10 de jun de 2007

E agora, José?


escrito por Caetano T. Biasi, Aluno de Midialogia IA/UNICAMP.

A greve é um ato político, não há dúvida, o que me faz ficar espantado com a critica de alguns de que as mobilizações atuais são de cunho político. Sim, elas são, e daí? Falou-se da volta da prática política diária nesse recente movimento nas públicas paulistas... sei lá, não tenho autoridade pra falar sobre isso e deixarei pra dar minha visão sobre o "Movimento" mais pra frente, só digo que realmente agora há uma atmosfera de diálogo, debate e reflexão. Ponto. Esclarecido isso agora vou para questão de "conjuntura".

O movimento chegou num ponto delicado, foi conquistado um avanço com o decreto declaratório de Serra mas com certeza não chegamos no centro da questão: não se faz politica para universidade através de decretos. Uma política para universidades deve necessariamente ser feita através do diálogo, permitindo que os mais diversos pontos de vista se expressem; talvez seja um modo de lidar com as coisas que esteja em desuso, principalmente se levarmos em conta o pragmatismo de decisões que são tomadas não levando o todo em consideração. Decisões assim podem representar mais eficiência para empresas e isso tem sua importância na sociedade, não nego, mas a universidade deve ser o ponto na sociedade onde decisões e práticas são viáveis de uma outra forma: priorizando a reflexão e mesmo o confronto de idéias. Qualquer outra forma de se propor uma política já é uma afronta ao espírito da própria instituição universidade.

Isso por si só já permite dizer que a greve deve continuar, ainda há pontos vitais para se avançar, o principal é a extinção da secretaria do ensino superior ou a retirada das públicas paulistas de lá, sendo levadas ou para a secretaria do desenvolvimento (junto com os orgãos de formento a pesquisa do estado) ou respondendo diretamente ao gabinete do governador. Assusta a forma como foi criada tal secretaria, um governador não pode (e não estou discutindo legalmente) simplesmente trocar o nome de uma secretaria com o propósito de criar um novo orgão. É uma situação estapafúrdia por si só, não necessariamente por se tratar de universidades, mudar o nome de Secretaria da Juventude, Esporte e Lazer para Secretaria da Agricultura seria inaceitável do mesmo jeito. Criando uma secretaria mutante dessa forma Serra descredibiliza instituições (e sabemos o quanto elas são necessárias para o real funcionamento da republica) e mostra aonde de fato reside seu autoritarismo: ele não está nem ai para instituições

Há um argumento por parte de alguns professores de que alunos querem continuar o movimento por mero idealismo, Serra não estaria disposto a tal derrota política é o argumento de docentes. Eu discordo e fico assustado quando vejo alguém como Francisco Miraglia (vice presidente da ADUSP) usar como argumento para saírem da greve já terem obtido (além do decreto declaratório) um reajuste de 3,37% em seus salários; professores universitários que não conseguem ver a questão como muito maior do que corporativismos como esse além de rebaixarem o caráter que permitiu ao movimento chegar aonde chegou e ter força e motivos (como acho que tem) para continuar faltam com o respeito aos alunos mobilizados até agora. Por bem temos duas medidas em vista: um decreto legislativo encaminhado `a ALESP e uma ação protocolada no tribunal de justiça de SP. São dois instrumentos frutos das manifestações na USP, na UNESP e na UNICAMP, e que podem muito bem serem abandonados dai a importância de chamar a atenção para tais medidas mantendo a greve conjunta entre professores, alunos e funcionários.

Um comentário:

Mag disse...

todos unidos numa mesma luta, até que é concedida uma pontualidade de um grupo e, pronto, a união se desfaz. Pq, no final das contas, as pontualidades cedidas amenizam, mascaram aquele ponto maior que de fato é comum aos participantes.
e aí fica nisso, um movimento que está dando tão certo pode ser jogado no buraco pq uns tiveram suas metas, suas pontualidades atingidas.
e os outros? às vezes parece que o diálogo é em vão. não deveria ser assim, por todas essas razões citadas pelo Cae.

que o movimento continue.