7 de jun de 2007

Entrevista José Serra

Olá galera,
venho antes de mais nada pedir desculpas para o baixo nível de atualizações que tivemos no blog nos últimos dias. A movimentação aqui na UNICAMP está intensa e (falando por mim) tem desgastado bastante, apesar dos debates estarem sendo muito legais e produtivos. Passado esse pedio de desculpas encaminho uma entrevista que o governado José Serra concedeu ao Estado de São Paulo no último domingo. Abraço a todos, Caetano.

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6 de jun de 2007

Greve Comic apresenta:


Quem estiver interessando em escrever o roteiro entre em contato comigo.

Douglas Lambert
Midialogia

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5 de jun de 2007

Editorial da Carta Maior: A re-volta da política

Editorial publicado na Agência Carta Maior no dia 05/06/2007.
http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14271&boletim_id=303&componente_id=5843





A re-volta da política

Contra todos os prognósticos, a ocupação da USP resistiu à má-fé do tucanato, ao imobilismo de uma esquerda engessada no aparelho federal e de um PT em rota de colisão suicida contra a própria história. Bem-vinda re-volta da ação política.

Carta Maior

O movimento estudantil brasileiro tem uma história de luta e resistência, em defesa da democracia e de um projeto de desenvolvimento para o Brasil, que combine crescimento, combate à pobreza e justiça social. Foram os estudantes que, na época da ditadura militar, assumiram a linha de frente contra um regime autoritário, implantado no país a ferro e fogo, com o apoio das elites que conspiraram para derrubar o governo constitucional de João Goulart. Foram os estudantes que doaram sua energia, sua paixão e, muitas vezes, sua vida, para iniciar um movimento de resistência que durou vários anos e que culminou com a redemocratização do país. Foram os estudantes que criaram, em 1961, através da União Nacional de Estudantes (UNE), o Centro Popular de Cultura, reunindo artistas e intelectuais de diferentes áreas com o objetivo de construir uma cultura nacional, popular e democrática. A história de mobilizações dos estudantes brasileiros é, portanto, uma história de luta em defesa da justiça, da liberdade, da democracia e da melhoria de vida de um povo sofrido.

Agora, em 2007, foi preciso a teimosia de um grupo de estudantes que ocupou e sentou praça na reitoria da principal universidade brasileira, a USP, para que a opinião pública tivesse conhecimento do bolor germinado no ambiente acadêmico, após 12 anos de hegemonia tucana em São Paulo. Enquanto pode, o governador José Serra (PSDB), que fez campanha eleitoral enaltecendo o longínquo passado de ex-presidente da UNE, apascentou a letargia na qual florescem os letais cogumelos de irrelevância da ação política no país. Primeiro, tentou desqualificar as acusações contra decretos que ferem a autonomia constitucional das instituições de ensino superior do Estado, classificando-as como “uma ação política” (sic) de grupos privilegiados, que estudam de graça, lotam os pátios do campus com carrões último tipo e - só faltou dizer - saem de lá às sextas-feiras para altas baladas em clubes privês.

O decreto, portanto, era “republicano”, encenou em seguida, para repetir o cacoete elitista sempre que se trata de colocar o interesse da maioria sob intervenção pressurosa da plutocracia. A neblina retórica mal disfarça o deslocamento de um político que flutua no cargo enquanto espera pelas eleições de 2010. Submetido a um orçamento quase todo ele carimbado e sob a canga de uma Lei de Responsabilidade Fiscal criada pelos seus pares, Serra clama por oxigênio orçamentário para saciar o apetite de um projeto eleitoral. O cargo administrativo, paradoxalmente, sufoca seu projeto de chegar ao poder federal. Está desconfortável no papel que inventou para si mesmo. Os R$ 5,5 bilhões de reais dos orçamentos da USP, Unesp e Unicamp - algo como 9% da arrecadação do ICMS - surgiram à sua frente como o cofre ao alcance das mãos. E não adiantou intelectuais de esquerda, seus amigos, professores universitários, advertirem que o tiro sairia pela culatra. O apetite eleitoral cegou a visão administrativa e até mesmo o tirocínio político.

Contra todos os prognósticos, porém, a ocupação resistiu à má-fé do tucanato, ao imobilismo de uma esquerda engessada no aparelho federal e de um PT em rota de colisão suicida contra a própria história. E porque resistiu, ficamos sabendo então, finalmente, o que há por trás da imagem idílica que os tucanos de bico longo e idéias curtas vendem sobre a USP.

