12 de jul de 2007

Financiamento e Ciência

Mario Araújo Filho comenta em seu blog a Reunião do Conselho da SBPC (sociedade brasileira para o progresso da ciência) e faz uma análise da entidade.

Domingo, Julho 08, 2007

SBPC: forte dependência de verbas oficiais

Mário Araújo Filho, de Belém do Pará

Neste sábado, 07/07, houve a primeira parte da Reunião do Conselho da SBPC. A reunião foi presidida pelo professor Ennio Candotti, cujo mandato termina agora. Participaram da reunião o presidente eleito Marco Antonio Raupp e membros da antiga e da nova diretoria, que toma posse na Assembléia Geral dos Socios da SBPC, a realizar-se esta semana.

Pouco antes da reunião do Conselho, reuniu-se a Comissão de Finanças, da qual sou membro. A Comissão aprecia as contas da SBPC, toma conhecimento de receitas, despesas etc. Durante essa reunião, chamei à atenção dos colegas para a enorme dependência da SBPC de verbas oficiais (MCT, CNPq,CAPES etc). A SBPC simplesmente não sobreviveria sem esses subsídios governamentais.

Comentei que a dependência desses recursos contribui para levar a entidade a atrelar-se cada vez mais ao governo, o que fica patente em várias de suas ações (ou inações: por exemplo, o silêncio diante dos escândalos acontecidos desde 2005, a partir do mensalão). São uma expressão disso as solenidades de abertura - nos últimos anos - das Reuniões da SBPC, cada vez mais oficialistas, para não dizer "chapa-branca". Aliás, se nem mesmo a UNE protesta nessas solenidades, por que iria a SBPC assumir críticas mais fortes ao governo? O inverso também é válido: se a SBPC não reclama, por que a UNE protestaria?

Ou seja: a dependência financeira tem implicações políticas. E essa pode ser uma das razões para o esvaziamento da entidade, com diretorias eleitas com menos de mil votos. Observe-se que a SBPC admite filiação não apenas de pesquisadores e professores universitários, mas também de professores do ensino médio e estudantes de qualquer grau de escolaridade. Isso significa que a representatividade da SBPC vai sendo mais e mais posta à prova, o que - percebe-se - preocupa os dirigentes, conselho e secretarias regional da SBPC, sem que respostas a esses desafios sejam encontradas.

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