25 de mar de 2008

Não sei se todo mundo sabe da série de matérias a respeito da revista veja que o Luís Nassif vem fazendo. É o fenômeno mais recente do jornalismo-internet pois a partir de uma divulgação em rede a reperpercussão está sendo significativa, poucos blogs ignoram o fato e ao digitar "veja" no google a página com os artigos é a quarta da lista. Os textos de Nassif trabalham num sentido a explicitar pensamento conservador (ou neocon) que rege a linha editorial de veja, coloca inclusive um lance interessante da revista da abril como sendo expressão de sentimentos vingativos de uma classe média que teria perdido o poder político com a chegada de Lula à presidência.

Veja pega essa fatia do mercado, uma classe média altamente reativa e, digamos, qualifica atravé de seu local de autoridade um reacionarimo que, segundo a professora Ivana Bentes, da UFF, as pessoas tinham vergonha de demonstrar. A questão é interessante porque obviamente transcende a mera crítica jornalista entrando em uma questão mais profunda que é a atual configuração política do país. 

  De onde vem a credibilidade depositada na Veja? Certamente há identificação e seus leitores  se vêem representados na revista... na verdade não deixa de ser uma questão de afetos públicos e o "bom problema" -como dira a professora Iara, aqui da midialogia- é o de localizar idéias e, sobretudo sentimentos  que passam a ocupar papéis cada vez mais fundamentais na luta pelo poder.



Aqui vai o endereço para as matérias do Nassif (me parece que a cada semana ele publica um texto novo): o caso Veja.

E abaixo um artigo recente do Mainardi, que é um contraponto perfeito para engrandecer o dito acima:

Artigo: EU GOSTO DO IMPÉRIO, por Diogo Mainardi (VEJA)
– Cem anos no Iraque!

Esse era o mote da campanha eleitoral de John McCain. Ele foi ainda mais longe. Declarou que estaria disposto a manter as tropas americanas no Iraque por mil anos, por dez mil anos. Quando o eleitorado chiou, ele deu para trás, garantindo que a guerra terminaria muito antes disso. E terminaria porque ele saberia como ganhá-la.

Eu elegeria um candidato que prometesse:

– Cem anos na Rocinha!

Melhor ainda:

– Mil anos na Maré! Dez mil anos no Cantagalo!

A guerra no Iraque acaba de completar cinco anos. Em seu discurso no Pentágono, George W. Bush reconheceu a impopularidade do conflito, repetiu que os Estados Unidos acertaram ao derrubar Saddam Hussein e acrescentou que se trata de uma guerra que pode e tem de ser vencida. Os americanos erraram tudo nesses cinco anos. Erraram militarmente, erraram politicamente, erraram estrategicamente. O custo da guerra foi alto demais. George W. Bush tem de ser responsabilizado por isso. Mas eu topo dizer que os Estados Unidos acertaram ao derrubar o tirano genocida Saddam Hussein. E topo dizer também que a guerra no Iraque pode e tem de ser vencida.

O fracasso no Iraque está gerando uma onda isolacionista nos Estados Unidos. Uma onda igual a outra do passado: a que tentou impedir o país de entrar na II Guerra Mundial. Em vez de Charles Lindbergh, o herói do momento é Barack Obama. Isso é o pior que poderia acontecer. Eu gosto do Império. Eu gosto da idéia do Império. Creio que ele tem um papel regulador sem o qual o mundo acabaria se esfarelando. Eu sou o tupinambá colonizado que aceita voluntariamente parar de comer carne humana. Eu sou o caraíba rendido que oferece passivamente suas filhas púberes ao conquistador. Mas tem de haver uma contrapartida: o Império deve assumir suas responsabilidades de Império. No caso do Iraque, assumir responsabilidades significa combater até o fim a Al Qaeda, reprimir os bandos religiosos armados e fazer jorrar dez vezes mais petróleo. Nem que leve cem anos. Nem que leve mil anos. Nem que leve dez mil anos.

O debate político se infantilizou tremendamente nos últimos tempos. Foi mais um dos efeitos deletérios da guerra no Iraque. A retirada das tropas americanas produziria um massacre generalizado no país. Que essa hipótese atraia tanto consenso nos Estados Unidos é sinal de um abastardamento das idéias. O mundo é brutal. O mundo é perigoso. Alguém tem de policiá-lo. Alguém tem de bombardear os terroristas. Alguém tem de impor regras que sejam acatadas por todos. Alguém tem de deter os planos nucleares iranianos. Alguém tem de armar Israel. Só os Estados Unidos podem fazer tudo isso. O trato é muito simples: nós entramos com as filhas púberes, eles entram com os tanques.

– Cem anos no Iraque!

 

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