Há uma lista de mais de 800 alunos na fila de espera por uma vaga na residência universitária do campus da “elite” do país. Há um grupo que se cansou de esperar e mora num cortiço debaixo da arquibancada do centro esportivo universitário. Há meninas que tomam banho no chuveiro do estádio espiadas por seguranças, porque os vidros estão quebrados e ninguém nunca vai consertar. Ficamos sabendo que a luz das arquibancadas se apaga às 20 horas e que é preciso arrastar mesas e cadeiras para debaixo de um holofote externo para poder estudar. Que há classes com mais de 50 e até 60 alunos na Geografia e na História; que o concreto do prédio da FFLCH está caindo aos pedaços há anos e não há verbas para reforma, assim como não há e não haverá verbas para contratar mais professores no futuro, e que a situação vai piorar, segundo o prognóstico do diretor da faculdade, o sociólogo Gabriel Cohn.

Ficamos sabendo que o custo mensal por aluno na principal universidade brasileira é da ordem de R$ 2.300, contra R$ 26 mil em Harvard; e que os R$ 2.300 incluem não apenas a “mordomia” da turma que se abriga em quartos de tripla ocupação, mas o salário dos professores; a aposentadoria dos funcionários idosos; parte da pesquisa; a manutenção de laboratórios e a produção acadêmica que aumentou 51% nos últimos anos, enquanto o número de alunos cresceu 70% e o de professores não chegou a um terço disso. Ficamos sabendo, enfim, que a frustração profissional dos formandos, a exemplo do que ocorre com a juventude mundial mastigada nas engrenagens da deslocalização fabril, segue uma linha de continuidade incubada no descuido, no desalento, na despolitização e na opacidade intelectual que lateja na rotina desbotada desse conto de fadas da universidade de elite, ainda vendido pela mídia quatrocentona.

A elite paulista na verdade vendeu a fábrica da família e os novos big boss querem uma universidade que sirva para adestrar quadros just-in-time. E pesquisas com a mesma agilidade mercantil. “Operacionais”, diria o governador no decreto obsequioso aos mercados, mas repelido pelos estudantes, professores e funcionários, decretos que ele já atenuou duas vezes, sem convencer. Não convence porque os estudantes, os mestres e os funcionários enxergam o reboque caindo pelas paredes, os salários despencando nos holerites e esperanças profissionais escorregando pelos mercados desregulados. E porque disseram que não cola, de repente uma palavra insípida, branca e lisa como um azulejo de banheiro voltou a cintilar no verbete gasto de um país, cujo léxico e nexo continua na mira da ortodoxia conservadora e pelo cinismo supra-partidário.

“Autonomia”, dizem as faixas e os ocupantes de reitorias pelo Estado afora. “A autonomia está garantida”, respondem, nervosos, assessores do governador, enquanto a massa acossa as vizinhanças do palácio. Que país, afinal, ou melhor, que projeto de sociedade finalmente pulsa outra vez sob essa palavra-ônibus que os robóticos editorialistas conservadores querem circunscrever numa cabeça-de-alfinete jurídico-burocrática ou acomodar num patinete infantil? Eis a pergunta que a partir de agora estudantes, professores e funcionários terão que encarar. Depois de ressuscitarem as ruas e os campi, chegou a hora de decifrar esse enigma que sacode as maçanetas e força os trincos do ambiente embolorado de pragmatismo e da preguiça intelectual no qual florescem os cogumelos da irrelevância partidária brasileira. Bem-vinda re-volta da ação política, que mais uma vez na história brasileira renasceu das universidades, das lutas de estudantes, professores e funcionários – e que ela venha para invadir outros ambientes, crescer e multiplicar-se.

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3 de jun de 2007

Artigo escrito por Marina Bottega Michel


Surreal
escrito por Marina Bottega Michel, aluna de Midialogia - IA/UNICAMP

Gotas de chuva e sofás no asfalto: cena surreal, se descontextualizada. Tirei essa foto na manhã fria do dia 23 de maio - dia de Paralisação Nacional; e de susto para mim, ao perceber minha primeira greve de universitário que ali ganhava forma e força. Por susto, entenda-se “choque de coletivo”, de sacar “é, é pública sim!”.

O bonito (e possivelmente surreal) da foto é o que ela representa. Representa um coletivo que se manifesta, braços e mãos que se unem para erguer sofás e colocá-los na passagem como uma maneira de se fazer visto, para então se abrir a oportunidade de ser ouvido. Numa sociedade onde o indivíduo por ele mesmo, e só ele mesmo tem importância, no esquema “eu na minha e o resto que se dane”, é belíssimo constatar que ainda existe coletivo, que as pessoas vão para as ruas manifestar sua opinião e lutar por uma causa de todos, pública – mesmo sabendo que vai ter seu semestre totalmente atrasado e suas férias apagadas do calendário acadêmico.

