-se respeitar as instituições e os modos de funcionamento delas, o que implica na existência de um Judiciário neutro e, 'novidade', justo.

Em nenhum momento a matéria ou a publicação assume uma postura de defesa dos acusados como inocentes ou um apoio chapa-branca às determinações do governo. O ponto principal e constante de CartaCapital, e pelo qual considero a revista importante no panorama da mídia brasileira, é sua busca pelo bom funcionamento de um Estado mais justo, cumpridor de suas próprias regras e progressista.

No entanto...

A defesa do melhor funcionamento do Estado republicano brasileiro, nos moldes institucionais de hoje, é, na verdade, a defesa de um Estado que representa primordialmente os interesses de uma elite econômica da sociedade. Afinal, junto com todo Estado existe uma classe dominante, isso é inerente a ele, e junto com toda classe dominante, uma outra dominada. É importante evidenciar essa natureza do Estado e do governo e sua interessante posição, ultimamente, como alvo de ataques constantes, assim como a tentativa da criação de uma cultura anti-Estado, na qual 'estatizante' é uma palavra considerada sinônimo de arcaico, atrasado. Como que um instrumento de manutenção no poder da classe dominante, o Estado republicano, pode ser alvo de tantos ataques vindos dessa mesma classe dominante (vide Cansei)? É simples a resposta ao meu ver: a possibilidade, ainda que muito remota, do mesmo vir a servir também a alguns interesses de outros (sim, o ignorante povo).

Ao defender um Estado legalista, que cumpra realmente a Constituição estabelecida, a revista CartaCapital acaba, na visão da elite brasileira, a defender automaticamente o atual governo e a nunca-mencionada, talvez imaginada, extinção de alguns de seus privilégios de classe, provenientes do funcionamento atual do Estado. Em termos de uma mudança significativa da estrutura da sociedade brasileira, o fim desses privilégios de Estado seria o mínimo razoável para alguma melhora, mas, conhecendo nossos coronéis, é claro que isso já é demais.

Outros destaques da edição são o encarte Retrato do Brasil, cujo tema é a questão energética, e uma matéria sobre a expansão da banda larga no país, muito interessante.

Opine!
Enric "Grama" Llagostera

>> leia o post inteiro

5 de set de 2007

Um outro ponto de vista...

como contraponto a visões colocadas anteriormente indico o comentário do colunista de economia da Folha Guilherme Barros sobre o plebiscito da vale feito no podcast da Folha Online.

nada mais do que isso, caetano.

>> leia o post inteiro

Tv Pública

Coberto de polêmicas e num processo de complicado pra dar um início ao seu funcionamento a tv pública do governo federal parece começar a dar passos mais sólidos. É um momento importatne principalmente porque a criaçãod e um tv com esse caráter pode se tornar excelente ou mero instrumento propagandístico. Diante disso é excelente a decisão de nomear Luiz Gonzaga Belluzo como presidente do conselho curador da tv pública a ser criada pelo governo federal. Belluzo é um intelectual conceituadíssimo, defende a autonomia da TV - e conseqüentemente de seu financiamento - frente ao governo e parece estar disposto a dialogar com várias partes. Além disso quer convidar pessoas do naipe de Eduardo Coutinho para o conselho, o que por si só é um enorme mérito.
Mais sobre isso...
Caetano.

>> leia o post inteiro

Lulismo X Petismo


Talvez não haja nada pior para uma democracia do que a ascensão de uma figura redentora, salvadora ou algo do gênero. Pessoalismo e democracia não combinam. O surgimento de um messias na política é sempre perigoso; acreditar que uma pessoa seja detentora dos métodos para a salvação é um passo para se cair no autoritarismo.

Não acredito que o lulismo tenha chegado a isso, mas como uma "corrente política" que tem em si o culto a uma pessoa fico preocupado. Kennedy Alencar faz uma excelente análise do 3 congresso do PT e faz essa contraposição lulismo e petismo e da briga do partido para se afirmar frente a sua figura mais notória.

abraços, caetano.
obs. a charge é do angeli.

>> leia o post inteiro

Capitalismo de ouvir falar.

O post abaixo é do Blog do Alon e evidencia totalmente a real questão da reestatização da Vale do Rio Doce.

Abraços, caetano

Capitalismo de ouvir falar (31/08)

