22 de ago de 2007

"Não somos todos idiotas!" ou sobre as palavras vazias do governo israelense.

O mapa abaixo refere-se aos territórios ocupados por Israel em Jerusalém Oriental e proximidades. É uma mapa elaborado por Regis Debray, um intelectual que, em 2006, foi encarregado pelo então presidente francês Jacques Chirac a elaborar um relatório sobre a situação das comunidades etnos-religiosas do Oriente Médio. Em 15 de janeiro de 2007, após extensa pesquisa, elaborou um memorando sobre a Palestina que foi publicado, no Brasil, esse mês pela revista Le Monde Diplomatique Brasil. Seguem-se ao mapa dois pequenos parágrafos do memorando onde Debray evidencia a hipocrisia das palavras israelenses, e mesmo da "Comunidade Internacional" frente ao conflito entre Israel e os palestinos.
"De 1994 a 2000, o número de colonos judeus nos territórios palestinos havia efetivamente dobrado. Desde os acordos de Oslo, de 1993, o número de Israelenses que se instalou na Cisjordânia iguala o dos 25 anos anteriores. No momento em que evocamos mais uma vez uma conferência internacional, seria nefasto refazer o inventário da situação ou da realidade atual. É inútil nomear uma nova comissão. Esse levantamento já foi feito bem mais de uma vez. Nenhum conflito no mundo foi tão bem documentado, mapeada e arquivado."

(...)


"O que mostram esses mapas? Que as bases físicas, econômicas e humanos de um "Estado palestino viável" estão em vias de desaparecimento, de forma que a "two state solution", o "divórcio justo e imparcial" (Amoz Oz), o território partilhado entre duas nações, um menor que o outro, desmilitarizado, porém soberano, viável e contínuo, parecem palavras vazias,a conjugar no futuro do pretérito."


(...)


"(...) a retirada de 8000 colonos -da faixa de gaza- (com um jornalista para cada 3 colonos) veio acompanhada, nos meses seguintes, da instalação discreta de 20.000 colonos em outras áreas. Gaza não fazia parte da herança sagrada, ao passo que a "Judéia-Samaria" é sua espinha dorsal. E Sharon nunca escondeu que essa remoção marginal tinha como contrapartida o reforço da presença israelense para além da linha verde (438.000 colonos até agora, incluindo 192.910 em Jerusalém Oriental);"


(...)


"De imediato: essa situação é sustentável no longo prazo, digamos, até o final desse século? Pode-se duvidar, visto o tanto que sua obsessão securitária oculta de insegurança para Israel e da inconsciência das pesadas predisposições da região, particularmente demográfica, informática e religiosa. Um governo europeu, ou vários, não podia avisar aos nossos amigos israelenses: 1)que não somos todos idiotas ; e 2)que, se há enganação, seus promotores não serão as primeiras vítimas, mas infelizmente, as últimas?"



é provável que o mapa esteja difícil de visualizar, mil desculpas, fiz o possível. Acho que ao clicar nele e ampliá-lo já dá uma melhorada. Mais material sobre o assunto: aqui um relatório elaborado por Alvaro Soto, coordenador especial da ONU pelo processo de paz no Oriente Médio (em inglês) e há também o livro recém publicado por Robert Fisk (correspondente em Beirute por do jornal inglês The independent) chamado Pobre Nação (ed. record) trata especificamente da questão libanesa. Ainda não o li mas estou curiosíssimo.


Abraços, cae.

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