Não concordo com barricada, ocupação nem nada disso; penso que antes de qualquer atitude, temos de refletir e discutir. Como o fazem os três garotos à direita da imagem; não ficaram sentados, levantaram-se muito cedo nesse dia terrivelmente frio (para quem está acostumado com o sol do interior paulista), e foram lá discutir o que se passa, e levar outros à discussão. Porque assim se realiza uma mudança sólida, com bases fortes: através do diálogo. Este, aliás, foi bastante evitado por nosso governador, José Serra. Numa tentativa de fugir da raia ou ignorar a responsabilidade pressuposta por seu cargo público ocupado por ele somente porque a maioria do povo assim quis, legitimamente. Agora, como fica a resposta a tanta democracia/ legitimidade exercida antes de ocupar o cargo?

A resposta não vem, quem dirá o diálogo. E não é por falta do povo se disponibilizar a conversar. Foram até lá, no Palácio; o que faltou? Chegar às cinco pra tomar o chá? Talvez a única forma mesmo de não fazer o movimento perder força seja ocupando a reitoria sem definir data para a saída. Afinal, outros caminhos mais sensatos foram recusados, ignorados de forma medíocre. Como se nada, NADA estivesse acontecendo. E a chuva cai, há sofás na rua, tudo por acaso?

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Vídeo da manifestação do dia 31/05

Realizado pelos estudantes em greve do Curso Superior de Audiovisual CTR ECA-USP

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Agradecimentos nacionais

Assim como o italiano, o neozelandês e o irlandês, também temos, aqui mesmo no Brasil, bravos visitantes solitários. Os únicos de sua região a chegarem a este Blog. Destaque para o nobre colega de Porto Alegre, que ficou conosco por quase 2 minutos e meio e visitou 3 páginas no dia 27 de Maio. A quem o Google Analytics dá uma taxa de rejeição a nosso site de 0,0%. Uma maravilha!

Muito obrigado ao colega gaúcho!

Temos também, na outra ponta do país, outro exemplo do desbravamento virtual. O único visitante do estado do Amapá. Sim, alguém em Macapá conseguiu entrar em nosso Blog, coisa que o senador de lá não gosta muito, por exatos 0 segundos! Isso no dia 30 de Maio. Quem sabe não era o próprio senador procurando alguma atividade subversiva... Tendo em vista que o Google Analytics deu ao visitante 100% de rejeição a este Blog, pode muito bem ser ele. Seriamos subversivos o bastante?

Ainda assim, segue o muito obrigado ao macapaense visitante.

Muito obrigado a todos os brasileiros que visitaram este Blog. Aos internautas das regiões de São Paulo, Campinas, Santo André, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Brasília, São José dos Campos, Americana, Curitiba, Florianópolis, Recife, Sorocaba, Uberlândia, Salvador, Cotia, Santos, Suzano, Barueri, Bauru, Maceió, Caxias do Sul, Ribeirão Preto, São Bernardo do Campo, Natal, Lorena, Taubaté, Fortaleza, Cascavel, Botucatu e aos solitários de Campo Grande, Indaiatuba, Juiz de Fora, Goiania, Araraquara, Porto Alegre, Pelotas, São Caetano Do Sul, Macapá, João Pessoa e Niterói.

Agradecemos também a todos os blogueiros que colocaram alguma referencia ao nosso Blog, seja em links ou em posts, e a todos aqueles que de alguma forma colaboraram para a divulgação desde espaço de informação. Que os 3.223 visitantes de 41 cidades estejam um pouco mais bem informados sobre os decretos do governador José Serra e que com isso possam ser capazes de formar uma opinião própria e independente, seja contra ou a favor.

Muito obrigado a todos.

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Agradecimentos internacionais


Mexendo no Google Analytics, pra quem não conhece é uma ferramenta que faz relatórios de visitas nos seus sites, descobri que um visitante italiano, no dia 26 de Maio, entrou neste Blog e ficou nele por 7 minutos. Visitou 6 páginas e depois foi provavelmente procurar alguma pornografia na rede.

Muito obrigado visitante italiano.

Gostaria de agradecer também ao governo chinês por não ter censurado nosso Blog. Segundo o mesmo Google Analitics, um visitante de Wuhan entrou neste Blog no primeiro dia do mês de Junho, anteontem, e ficou 0 segundos no site. Pode não ter visto muita coisa, pode não ter lido nada, pode ter entrado por engano, mas entrou. Certamente Parou Parou significa alguma coisa pornográfica em chinês...

Muito obrigado também ao visitante chinês, a menos que você seja do comite de censura.

A todos os visitantes internacionais, que certamente caíram neste Blog por acaso, muito obrigado. Obrigado a todos os suecos, franceses, alemães, suíços, espanhóis, portugueses, japoneses, estadunidenses, mexicanos, ao irlandês, o italiano, o canadense, o australiano e ao feliz neozelandês.

Thank you all for stopping by.

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