Meu post sobre a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) despertou reações iradas. Fui "acusado" de estatista. Eu me recuso a debater esse assunto pelo ângulo da ideologia. Ideologia demais emburrece. Eu quero discutir o caso da CVRD pelos critérios do management e do business na iniciativa privada. Eu não tenho MBA nem estudei em Harvard, mas uma armadilha do destino colocou-me certo dia em contato com as terminologias e os critérios do mundo dos negócios. Foi entre 1996 e 2002, quando pusemos de pé o Universo Online (UOL). Dia sim dia não conversava-se com banqueiros e investidores sobre market capitalization, IPO e coisas assim. Não sei se cheguei a aprender alguma coisa naquela época, mas pelo menos de uma piada eu me lembro. Quando você entrar numa reunião com banqueiros, procure, cuidadosamente, por um pato. Se não encontrar, cuidado redobrado. O pato deve ser você. Como eu disse, topo discutir a privatização da Companhia Vale do Rio Doce, mas só pelos critérios do capitalismo. O que eu sei é o seguinte: se você for o acionista de uma empresa privada e o seu executivo lhe propuser a venda da empresa nas condições em que a CVRD foi vendida, demita-o. Imediatamente. Imagine que você é o acionista principal de uma companhia. Aí aparece um banco para medir o valor de mercado da empresa e organizar o processo de venda. O banco diz que a empresa vale "x" e, em seguida, o mesmo banco participa do consórcio de investidores que compra a empresa por cerca de "x". Poucos anos depois, a empresa está valendo vinte ou trinta vezes "x". Você vendeu o ativo para pagar dívidas e hoje suas dívidas estão maiores do que antes. E o banco comprador fez um dos melhores negócios do mundo, um verdadeiro Nobel de relação custo-benefício. Como eu disse, é no mínimo demissão. No mínimo. Se a CVRD fosse vendida hoje em bolsa ela traria para o caixa do Tesouro recursos suficientes para cobrir quase metade do dinheiro público previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para os próximos cinco anos. Sim, você poderá argumentar que a valorização da CVRD deu-se pelo brilhante management da companhia depois de privatizada. Conversa. A Petrobrás é estatal e a trajetória dela nos últimos anos é tão brilhante quanto. Outro argumento é que a valorização da CVRD deu-se por causa do aumento de preço das commodities, coisa que não se podia prever. Não se podia prever? Mas como, se os encarregados de prever o futuro da empresa na época eram os maiores interessados em comprá-la? Tanto que acabaram comprando. Ah, sim, tem também o argumento de que se o negócio era previsivelmente tão bom teria aparecido no leilão da Vale um monte de gente disposta a fazer um negócio não necessariamente tão bom assim, mas ainda bom, o que teria elevado o preço da ação. Se você acredita nisso, se você acredita que um leilão dessa magnitude rege-se pelas "leis do mercado", então você entende mesmo de capitalismo. Do capitalismo de ouvir falar.

>> leia o post inteiro

Retrospectiva 68 - Parte 5

Primeiramente gostaria de pedir desculpas pelo post da edição de domingo da Folha. Desculpas justamente porque ele não existiu. Não tive tempo para ler ou escrever qualquer coisa. Nada me chamou a atenção... Prometo até o fim de semana escrever algo relevante sobre a Folha, nem que seja um resumo dos resumos das novelas, sei lá.


Bom, indo ao que interessa. Estas são as tiras do Meianoito (criado pelo Angeli) dos dias 6, 7 (duas), 8 e 9 de Junho, publicadas na Folha. Como essa retrospectiva está crescendo começarei a colocar links para as partes anteriores, caso alguém tenha perdido. Portanto, aqui vai:
Douglas

>> leia o post inteiro

4 de set de 2007

Análise da semana: revista veja

Analiso dessa vez a entrevista de João Doria Jr, empresário organizador do "Cansei", concedida à revista Veja de 29 de agosto de 2007. Passo os dados da edição, copio um trecho da entrevista e por fim faço meus comentários. Abraços a todos, Cae.
Revista Veja
Ed.2023 Ano 40 N. 34
29/08/2007
R$ 8,40
Tiragem 1.223.154
Páginas 158 (6 dessas páginas interna àqueles anúncios que se abrem em várias páginas)
86 páginas inteiras de propagada, sendo 2 de propagandas estatais (Nossa Caixa/Nosso Banco e Governo do Estado de São Paulo)
Somam-se a essas páginas 4 anúncios de 1/2 página e 5 anúncios de 1/3 de página.
Entrevista de João Dória Júnior:
comentado a reação ao movimento Cansei.
Veja - O senhor ficou surpreso com essa reação?
J.D.Jr - Da parte do governo, nós não esperávamos que ela viesse com tanta força, memo porque o "Cansei" não foi feito para ser um movimento de oposição ao governo Lula. É um movimento pelo Brasil. Mas essa reação do governo acabou permeando parte da mídia, mesmo aquela formada por jornalistas competentes, ilustres e com DNA democrático e que talvez pela falta do exercício da crítica acabaram também incorporando o movimento como algo golpista: "ah, vocês são contra o Lula, contra o pobre imigrante que veio para o sul a na carroceria de um caminhão..."
----------------------COMENTÁRIO----------------------------------------------------------
João Dória tem todo o direito de organizar um movimento a favor do que acha certo, é algo legítimo e coerente com o estado de direito. A elite econômica brasileira também tem, obviamente, todo o direito de protestar. Já comentei o movimento aqui, e não gostaria de comentá-lo de novo mas a entrevista da Veja me trouxe a isso. Acho um movimento supereestimado por todos os lados justamente. Quantas vezes vimos tamanha cobertura a marcha que reúne 2 mil pessoas? Pouquíssimas. O que mostra que pra grande parte da mídia a força de um movimento não está no número de pessoas que participa dele, mas sim quais pessoas, e a que interesses atendem.
Por que essas pessoas não evidenciam seus interesses? Pô, vir falar que não é um movimento de oposição e ainda ressaltar com um ufanista "é um movimento pelo Brasil" é duvidar da inteligência de muita gente, pra não dizer estelionato político. Em dado momento da entrevista Dória Jr. fala que os ricos tendem a se omitirem. Isso é uma mentira deslavada, o topo da pirâmide sócio-econômica nunca será omisso, sempre influirá no poder, é o espaço de ação política deles; não venha me dizer que a FIESP é omissa.
Como podem estar cansados se suas pretensões políticas são sempre contra o que é público, contra o bem comum. Basta lembrar as críticas quando foi inaugurado o corredor de ônibus na rebouças, em São Paulo, consideravam um absurdo, um escandâlo, na cabeça de tais indivíduos seria inconcebivel privilegiar o público ao invés do privado.
Enfim João Dória Jr. é assim, digno do movimento a que lidera. Se orgulha de trabalhar 17 horas por dia e de fazer passeios com cachorrinhos. E entre suas falas comete um lapso revelador de seus ideias e princípios. Ah os lapsos, quantas coisas revelam, ao utilizar o termo imigrante para se referir aos migrantes nordestinos que vêem a São Paulo Dória Jr. se vê justamente em outro país, o sul contra o resto, prega a divisão acirrada. Imigrar, segundo o Aurélio, é entrar num país estranho para nele viver, é usado praquele que vem de fora, que não faz parte daquele meio. O Brasil de Dória, e que ele diz ser defendido pelo seu movimento, é tão somente aquele do sul sendo que todo o resto é só um peso. É a elite tupiniquim: mesquinha, provinciana, que quer a democracia sem povo e no auge de sua mediocridade se vê no topo do mundo.

>> leia o post inteiro

Retrospectiva 68 - Parte 4

Essa retrospectiva tá sendo bem interessante de fazer. Eu sempre tenho pelo menos um post pra por no Blog. Parece que eu sou um membro muito ativo... Hoje as tiras publicadas nos dias 30 e 31 de Maio e 1º, 2 e 4 de Junho na Folha. Meiaoito é um personagem do Angeli...

Douglas

>> leia o post inteiro

3 de set de 2007

A elite brasileira?

O livro do Alberto Carlos, aquele sobre como pensam os brasileiros, é comumente colocado como uma prova da superioridade intelectual da elite brasileira. Escolarizados, cultos, liberais, o pacote completo. O Grama já escreveu sobre isso (clique aqui para ler), eu escrevi (clique aqui e aqui), o Mino Carta escreveu (o blog dele não abriu. Fica sem link mesmo), a Veja, todo mundo escreveu. É o assunto do momento, um dos pelo menos... Esse vídeo do Greenpeace é uma prova cabal de que a elite não é essa coisa sueca que existe no Brasil, mas sim um grupo de pessoas que detém poder sobre o resto. Só isso.

Nesse pequeno documentário de pouco mais de 11 minutos vemos como o poder legislativo e executivo da cidade de Junaí, no interior do Mato Grosso, impedem uma equipe do Greenpeace e de jornalistas de entrarem na área dos Enawene Nawe, grupo indígina que pede a redemarcação de suas terras. Segundo eles, um rio, essêncial para sua subsistência, está fora da demarcação anterior e trechos de terra foram invadidos por fazendeiros.

Por uma dessas coincidências todos os políticos e fazendeiros nas imagens abaixos são de partidos políticos de direita, mas, reafirmo, é só coincidência.

Segundo o blog do Josias, onde eu descobri o vídeo, o ocorrido foi informado ao governador do estado, Blairo Maggi, presidente do PR, mesmo partido do prefeito de Junaí, e ao procurador da República Mário Lúcio Avelar. Veremos se algúem faz alguma coisa...

Douglas

>> leia o post inteiro

Retrospectiva 68 - Parte 3

Enquanto muita gente tem mais coisa pra fazer, eu posto a terceira parte da Retrospectiva 68. Se é que alguém ainda lê este blog. Depois da greve a audiência caiu forte... Turma, vamos lá, ajudem a gente a ganhar algum prestígio, pô! É trabalho voluntário praticamente...

Hoje, as tira publicadas na Folha nos dias 24, 25, 26, 28 e 29 de Maio. Elas continuam sendo de autoria do Angeli. Clique na imagem para conseguir ler os balões.

Douglas

>> leia o post inteiro

2 de set de 2007

Retrospectiva 68 - Parte 2

Dando continuidade. Hoje as tiras publicadas na Folha de São Paulo nos dias 18, 19, 21, 22 e 23 de Maio.


Ah, pra quem não sabe, ou não reconheceu o traço, o Meiaoito é um personagem criado pelo Angeli.
Douglas

>> leia o post inteiro